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C O M U N I D A D E
Í T A L O - B R A S I L E I R A
www.comunitaitaliana.com.br
Ano 12
Nº84
Rio de Janeiro, 20 de abril de 2005
Diretor: Julio Vanni
ISSN 1676-3220
R$ 4,50
Diretor - Presidente: Pietro Domenico Petraglia
Conheça os
encantos de Lucca
FURLAN
A cara da Economia ítalo-brasileira
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Exclusivo: entrevista com o ministro
COSE NOSTRE
Julio Vanni
CALABRESES RECEBEM
HOMENAGEM NO DIA 2 DE ABRIL
FUNDADO EM MARÇO DE 1994
DIRETOR-PRESIDENTE / EDITOR:
Pietro Domenico Petraglia
(RJ23820JP)
DIRETOR:
Julio Cezar Vanni
VICE-DIRETOR EXECUTIVO:
Adroaldo Garani
PUBLICAÇÃO MENSAL E PRODUÇÃO:
Editora Comunità Ltda.
TIRAGEM:
30.000 exemplares
ESTA EDIÇÃO FOI CONCLUÍDA EM:
12/04/2005 às 12:30h
DISTRIBUIÇÃO:
Rio de Janeiro, Espírito Santo,
Rio Grande do Sul, Santa Catarina,
Bahia, Minas Gerais,
Amazonas, São Paulo
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SUBEDIÇÃO
Gisele Maia
REDAÇÃO:
Andressa Camargo,
e Gisele Maia
REVISÃO / TRADUÇÃO
Davi Raposo, Cristiana Cocco
PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO:
Alberto Carvalho
FOTO DE CAPA
Carla Romero / Valor / Ag. O Globo
COLABORADORES:
Franco Vicenzotti – Braz Maiolino
– Lan – Giuseppe D’Angelo (in
memoriam) – Pietro Polizzo
– Giovanni Crisafulli – Venceslao
Soligo – Marco Lucchesi –
Luca Martucci – Domenico De Masi
– Franco Urani – Francesco Alberoni
– Giovanni Meo Zilio - Guido Sonino
- Fernanda Maranesi
CORRESPONDENTES:
Ana Paula Torres (Roma)
Guilherme Aquino (Milão)
Comunità Italiana está aberto às
contribuições e pesquisas de estudiosos
brasileiros, italianos e estrangeiros.
Os artigos assinados são de inteira
responsabilidade de seus autores, sendo
assim, não refletem, necessariamente,
as opiniões e conceitos da Revista.
La rivista Comunità Italiana è aperta ai
contributi e alle ricerche di studiosi ed
esperti brasiliani, italiani e estranieri. I
collaboratori esprimono, nella massima
libertà, personali opinioni che non
riflettono necessariamente il pensiero
della direzione.
ISSN 1676-3220
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Filiato all’Associazione
Stampa Italiana in Brasile
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Órfãos
uito já se falou sobre o Papa “mais carismático” de todos os tempos. As aspas são porque acho injusto com os
outros. Batizado católico, não conheço profundamente
a história da Igreja.
Fala-se que passaram pelo santo cargo 265 homens, e até se cogita uma papisa, a “Joana” – provavelmente uma mulher influente sobre um papa ou uma esposa legítima, visto que até 1139 o celibato
não era obrigatório e Adriano II, por exemplo, viveu com mulher e filha no palácio.
Eles não puderam contar com a comunicação de massa dos nossos tempos, o que, aliás, poderia
ser desastroso para alguns, como o devasso Alexandre VI, um Bórgia que subornou os cardeais para ser
eleito. Conhecido pelas orgias e por ter dividido o mundo entre Portugal e seu país, a Espanha, se notabilizou pelo poder que deu a seus filhos César e Lucrécia.
Outros merecem nossas orações, como Júlio II, papa da Renascença responsável por mandar pintar
a Capela Sistina e pelo início da construção da Basílica de São Pedro.
Certo é que o papa Wojtyla soube empolgar multidões. O homem que visitou as mais diversas civilizações, se uniu a outros líderes religiosos em apelo à paz, foi conservador, combateu o comunismo,
mas se mostrou líder em questões polêmicas. Pode-se afirmar que foi hábil como fenômeno audiovisual, sabendo tocar corações, fazendo acreditar que a humanidade, afligida por violência e desigualdade,
castigada por catástrofes naturais, pode ser melhor.
No mais, confesso que sempre tive orgulho e me considero abençoado pelas palavras gravadas dentro da cúpula de São Pedro: “Tu sei Pietro e su questa pietra edificherò la mia chiesa...”.
“Una bastonata!” – Assim se referiram muitos às eleições que aconteceram em 13 regiões da Itália, no dia 4 de abril. Outros disseram até se tratar de uma homenagem ao Santo Padre, na semana dos funerais. O Forza
Italia, de Berlusconi, somou apenas 18% dos votos. A coalizão Casa da
Liberdade, que reúne além do partido do premier, a Aliança Nacional (exfascistas), A Liga Norte (separatistas) e parte dos antigos democratas cristãos, venceu apenas no Vêneto e na Lombardia. Piemonte, Lazio e Puglia,
regiões consideradas ganhas antes do pleito, foram para a esquerda.
Uma surpresa também para a esquerda, suprimida pelo poder do congresso e da mídia direitista. Agora, não se fala em outra coisa que não seja
a vitória da esquerda nas eleições políticas de 2006. Prevalecendo as previsões contrárias de Berlusconi, que disse em um programa de televisão
Pietro Petraglia
logo após o resultado negativo que a vitória de seu partido está garantida,
Editor
parece que veremos uma grande virada de mesa.
Basta esperar qual será o reflexo para os italianos residentes no exterior que irão às urnas pela primeira vez para eleger representantes no Parlamento italiano.
Violência – Ecoou em todo o mundo a notícia da chacina ocorrida recentemente no Rio de Janeiro com
a participação de policiais. Essa “classe” de policiais bandidos, comprometida e, pior, integrante do crime organizado, é sustentada pelo povo. É óbvio, mas é chocante e reforça o nosso sentimento de insegurança. Cada arma, cada bala é paga pelo contribuinte.
11 anos – Comunità Italiana completou 11 anos em março. Agradecemos a todos os leitores e patrocinadores que tornam o principal veículo de comunicação da comunidade ítalo-brasileira viável.
Cultura de qualidade – O Instituto Italiano de Cultura do Rio de Janeiro está promovendo iniciativas
que agradam a todos. Para alegria geral, seu diretor, Franco Vicenzotti, está empenhado em transformar
a Sala Itália num espaço, além de belo como é, mais aconchegante, com ar-refrigerado, novos assentos
e palco reformado. No último dia 7 de abril, quem foi assistir ao espetáculo “Nariz de Prata” (versão do
Italo Calvino), com o Omanë Teatro, de Marilena Bibas, se surpreendeu com o espaço café, que distribuía um bom espresso ou cappuccino para os convidados.
As terças e quintas-feiras, a Sala Itália dará lugar ao cinema italiano. Na estréia, dia 19 de abril, “Ladri di Biciclette”, de De Sica. Até 30 de agosto serão exibidos antigos e recentes sucessos como “La caduta dei dei” (Luchino Visconti-1969), “La Chiave” (Tinto Brass-1983), “L’Ultimo Imperatore” (Bernardo
Bertolucci-1989), “Pane e Tulipani (Silvio Soldini-1999). Para ter acesso à programação basta ligar para
2532-2146 ou acessar www.iicrio.org.br/info.htm
Outro programa imperdível é a exposição “Afrescos de Pompéia: A Beleza Revelada”, em cartaz a
partir do dia 12 no Museu Nacional de Belas Artes. Fora os afrescos – raramente fora do sítio arqueológico da Campania – a exposição exibe peças da coleção particular da imperatriz Maria Tereza Cristina.
EDITORIAL
Entretenimento com cultura e informação
COMUNITÀ ITALIANA
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ABRIL 2005
U
ma missa em louvor ao padroeiro dos
calabreses, San Francesco di Paola, realizada no Clube Italiano, em Niterói, no
último dia 3 de abril, foi carregada de emoção. Rezada pelo padre Constantino, titular da paróquia de S. Francisco de Paula,
na Barra da Tijuca, reuniu uma centena de
fiéis que aproveitaram a ocasião para orar
pelo Papa João Paulo II.
Ao final da missa, o comerciante Pasquale Annunziato Santoro, conhecido colaborador em atividades da comunidade
italiana no Rio de Janeiro, recebeu uma
homenagem da Assembléia Legislativa do
Estado. O deputado Adroaldo Peixoto Garani, autor de projeto que institui o dia 2 de
abril – dia da morte do santo calabrês – como “Dia da Colônia Calabresa no Estado do
Rio de Janeiro”, entregou moção de Louvor
a, como é conhecido, “Don” Pasquale, que
completara 88 anos dois dias antes, pelos
inúmeros serviços prestados à sociedade.
O deputado Adroaldo Garani entrega título a
Pasquale Santoro observado pelo presid. do Clube
Italiano Francesco Giglio e pelo pe. Constantino
GARANI BUSCA INSERÇÃO
DO IDIOMA ITALIANO
C
onhecido também como representante da comunidade italiana junto ao Governo do Estado
do Rio de Janeiro, Adroaldo afirmou que a homenagem aos calabreses radicados no Estado justifica-se pelo empenho desses cidadãos em fazer
“daqui um lugar melhor”. “Presentes em nossa capital desde 1845, eles foram fundamentais para
o desenvolvimento de nosso Estado. Como engenheiros, médicos, ou simplesmente como profis-
sionais liberais, jornaleiros, peixeiros e engraxates, eles estão presentes
na formação do povo fluminense”, declara o deputado ítalo-brasileiro.
Descendente de italianos da cidade de Savigno, na região da Emillia Romagna, Garani,
que também é diretor da Associação Cultural
Ítalo-Brasileira (ACIB), recebeu 33 mil votos
em 2002, quando se candidatou ao cargo atual.
Com experiência legislativa – este é o segundo
mandato como deputado, tendo antes ocupado
a secretaria de Transportes – Garani busca a inserção da língua italiana nas escolas públicas
estaduais. “A língua italiana não é somente a
mais bonita de todas, ela hoje ocupa um lugar
de destaque também devido ao estabelecimento aqui de muitas multinacionais. Com a entrada em vigor da eleição de deputados no exterior para o Parlamento italiano, a língua assume, acima de tudo, três características importantes: cultural, econômica e política”.
“Minha família estuda italiano. Quero dar
essa oportunidade a todos os cidadãos em nosso Estado”, conclui Adroaldo.
SENADORES ITALIANOS ADIAM VINDA AO RIO
MINISTRO TREMAGLIA
MINISTRO FINI
U
VIRÁ EM MAIO
VIRÁ EM JULHO
S
E
ma Comissione Affari Costituzionale, do Senado Italiano,
liderada pelo seu presidente, o senador Andrea Pastore, deveria se encontrar com a comunidade italiana do Rio no último
dia 9 de abril. A finalidade da visita era preparar a Campanha
Eleitoral e orientar as autoridades consulares e os eleitores sobre o direito de voto dos italianos residentes no exterior. Os
senadores italianos, porém, resolveram adiar a visita em virtude da morte do Papa.
egundo fontes do Ministero Affari Esteri, deverá chegar ao Rio de Janeiro no dia 29 de
maio, o ministro dos Italianos no Mundo, Mirko
Tremaglia, que pretende avaliar a receptividade
da comunidade italiana sobre as eleições em
que os italianos residentes no exterior votarão
pela primeira vez.
TRÁFICO QUASE MATA ITALIANO
SESSENTA ANOS DA 2ª GRANDE GUERRA
CONSOLATO INFORMA
F
C
S
ilho de um importante embaixador
italiano foi encontrado baleado numa favela do Rio de Janeiro. Segundo
testemunhas, o filho do diplomata é viciado em cocaína e teria discutido com
traficantes no momento de pagar pela
droga consumida. Foi o suficiente para
que atirassem com fuzil quatro vezes
nas suas pernas. De acordo com o laudo médico, o jovem continuará a andar,
porém teve numa das pernas uma redução de cinco centímetros.
REGIONE TOSCANA INVESTE
NEI GIOVANI ALL’ESTERO
I
l programma finanziario dell’anno
della Regione Toscana per assistere
i toscani all’estero é di Euro 723.360.
Circa  391.999,80, ossia, il 54,19%,
saranno per le iniziative a favore dei
giovani residenti all’estero che vogliano studiare all’Università per Stranieri
di Siena o nell’ Università di Pisa.
ABRIL 2005
/
omemora-se no próximo dia 8 de maio, os
60 anos do fim da Segunda Guerra Mundial.
Em homenagem aos soldados brasileiros que
combateram na Itália o nazi-fascismo, transcrevemos do livro Barga, Paese come tanti, do
jornalista Bruno Sereni, o seguinte texto:
(...) Afinal chegaram os soldados brasileiros depois de bombardearem a cidade de
Barga onde acreditavam estarem os alemães.
(...)Graças a afinidade de língua e o fervor religioso, os soldados brasileiros se entrosaram
com a população. Sensíveis ao sofrimento humano, os brasileiros cediam galochas e agasalhos aos necessitados, fornecendo-lhes, ainda,
alimento, cigarro e barras de chocolate. Modestos e gentis, passaram a freqüentar as casas
dos barguijanos, falando-lhes de suas famílias
no Brasil, mostravam fotografias de parentes
e se emocionavam.. Encantava os barguijanos
o fato dos soldados brasileiros comparecerem
às missas. Respeitosos, pediam ao pároco para
benzer medalhas e santinhos, principalmente
de Nossa Senhora. Quando foram, substituídos
pelos Bufalos canadenses, a população de Barga sentiu muito.
COMUNITÀ ITALIANA
m julho virá ao Rio
de Janeiro o ministro
das Relações Exteriores
da Itália, Gianfranco
Fini, um dos mais notáveis políticos do momento italiano.
ono stati recentemente ammessi ai voto i referendum abrogativi di alcune disposizioni
normative relative alla procreazione medicalmente assistita (Legge 19 febbrario 2004 n. 40). Nei
primi giorni di aprile dovrebbero essere decise le
date di effetuazione dei referendum abrogativi
che dovrebbero ricadere nel periodo 21 maggio
- 12 giugno, 2005.
Come noto i cittadini residenti all’estero sono ammessi a votare per i referendum o votando
nello stato estero di residenza o optando per il
voto in Italia entro dieci giorni dall’indizione
del referendum.
Al fine di poter essere ammessi al previsto voto por corrispondenza gli italiani residenti nella
circoscrizione che non siano iscritti nei registri
AIRE (Albo Italiani Residenti all’ Estero) sono invitati ad aggiornare la propria posizione anagrafica recandosi presso il Consolato Generale di Rio
de Janeiro. É invitato altresì ad aggiornare la propria posizione anche chi, pur essendo iscritto all’AIRE, debba segnalare cambiamenti di indirizzo
per consentire il corretto inoltro della corrispondenza che il Consolato Generale invierà quando
verrà formalmente indetto il referendum.
3
Mondo
Mondo
N
“Este Papa merece o título de
‘grande’”, afirma frei Constantino
Comunità all’estero: il saluto
al Papa dei giovani e dell’amore
C
ordoglio da tutto il mondo per la morte di Giovanni Paolo II, in
particolare dai rappresentanti più importanti delle comunità italiane all’estero. In prima linea, il Ministro per gli Italiani nel Mondo, Mirko Tremaglia, presente anche lui in Piazza San Pietro.
“Questo Pontefice ha cambiato la storia del mondo con la forza meravigliosa delle sue parole e del suo esempio”, ha dichiarato il Ministro,
che, ricordando le parole del Pontefice nel suo discorso in Brasile agli
italiani di Curitiba, il 6 luglio 1980, ha proseguito sottolineando come
“in questo modo il Papa sia riuscito a toccare il cuore degli Italiani nel
Mondo con parole che riempiono chiunque di coraggio: credere in Dio e
credere nella Patria”.
Sentito e commosso anche il messaggio che Franco Narducci ha inviato a nome del Consiglio Generale degli Italiani all’Estero alla Segreteria di
Stato del Vaticano e nel quale esprime “il suo profondo cordoglio e dolore
per la morte del Santo Padre Giovanni Paolo II”.
“Un grande Papa – si legge nel messaggio - che ha segnato la storia
del Novecento, ci ha lasciati per sempre e gli italiani emigrati vogliono
testimoniare la gratitudine che hanno sempre avuto per il Santo Padre”.
Si sono unite al dolore profondo per la perdita del Santo Padre le
Acli della Svizzera, che, in un messaggio, hanno ricordato l’attenzione
dimostrata in ogni occasione da Giovanni Paolo II “per l’emigrazione,
un fenomeno che conosceva fin da giovane, poiché anche dalla sua
amata Polonia erano partiti milioni di cittadini verso terre lontane in
cerca di lavoro e di pane, e la sua benedizione ha accompagnato sempre gli emigrati”.
Un pontefice ricordato come uomo di valore anche da Angelo Saracini, Presidente del Comites Grecia, che sottolinea di aver “avuto l’onore
e il privilegio” di conoscerlo da vicino durante la visita che effettuò il
4 maggio 2001 proprio in Grecia. In quell’occasione, prosegue Saracini,
“come consulente tecnico del Nunzio Apostolico in Grecia, Mons. Paolo
Tabet, e nei giorni della permanenza del Papa presso la Nunziatura Apostolica, assistetti direttamente ad un colloquio tra stretti collaboratori
della Nunziatura e capii quanto il Papa fosse prima di tutto uomo”.
Parole commosse sono state scritte, infine, da Egidio Todeschini che, in
un articolo, ha voluto ricordare alcune parole del Pontefice, “quelle sussurrate, negli ultimi due giorni della sua esistenza, con un esiguo filo di voce
o lette sulle sue labbra da chi gli stava vicino. Ripetutamente durante il
suo pontificato ci ha detto: Non abbiate paura”.
Todeschini ha ricordato Giovanni Paolo II come il Papa dei giovani, “conquistati con la simpatia, con la battuta di spirito, con la spontaneità della
sua partecipazione ai canti, perfino alle danze, ma anche con l’insistente
invito all’amore, da dare ed accettare incondizionatamente”.
“Ha avuto ragione – conclude - se, a pregare, a piangere e a chiamarlo
affettuosamente per nome, ci sono soprattutto giovani, in Piazza San Pietro. Ai quali rivolge l’ultimo, amoroso addio pieno di gratitudine: “Vi ho
chiamati. Siete venuti e vi ringrazio”.
4
N
ascido na Calábria, o frei Constantino Mandarino é responsável
pela Paróquia de São Francisco de Paula, na Barra da Tijuca, que,
como ele mesmo afirma, “se constitui ponto de referência da comunidade italiana católica do Rio de Janeiro”. Em fevereiro de
1965, já graduado em filosofia e teologia pela Universidade Lateranense, foi ordenado sacerdote em Roma. Saiu da Itália no ano seguinte para
coordenar paróquias no Canadá e nos Estados Unidos. Em seguida, veio
morar no Brasil, onde permaneceu de 1972 a 1990. Entre 1990 e 1992,
esteve em Roma novamente e, lá, se encontrou diversas vezes com João
Paulo II. Quando decidiu retornar às Américas, passou primeiro por Los
Angeles e, em seguida, fixou residência no Rio. Assumiu, em 2003, a
missão pastoral na igreja da Barra. Abalado pela morte do Papa, o padre
Constantino fala, na entrevista a seguir, sobre sua admiração pelo líder
católico e suas expectativas para a próxima eleição do Vaticatino.
Comunità - Que homenagens a comunidade italiana do Brasil tem
prestado ao Papa João Paulo II?
Pe. Constantino - Não tenho conhecimento de alguma atividade específica promovida pela colônia italiana no Brasil, mas é certo que cada
italiano se unirá a todo o povo de Deus para prestar homenagem ao
Papa, grande líder da Igreja Católica e da Humanidade. Aqui na Barra
da Tijuca, programamos uma liturgia eucarística no dia 8 de abril. A
Paróquia de São Francisco de Paula, ponto de referência para a comunidade Italiana, teve, nesse dia, a presença forte dos jovens, pois João
Paulo II não escondeu seu amor e predileção por eles.
CI- Quais são as suas impressões mais gerais sobre esses últimos
26 anos da história do Vaticano?
Pe. Constantino - Não há duvida alguma de que este Papa merece o
título de “grande” que a história lhe atribuiu. Todos reconhecem a contribuição de João Paulo II na promoção da paz, do respeito, da liberdade
religiosa, do ecumenismo, da solidariedade, da identidade familiar. Além
disso, o Papa exaltou: enquanto houver ricos e pobres, a sociedade não
caminha pelas veredas do nosso Criador. Mas acredito que a maior herança que o Papa nos deixa é seu testemunho como ser humano e cristão,
pois ele encarnou os valores do Evangelho, o que será certamente reconhecido pela Igreja, quando, daqui a cinco anos, se iniciar o processo de
beatificação. Ele foi extraordinário, pelo seu carisma. Todos vêem nele o
líder da Igreja Católica. Mas devo lembrar que é também necessário ver
o Papa com os olhos da fé e, quando alguém se arrisca a dar um juízo,
não deve esquecer este fator para não cair no superficialismo.
CI- O que o senhor espera do novo Papa?
Pe. Constantino - Tenho certeza de que o Espírito Santo escolherá a
pessoa adequada para continuar a dirigir sua Igreja. Uma pessoa que
responda às exigências da atual sociedade. O Papa não é apenas o líder da Igreja,
pois a dimensão moral dessa instituição influencia toda a humanidade.
CI- Qual seria o impacto da Igreja Católica na América Latina se o
novo Papa fosse brasileiro?
Pe. Constantino - A Igreja do Brasil ficaria extremamente agradecida
a Deus por esta possibilidade. Assim como aconteceu com o povo da
Polônia quando João Paulo II foi eleito. Mas o impacto será simplesmente na ordem das emoções: sem negar a sua origem e humanidade,
o Papa deve guiar a todos indistintamente.
COMUNITÀ ITALIANA
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ABRIL 2005
O legado da paz
Faustino Teixeira
PPCIR-UFJF
ão há dúvida de que o papa João Paulo II será lembrado sobretudo pelo
seu grande testemunho em favor da
paz. Num tempo marcado por tanta
violência e disputas, por competições e busca
de produtividade, o papa deixa um rastro diferenciado: sinalizado pela afirmação da gratuidade, do testemunho ético e da solidariedade
universal. Um de seus gestos mais corajosos
foi manter acesa a chama de suas convicções
contra a guerra, mesmo quando grandes nações
do mundo, atormentadas pelo desencontro terrorista, apostavam nos caminhos sombrios do
revide e nas teses conturbadas do choque de civilizações. Para João Paulo II, a travessia para
a felicidade do mundo estava em outra direção,
na teimosa afirmação de uma utopia de solidariedade entre os povos e entre as religiões.
Como um “ícone branco do Ocidente” batalhou
até o fim de seus dias em favor do diálogo entre as religiões, com gestos de grande ousadia
para o tempo e para as igrejas, confundindo e
atormentando setores da cúria romana que não
estavam disponibilizados a vivenciar a novidade de um misterioso vínculo espiritual entre
as religiões. As imagens mais fortes e sublimes
de sua trajetória nestes quase vinte e sete anos
de pontificado foram aquelas que expressaram
a humildade e a disposição de um aprendizado com a alteridade, como a sensibilidade que
acompanhou a Jornada Mundial de Oração pela
Paz, em Assis (1986), onde lideranças de várias
tradições reliosas puderam juntos celebrar o valor transcendente da paz a partir de uma experiência partilhada de oração. O papa acreditava
firmemente que a defesa da sacralidade da dignidade humana encontra sua fonte mais sublime em raízes místicas que estão esquecidas ou
obstruídas no Ocidente. Ele afirmou mais com
sua figura carismática e seus gestos do que com
suas palavras sua crença na ecumene abraâmica, no comum patrimônio que une judeus, cristãos e muçulmanos e a necessidade de um empenho comum em favor do cuidado com todas
as comunidade de vida e a integridade da criação. A paz é um dos valores mais sublimes e essenciais de nosso tempo e só acontece quando
redimensionamos nossas relações com a Terra,
com as outras pessoas, culturas e religiões. Não
há caminho possível para um futuro harmonioso
fora do diálogo. Como afirmou João Paulo II aos
representantes das várias religiões da Índia, em
fevereiro de 1986, é na abertura aos outros que
nos abrimos a Deus.
PARLIAMONE
[email protected]
con l’Avvocato Giuseppe Fusco
D
G
iuseppe Fusco, Pino per gli amici, é un casertano trapiantato a Trento nel 1960 e catapultato a Rio de Janeiro nel 1980 dal Ministero degli Affari Esteri per insegnare e
poi dirigere la Scuola Italiana “G.Marconi”, purtroppo chiusa
da diversi anni.
Dal 1990 al 1995 ha coordinato, sempre per conto del Ministero degli Esteri, i Corsi di Lingua e Cultura Italiana per i discendenti negli Stati di Rio de Janeiro, Espirito Santo e Bahia.
É stato anche molto attivo nella comunitá italiana, dove, fra
l`altro, ha fondato, assieme all`artista e corista del Teatro Municipale di Rio de janeiro Julia Mosciaro, il Coro Italia e diversi
spettacoli musicali e operistici nella Casa d´Italia e nell’entroterra dello stato.
Nel 1993 ha ricevuto l`onorificenza di Cavaliere al Merito
della Repubblica Italiana
Laureato in Legge alla PUC/RJ, é avvocato iscritto alla OAB/
RJ e dopo due anni e mezzo di volontariato in Amazzonia, assistenza giuridica gratuita, difesa e rieducazione di “menores infratores” (nell`isola di Parintins) e un anno trascorso in Italia,
ha deciso di ritornare a Rio de Janeiro.
Siamo sicuri che i nostri lettori troveranno in Pino Fusco un
punto di riferimento attraverso la rubrica “PARLIAMONE”.
ABRIL 2005
/
COMUNITÀ ITALIANA
opo alcuni anni, eccomi di ritorno. Verrebbe da dire: - Dove eravamo rimasti? Invece dico: - Da dove comincio?
Felice (forse) pensionato dello Stato, rientro per (diciamo cosí) rigenerare
il fisico e l’intelletto, appesantito il primo, obnubilato il secondo.
Il clima tropicale, la bellezza e la luminosità di Rio assieme all’accoglienza rinfrancano lo spirito e, speriamo, alleggeriscano anche il corpo, ancora pieno di buon
vino,pastasciutte favolose, polente trentine, luganeghe e grappini corroboranti.
Intanto riprendo a scrivere su ComunitàItaliana, questa bella Rivista che
ho visto nascere e che ha fatto tanta strada.
Di che cosa parleremo? Di tutto un po’. Dipende soprattutto da voi: scrivete,
telefonate, chiedete, commentate, criticate, elogiate (sempre, naturalmente!).
Suggerimenti: giustizia, cittadinanza, letteratura italiana, storia, filosofia,
curiosità, attualità... ce n’é per tutti.
Per esempio, oggi mi viene in mente il riconoscimento della cittadinanza
italiana ai discendenti delle persone nate nel territori che facevano parte dell’Impero Austro-Ungarico.
La materia è regolata dalla Legge 379/2000.
Chi sono gli interessati? Sono discendenti delle persone nate nei territori
dell’Impero Asburgico, oggi Provincie di Trento e Bolzano (Regione Trentino
Alto Adige) e Gorizia nonché i territori italiani ceduti alla Jugoslavia con il
Trattato di Parigi (10/12/1947) e di Osimo (16/07/1920) che abitavano là e
che emigrarono all’estero dal 25/12/1867 (fondazione dell’Impero Austro-Ungarico) al 16/07/1920 (entrata in vigore del Trattato di pace di San Germain.
Chi ha diritto al riconoscimento della cittadinanza?
1) I discendenti della linea paterna fino al 31/12/1947 e dal 01/01/1948
anche quelli della linea materna;
2) la condizione unica è l’appartenenza al gruppo linguistico e etnico italiano (ius sanguinis).
I documenti da allegare all’istanza sono parecchi e quindi è meglio chiedere in Consolato.
Tuttavia comunico agli interessati che il 20 dicembre di quest’anno scade
il termine per la presentazione delle domande.
Siamo d’accordo? Allora, parliamone....
5
Marco Lucchesi – Intervista
letteratura italiana fatta in Brasile, da più di cent’anni e talvolta trascurata
o sconosciuta dai ricercatori e dagli insegnanti di letteratura italiana...
Mia - In Italia solo da qualche anno è stata scoperta la letteratura d’emigrazione, germe dell’attuale produzione degli scrittori italiani fuori confine, proprio
grazie al passaggio del paese da deriva di emigrazione ad asilo di immigrazione.
Il fenomeno dell’emigrazione in realtà, il più profondo che la storia italiana abbia conosciuto, è stato deliberatamente ignorato per la volontà di seppellire un
percorso “straccione”.
Gli intellettuali italiani all’estero, invece, anche di lingua straniera, e il loro
corrispettivo intraterritoriale, sono parte integrante della cultura di un’Italia finalmente sbancata dal proprio monoculturalismo e provincialismo.
L’unico problema è ancora, a mio avviso, quello dell’individuazione di un
pubblico per ambedue le sponde della presenza italiana. E questo è un lavoro
che spetta agli scrittori stessi, ai critici curiosi, agli editori accorti per una letteratura viva, però, lontana dalle operazioni archeologiche che tanto piacciono
agli accademici.
Lucchesi - Parlami del tuo laboratorio a Lucca e della tua ricerca con il poeta brasiliano (ma anche di espressione italiana) Julio Monteiro Martins.
Mia - Sono grata a Julio Monteiro Martins per avermi chiamata a ragionare di
poesia con gli allievi iscritti al Master di scrittura creativa della sua “Sagarana”, a cui è collegato il bel trimestrale on-line, a cui collaboro, che grazie alle
due anime dello scrittore brasiliano, da dieci anni nel nostro paese, dove ha già
pubblicato due raccolte di racconti in italiano e un romanzo, si pone appunto
come interfaccia tra il Brasile e l’Italia, e nella sezione Ibridazioni in particolare
approfondisce i temi legati alla migranza.
Monteiro Martins svolge annualmente a Lucca un seminario che fa proprio
il punto sulle evoluzioni e i cambiamenti delle letteratura italiana della migrazione, e che viene registrato e integralmente riversato
nel sito della Scuola/Rivista
(www.sagarana.net).
Lucchesi -La tua poesia
invece...
Mia - Sono cresciuta all’interno di “un’officina poetica”, in tutta semplicità,
all’umile torchio del sentimento quotidiano, e ne ho ricavata una concezione artisticamente e moralmente
artigianale del fare poesia, lontana dai pulpiti declamatori e dalle accademie. Non
sono una poetessa prolifica, anche perché mi piace dedicarmi alla scrittura degli
altri. E perché scrivo parallelamente altri generi: libri per bambini, racconti, teatro.
Non so se troverò mai un editore tanto incosciente da darmi retta, ma mi piacerebbe molto pubblicare questi generi diversi e complementari in edizioni promiscue,
in cui la prosa e la poesia fossero reciprocamente di sostegno alla lettura di un
corpo unico, che restituisse la struttura musicale in tutti i suoi andamenti. Vengo
da una famiglia di musicanti e le mie ispirazioni poetiche sono proprio musicali.
Forse sono semplicemente una musicista mancata e cerco di suonare nella maniera
più onesta possibile l’unico strumento che mi è stato permesso di toccare.
Verso Una Cittad inanza Letteraria
I
n tempi bui, o davvero strani, a dir poco,
di quanto si vive in Italia nei suoi rapporti con altri sguardi, e voci, e lingue,
Mia Lecomte pare una luce del tutto (o
quasi) solitaria. Comparatista e ricercatrice, il suo lavoro si rivolge allo studio
della letteratura scritta in italiano da
non italiani (tra cui il poeta brasiliano Heleno
de Oliveira) e così realizza una prospettiva di
una cosiddetta inclusione di valori letterari che
si fondano sulla diversità.
Lucchesi - Vorrei sentire da te come e quando
è iniziato il tuo interesse per una letteratura
italiana scritta e vissuta aldilà dei suoi confini prettamente geografici.
Mia - E’ stato nel 1997, in seguito alla pubblicazione di un libro, realizzato con il fotografo Sebastian Cortés, sui luoghi della poesia italiana. Si
intitolava Luoghi poetici (Loggia de’Lanzi, Firenze) e vi erano antologizzati ventun poeti di tre
generazioni, fotografati con immagini e parole nei
luoghi in cui avevano voluto riconoscersi. L’idea e
il taglio insoliti per il mercato editoriale italiano
gli procurarono un discreto successo, e spinsero
me, e la mia connaturale inquietudine rispetto ai
progetti realizzati, a cercare ancora, e altrove, altri “luoghi” poetici, più vergini e in qualche modo
autentici. Mi sono chiesta se per caso anche in
Italia, nonostante il suo passato coloniale limita6
to, stesse affacciandosi qualcosa di simile a quello che si era manifestato in altri paesi di antica
e consolidata immigrazione, se ci fosse in atto
un’ipotesi in qualche modo ascrivibile al filone
delle letterature post-coloniali sviluppata da autori stranieri che scrivevano in italiano.
La nascita della letteratura della migrazione
italofona risale agli inizi degli anni ‘90. Quando
cominciai a cercare i miei poeti, se la narrativa
aveva già fatto dei progressi, di poesia si parlava ancora molto poco. E’ nata così la collana
“Cittadini della poesia”, che finora ha pubblicato cinque quaderni antologici (Loggia de’Lanzi
editore, Firenze), divisi per aree geografiche, e
ha da poco inaugurato il passaggio all’editrice
Zone di Roma con un corso monografico avviato proprio con le raccolte di due brasiliani: “Se
fosse vera la notte” di Heleno Oliveira e il Murilo Mendes delle poesie italiane di “Ipotesi”, ristampate a cura di Luciana Stegagno Picchio.
L’interesse per la letteratura di immigrazione
mi ha portata in seguito a quello per la letteratura d’emigrazione, di cui non mi ritengo assolutamente un’esperta, prodotta in italiano o altra
lingua fuori dai confini d’Italia, e in particolare
in Australia, nei territori ispanoamericani, negli
Stati Uniti e in Brasile.
Il mio sguardo alle letterature “altre”, comunque, ha anche e soprattutto una giustifica-
zione personale, biografica. Io stessa sono francese, ma nata a Milano e cresciuta in Svizzera. Mi
sono imparentata con la letteratura sicuramente
attraverso mio padre Yves, poeta francese, che
ha voluto coinvolgermi nella traduzione dei propri testi dal francese all’italiano. La lontananza
dal mio paese natale, in compagnia di un padre
lontano dal suo, che traducevo da un francese
comunque sua esclusiva proprietà nella lingua di
un paese in cui non mi identificavo, mi ha strutturata psicologicamente e culturalmente come
una sorta di apolide in pantofole. Uno spaesamento che mi ha messa sulle tracce di altri spaesamenti, fino a ritrovare la pista dell’importante
movimento migratorio che costituisce il tessuto
di percorsi che contraddistingue la nostra epoca.
Solo la cittadinanza letteraria mi ha garantito
qualche diritto, e l’opportunità di una reale condivisione, di valori e sentimenti, e suoni.
Lucchesi -Il campo della tua ricerca mi pare davvero avvincente, poiché sviluppi delle
considerazioni letterarie e storiche assai ampie, dagl’emigranti italiani o discendenti agli
stranieri che vivono in Italia e utilizzano la
nuova lingua come espressione letteraria.
Mia - Quello della migrazione non è un epifenomeno. In realtà la stessa storia dell’umanità
è caratterizzata dal movimento di popolazioni,
nonostante la visione distorta che ha cercato di
COMUNITÀ ITALIANA
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ABRIL 2005
conservatrice/eversiva insita nella sua storia. Una
costituzione linguistica giovane, con un antico e
nobile passato di rivoluzioni e restaurazioni alle
spalle, di cui si è persa memoria.
Lucchesi - Una prospettiva assai dibattuta sarebbe quella di analizzare i confini di
una ricerca come la tua, in cui si ravvisa un
aspetto del tutto letterario (a cui badi) e un
altro aspetto culturale (a cui stai attenta).
Ci sarebbe una dialettica precisa tra cultura
e letteratura, oppure una sovrapposizione di
questa a scapito di quella?
Mia - Io parlerei in questo caso, non so se riesco
a spiegarmi, di una cultura “liofilizzata”, quella
d’origine - degli italiani all’estero o degli stranieri in Italia - che si sviluppa al reagente della nuova lingua/letteratura, con imprevedibili e
inaspettate fioriture. Qualcosa di molto piccolo,
necessariamente adatto a viaggiare e attraversare frontiere, a essere nascosto e custodito che,
giunti a destinazione e dopo un periodo di acclimatamento, si risveglia dalla morte apparente
e cresce, cresce alimentato dalle stimolanti, se
pur difficili, condizioni del nuovo habitat.
D’altro canto, a distanza spazio-temporale,
lo sguardo della migrazione sulla terra d’origine
ne coglie a sua volta l’essenza, ripulita dai sentimenti della quotidianità. Non uno sguardo irrealmente ideale, dunque, ma piuttosto, ancora una
volta, all’identità distillata di un paese, purgata
dalle bassezze della sua popolazione umana.
Lucchesi -Il tuo lavoro apre le porte alla riconoscenza del valore letterario e umano di una
ABRIL 2005
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COMUNITÀ ITALIANA
Mia Lecomte
Il fenomeno
dell’emigrazione
è stato
deliberatamente
ignorato per
la volontà
di seppellire
un percorso
“straccione”
imporci il nazionalismo degli ultimi cento anni.
Sappiamo che poco meno del 5% della popolazione mondiale è attualmente “in marcia”. E
questa marcia porta alla ribalta concetti fondamentali per la reale comprensione della nuova
realtà che continuiamo poco consapevolmente a
chiamare mondo: quello di “limite”, a ricordarci che rimane sempre un’altra barriera da oltrepassare; quello di “meticciamento”, che produce
generazioni bastarde e meravigliosamente uniche; quello di identità, rigorosamente plurale e
soprattutto dinamica.
Il caso delle letteratura della migrazione in
italiano è estremamente importante per la sua
unicità: una lingua senza un passato coloniale tale da ricondurla al filone delle letterature post-coloniali - con cui condivide comunque molti risultati espressivi - scelta al di là di qualsiasi imposizione implicita o esplicita, che viene conquistata
e fatta propria con più difficoltà, più lentamente
e laboriosamente, e proprio per questo rinnovata
molto più radicalmente. Sono modificazioni quasi impercettibili che vanno di pari passo con la
padronanza spregiudicata della lingua parlata,
ma che agiscono in maniera sotterranea. È proprio una peculiarità della lingua italiana quella
di essere caratterizzata da una doppia spinta
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Itália - Turismo
habitantes) da Europa, Lucca mantém como patrimônio da sua grandeza histórica, além da amurada e
do seu centro, a primeira Câmara
de Comércio do mundo, criada em
1214 como Corte dei Mercanti.
A fim de preservar o amor dos
emigrados pela sua terra, a Câmara
de Comércio, Industria, Artesanato
e Agricultura de Lucca – este é o
seu nome completo - contando com
o apoio do governo da Província,
da Prefeitura e da Associazione dei
Lucchesi nel Mondo, outorga, anualmente, após rigorosa seleção, a medalha de ouro a lucchesi e descendentes que no exterior têm honrado
e dignificado a Província e a Itália.
Mais de 20 lucchesi residentes no
Brasil já foram contemplados com a
valiosa medalha nos últimos anos.
Lucca medieval,
L
ucca é uma cidade especial. A imponente amurada que a cerca a coloca
entre as mais curiosas do mundo. Mesmo se destacando na atualidade como
centro de cultura dos mais notáveis da Europa, estranhamente não se insere no contexto
turístico da região que já conta com Florença,
Pisa, Siena e São Geminiano como principais
atrações. Sem apoio das empresas promotoras
do turismo e da mídia italiana no âmbito internacional, Lucca tem sabido como atrair e
cativar milhares de turistas que diariamente a
visitam, ou os que simplesmente passam pela
porta da cidade no roteiro Firenze-Pisa. Valendo-se da velha rivalidade com os pisanos,
os lucchesi afirmam que a torre pendente é a
única atração da vizinha cidade.
SUA HISTÓRIA E O MURO
Lucca foi fundada por romanos em território
etrusco a fim de proteger a população contra invasões inimigas. Sua história é prenhe
de acontecimentos políticos, realizações comerciais, manifestações culturais e de invasões estrangeiras. Desde a invasão longobarda
(572) até a idade média, Lucca foi residência
de duques e marqueses famosos que a projetaram no cenário político e cultural da Itália.
Passagem obrigatória entre Roma e a Europa
central (via Francigena), a cidade se notabilizou como centro comercial de grande prestígio, o que inspirou seus mercadores a criarem
a Corte dei Mercanti (1214), primeira organização de mercado, até hoje existente. Seu
território foi Ducado autônomo e, depois de
passar por república aristocrática, integrou o
Grão Ducado da Toscana, em período que antecedeu à invasão francesa de 1799.
A amurada que envolve o centro histórico
de Lucca foi erguida no século II a. C. Rudimentar, foi reconstruída no século XVI, já nos
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porém moderna
Julio C. Vanni
padrões hoje conhecidos. São 5 mil metros de
construção, com 12 metros de altura, 30 de largura e dez bastiões estratégicos, hoje transformados em amplas praças alteadas. Sete grandes
portões asseguram, atualmente, o acesso à parte
interior, que abrigava depósito de alimentos, caserna, munição, armamento e prisão.
Com a evolução dos tempos e já vivendo em
paz com Florença e Pisa, grandes rivais no passado, os lucchesi transformaram a imensa amurada em área de lazer e de atração turística. Fechada ao trânsito de automóveis e veículos pesados, permite ao visitante sentir-se livre para
conhecer os costumes de seus moradores. Local
de encontros, ali se vê de tudo: o farniente de
idosos, crianças brincando, jovens namorando,
intelectuais conversando, políticos cochichando, stands de livros, peças artísticas, mostras
populares e até as pettegolezze da vida alheia.
A amurada de Lucca é, possivelmente, o
maior patrimônio da cidade. É intocável no
seu aspecto medieval, sem pinturas, retoques
ou reformas que a descaracterizariam completamente.
Dezenas de igrejas majestosas marcam o
grau da religiosidade dos lucchesi. Algumas, já
desativadas, se juntaram aos imponentes palácios, torres e casarões medievais que hoje abrigam repartições públicas, bancos, teatros, colégios, museus, bibliotecas, modernas lojas comerciais, associações culturais, mostras de arte,
restaurantes, albergues etc.
Recomenda-se a aquele que pela primeira
vez chega a Lucca munir-se de uma carta urbana e embrenhar-se nas ruas e vielas estreitas.
Visitas recomendadas são: a Torre Guinigi, com
jardim no seu topo, os palácios Provinciali, Bernardini, Pretório, Pfaner, o Anfiteatro Romano
transformado em grande praça colorida pelos varais de roupa ao sol; o Teatro Giglio, a Basílica
de San Michele, toda revestida de mármore, a catedral de San Martino, onde se encontram telas
de Tintoretto, o monumental sepulcro de Ilaria
del Carretto e o altar do Volto Santo, padroeiro
da cidade; as igrejas de São Freddiano, San Paolino, San Donato, a Igreja e Museu San Giovanni
e a antiga e majestosa igreja de San Romano,
hoje transformada num imponente teatro lírico.
E também as vilas Bottini, Diodati, Querci, Mansi, Santini, Burlamachi, o luxuoso comércio da
rua Fillungo, a feira livre da rua Bacchettoni.
Não podemos esquecer dos monumentos a Garibaldi, Francesco Burlamachi, a casa de Giacomo
Puccini, as relíquias de Santa Zita e Santa Gemma Galgani, além das dezenas de lojas de artesanato e outro tanto de livrarias.
FORA DO MURO
Fora da amurada, um largo gramado e uma ampla
avenida de contorno separam o centro histórico
da outra Lucca, periférica, que cresce permitindo
grandes e modernas edificações e o surgimento
de bairros chiques e populares. Está na periferia a maioria das vilas (chácaras) históricas que
pertenceram à nobreza lucchesa no tempo de
Ducado autônomo e república aristocrática. Bem
conservadas, são grandes atrações e podem ser
visitadas em dias e horários programados pela
entidade promotora do turismo local.
CÂMARA DE COMÉRCIO
Os lucchesi são orgulhosos das suas origens,
costumes e tradições. Considerada uma das dez
mais cultas cidades de seu porte (90/100 mil
O CENTRO HISTÓRICO
O Centro Histórico de Lucca, limitado pela amurada, também é imutável. A arquitetura cuidadosamente preservada no seu aspecto exterior
permite, entretanto, o conforto da modernidade
no seu interior.
COMUNITÀ ITALIANA
GRANDES VULTOS
É com orgulho que os lucchesi reverenciam a
memória de personalidades como Napoleão Bonaparte, um benemérito da cidade onde viveu
sua irmã Elisa Bacciochi Bonaparte, principesa
di Lucca; Francesco Bulamarchi, pioneiro no
ideal da unidade italiana, cem anos antes da
unificação; Giacomo Puccini, um dos mais famosos compositores musicais do mundo; poetas,
escritores e musicistas como Giosué Carducci e
Giuseppe Ungaretti; o arquiteto Matteo Civitalli,
que introduziu a gráfica na Itália; o compositor
Luigi Boccherini; o aviador Carlo Del Prete, que,
em 1928, tornou-se pioneiro no vôo direto entre
a Itália e o Brasil.
ABRIL 2005
ABRIL 2005
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Para melhor avaliar a potencialidade cultural
de Lucca e o seu elevado padrão de vida, assim
se expressou o arquiteto brasileiro Virgílio Petrocchi, que vive na cidade: “Aqui, minha mulher e eu temos, de segunda-feira ao domingo, as
melhores opções de lazer cultural que envolvem o
teatro lírico, o dramático, recitais, balés, corais,
folclore, cinema, ciclos de estudos, seminários,
convenções, feiras de antigüidade e artesanato,
exposições de arte etc. Tudo isso – completou
– com a total tranqüilidade de regressarmos para
casa nas altas horas da noite pelas ruas e becos
já vazios de gente”.
LUCCHESI NEL MONDO
Os lucchesi foram os mais antigos emigrantes da
Itália. Partiram para diferentes lugares do mundo em busca da riqueza, a maioria viajando por
conta própria. Há até uma anedota que alto fala do espírito de aventura e da audácia comercial dessa gente. Conta-se que quando Colombo
desembarcou na América, teria encontrado um
lucchese que queria vender-lhe uma estatueta
de gesso, um símbolo da arte milenar da velha
província. Amantes da liberdade e do progresso,
muitos deles foram pioneiros do desenvolvimento econômico e social de cidades na América do
Sul, inclusive no Brasil. Não é à toa que os lucchesi cuidaram de organizar suas associazioni no
exterior, hoje coordenada por uma Associazione
dei Lucchesi nel Mondo sediada num dos palacetes sobre o velho muro que cerca o seu centro histórico. Atualmente, existem associazioni
di lucchesi no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio
Grande do Sul e cinco no estado de São Paulo.
Pouco conhecida dos sul-americanos, Lucca é sede de uma rica província que forneceu
ao Brasil grandes contingentes de imigrantes
de boa estrutura cultural e qualificação para
o trabalho.
O muro - parte externa
Centro histórico: casarões antigos
bem conservados
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O lucchese Enzo Giovannetti e
o cônsul Massimo Bellelli, do Rio
COMUNITÀ ITALIANA
O VOLTO SANTO
Mesmo espalhados pelo mundo, os lucchesi
não esquecem a origem e, sempre que podem,
visitam Lucca no mês de setembro, quando a
cidade promove a mais antiga festa popular,
uma mistura de civismo com religião. A devoção ao Volto Santo, um Cristo negro encontrado numa praia do mar Tirreno, é uma verdadeira réplica à história e à devoção dos brasileiros por Nossa Senhora Aparecida. Levado para
Lucca, passou a ser venerado como padroeiro
da cidade. No dia do santo, a cidade se enfeita com dezenas de milhares de velas dentro
de copos de vidro. O espetáculo deslumbrante
dura 24 horas, formando gambiarras que contornam janelas, portas, alpendres, marquises e
cimalhas. Os festejos têm seu ponto alto com
a procissão do Volto Santo, que percorre as
principais ruas do centro histórico com grupos
trajando roupas medievais, acompanhados de
dezenas de estandartes representativos das
associazioni lucchesi espalhadas pelo mundo.
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Festival di S anremo recupera credibilità
e attrae oltre 16 milioni di telespettatori
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’equipe dell’organizzazione del 55° Festival di Sanremo
quest’anno è riuscita a mettere insieme nel teatro Ariston buona parte del fior fiore musicale della penisola e,
con ciò, recuperare la credibilità che le ultime edizioni
dell’evento avevano perso sia col pubblico, sia con i media. La prima serata, il primo marzo, sono rimasti incollati davanti alla televisione 16 milioni e 599mila italiani, godendosi
il circo condotto da Paolo Bonolis e dalle sue coadiuvanti colleghe
di palco Antonella Clerici – famosa presentatrice di tv – e Federica
Felini – modella.
Colto, spontaneo e intelligente, Bonolis ha attratto un pubblico di
elevato grado culturale e ha aiutato a rinvigorire la festa della canzone italiana, ultimamente indebolita dalla monotonia e dalle denunce
di corruzione, secondo le quali imprenditori e produttori musicali usavano comprare la visibilità dei loro pupilli. Inoltre, dimostrando capacità d’improvviso, il presentatore ha
contornato imprevedibili problemi tecnici e osate proposte
sceniche e artistiche: dalla mancanza di suono durante la
presentazione dell’invitato internazionale Michael Blubè, alla presenza del pugile Mike Tyson; dall’inno italiano eseguito
dal chitarrista Paolo Carta, quasi alla Hendrix, alle immagini
di Che Guevara e Gandhi nell’apertura del Festival dovuto alla
presentazione del candidato Umberto Tozzi. Per tutti questi
motivi, Paolo Bonolis si è rivelato senza dubbi come uno dei
successi di questa edizione.
Malgrado questo, non si può ancora dire che questo sia
stato il festival dei festival, perché quello del 2000, condotto
da Fabio Fazio, continua imbattibile in numeri di audience: 17
milioni e 551mila spettatori per la serata di apertura.
Le categorie competitive dell’evento sono state cinque: classici, uomini, donne, gruppi e giovani, per un totale di 32 candidati. La prima serata hanno cantato tutti; la seconda è stato il turno
delle donne, degli uomini e di qualche giovane; la terza sono saliti
sul palco i restanti giovani e i gruppi; la penultima, si sono presentati i 22 selezionati e l’ultima il pubblico ha visto i 15 finalisti e ha
scoperto i risultati finali del concorso. Tra alcuni dei talenti, c’erano Umberto Tozzi, Paola e Chiara, Matia Bazar, Nicola Arigliano – in
piena forma a 83 anni –, DJ Francesco, Toto Cutugno Minetti, Alexia,
Gigi D’Alessio, Le Vibrazioni, Francesco Renga, Antonella Ruggiero,
Marco Masini, Anna Tatangelo, Peppino di Capri, Marcella Bella, Paolo
Meneguzzi, Nicky Nicolai e Stefano Battista Jazz Quartet, Franco Califano, Velvet e Marina Rei. Cantanti debuttanti e consacrati hanno formato
in scena un crogiolo culturale in cui l’Italia delle canzoni romantiche e
l’Italia reale, che ha vissuto momenti drammatici come quello del sequestro di Giuliana Sgrena, si sono incontrati ancora una volta.
Come un abile equilibrista, Paolo Bonolis ha fatto del palco un altoparlante e ha portato a galla problemi specificamente italiani e questioni umanitarie mondiali. Da Sanremo sono partiti un appello per la liberazione dell’italiana in potere dei sequestratori iracheni, una richiesta
di aiuti per i bambini africani di Darfur e un messaggio di addio per
Alberto Castana. Verso la fine dell’evento c’è stato anche un applauso per Nicola Caprini, l’agente segreto morto durante l’operazione di
salvataggio di Giuliana Sgrena. In questi momenti la musica diventava melodica e utopica cornice per le iniziative di interazione del
Festival con il mondo esterno.
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COMUNITÀ ITALIANA
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Francesco Renga riceve premio di miglior cantante per la
categoria maschile ed è anche eletto dal televoto
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Famoso anche per la presenza di personalità del jet-set internazionale, il Festival di Sanremo quest’anno ha ricevuto nientemeno che il
pugile Mike Tyson, uscito dalla prigione dove
era rinchiuso condannato per stupro. Paolo Bonolis, di fronte a quell’omaccione, ha condotto
un’intervista attenta, come meritava il contesto. Alla fine, l’ex campione dei pesi massimi
ha trasmesso un’immagine di timido, sorrideva.
Curvo sulla sua sedia, come dominato dal presentatore, il pugile poco a poco ha smontato
l’immagine da lupo cattivo e si è dimostrato
un padre di famiglia. Parlando con cognizione
di causa, ha criticato il sistema giuridico americano, ma ha anche aggiunto che non era un
angelo e che l’importante era vincere, vincere, vincere. Comunque, se come pugile è stato
quello che è stato, come cantante non si farebbe strada. Durante l’intervista, Mike Tyson
non se l’è fatto dire due volte e ha canticchiato
qualche parola di ‘Volare’, ma la famosa strofa
‘Nel blu, dipinto di blu’ è stata messa K.O. dalla
voce poco intonata del demolitore. Ci ha anche
provato con ‘New York, New York’, in una versione rap di Grandemaster Flash.
Ma le note stonate di Tyson non sono state
le uniche a interrompere il silenzio del teatro
Ariston. Antonella Clerici, compagna di palco
di Bonolis e presentatrice di un programma di
culinaria, ha tentato qualche strofa di ‘She’, ma
anche lei come cantante non andrebbe lontana.
La canzone, che fa parte della colonna sonora di
‘Notthinghill’, sarebbe dovuta servire per creare
un clima per una chiacchierata tra Paolo Bonolis e l’attore inglese Hugh Grant, un’altra star
invitata. Ma è stato inutile. Decisamente i due
non parlavano la stessa lingua e il tavolo da tè
apparecchiato sul palco è stato insufficiente per
rompere il ghiaccio di un Grant poco motivato
e noioso e di un Bonolis che non sapeva dove
mettersi le mani. Il risultato è stato un tè raffreddatosi di fronte a migliaia di telespettatori.
Invece l’incontro di Bonolis con l’americano
Will Smith è stato totalmente differente: l’attore, che è arrivato a Sanremo con la madre, la
sorella e un entourage di 20 persone, è stato
simpaticissimo e disinvolto. Entrerà nella storia
del Festival la divertente lezione di danza che
ha dato al presentatore. Per venti minuti, Will
ha rubato la scena cantando rap – molto più intonato del suo compatriota, Tyson – e simulando
una fuga con la bella Federica Felini, che usava
un seduttore vestito firmato Armani.
Invitati speciali a parte, le serate sono
state dedicate alla musica. L’inedita formula
di premiare i primi tre collocati di ognuna delle cinque categorie praticamente dava a tutti
i partecipanti un po’ il sapore della vittoria.
Prima del verdetto finale, il pubblico di Sanremo ha potuto vedere anche una presentazione dell’idolo Vasco Rossi. Senza dubbio, la sua
presenza è stata un alito di buona musica nell’Ariston. Critici di turno dicono che sono state
poche le buone canzoni presentate nella gara,
ma che nell’agitazione della festa – con il suo
scenario molto moderno e futuristico, che paradossalmente ricordava la figura di un castello o quella di una sala di un teatro neoclassico
– finivano col servire al proposito del puro divertimento. Considerando che il festival è un
ritratto udibile dell’attuale panorama musicale
italiano, gli specialisti si sono rattristati quando si sono resi conto che ci sarà da aspettare
per un rinnovo. Chissà se questa missione non
ricadrà nelle mani e sulla voce di Laura Bono,
26 anni e vincitrice della categoria Giovani?
Andiamo agli altri vincitori: Nicky Nicolai,
con Stefano Di Battista Jazz Quartet, ha vinto
il premio di miglior Gruppo; Antonella Ruggiero,
con la canzone “Echi d’infinito”, ha vinto la categoria Donne; Toto Cutugno, accompagnato da
Annalisa Minetti, ha cantato “Come noi nessuno
al mondo” ed è stato vittorioso nei Classici; e
Francesco Renga è stato il prescelto per la categoria Uomini con la canzone “Angelo”. Anzi, lui è
arrivato anche al primo posto nel conteggio generale del televoto, con il 54,41% delle 400mila
telefonate, seguito da Toto Cutugno (17,79%),
Antonella Ruggiero (16,45%), Nicky Nicolai e
compagnia (7,45%) e Laura Bono (4,13%). Vale
la pena ricordare che ogni voto è costato al giurato domestico 0,60 centesimi di euro.
E il Festival di Sanremo non finisce con la
premiazione. La macchina del marketing non si
riposa e gli echi della festa rimarranno nei media per molto tempo. I protagonisti dell’evento
assistono già all’aumento vertiginoso dei loro
cachet per i concerti. Il presentatore Paolo Bonolis, 44, conduttore di un programma Rai, ha
ricevuto una proposta milionaria per cambiare
canale. Inoltre, in breve arriverà sugli scaffali
dei megastore di musica un CD speciale di questa edizione del concorso. La redenzione del Festival di Sanremo ha recuperato la possibilità
di dare ossigeno alla musica italiana. Critiche e
polemiche a parte, gli organizzatori della festa
adesso cercano un presentatore all’altezza del
successo ristabilito: creativo, serio, intelligente e con un pungente senso di humor. Dicono le
buone e cattive lingue che Fiorello sarebbe un
serio candidato per il 2006.
Cultura
O desenho de muitas
vidas em uma só
Gisele Maia
F
O chargista Lan veio da Toscana
para o Uruguai, aprendeu a
ser jornalista na Argentina e se
apaixonou pelo Brasil
12
oram oito décadas - vividas em diversos países - de
incontáveis histórias, memoráveis paixões e muita
tinta no papel. Em fevereiro passado, o chargista
italiano Lan, que se considera pra lá de “carioca”,
comemorou seus 80 anos com muito samba, em
meio às tantas homenagens prestadas no Rio de Janeiro. No
mesmo mês, viajou a Buenos Aires para inaugurar a exposição Um porteño carioca, no Centro Cultural Recoleta, onde
estiveram reunidas ilustrações suas que mesclam o cotidiano das suas duas cidades do coração, além das que registram
sua passagem pela imprensa argentina.
Na cidade maravilhosa, estão disponíveis ao público
alguns de seus trabalhos, até o dia 12 de abril, no Centro
Cultural dos Correios. Lá, suas obras dividem espaço com as
de Borjalo e Millôr Fernandes. Entre tantos compromissos,
Lan concedeu uma entrevista à Comunità, na qual falou de
sua carreira jornalística e de seus 60 anos de traço.
Este senhor de nome comprido – Lanfranco Aldo Riccardo Vaselli Cortellini Rossi Rosini – deixou Monte Varchi,
na região Toscana, ainda muito jovem. Quando contava
apenas seis anos de idade, veio com a família para o Brasil porque seu pai, o músico Aristides Vaselli, aceitara um
convite para inaugurar a Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal de São Paulo. Foi uma decisão difícil, pois, na época, Aristides administrava a fábrica de chapéus de seu pai,
avô de Lan. “Minha família, dos dois lados, se constituía
de tremendos burgueses, negociantes. Mas unia extremos,
porque meus avós maternos eram fabricantes de sapatos,
‘pés no chão’, e não queriam a filha deles casada com um
artista”, conta Lan.
Apesar da vida confortável na Itália, Aristides Vaselli
resolveu dar uma chance à carreira musical. Depois de morar alguns anos em São Paulo, ele assinou contrato com a
Sinfônica de Montevidéu. Em 1935, entretanto, ao aceitar
uma proposta da orquestra da rádio El Mundo, rumou para
Buenos Aires. Por fim, buscando descanso, decidiu voltar
ao Uruguai e criar raízes. “Papai adorava Montevidéu e torcia pelo Nacional, como eu. O futebol foi fundamental nessa decisão”, comenta, sempre em tom descontraído.
Ainda no Uruguai, Lan descobriu a caricatura. Aconteceu em uma aula de química do colégio italiano, quando ele desenhou seu mestre “carrasco”. Daí por diante, os
amigos não paravam de pedir que ele retratasse outros professores. Tempos depois, já na escola alemã - que, ao contrário da italiana, permaneceu aberta durante a Segunda
Guerra -, o talento de Lan foi farejado por um professor de
desenho. “Ele viu a caricatura que eu fiz do diretor. Então,
me chamou em um canto, disse que eu não acompanharia
as aulas com os demais e me mandou desenhar mais professores. Mas eu deveria usar a memória. Ele me ensinou
COMUNITÀ ITALIANA
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algo fundamental: a memória é o filtro, no qual
se fixa o essencial, a impressão subjetiva, e essa
é a verdadeira caricatura. Daí para frente só desenhei de memória”. Ainda na capital uruguaia,
Lan trabalhou no El País, o primeiro periódico
dos muitos por que passou.
DA VIDA DE PORTENHO:
JORNALISMO ARGENTINO, CANTINAS E CABARÉS
Depois de uma exposição em Punta del Este,
Lan conheceu o dono da revista Rico Tipo, a número um do humor no Rio La Plata. Desse contato,
veio a oportunidade de deixar o Uruguai e trabalhar no Notícias Gráficas de Buenos Aires e, tempos
mais tarde, na Editorial Haynes de Evita Perón.
Durante os anos vividos na capital argentina, de 1947 a 1952, as noites começavam nas
cantinas do bairro La Boca com os colegas de
redação. Estes, casados, voltavam cedo para casa, enquanto Lan, um solteiro convicto, pulava
das cantinas para os cabarés. As prostitutas viravam suas amigas e lhe contavam seus problemas. “Era uma época muito romântica. Hoje tudo se transformou, e isso vale para as mulheres
que vivem do corpo”.
De suas ilustrações, nasceram situações memoráveis. Na Editorial Haynes, fez uma caricatura do então governador da Província de Tierra
del Fuego, o General Guillermo Carro Catáneo.
A secretária do militar ligou para a redação pedindo o original, o que gerou muitas piadas por
parte dos colegas. Por isso, quando o General telefonou, pessoalmente, Lan atendeu disparando
uma enxurrada de palavrões. “Quando, dez minutos depois, ele apareceu na porta do jornal e
me mandou entrar na limusine oficial, achei que
fosse ser jogado no Rio La Plata”, lembra.
Mas ali começou uma grande amizade. Em janeiro de 1952, Guillermo Carro Catáneo contou
a Lan que havia sido destituído do seu cargo. O
motivo: Catáneo estava do lado de Juan Carlos
Perón e contra os generais que planejavam derrubar o presidente argentino. “Este poderia se
tornar o meu maior furo de reportagem, mas eu
prometi que não falaria nada. O que teria acontecido na Argentina se eu tivesse dado a notícia? Eu sabia até os nomes dos golpistas: Aramburu, Rojas e todos os que, três anos mais tarde,
tomaram o poder”.
Ainda em 1952, Lan, de passagem pelo Rio
de Janeiro, aceitou uma proposta de Samuel
Wainer para trabalhar no Última Hora. “Era um
jornal a favor de Getúlio Vargas, que por sua vez
era amigo de Perón. Tive uma grande chance,
mas receava pôr em risco a vida de Catáneo. Falhei como jornalista, mas mantive minha palavra”, lembra.
RIO DE JANEIRO:
PAIXÃO E IDEAIS REVOLUCIONÁRIOS
Ao se mudar para o Brasil, Lan morou seis
meses em São Paulo e, depois, conseguiu a
transferência para o Rio, conforme Samuel Wainer havia prometido. “Às vezes me pergunto como pude deixar uma cidade tão majestosa como
Buenos Aires. Mas, por outro lado, foi um grande impacto ver o Rio de Janeiro pela primeira vez”, comenta Lan, flamenguista e portelense, que passou muitas madrugadas no morro da
Mangueira, com Cartola, Carlos Cachaça e outras
lendas do samba. Depois de Última Hora, trabalhou para O Globo durante dois anos. Em seguida
foi para o Jornal do Brasil, onde esteve durante
39 anos dos 60 de sua carreira como jornalista e
chargista. Desde 2002, se dedica às suas Cariocaturas, publicadas aos sábados n’O Globo.
Das charges de cunho político, muitas deram
o que falar, como a de Carlos Lacerda retratado
como corvo. Mas a glória foi quando Ernesto Che
Guevara pediu, por intermédio de um assessor, o
original de uma ilustração – em que Lan afirma
ter “esculhambado o Tio Sam” – para decorar seu
gabinete de ministro em Cuba. Não que o comandante revolucionário tivesse o hábito de ler
os jornais do Rio. O contato aconteceu porque
Lan, apaixonado pelos ideais da ilha de Fidel,
passou a fazer charges para o periódico cubano
La Revolución, depois de ter fundado o escritório carioca da Prensa Latina, agência de notícias
latino-americanas criada em Havana, em 1959,
logo após a conquista da capital.
Em apenas duas ocasiões Lan viu pessoalmente o comandante Che. Uma delas foi na conferência da Organização dos Estados Americanos (OEA)
de 1961, em Punta del Este, no Uruguai, quando
Jânio Quadros condecorou Guevara entregandolhe a Grã Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do
Sul. Um episódio, até hoje, é contado às gargalhadas: na vez do representante dos Estados Unidos
discursar na convenção, Che Guevara se retirou
do plenário, seguido por vários jornalistas, entre
eles Lan, que acreditaram se tratar de um ato de
protesto. Somente ao parar na porta do banheiro,
o herói revolucionário se dirigiu aos repórteres.
“O Che disse: ‘Muchachos, se necessitam, podem
servir-se”. Ele só queria dar uma mijadinha, depois voltou para o auditório!”, lembra.
Afastado há alguns anos do mundo da política – que hoje, confessa, lhe causa ojeriza – Lan
tinha planos de, em 1957, se juntar ao exército
revolucionário de Fidel Castro em Sierra Maestra.
Estava tudo preparado quando ele conheceu Olívia, com quem permanece casado há 45 anos.
“Acabei desistindo dos meus ideais revolucionários. Para mim, mulher é muito mais importante
que Fidel Castro!”, confessa entre risos. O chargista se declara “contra o casamento e a favor
de Olívia”, por sua coragem de ser desposada por
um boêmio e por ter feito os cubanos perderem
um soldado.
Não bastasse toda a simpatia pelos comunistas do momento, uma charge, publicada na
semana anterior ao Golpe de 64, fez de Lan um
alvo da ditadura militar. No desenho, um general
“Quatro Estrelas” se olhava no espelho e via, no
reflexo, um general “quatro bananas”. Por conta
disso, optou pelo auto-exílio. Viveu dois anos na
Itália e mais um em Paris, entre 64 e 67. Nesse
período, não manteve contato com a imprensa
brasileira nem teve charges publicadas. Enquanto residiu na Europa, escreveu notícias em espanhol para a Prensa Latina.
Algumas decepções o fizeram abandonar as
caricaturas políticas. Desde de 1992, sua arte é
plena de curvas femininas e ele faz questão de
ressaltar que não se dedica somente às mulatas.
“Nas entrevistas que concedo, só me perguntam
de mulatas, parece que não fiz mais nada na vida. Chega, não quero ouvir falar em mulatas,
já tenho uma em casa, a Olívia. Não sou ‘mulatólogo’, sou ‘mulherólogo’”, dispara. A bronca,
apesar de acompanhada de uma boa dose de humor, é séria. E ele completa: “Tenho 60 anos de
jornalismo. Acho muito restrito falarem apenas
das mulatas”.
Charges de
Lan para
a revista
Comunità
13
CONI
Cultura
- Informa
Le case, i visi
e le parole della
comunità Dogon
COMITE OLIMPICO NAZIONALE ITALIANO
Alfredo Apicella
BRASIL E ITALIA, IRMÃOS NO ESPORTE
F
oi celebrado, no dia 11 de março, um convênio entre
o CONI (Comitato Olimpico Nazionale Italiano) e o COB
(Comitê Olímpico Brasileiro), na cidade do Rio de Janeiro,
na presença do cônsul geral da Itália no Brasil, Dott. Massimo Bellelli, do vice-presidente do COB, Dr. André Richer,
do representante do CONI no Brasil, Prof. Alfredo Apicella e
de outras autoridades de ambas as entidades. O convênio
visa estreitar e intensificar o intercâmbio sócio-esportivocultural entre Itália e Brasil.
Dr. André Richer abriu a reunião expressando grande
satisfação e otimismo em relação ao convênio. Passou a palavra ao Dr. Raffaele Pagnozzi, secretario geral do CONI-ITALIA, que demonstrou igual entusiasmo. Ambos foram os signatários do convênio, representando suas respectivas organizações.
Fizeram uso da palavra, contribuindo para o enriquecimento do evento, Massimo
Bellelli, representando o Embaixador da Italia no Brasil Ministro Valensise, o Campeão
Bernardinho do vôlei, o Prof. Alfredo Apicella e o Prof. André Luiz Lace Lopes, consultor do CONI/Brasile.
O próximo passo, agora, será a elaboração de uma estratégia conjunta de trabalho e a definição de projetos de intercâmbio, que possam potencializar, ainda mais, as
excelentes relações entre Itália e Brasil.
Andressa Camargo
Da esquerda para a direita
Dr Andre Lace - Assessor.CONI Brasil
Prof.Alfredo Apicella - Delegado CONI no Brasile
Dr.Bernardo Dr. Pagnozzi Raffaele - Secretario Geral do Comite Olimpico Italiano
Dr. André Richer Abril - Vice Pres Comite Olimpico Brasileiro
Dr.Massimo Bellelli - Consul Geral da Italia
Dr Roberto Fabircini - Responsavel Rapporti Internazionali CONI
Sr.Francesco Perrotta - Presidente COMITES Do Rio de Janeiro
RIO DE JANEIRO SEDÍA A FASE NACIONAL
DOS GIOCHI DELLA GIOVENTÙ 2005
É hora da decisão para saber quem vai à Itália competir no mundial
A
contecerá, no dia 30 de abril, a final nacional dos
Giochi Della Gioventú 2005, no Centro Esportivo
Miécimo da Silva, às 9:30h. Comparecerão à cidade
do Rio de Janeiro, delegações esportivas de natação
e atletismo dos estados de Santa Catarina e São
Paulo, que participarão das competições decisivas
para a seleção dos vinte adolescentes que irão à Itália competir na grande olimpíada estudantil de 2005.
São esperados muitos atletas que, somados aos do
Rio de Janeiro, atuarão no evento esportivo. Será
realizada também uma partida amistosa de futebol
entre as equipes da Azzurra (de São Paulo, representando a Itália) e a equipe do Miécimo da Silva (do Rio de Janeiro, representando o Brasil) que contribuirão para o brilho do evento. O delegado do CONI no Brasil Alfredo Apicella pontua que o objetivo para este ano é realizar uma festa com toque especial
de renovação, pois bem sabemos que novas iniciativas estão sendo planejadas também
para os proximos anos e os Giochi Della Gioventù se introduzem bem a esses trabalhos
futuros do CONI-Brasile. A realização dos Giochi Della Gioventù 2005 conta com as boas
vindas de autoridades como o prefeito da Cidade do Rio de Janeiro, Cesar Maia, e do secretário de Esportes e Lazer da cidade do Rio, Ruy Cesar, que não medem esforços para
contribuir institucionalmente pela realização do evento na cidade. Além destes, os Giochi
2005 agraciam-se pelas nobres contribuições que também muito ajudam para o êxito
dos Giochi 2005, como a do cônsul geral da Itália no Rio de Janeiro, Ernesto Massimo
Bellelli, o cônsul geral da Itália em Curitiba, Mario Trampetti, o cônsul geral da Itália em
São Paulo, Gian Luca Bertinetto, e o embaixador da Itália, Michele Valensise.
Os Giochi Della Gioventù
Giochi Della Gioventù - Evento esportivo promovido através do CONI no Brasil e do
Ministério das Relações Exteriores. O principal objetivo é o de reforçar o apoio do esporte, os laços de amizade que unem os dois países irmãos: Brasil e Itália. O CONI está
presente com esses jogos em todos os países que acolhem os italianos no mundo e a
reunião desses jovens se faz possível neste evento que foi denominado GIOCHI DELLA
GIOVENTÙ, possibilitando assim esse encontro que após torneios regionais em cada
país, se reúnem numa grande e festiva olimpíada num centro esportivo no território
italiano. Os trabalhos do CONI com os jovens oriundos foram oficializados a partir de
1974. Desde então, os GIOCHI tem sido o ponto de crescimento de um projeto que já
nasceu grande e tende a se evoluir muito mais. O Brasil participa dos GIOCHI DELLA
GIOVENTÙ desde 1992, com as modalidades de ATLETISMO e NATAÇÃO, em todas as
categorias, para a faixa etária de 10 a 14 anos, de acordo com o regulamento.
Seletiva Regional - Santa Catarina Natação
Foi realizada, 27 de março, em Florianópolis, a competição de natação da fase
regional seletiva estadual dos Giochi Della Gioventù 2005. Santa Catarina recebeu os
Giochi com a participação da FESPORTE, que deu o suporte local apoiando na organização desta seletiva.
Seletiva Regional – Rio - Barra do Piraí Natação
Foi realizada no domingo, 27 de março, a competição de natação da fase regional
seletiva estadual dos Giochi Della Gioventù 2005, a cidade de Barra do Piraí recebeu
os Giochi com uma grande manisfestação e marcou história com a participação da
FIRJAN, Prefeitura da Cidade e empresas locais, o que para este ano contribuiu e deu
brilho à competição no Estado do Rio de Janeiro. A exemplo do que foi feito este ano,
o CONI buscará sempre melhorar o evento atraindo parceiros e desenvolvendo ações
como as que foram exemplificadas por Barra do Piraí-RJ.
Seguem as seletivas pelos estados e o atletismo agora será a grande atração, a começar pelo Estado de Santa Catarina, que realizará este mês sua seletiva e São Paulo
e Rio de Janeiro, que também preparam suas seletivas e suas equipes. Este ano, as
vagas para a Itália serão bastante disputadas devido ao grande interesse dos jovens
em conhecerem a sua terra de origem.
D
al 4 marzo al 10 aprile le sale del Centro Cultural da Justiça Federal di Rio de
Janeiro hanno ospitato la mostra fotografica Togu Na – A casa da Palavra,
in cui è stata messa a fuoco la cultura
dei Dogon, uno dei più significativi popoli della
Repubblica del Mali. Prodotta dall’Istituto Italiano
di Cultura, la mostra ha riunito circa 60 immagini
captate dagli architetti Tito e Sandro Spini (padre
e figlio) che, negli anni ’70, hanno coordinato una
serie di ricerche di campo sul posto.
La civiltà Dogon, il cui territorio si trova nelle zone amministrative di Bandiagara e Douentza, al sud di Cabo do Niger, è stata studiata per
la prima volta nel 1933 dall’etnologo francese
Marcel Griaule e, da allora, risveglia la curiosità
dell’occidente. Nei suoi lavori, Griaule ha rivelato al mondo l’originalità delle sculture e dell’architettura Dogon, a partire da cui si può scoprire
molto dei miti e tradizioni di questo popolo.
Negli anni ’70, le scoperte di questo etnologo circolavano per tutta Europa, sia nel mondo
accademico, sia in quello artistico, e sono arrivate alle orecchie di Tito e Sandro Spini. In
un’intervista rilasciata a Comunità, il bergamasco Sandro, che oggi tiene lezione di antropologia visuale presso l’Università Ca’ Foscari di
Venezia, ricorda: “Siamo rimasti affascinati da
quelle costruzioni. Artisti plastici famosi, come
Picasso, per esempio, alle loro collezioni già allora aggiungevano alcuni pezzi Dogon”. Insieme,
padre e figlio hanno organizzato varie spedizioni in quella comunità e hanno conosciuto 76
villaggi Dogon. Nei viaggi, parlavano con gli
abitanti, ascoltavano storie e scattavano foto.
Il risultato finale delle ricerche si è trasformato
nel libro Togu na: la casa della parola, pubblicato
nel 1976 dall’Electa Editrice e lo stesso anno ha
vinto il Premio Italia di Fotografia.
Malgrado sia uno dei ‘diffusori’ della cultura
Dogon, Sandro avvisa del pericolo rappresentato dall’invasione di valori occidentali nel villaggio, che potrebbero causare una perdita di
caratteristiche. “Attualmente, le sculture Dogon
si trovano esposte nei più importanti musei del
mondo, ma credo che dovrebbero restare unite,
in un centro culturale dello stesso Mali”, dice.
“In principio, mi piacerebbe sviluppare un progetto di un museo virtuale, mettendo in risalto
l’importanza della restituzione di queste opere
al loro paese di origine.”
TOGU NA: CENTRO DI DECISIONI
Abitanti di una regione abbastanza arida e
rocciosa, situata ai margini del fiume Niger, i
Dogon costruiscono le loro case in totale integrazione con l’ambiente. Per fare questo usano
legno di alberi locali o scavano le pietre. Spesso
nelle fotografie di Tito e Sandro le costruzioni
si mescolano e si confondono con lo scenario
naturale. “E’ un’architettura senza architetti”,
spiega Sandro.
Ma l’oggetto centrale delle indagini degli
Spini e, di conseguenza, dell’esposizione a Rio
de Janeiro, è la Togu na, ossia, la Casa della Parola. Si tratta del centro amministrativo
dei villaggi Dogon, il luogo ove gli uomini (e
soltanto gli uomini, perché loro rappresentano
l’autorità) si incontrano per decidere questione relative al calendario agricolo, alla giustizia civile, alle norme etiche, tra molte altre.
Quando si fonda un nuovo villaggio, la Togu
na è la prima delle costruzioni ad essere messa a punto.
Le pareti della Casa della Parola sono costituite da larghi tronchi di legno, sui quali si
trovano intagliate le descrizioni delle regole di
Veja onde existem chances para você conquistar sua vaga na FINAL!!
Seletiva Regional - Santa Catarina (Atletismo)
Atletismo: Dia 16 de abril - início: 8h
Local:Pista sintética de atletismo de Itajaí
Seletiva Regional – São Paulo (Atletismo)
Local das Competições: SESI Itu e Salto Rua José Bruni, 201 CEP 13304-080 Bairro São
Luiz ITU SP Com a colaboracão do CEI Centro da Emigração Italiana em ITU São Paulo
Seletiva Regional – São Paulo (Natação)
Local das Competições: Piscina do Complexo do Ibirapuéra
Local Inscrições: Na F.A.P. Federação Aquática Paulista - Rua Manuel Nobrega 1361 Cep
04001-084 Tel 011-384-7557
Para obter maiores informações e saber mais sobre o CONI acesse a página
www.conibrasile.org
Mostra fotografica ha
rivelato la cultura
di uno dei più
intriganti popoli della
Repubblica del Mali
comportamento che tutti devono rispettare durante le riunioni: nessuno deve alzare la voce o
manifestare, con gesti aggressivi, un’insoddisfazione. Gli uomini devono ascoltare gli uni agli
altri e riflettere sulle idee degli altri. “Dentro
una Togu na non si può rimanere in piedi, per
questo i soffitti fatti di rami sono bassi. L’abitante del villaggio che si infuria, quando si alza
sbatte con la testa al soffitto e, soltanto dopo
essersi calmato e riseduto, può ricominciare a
parlare”, spiega Sandro Spini, che ha selezionato fotografie di 47 esempi di Togu na per l’esposizione di Rio de Janeiro.
Chi vuole sapere un po’ di più della cultura
Dogon potrà comprare il libro Togu na:La casa
della parola, di Tito e Sandro Spini, attraverso
il sito della casa editrice italiana Bollati Boringhieri, responsabile per la nuova edizione del titolo nel 2003. www.bollatiboringhieri.it.
In alto:
Rappresentanti del
villaggio Biniemana
parlano sulla soglia di
una Togu na.
A sinistra: una Togu
na vista da fuori.
A destra: pilastro
di legno con
iscrizioni Dogon
ABRIL 2005
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COMUNITÀ ITALIANA
15
Notizie
Camera italo-brasiliana propone un
emendamento costituzionale per
attribuire il voto agli stranieri
Il Comitato Giuridico della Camera Italo-Brasiliana di Commercio e Industria di San Paolo, presieduto dalla professoressa Ada Pellegrini Grinover,
ha elaborato una proposta di emendamento Costituzionale che chiede di
attribuire il diritto di voto, nelle elezioni municipali, a stranieri residenti
in Brasile da almeno cinque anni. La proposta viene presentata al Ministro
di Grazia e Giustizia, Marcio Thomas Bastos, dalla stessa Ada Pellegrini e
dal presidente della Camera di Commercio di San Paolo, Edoardo Pollastri.
Secondo i membri del Comitato Giuridico, “l’approvazione della proposta
rappresenterebbe per il Brasile un chiaro riconoscimento agli stranieri
che partecipano intensamente alla vita economica, sociale e politica
del Paese. Il riconoscimento di tale diritto rende allo straniero residente in Brasile la pari dignità con gli altri cittadini, su tutti i piani, ed in
particolare a coloro che hanno scelto il Brasile come seconda Patria”.
“Oramai sono diversi i Paesi che, anche in America Latina, hanno concesso il diritto di voto nelle elezioni municipali agli stranieri stabilmente
residenti. Con tale atto – concludono - il Brasile si allineerebbe a coloro
che hanno inteso ampliare gli spazi di democrazia e partecipazione alla
vita del proprio Paese”. (Ansa)
Il Governo potrà rispamiare
4 miliardi con l’uso di e-mail
Usando la posta elettronica, anziché quella cartacea, i ministeri possono
risparmiare ogni anno 4-5 miliardi di euro. La carta che producono in un
anno è pari al volume del Duomo di Milano. Lo ha affermato il ministro
dell’Innovazione tecnologica, Lucio Stanca, in una conferenza stampa a
Pescara nella quale ha rivelato come l’Italia stia recuperando in molti campi
dell’innovazione tecnologica. “Quattro anni fa, quando fu creato per la prima volta in Italia un ministro dell’Innovazione tecnologica, sembrava una
stravaganza - ha aggiunto. Eravamo molto indietro rispetto ad altri Paesi
europei. Oggi il 56% delle famiglie ne ha almeno uno in casa, rispetto al
51% della media dell’Ue a 15, e non vi sono divari tra Nord e Sud”.
La politica adottata ha consentito interventi per “l’alfabetizzazione dei
cittadini, la modernizzazione della Pubblica amministrazione, la competitività delle imprese. Per la prima volta è stata introdotta l’informatica nella
scuola. È poi disponibile un bonus di 175 euro per i ragazzi che compiono 16
anni, come aiuto per l’acquisto di un Pc. Già 70-80 mila ragazzi hanno usufruito di questa possibilità”. Per quanto riguarda la Pubblica amministrazione,
Stanca ha parlato di “rivoluzione” grazie alla digitalizzazione. “Ci sono oltre
mille Comuni in Italia - ha spiegato - dove il pagamento dell’Ici si può fare
via Internet a qualsiasi ora. Cosí come la richiesta di certificati. Quattro anni
fa ci vedeva al 13º o 14º posto. Oggi siamo al 7º o 8º posto”. (Ansa)
Cambiamenti al Circolo italiano
Il 30 marzo sono stati eletti i sette nuovi consiglieri, per il rinnovamento di un terzo del Consiglio. Essi sono: De Fiori Mario, Mattoli Socrate,
Maveri Carlo, Laspro Giovanni, rieletti, più Sandin Bruno Amadei, Accurti Ricardo e Michels Amneris Biagini, eletti per la prima volta.
Per l’elezione della Direzione Esecutiva, già da tempo circolavano
rumori secondo i quali l’ex presidente Giuseppe Cappellano si sarebbe
ricandidato alla Presidenza, contrastando la rielezione del presidente
uscente Mario De Fiori. Dopo l’espressivo risultato ottenuto alle votazioni dei consiglieri, De Fiori ha inviato una circolare a tutti i soci, informandoli che, nonostante i suoi sforzi, “non essendo riuscito a sensibilizzare il Consiglio alle mie proposte” che riguardavano l’incentivo
ai giovani, l’equilibrio finanziario e la facoltà del socio vitalizio di non
pagare più mensilità, De Fiori dichiarava: “sento che il contributo che
potevo apportare come Presidente si è esaurito”, ritirandosi dalla elezione della Presidenza.
È stato lo stesso De Fiori che si è dichiarato sorpreso di avere ricevuto, nella seduta per l’elezione della Direzione Esecutiva il 5 aprile
scorso, l’invito dello stesso Cappellano affinché lui rimanesse come
Presidente, con l’appoggio unanime di tutti i consiglieri. E così, spinto da tutto il Consiglio, ha accettato l’incarico. (V.N. - Asib)
Esperienze a confronto nell’incontro
tra i coordinatori dei Comites
argentini e brasiliani
BUENOS AIRES - Si sono incontrati a Rio de Janeiro i due coordi-
natori dei Comites argentini e brasiliani. In Brasile, Riccardo Merlo, presidente del Comites di Buenos Aires, ha infatti incontrato il Presidente del comitato di Rio de Janeiro, Francesco Rodolfo Perrotta, accompagnato dal suo vice, Piero Stefano Ruzzenenti.
Un’occasione per rinvigorire rapporti già esistenti tra i rappresentanti
degli italiani in Argentina e Brasile.
In qualità di Coordinatori dell’Intercomites dei due Paesi, Merlo
e Perrotta hanno potuto confrontare esperienze e informazioni sulle problematiche comuni delle comunità che rappresentano che, da
sole, compongono il 75% degli italiani dell’America Latina A margine dell’incontro, Merlo si è detto molto soddisfatto, poiché si sono
stretti nuovi vincoli che torneranno sicuramente utili per un lavoro
comune e concordato, a beneficio di tutti gli italiani residenti in entrambi i paesi. (Aise)
Per la prima volta nella
storia della diplomazia
italiana due donne nominate
ambasciatore di grado
ROMA - Per la prima volta nella storia della diplo-
Editora Comunità - Comunità Italiana
Rua Marquês de Caxias, 31
Centro - Niterói - RJ - 24030-000
Tel / Fax: (21) 2722-0181
mazia italiana, due donne sono state nominate
ambasciatore di grado. Sono Graziella Simbolotti e
Iolanda Brunetti le prime donne in Italia a raggiungere il più alto grado della carriera diplomatica.
Con loro è stato nominato ambasciatore di grado
anche Mario Bova. (aise)
ABRIL 2005
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COMUNITÀ ITALIANA
Si terrà a Salvador la prima
conferenza sulla cooperazione
italiana allo sviluppo in Brasile
SAN PAOLO - Gli interventi italiani di cooperazione, scambio di infor-
mazioni e promozione di un migliore coordinamento a livello federale
e statale tra gli attori della cooperazione, stimolo per nuovi contatti
tra la società civile e le istituzioni per sostenere i progetti in via di attuazione e promuovere una visione d´insieme degli interventi in corso, in vista delle linee future della cooperazione tra Italia e Brasile.
Questi i temi della prima Conferenza sulla cooperazione italiana allo
sviluppo in Brasile che si terrà il 14 e il 15 aprile prossimi a Salvador de Bahia.
Organizzata dall’Ambasciata italiana, la conferenza si propone di
ricalcare i tre filoni principali della cooperazione italiana in Brasile:
ambiente e sviluppo sostenibile, lotta all’esclusione sociale e riqualificazione urbana.
Oltre a questo, verranno trattati anche gli aspetti trasversali, particolarmente apprezzati dal Governo brasiliano, della cooperazione
italiana in Brasile: la partecipazione comunitaria, la cooperazione
decentrata, il dialogo con la società civile locale e l’intersettorialità
degli interventi. Secondo il programma provvisorio, i due giorni di
lavoro inizieranno con una sessione plenaria di apertura, alla presenza
di autorità politiche nazionali e locali. Hanno già confermato la loro
presenza i Ministri Marina da Silva (Ambiente) e Patrus Ananias (Politiche Sociali), il Governatore dello Stato di Bahia, il Sottosegretario
agli Esteri, Giampaolo Bettamio e del Direttore Generale per la Cooperazione del Ministero degli Esteri, Giuseppe Deodato.
Nel pomeriggio si terranno tre sottosessioni tematiche, simultanee, sui tre temi principali dell’evento: per ciascuna di esse, i soggetti della cooperazione (operatori, Ong, rappresentanti della società
civile) presenteranno, scambieranno e discuteranno le rispettive esperienze sui programmi in corso a livello di cooperazione governativa,
non governativa e decentrata.
Il pomeriggio del 15, invece, in una nuova sessione plenaria, i
coordinatori delle tre sessioni tematiche riassumeranno i termini del
dibattito, sulla base delle quali saranno tratte le conclusioni della
conferenza. Alla riunione parteciperanno i volontari e i cooperanti
italiani in Brasile, le controparti locali dei programmi di cooperazione italiani, autorità italiane e brasiliane, le Ong italiane operanti
in Brasile, i rappresentanti della cooperazione decentrata italiana,
della Commissione europea, della rete consolare italiana e del Ministero degli Esteri brasiliano. Dall’Italia, infine, parteciperanno anche
funzionari ed esperti responsabili per i diversi aspetti della cooperazione italiana in Brasile. (Aise)
Atualidade
Italia - Attualità
Fotos: Assessoria do INEPAC
M
O Caminho que liga o
Rio de Janeiro a Matera
Assinado o acordo de
cooperação ítalo-brasileiro
para restaurar e preservar
bens históricos do estado
do Rio de Janeiro
N
o princípio de março, mais um acordo de
cooperação entre Itália e Brasil foi selado, desta vez na área de conservação
e restauração. Foi no bairro carioca da
Lapa, onde tantos edifícios de alto valor patrimonial ainda permanecem esquecidos, que aconteceu o MateraRio – nos caminhos do Rio, tesouros
de Matera. O protocolo de intenção entre os dois
países envolve, especificamente, o Governo do
Estado do Rio de Janeiro, o Instituto Estadual do
Patrimônio Cultural (Inepac), a Secretaria de Estado de Cultura, o Opificio delle Arti e dei Mestieri
di Matera, a região da Basilicata e a Prefeitura de
Matera. O evento, realizado na Sala Cecília Meirelles, contou com a participação do Cônsul geral
da Itália Ernesto Massimo Bellelli.
Na prática, o projeto visa restaurar construções históricas ao longo do Caminho do Ouro, por
onde, durante o período colonial, era escoada a
produção de ouro de Minas Gerais até os portos
do Rio de Janeiro. O trabalho conjunto de profissionais brasileiros e italianos visa unir o conhecimento da história local à técnica adquirida ao
longo de anos de trabalho de restauração em Matera, que, desde de 1993, figura na lista da UNESCO como Patrimônio Mundial da Humanidade.
Um acordo de tal importância para o Rio de
Janeiro surgiu de maneira despretensiosa, durante uma viagem ao Brasil de dois arquitetos
do Opificio delle Arti e dei Mestieri di Matera,
Giuseppe Andrisani e Nicola Letizia. Na ocasião,
eles vinham de uma recente experiência de co18
Gisele Maia
operação internacional com Cuba, que consistiu
na restauração de nove edifícios no centro histórico de Havana Velha.
Algumas similaridades entre as construções da
cidade caribenha e as da Lapa chamaram a atenção dos dois profissionais italianos que, com a ajuda da amiga brasileira Salma Kolling, contataram
o governo do Estado do Rio. Depois de algumas
reuniões com o Instituto Estadual de Patrimônio
Cultural, decidiu-se que a intervenção na Lapa ficaria para o futuro. Entre as tantas urgências do
Rio de Janeiro, no que se refere à preservação do
patrimônio, o Caminho do Ouro foi apontado como prioridade. A estrada, construída a partir das
trilhas dos índios guaianazes, foi muito utilizada
durante o ciclo do ouro e ligava cidades mineiras
como Diamantina, Ouro Preto e Tiradentes à Paraty, de onde o metal partia rumo a Portugal. Em um
primeiro momento, os trabalhos de preservação
ficam restritos ao trecho fluminense do caminho.
“Temos um interesse especial no patrimônio cultural do período da colônia. O Brasil será nosso segundo país latino-americano e já iniciamos alguns
contatos também com a Argentina e a Colômbia”,
afirma o arquiteto Nicola Letizia.
Além da oportunidade dos profissionais brasileiros receberem treinamento dos técnicos italianos, existe ainda a possibilidade de que, no
final dos trabalhos, o Rio de Janeiro obtenha um
reconhecimento da União Européia, o que resultaria em investimentos destinados à preservação. Para que isso aconteça, o Opificio delle Arti
e dei Mestieri di Matera deverá intervir junto ao
conselho europeu e lançar a candidatura do Caminho do Ouro como patrimônio histórico, como
foi o caso mesmo de Havana. “O Inepac demonstrou o interesse de, futuramente, estender às
obras de recuperação a Minas Gerais. Depois, os
dirigentes do INEPAC nos apontarão suas outras
emergências. Nós do Opificio candidataremos,
junto à União Européia, todos os projetos que
forem confiados às nossas mãos”, explica o arquiteto Giuseppe Andrisani.
O Opificio acumula uma experiência de 25
anos de restauração nos Sassi de Matera. O trabalho desenvolvido rendeu o prêmio europeu de
melhor projeto de recuperação de um centro urbano. Por conta disso, o Opificio, apesar de ser
uma sociedade privada, é apoiado pela Região
da Basilicata e pela Prefeitura de Matera. A cidade é um grande laboratório para os restauradores: os Sassi remontam ao período neolítico e a
arquitetura é uma síntese dos vários períodos da
humanidade, trazendo rastros dos diferentes povos que viveram ao longo dos séculos na região.
“Nós temos um patrimônio histórico milenar e,
por isso, existe uma tradição no que respeita
à preservação de bens históricos. Infelizmente
não é assim em muitos outros países, entre os
quais o Brasil. Existe aqui um patrimônio importante da era colonial, mas muitas construções foram abandonadas, se não destruídas. Ao
mesmo tempo, edificações que não guardam nada de belo do ponto de vista arquitetônico são
‘plantadas’ ao redor de preciosidades históricas,
roubando-lhes a visibilidade merecida. É esse o
caso da Lapa, por exemplo”, comenta Letizia.
Em sua palestra, o diretor do Inepac, Marcos
Monteiro, citou as dificuldades com que normalmente tem que lidar, entre elas a falta de conscientização no que se refere aos bens culturais.
Apesar do cenário pouco favorável, Giuseppe
Andrisani comenta: “Nós, os italianos, temos
tradição em preservar e restaurar. Com certeza
os problemas serão superados”. O arquiteto lembra que em Cuba havia escassez de mão-de-obra
qualificada e que, por conta disso, enviou profissionais para fazer cursos na Itália. Mas ele ressalta que o Opificio não tem o objetivo de ensinar, mas trocar experiências. “Qualquer que seja
o obstáculo, só saberemos quando os trabalhos
tiverem se iniciado”, diz Andrisani.
COMUNITÀ ITALIANA
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ABRIL 2005
ilioni di italiani hanno conosciuto
il dramma dell’emigrazione, eppure
adesso sembrano incapaci di accogliere i tanti disperati provenienti
dall’Africa e scaraventati dal mare sulle coste
dell’isola di Lampedusa. Comunità hà già documentato questa diaspora etnica che crea gravissimi problemi umani, sociali, politici. E gli
italiani, che per tanti decenni sono stati un popolo di emigranti, si trovano sotto accusa: sono
egoisti, razzisti, intolleranti, cattivi? Ma le differenze tra l’emigrazione di un tempo dall’Italia
e quella attuale per l’Italia sono enormi.
La “fuga” dal Medio Oriente, dall’Africa, dall’Asia di tanti disperati avviene nella clandestinità, senza regole, anzi, contro le regole: l’emigrazione dall’Italia risultava, per quanto possibile,
disciplinata, legale. La meta più importante era
costituita dalle “Americhe”, dal Brasile. E il Brasile, soprattutto dopo il 1888, e cioè con la abolizione della schiavitù, aveva bisogno di braccia.
L’inizio dell’emigrazione per il Sudamerica, però,
si fa risalire già al 1875. Prima partivano i veneti,
poi piemontesi, lombardi, calabresi, e così via.
I viaggi, per lungo tempo avventurosi e anche
drammatici, a poco a poco miglioravano. Comunque anche nell’ultimo dopoguerra, 3-4 settimane di nave per chi affollava i “saloni” della terza
classe (triste, squallida, e così umiliante) non
erano facili. All’arrivo, i severi controlli di polizia
a Rio de Janeiro o a Santos, l’eventuale viaggio a
San Paolo o peggio “no interior”, il problema di
un alloggio, di un lavoro. Comunque, agli inizi gli
emigranti si trovavano già assegnate delle terre
da coltivare e successivamente potevano contare
in gran parte su parenti e amici. Di certo lavoravano, e lavoravano duro. “Alla mattina si comincia “cole” stelle e la sera a casa “cole” stelle. Agli
inizi del secolo la giornata di lavoro in Brasile arrivava a 15 ore e solo nel 1923 si accordavano le
prime ferie: 15 giorni l’anno. Lo sciopero era un
reato, e gli immigrati che creavano “problemi”,
accusati di anarchia e quindi di essere pericolosi
alla sicurezza nazionale, venivano subito espulsi.
Con la Seconda Guerra, poi, i rapporti Italia-Brasile si rompevano: Mussolini, prima ammirato,
diventava un nemico. D’altra parte, tre decenni
dopo, il Governo Medici (1969-1974) con gli stranieri non ammetteva discussione: “Isto é o Brasil,
ame-o ou deixe-o”.
Ma italiani e brasiliani sono sempre stati
fratelli con tante affinità e principalmente con
una fede e tradizioni comuni. Gli italiani si sono fatti onore come semplici braccianti, operai,
artigiani, commercianti (altro che “carcamanos”
e cioè con la mano calcata sulla bilancia per rubare sul peso), molti sono stati i pionieri. Insieme hanno contribuito allo sviluppo del Brasile.
E – non sembra un caso – il primo santo del Brasile è una povera suora immigrata dal Trentino,
Madre Paulina. Contrariamente all’emigrazione
italiana in Brasile, quella dall’Africa all’Italia è
costituita da fratelli profondamente lontani, come tradizioni, comportamento, religione.
A parte lo sconvolgente dramma (già documentato) dei clandestini, la convivenza con quanti hanno regolarizzato la loro presenza non sempre
risulta semplice. Anche in Italia, per esempio, in
diverse occasioni, è stata richiesta la rimozione
ABRIL 2005
/
Italia: Il contrasto dell’immigrazione
Ugo Guadalaxara
del Crocefisso da scuole o uffici: alcuni musulmani hanno oltraggiosamente definito il simbolo del
Cristianiesimo un “cadaverino” macabro che suscita “repulsione”. Nello scorso dicembre sempre in
alcune scuole si è arrivati a cambiare – per non
“turbare” i musulmani – “la festa di Gesù” con la
“La ‘fuga’ di tanti
disperati, dal Medio
Oriente, dall’Africa,
dall’Asia, avviene
nella clandestinità,
contro le regole:
l’emigrazione
dall’Italia risultava
organizzata, legale”
“la festa di virtù”. L’abbigliamento ostentato da
varie donne, con la testa coperta e nascosta, ha
suscitato polemiche anche in Francia, così come
il rifiuto di alcune ragazze di seguire le lezioni di
ginnastica con i maschi, o addirittura i casi di musulmani che convivono con più mogli. Tensioni nel
mondo del lavoro, fra l’altro, per il mancato rispetto degli orari di chiusura da parte di chi – soprattutto arabi e pachistani – ha ottenuto la gestioni
di negozi di generi alimentari. Nei trasporti urbani
(non esistendo il “cobrador”, ma confidando nella
correttezza dei passaggeri per la regolarizzazione dei biglietti) gli immigrati vengono indicati
come i maggiori trasgressori. I pochi controllori
affermano di non essere in grado di intervenire,
qualcuno ha denunciato di essere stato aggredito.
I trasporti pubblici sono in deficit e le spese ricadono sulla collettività.
COMUNITÀ ITALIANA
Il diritto per gli immigrati di mantenere la
propria religione e le proprie tradizioni, il dovere degli italiani di non “ferire” le loro coscienze,
causano discussioni, tensioni, scontri. In Italia,
non dimentichiamolo, non arrivano soltanto i disperati dall’Africa, ma anche slavi, albanesi, cinesi, filippini, zingari. Moltissimi, è chiaro, sono gli
onesti, ma aumenta il numero di quanti si uniscono alla criminalità (droga, prostituzione, rapine),
a volte spinti e sfruttati da altri immigrati. E non
manca la scoperta di elementi legati al terrorismo, un incubo per l’Europa, dalla Spagna alla
Russia, alla Turchia. Negli ultimi decenni l’Italia,
il mondo, sono cambiati. L’emigrazione è cambiata. Gli emigranti di oggi sono senz’altro diversi da
quelli che il secolo scorso (europei, arabi, asiatici) giungevano in Brasile e tutti insieme formavano un popolo. Enormi le differenze tra le epoche,
le condizioni di vita, le aspirazioni. Il Brasile, nato soltanto nel 1500, grande 28 volte l’Italia, finiva per svilupparsi secondo un evidente destino
multirazziale. La storia plurimillenaria dell’Italia
è ben differente e il Paese sembra scosso da una
crescente, scomposta immigrazione, imprecisa e
imprevedibile. Le anomalie di questa disordinata
– e frequentemente forzata – convivenza fra troppe anime, emergono già nelle strade, nei locali
pubblici, in autobus, con un’accozzaglia di lingue
e abbigliamenti, e soprattutto con tanti comportamenti sperso contrapposti, spesso ostili. Bologna – chiamata “la Dotta” per l’antichissima università e per la sua civiltà, e “la Grassa” per la
gastronomia e il suo diffuso benessere – sempre
indicata come una delle città più aperte e ospitali, ora soffre l’impatto, l’attrito, fra troppe realtà.
Anche la grandiosa e prodiga Milano, la “capitale
morale” d’Italia, la “Milano col cuore in mano” sta
mutando. Ne è un esempio – tra altri – il vastissimo piazzale della Stazione Centrale (un tempo
punto di arrivo di tanti italiani del Sud con le valigie di cartone) adesso sempre più invaso da una
folla di immigrati stranieri per ogni tipo di incontri e di “commerci”. Molti vecchi milanesi, molti
vecchi bolognesi, molti vecchi italiani, appena
possono, si rinchiudono in casa.
19
UNA GUERRA CHE RACCONTA LA STORIA DEL NAUFRAGIO
Etiopia: un paese
alla deriva
Una società
millenaria
che non è mai
riemersa dalle
guerre del
sec. XX
20
D
a tempo desideravo conoscere l’Etiopia
per vari motivi. Innanzitutto, ricordavo,
dai tempi della mia fanciullezza (sono
nato nel 1930), l’entusiasmo delirante
per la conquista di questo spazio di oltre un milione di km2 considerato vitale per consentire
all’allora Italia proletaria e prolifica di inviare
là il suo eccesso di popolazione. E, per giunta,
l’Italia aveva sfidato la Società delle Nazioni che
aveva condannato la guerra e deciso sanzioni
economiche (blande peraltro, in quanto non includevano il petrolio ed il passaggio dal Canale
di Suez) e, con la conquista, si trasformava addirittura in un Impero. Fatti questi sapientemente
strumentalizzati dalla propaganda fascista che
facevano facile presa, specie sui giovani.
Mi attraevano poi le vicende storiche: gli antichi vincoli con la Giudea, la leggenda dell’incontro
della Regina di Saba con Re Salomone a Gerusalemme da cui derivava la stirpe degli Imperatori
etiopici durata quasi 3000 anni, il presunto trasferimento ad Axum delle tavole della legge mosaica,
le comunità ebree là emigrate da circa 1300 anni,
ormai somaticamente africane ed in gran parte trasferite ad Israele verso il 1990 per la carestia del
periodo e la solita emarginazione. E poi, il fenomeno della Chiesa Copta Cristiana che ha finora resistito sugli altipiani etiopici alla pressione islamica,
emanazione nel 300 d.C. della Chiesa di Alessandria di Egitto, separata da sempre da Roma e con
patriarcato proprio prima ad Axum e poi ad Addis
Abeba, con tante chiese incredibili scavate nella
roccia, antichi dipinti e le sue cerimonie fastose.
Ed infine, mi interessava conoscere qualcosa
di questa terra antica, culla dell’uomo sulla base
dei reperti di oltre 4 milioni di anni, con i suoi
altipiani tormentati, le ambe (montagne con pareti scoscese ed ampia cima piatta), le profonde
diversità etniche delle tante tribù, le tragiche
problematiche economiche.
Nonostante i soli 10 giorni disponibili, ci
è stato possibile vedere buona parte dell’altopiano, sorvolandolo con aerei Fokker ad ala
alta che volano a bassa quota, attraversare in
barca il lago Tana con visita alle sue storiche
isolette, percorrere in auto e a piedi le città
di Addis Abeba, Gondar, Lalibela, Axum, altre
minori e vari dintorni. Abbiamo anche partecipato a Gondar e Lalibela alle processioni religiose con centinaia di preti copti addobbati
con ricche vesti, ombrelli intessuti di fili d’oro,
grandi croci argentate e migliaia di pellegrini poverissimi avvolti in tuniche bianche, con
ininterrotte musiche, balli, preghiere, canti religiosi. Cerimonie queste ancora assolutamente autentiche, con scene che sembrano uscite
dalla Bibbia.
A parte il folklore, le splendide antichità, un
originale artigianato, la bellezza della gente, la
naturale eleganza delle donne, qualche mercato
movimentato, la sensazione che dà l’Etiopia è
di un paese in enormi difficoltà, con una popolazione cresciuta a dismisura, sottonutrita,
carente di istruzione, di assistenza medica, di
comunicazioni, rassegnata, in condizioni del
tutto primitive.
COMUNITÀ ITALIANA
/
ABRIL 2005
Per cercare di comprendere i motivi di questa
tragica situazione, potranno essere utili alcuni cenni sugli avvenimenti degli ultimi 70
anni. Iniziamo con la conquista italiana del
1935/36 che aveva comportato per il nostro
paese impegni ed oneri elevatissimi. Furono
trasferiti in Eritrea e Somalia, in centinaia di
navi, oltre 200.000 soldati, aerei, autocarri,
artiglieria, ogni sorta di materiali, genieri,
migliaia di addetti alla costruzione di strade
per consentire l’accesso al difficile territorio e
le operazioni logistiche. Nei circa 5 anni, dall’inizio delle ostilità fino all’entrata dell’Italia
nella 2a guerra mondiale nel giugno 1940, fu
profuso dallo Stato fascista il 25% delle risorse governative nelle operazioni belliche e nelle opere di infrastruttura, specie strade, che
ancor oggi costituiscono la rete fondamentale
di comunicazione.
Nel 1938 la popolazione etiopica era allora
valutata in circa 6 milioni di abitanti, contro
gli allora 45 milioni della popolazione italiana. In questa situazione – nonostante le grandi
difficoltà del territorio, la lontananza, l’opposizione del governo ad incroci razziali - l’idea
di investire per poi inviare gradualmente in
Etiopia l’eccesso della popolazione italiana poteva anche avere un senso. Ma chi mai avrebbe potuto pensare che la popolazione etiopica
sarebbe cresciuta a dismisura e viene valutata
oggi in 70 milioni di miserabili, mentre l’Italia
è diventata uno dei paesi a più bassa natalità,
con necessità di milioni di immigrati per sostenerne l’economia?
C’è inoltre da chiedersi come mai il governo italiano, con l’ingente impegno etiopico e
le finanze conseguentemente debilitate, avesse
deciso di entrare in guerra contro l’Inghilterra
nel 1940, con conseguente isolamento dell’Impero per la chiusura del canale di Suez. Dopo
poco più di un anno dall’inizio delle ostilità,
l’Impero era perso e si concludeva così una folle e breve avventura che, oltre ad ingenti spese, aveva comportato il sacrificio di migliaia di
nostri combattenti e lavoratori.
Con il ritorno del Negus nel 1941, l’Etiopia aveva stretto rapporti con gli Stati Uniti
dai quali aveva avuto l’appoggio per annettersi l’Eritrea come stato confederato ed assicurarsi così uno sbocco al mare. Peraltro, con il
declassamento dell’Eritrea a semplice provincia
nel 1960, ebbe origine una interminabile guerra, di fatto non ancora conclusa. Analoghi conflitti, anche se di minore durata, avvennero con
Somalia e Sudan.
Nel 1955 fu poi proclamata una nuova costituzione che dava maggiori poteri al parlamento e cercava di ridimensionare il secolare
ordinamento feudale, ma ne seguirono disordini, tensioni, rivolte e – nel 1974 – il fatto
nuovo, con la destituzione del Negus, poi assassinato, la proclamazione della repubblica,
l’assunzione di un regime militare - con a capo
il Col. Menghistu - di ispirazione socialista, con
l’economia controllata dallo Stato, nazionalizzazione dei terreni agricoli e ridistribuzione
ai contadini, rottura con gli Stati Uniti, nuova alleanza con l’Unione Sovietica e Cuba che
ABRIL 2005
/
diedero cospicui aiuti
militari, altre guerre
e disordini interni.
Il regime Menghistu si concluse nel
1990 con il disimpegno dell’URSS e si affermò un nuovo regime federalista in cui
venne eletto democraticamente premier
Meles Zenawi che sta
facendo tentativi di
modernizzare il Paese, le cui condizioni
sono ormai disastrate
per l’esplosione demografica a cui già si
è accennato, le ricorrenti carestie per mancanza di piogge e per l’investimento in spese militari di gran parte delle
risorse disponibili.
Dilagano AIDS, malaria, l’istruzione è precaria, l’agricoltura è manuale e di pura sussistenza, si stima che la grande maggioranza
Editoria de arte
Franco Urani – Economia
una campagna di pianificazione famigliare, certo difficile con l’80% della popolazione contadina, con estrema precarietà di comunicazione
e assistenza medica. Dovrebbe poi venire condonato il debito estero di 6 miliardi di dollari che corrisponde a quasi un anno di PIL. E
“Chi avrebbe potuto pensare che la
popolazione etiopica venisse valutata
in 70 milioni di miserabili, mentre
l’Italia è diventata uno paesi con
necessità di milioni di immigrati per
sostenerne l’economia?”
della popolazione non si alimenti sufficientemente, le carestie sono ricorrenti, le città pullulano di bambini e deficienti fisici questuanti.
Quindi un panorama disastroso, uno dei paesi
più poveri del mondo nel già estremamente critico contesto africano.
Difficile dire cosa dovrebbe farsi per tentare
di iniziare in Etiopia una qualche ripresa. Innanzitutto, e con i buoni uffici internazionali,
occorrerebbe azzerare le spese militari e quindi risolvere definitivamente le interminabili e
assurde guerre con gli Stati vicini. In secondo
luogo, dovrebbe venire lanciata in grande stile
poi, sarebbe imperativo – e non solo in Etiopia
– il massiccio intervento internazionale, sotto
l’egida dell’ONU (presente ad Addis Abeba da
circa 40 anni, peraltro con risultati scoraggianti), applicando almeno una parte delle ingenti
risorse che potrebbero mettere a disposizione
i paesi ricchi con la riduzione dei loro bilanci
militari e la rinuncia ad una parte del loro benessere, che spesso è opulenza.
Dovremmo cioè sforzarci per acquisire rapidamente una nuova coscienza etica mondiale
e realizzare una pacifica rivoluzione solidaria,
prima che sia troppo tardi.
Bastano pochi dati statistici per capire la drammatica situazione economica dell’Etiopia, il cui
territorio è di circa 1,1 milioni Km2 (contro 0,3 dell’Italia e 8,5 del Brasile):
Popolazione valutata in 70 milioni, con crescita annua prossima al 3%
Fecondità di circa 7 figli per donna, con mortalità infantile del 12,4%
Vita media sui 45 anni
Prodotto interno lordo (PIL) di 7 miliardi di dollari (contro 600 Brasile e 1.100 Italia)
Reddito annuo pro-capite di US$ 100 (contro 3.000 del Brasile e 20.000 dell’Italia)
Debito estero di 6 miliardi di dollari
Popolazione agricola di oltre l’80% (contro 20% Brasile e 5% Italia)
Analfabeti circa 60% della popolazione e accesso all’acqua potabile per il 30%
COMUNITÀ ITALIANA
21
Economia
CI – Perché l’Italia risente del problema molto di più dei suoi vicini?
Bombassei – L’Italia ha sempre dimostrato una grande capacità di
trasformazione, perché non ha mai posseduto le materie prime, industrie pesanti o altri tipi di produzione. Un paese trasformatore che
non è quasi mai stato produttore di tecnologia, salvo delle eccezioni.
Per esempio, sappiamo che l’Italia è la vice-campionessa nel consumo
di apparecchi cellulari, ma non fabbrichiamo nessun telefono mobile
sul nostro territorio.
CI – La crisi del settore tessile è uno dei casi più gravi per ciò che
riguarda la competitività?
Bombassei – Questa crisi dura da vent’anni. Le licenze di importazione cinesi, oggigiorno aumentano dal 600 al 1300%. Siamo contrari
alle tasse doganali in generale, per motivi storici ed economici, ma
abbiamo regole dell’Unione Europea che debbono essere seguite. Se
dei prodotti importati mettono in crisi un intero settore dell’economia, si può ricorrere all’esazione di tariffe, e questo è un procedimento legale. Dobbiamo far valere il principio di reciprocità. I prodotti
europei importati dalla Cina pagano il 40%, invece i prodotti cinesi
importati in Europa pagano molto meno.
CI – La mancanza di controllo rende più grave il problema?
Bombassei – Sì. Fino a poco tempo fa venivano liberati nel porto di Napoli circa 1000 container al giorno, ma solo cinque o sei impiegati sono
responsabili per il controllo del carico merci. Questo è umanamente impossibile. Sicuramente lì inizia una catena di irregolarità. Abbiamo già
fatto un accordo con la Guardia di Finanza per ridurre il problema.
CI – In che area l’Italia va meglio dei suoi vicini?
Bombassei – La tassa di occupazione italiana è maggiore di quella
tedesca, ma gli altri dati sono negativi. Il governo sta proponendo e
adottando misure molto modeste in relazione a quelle indicate da noi
e al contrario di ciò che stanno facendo gli altri paesi. La Francia ha
adottato un programma di ricerca e sviluppo preventivato in 6 miliardi di euro, mentre noi abbiamo avuto a disposizione soltanto 800
milioni di euro, che non sappiamo neanche se saranno spesi bene.
Siamo molto delusi dal programma proposto dall’Italia.
CI – Che cosa aveva chiesto la Confindustria al governo?
Bombassei – Avevamo chiesto un onere fiscale più leggero per le imprese. I paesi che sono entrati adesso nell’Unione Europea subiscono
un onere fiscale molto minore, quindi è chiaro che gli investimenti si
dirigono verso terreni più fertili. Il costo della manodopera in questi
paesi corrisponde a un quinto di quello francese, italiano o tedesco.
In Italia, la differenza tra il costo del lavoro e gli stipendi netti degli
operai è molto grande. Siamo i primi alla voce ‘costi’ e gli ultimi a
u u qG A
e
m
r
e o h quella
n l ‘stipendi’
i i . È una dispersione molto accentuata.
CI – Quale altro fattore incide sulla diminuzione della competii freni, Alberto Bombassei ne capisce. È il presidente della Brembo, tività italiana?
azienda italiana leader mondiale nella fabbricazione di freni per auto- Bombassei – Prima di tutto siamo uno dei pochi paesi europei che
mobili e installata in Brasile, a Betim, da due anni. Ogni anno vende non hanno energia nucleare e, comprando energia dai nostri vicini, il
30 milioni di unità in tutto il mondo. I suoi prodotti sono presenti in costo dell’elettricità italiana è il più elevato di tutta Europa. Un altro
macchine utilitarie, commerciali e sportive come Ferrari e Porche, così come fattore è la nostra burocrazia che, tanto in governi di destra quanto in
in moto Honda e Yamaha. Ma è stato nelle vesti di vice-presidente della Con- quelli di sinistra, continua a minare gli sforzi del sistema italiano.
findustria italiana che ha ricevuto i corrispondenti stranieri nel salone delle CI – Qual è il bisogno urgente del paese?
conferenze della Borsa di Valori di Milano. All’ordine del giorno dell’incontro Bombassei – Abbiamo bisogno di un piano di infrastrutture, di riforme
c’erano i freni della Grembo e quelli dell’Italia, che non riesce a dare il via e del sistema stradale, ferroviario e aeroportuale. Al sud, questa infrastruta competere con gli altri paesi eutura è praticamente inesistente. Al
ropei. Comunità Italiana ha parsud della Spagna e della Francia
tecipato all’incontro, avvenuto lo
c’è un potenziale turistico ben svistesso giorno in cui Berlusconi, a
luppato e amministrato. La Sicilia,
Roma, votava in Parlamento il paccon tutto il potenziale di interessi
chetto di misure per incrementare
culturali, paesaggistici e archeola competitività del paese e reculogici, potrebbe essere il motore
perare il terreno perduto sullo scedi un’industria forte del turismo,
nario internazionale.
ma non riusciamo a investirci coComunità Italiana – La perdita della competitività è un problema italiano o me vorremmo. Inoltre abbiamo l’accordo di Lisbona, secondo cui i paesi
europeo in generale?
debbono investire perlomeno il 3% del prodotto interno lordo in ricerca
Alberto Bombassei – È soprattutto un problema europeo. L’economia mondiale e sviluppo entro la fine del decennio. Sono già passati quattro anni e
va bene. Il mercato nord-americano sta avanzando, così come quello sudame- l’Italia è ferma ad applicazioni di risorse che si aggirano sull’1%, mentre
ricano, che si risolleva dopo alcune difficoltà. I paesi asiatici, tra cui la Cina e nei paesi del nord si investe molto di più. L’Europa occidentale non è in
anche il Giappone, che si trovavano in ristagno da decenni, sono in crescita. crescita, al contrario dei paesi asiatici e sudamericani, il Brasile in special
Ma l’Europa si trova ingessata dovuto ai suoi nodi sociali e burocratici. E l’Italia modo. Perfino per attrarre investimenti automobilistici dobbiamo correre
risente del problema molto di più dei suoi vicini.
dietro alle condizioni di crescita di queste nazioni.
Francesca Giobbi
dalla testa ai piedi
F
ELEMENTI ORIGINALI
Francesca racconta che la sua famiglia, venuta
dalla Lombardia, arrivò in Brasile nel 1932. Il
bisnonno, proprietario di una piccola ditta edile, sentì dire che a San Paolo c’erano grandi opportunità per ingegneri specializzati nell’apertura di strade e decise di ingrandire gli affari.
Comunque l’Italia non ha mai smesso di esser un
punto di riferimento culturale trasmesso da generazioni. “Fin da piccola ho avuto contatto con
i prodotti di là, visto che mia nonna viaggiava
spesso e mi portava molti regali”, ricorda Francesca in questa intervista a Comunità.
Le borse e scarpe sono state, fin dall’inizio, gli
oggetti preferiti dalla designer. Vale la pena mettere in risalto che quando ha visitato l’Italia per la
prima volta, a 16 anni, al ritorno si portò in valigia circa 40 paia di scarpe nuove, alcune firmate
da grandi marche come Gucci, altre scelte con attenzione nei mercatini di Firenze. “Gli italiani apprezzano cose nobili, sono minuziosi con le rifiniture e la linea. Con loro ho imparato a distinguere
ciò che è di qualità e ciò che non lo è”, dice.
Non per caso Francesca ha scelto di studiare
all’Istituto Europeo di Design, a Milano, un ri-
Vice-presidente della Confindustria
parla del ristagno europeo e spiega
perché l’Italia è uno dei paesi meno
competitivi del Vecchio Continente
COMUNITÀ ITALIANA
/
ABRIL 2005
nomato centro di insegnamento nelle
aree della Moda, delle Arti Visuali e
di Comunicazione. Là, si è laureata
in Architettura di Interni – come abbiamo già detto – e ha avuto la sua prima opportunità professionale. “Grazie a contatti fatti
presso l’Istituto, sono stata invitata a lavorare
nella Linea Casa di Versace”, ricorda. A partire
da quel momento, la sua carriera ha ricevuto un
grande impulso. Ancora presso la Versace, ha cominciato ad occuparsi delle vendite internazionali delle scarpe della boutique. Grazie al knowhow acquisito in questo settore, ha cominciato
ad essere chiamata dalle grandi maison: Miu
Miu, Prada, Jill Sander, Armani, Donna Karan e
Sérgio Rossi.
Nel 1999, contrattata da un ufficio internazionale chiamato Agan, Francesca ha coordinato lo sviluppo di una linea giovane di prodotti
italiani, che sarebbe stata venduta da un grande
magazzino inglese, l’House of Fraser. Ma sei mesi
dopo ha ricominciato a lavorare con grandi marche e, questa volta, ha disegnato una collezione
completa di scarpe per la Gucci.
E COSTRUIRE IL NUOVO MONDO
Contando con il periodo degli studi, Francesca
ha vissuto a Milano per 10 anni. Ma nel 2000,
con l’idea di aprire la sua propria ditta, è ritornata alla sua terra natale. “Il Brasile è un paese
di opportunità, dobbiamo imparare nel vecchio
mondo e costruire nel nuovo mondo”, insegna.
In principio, ha pensato di occuparsi della distribuzione di prodotti di grandi marche – come
faceva in Italia – visto che così avrebbe potuto
conoscere meglio il mercato nazionale. Ma ha
scoperto che non c’erano molte opportunità in
questo settore. E allora ha scelto di offrire consulenze temporanee a diversi fabbricanti di prodotti per mercerie.
Linea di scarpe disegnate da Francesca Giobbi per la sua marca
ABRIL 2005
/
Designer di scarpe
italo-brasiliana è
proprietaria di un
negozio di San
Paolo e rifornisce 43
showroom all’estero
IMPARARE NEL VECCHIO MONDO
Fotos: Verônica Campos
D
22
Andressa Camargo
Figlia di una commerciante in abbigliamento di successo negli anni
’80, Francesca Giobbi è cresciuta in
mezzo a stoffe pregiate e macchine
da cucire. Da bambina ha imparato
che nel mondo della moda ogni piccolo dettaglio è importante e che,
nel mercato di lavoro, perfezionismo e determinazione costituiscono le parole d’ordine. Nel
1991, a 18 anni, decisa a costruirsi una carriera
come designer, è partita per Milano per studiare Architettura d’Interni. Oggigiorno, Francesca
Giobbi è proprietaria di una marca di scarpe e di
una fortunata storia di vita, che vi raccontiamo
più dettagliatamente nel testo che segue.
L’Italia presenta uno dei
peggiori indici di crescita
dell’Unione Europea
“L’economia mondiale va bene, ma
l’Europa risulta ingessata dai suoi
nodi sociali e burocratici”
Moda
COMUNITÀ ITALIANA
Nel novembre del 2002, Francesca ha deciso di preparare una linea di scarpe fatte a mano da essere vendute all’ingrosso, e ha sfruttato
l’opportunità per creare anche la sua marca. Nel
settembre 2003, ormai abbastanza conosciuta
dalle consumatrici brasiliane, ha inaugurato un
negozio col suo nome nell’Alameda Gabriel Monteiro da Silva, nel quartiere Jardins, a San Paolo.
“Alle mie clienti piace la qualità e la comodità”,
spiega. Oggi, a 31 anni, proprietaria di un curriculum invidiabile, la designer spedisce parte
della sua collezione a New York, Londra, Parigi,
Milano, Oslo e Madrid, rifornendo un totale di 43
showroom all’estero.
Diventate popolari nel mondo della moda,
le sue creazioni già vengono pubblicate sulle
principali riviste femminili dell’attualità, come Vogue e Elle, e ai piedi delle modelle più
copiate, come Gisele Bündchen, Kate Moss e
Claudia Schiffer. “Ma sono ancora agli inizi”
dice lei, modesta. “Entro il 2007 voglio aprire
un negozio mio in Europa e un’altro negli Stati
Uniti”. Ma il Brasile non verrà mai messo in secondo piano: “Il mio paese è una fonte d’ispirazione, perché accoglie una grande varietà di
fiori, culture e climi e, inoltre, è un paese in
cui mi sento libera di creare”, termina l’intervistata, orgogliosa.
23
Comunidade
se. E, apesar de toda a beleza dos artefatos,
eles acabam saindo quase de graça para os
foliões. “A apresentação da Pianeta Vacanze
é, na verdade, patrocinada por empresas privadas italianas”, explica ela. “Pedimos aos
participantes apenas uma contribuição de R$
25, pois estamos apoiando, a pedido da Imperatriz, uma ONG que trabalha na formação
de escolas de samba mirins”.
Entretanto, para os 160 turistas que entraram na Sapucaí este ano, outros gastos devem
ser considerados. A viagem completa - que inclui, passagem aérea, hospedagem por uma semana, um dia de excursão, um almoço em churrascaria da moda e um ticket para assistir às
campeãs no sambódromo – não sai por menos
de 1500 euros. O que não impede que o número
de interessados cresça a cada ano: “Em 2004,
vieram para o Rio conosco mais ou menos 100
italianos”, diz Débora.
ALÉM DO SAMBA, PIZZA E COMPROMISSO
Sicília atuante no Rio de Janeiro
O privilégio de representar
a Itália no carnaval carioca
1
2 de fevereiro, fim de tarde na Cidade
Maravilhosa. Apesar do calor, o público
lota arquibancadas, frisas e camarotes
da Marquês de Sapucai, e, ansioso, espera pelo início do desfile das vencedoras do Grupo Especial. Entra a primeira escola, todos se levantam alegres, mas alguns
desavisados não compreendem o que se passa.
Na Avenida, atrás de um grandioso e solitário
carro alegórico, cerca de 550 pessoas entoam
tarantelas e exaltam, nas fantasias, a gastronomia mediterrânea. Não, não podia ser a Mocidade Independente. E não era. Os foliões representavam a Acadêmicos da Pianeta Vacanze,
uma escola composta exclusivamente por italianos e descendentes, que, desde 2002, abre o
sábado das campeãs. “Esse evento é uma vitrine para a cultura da bota aqui no Brasil, para
que os próprios descendentes descubram suas
raízes”, afirmou Débora dos Santos, uma baiana
que vive há anos na Sicília e que organiza os
desfiles da escola.
Na Itália, em sociedade com o marido, Débora dirige uma agência de turismo chamada, justamente, Pianeta Vacanze. “Por sermos
proprietários de uma empresa conceituada lá
fora, conseguimos contatar a Liga das Escolas
e assumir a coordenação desse desfile, o que
faz muito sentido para nós”, completa ela,
lembrando que, mesmo antes de 2002, um
pequeno grupo italiano já entrava na Sapucaí, sob orientação de alguns carnavalescos
da cidade de Cento (Ferrara), para aquecer a
24
Andressa Camargo e Gisele Maia
platéia. “Eu achava linda aquela manifestação, entretanto, naquela época, a prioridade
era mostrar atrações vindas diretamente das
festas italianas, acabava faltando uma unidade temática nas apresentações”.
Desde que assumiu o projeto, Débora trabalha para que sua escola tenha o mesmo requinte das brasileiras. Entretanto, nunca se
esquece que o mais importante é divulgar a
cultura e as belezas naturais da Itália. “Queremos tocar na memória dos imigrantes e despertar o interesse dos brasileiros”, explica.
Para confeccionar, no próprio Rio de Janeiro,
as fantasias e o carro alegórico da Pianeta
Vacanze, Débora conta com a ajuda e o know
how dos artesãos da Imperatriz Leopoldinen-
Participar do carnaval carioca não foi o único
objetivo dos visitantes. Neste ano de 2005, a
Pianeta Vacanze teve a iniciativa de transformar a vinda ao Rio de Janeiro em uma oportunidade para se fazer negócios. Em 14 de fevereiro, a segunda-feira após o desfile das campeãs, um evento organizado pela agência de
viagens promoveu o encontro do Cônsul Geral
da Itália, Mássimo Bellelli, com alguns empresários sicilianos. Nesse dia, 150 pessoas lotaram o auditório principal do Instituto Italiano
de Cultura do Rio de Janeiro. “Esses empresários são nossos clientes e nós decidimos facilitar o contato entre eles e o consulado. Além
disso, aproveitamos a oportunidade para fortalecer as amizades entre as pessoas que desfilaram conosco”, afirma Débora, que lamentava
pelo espaço reduzido da sala. “Infelizmente só
pudemos enviar dois convites para cada família, nem todos estão aqui”.
O arquiteto Ivano Manzan, original da cidade de Latina, reside no Brasil desde 1976 e
era um dos italianos presentes na confraternização. “Sinto orgulho de entrar na Avenida representando meu país. A Itália é a única nação
estrangeira a desfilar no carnaval carioca”, diz
ele, que, atualmente, trabalha no consulado com
vistos e navegação.
Para garantir a diversão dos convidados, subiram ao palco três dos maiores pizzaiolos acro-
batas do mundo: Giorgio Riggio, Paolo Coppola de Açúcar, que é um colosso, prefere não se are Salvatore Lana. “Eles desfilaram sobre o nosso riscar e trabalha com o que o público já conhecarro na Sapucaí e, hoje, quiseram se apresentar ce, como as massas e os azeites, e não se volta
em homenagem ao cônsul”. Além disso, dezenas para os produtos artesanais”, explica Denise
de Almeida Peres, diretora da Câmara do Rio.
de prêmios foram sorteados.
Os encontros de negócios continuaram no Para ela, a Acadêmicos da Pianeta Vacanze é
dia seguinte. A Câmara Ítalo-brasileira de Co- uma vitrine importante e reforça a imagem da
mércio e Indústria promoveu a organização culinária mediterrânea – que é o caso da Sicília
de um workshop para que importadores e dis- e das regiões do sul da Itália -, já amplamente
tribuidores locais pudessem conhecer os pro- divulgada. “Este ano, o tema da escola foi Sapori Mediterrani, o que enaldutos sicilianos e discutir as
tece muito o produto típico
possibilidades de mercado
alimentar italiano”, comenta
para os mesmos no Brasil.
a diretora.
Durante
o
Incontro
O Cônsul Geral da Itália,
d’Affari, realizado no auditóErnesto Massimo Bellelli, que
rio da Firjan (Federação das
esteve presente no evenIndústrias do Rio de Janeito, também opinou sobre
ro), a Sicília foi representaa questão: “O que estamos
da pela Compunet, produtora
vendo aqui é um dos muitos
de cartões plásticos de PVC;
exemplos do que aconteceu
a Kart, de artigos naturais
nesse segmento. A Câmara
medicinais; a Ecoconsult, que
de Comércio e o ICE (Institupresta consultoria ambiental;
to Italiano para o Comércio
a Pasticceria Caviezec, que faExterior) promoveram evenbrica doces típicos; a Perlat,
tos sobre a Dieta Mediterde artesanato; a Inalme, de
rânea no Rio de Janeiro e
produtos naturais; e, como já
também em cidades menores
foi dito, a Pianeta Vacanze,
como Valença e outras pelo
na área turística. Os empreBrasil afora. A comida itasários não só trocaram idéias
liana é bastante conhecida,
e esclareceram condições de
mas mesmo os brasileiros
venda: os convidados tiveram
não são acostumados com a
também a oportunidade de
riqueza de todos os seus eleprovar a qualidade das pastas
mentos”, afirma Bellelli.
finas e doces típicos siciliaA compunet, de cartões
nos de produção artesanal.
plásticos, despertou inteOs mesmos talvez estejam
resse de consultores que
disponíveis para o público
carioca em breve, já que a ERNESTO MASSIMO BELLELLI, trabalham com a Brasil Telecadeia de supermercados ZoCÔNSUL GERAL DA ITÁLIA NO com. Mas, no momento atual, em que o mundo inteiro
na Sul, cujo dono é italiano,
RIO DE JANEIRO
se volta para a questão do
demonstrou interesse em fameio-ambiente, por conta
zer um teste junto aos consumidores. “Tivemos o cuidado de avaliar bem da entrada em vigor do Protocolo de Kyoto, a
quem seriam os possíveis parceiros no Rio. Os mais “concorrida”, segundo Denise Peres, foi
elementos trazidos hoje aqui são muito típicos a Ecoconsult. Entre os projetos realizados, a
e não é qualquer supermercado que os coloca- empresa trabalha com tecnologia para a puriria em suas nas prateleiras. Mesmo o Grupo Pão ficação da água e do ar atmosférico.
“A comida
italiana é
bastante
conhecida,
mas mesmo
os brasileiros
não são
acostumados
com a
riqueza de
todos os seus
elementos”
Carro alegórico
da Acadêmicos
da Pianeta
Vacanze, escola
italiana que
abriu o desfile
das campeãs
Pizzaiolos
acrobatas se
apresentam
no Instituto
Italiano de
Cultura - RJ
COMUNITÀ ITALIANA
/
ABRIL 2005
ABRIL 2005
/
COMUNITÀ ITALIANA
Missão siciliana visita
Hospital Italiano do
Rio de Janeiro para
discutir acordos na
área da saúde
A
Sicília também reafirmou seu compromisso com os concidadãos que vivem no exterior. No mês de março, uma delegação da
Comissão de Serviços Sociais e Sanitários da
Região esteve no Hospital Italiano do Rio de
Janeiro. Em uma reunião com o presidente
da SBMS (Società Italiana di Beneficenza e
Mutuo Soccorso), Doutor Antonio Aldo Chianello, discutiu-se os problemas dos italianos,
principalmente os de origem siciliana, que,
por questões financeiras, não tem acesso a
atendimento médico de qualidade. Foram propostas soluções como a cobertura das despesas médicas de cidadãos sicilianos e fornecimento de material e equipamento hospitalar.
Uma lei recentemente aprovada pela junta regional também permite que seja dado apoio
financeiro a outros hospitais em países em
desenvolvimento, não necessariamente hospitais italianos.
Durante a visita, estiveram presentes
representantes do projeto ITENETS (International Training and Employment Network)
tem por objetivo formar redes de contato
entre os italianos de determinadas regiões,
dentro e fora da Itália.
A iniciativa recebe o apoio do Ministero
degli Affari Esteri, da Direzione Generale per
gli Italiani all’Estero e le Politiche Migratorie
(DGIEPM). É financiada pela União Européia
através do Fundo social Europeu, e tem como
foco de atuação a Basilicata, Calábria, Campânia, Molise, Puglia, Sardegna e Sicília. Para isso, existem os “observatórios regionais” e, por
meio deles, busca-se formar redes de trabalho
e criar relações entre as regiões meridionais
italianas e italianos residentes no exterior, de
modo particular nos setores do trabalho, de
formação profissional e empresarial.
“É um projeto que também explora o lado
cultural, econômico, científico e tecnológico. Por exemplo, entramos em contato com
o hospital italiano para que daí possa haver
intercâmbio na área médica, mantendo aqui
um padrão igual ao existente na Itália”, explicou Lucio Dieni, diretor do Osservatório
ITENETs – Região Sicília, durante uma visita
ao Hospital Italiano.
O exemplo do hospital, citado por Dieni,
é apenas uma das formas de atuar. Os Osservatori se destinam também às administrações
regionais, entes locais, serviços de emprego,
centros de formação e sindicatos. No exterior, as instituições que dão suporte são: embaixadas e consulados italianos, as Câmaras
de Comércio, os escritórios do ICE, os Institutos Italianos de Cultura e as organização
dos italianos no exterior.
25
Serviços
Caro leitor,
Inauguramos nesta edição a sessão “Participa Comunità”. Nela estarão informações sobre cursos, prêmios internacionais, bolsas de estudo e outras oportunidades para a comunidade italiana.
PRIMEIRA EDIÇÃO DO CONCURSO
JORNALÍSTICO PARA MIGRANTES
A Província de Pescara está organizando a primeira edição do Concurso jornalístico para migrantes, em colaboração com a Abruzzo nel mondo, periódico dedicado à comunidade italiana
no exterior. O concurso está dividido em duas
sessões: uma dedicada aos autores residentes na
Itália provenientes de países em desenvolvimento não pertencentes à União Européia e a outra
para italianos residentes no exterior. Os candidatos deverão ter entre 18 e 40 anos.
O tema a ser abordado é a questão das trocas interculturais enquanto fator de enriquecimento social. O artigo ou reportagem deverá ser
inédito, no tamanho máximo de duas páginas
(cada página de 30 linhas, com o máximo de
60 caracteres por linha). O texto, redigido em
língua italiana, deve ser enviado, junto com os
dados do autor, para o Servizio Politiche Sociale
– Ufficio Immigrazione della Provincia até o dia
29 de abril.
O prêmio para a primeira sessão (autores
residentes na Itália provenientes de países em
desenvolvimento não pertencentes à União Européia) será um estágio de formação e treinamento por dois meses na redação do “Il Centro”.
As bolsas são de 600 euros para o primeiro colocado e 350 para o segundo.
Quanto à segunda sessão (italianos residentes no exterior), o prêmio para o primeiro colocado é de 600 euros, mais a publicação do artigo
de sua autoria no jornal Abruzzo nel mondo. O
segundo colocado receberá 350 euros.
Maiores informações: www.pescaraonline.net
PRÊMIO LITERÁRIO INTERNACIONAL
A Associação Cultural Maestrale e o Salotto Letterario do Restaurante San Marco promovem
a nona edição do Prêmio Literário “Maestrale
– San Marco / Marengo d’Oro”. O objetivo é a valorização da cultura literária na Região Ligúria.
É possível participar em diversas categorias,
como poesia, romance, texto teatral e tese de
doutoramento, todas para o idioma italiano. Há
ainda uma categoria especial para estrangeiros,
que permite textos nas línguas francesa, inglesa, portuguesa, espanhola e alemã.
O vencedor absoluto levará o prêmio de 500
euros, mas os primeiros, segundos e terceiros
lugares das diversas categorias também serão
contemplados. O prazo para as inscrições é até
31 de maio.
Para maiores informações:
www.maestralesestrilevante.com
[email protected]
26
BOLSAS DE ESTUDO PARA ESTUDANTES ESTRANGEIROS
OPORTUNITÀ DI STUDIO E LAVORO
O Ministério das Relações Exteriores italiano divulgou as ofertas de bolsas de estudo oferecidas
pelo Governo a cidadãos estrangeiros e italianos
residentes no exterior. Uma característica importante das bolsas oferecidas é que existe a possibilidade dos estrangeiros de estudar também
a língua italiana, seja do ponto de vista instrumental para o aprendizado de outras disciplinas,
ou como aprendizado do idioma em si.
As bolsas de estudo concedidas aos estudantes estrangeiros são o principal instrumento de
política exterior cultural da Itália, tendo como
objetivo reforçar as relações com os diversos países, além de se constituírem numa importante
oportunidade de valorização do potencial científico italiano.
Os formulários de requerimento podem ser
baixados no site do Ministério (www.esteri.gov.it
> opportunità di studio e lavoro> borse di studio
> per cittadini stranieri), onde há informações
detalhadas. O prazo é até o dia 22 de abril.
Nel 2002 la Facoltà di Economia dell’Università Politecnica delle Marche e l ’ISTAO
(www.istao.it) hanno istituito un Master in
Management Internazionale. Lo scopo del Master è di formare giovani laureati che possano
assistere le imprese italiane nel loro processo
di internazionalizzazione.
Quest’anno abbiamo deciso di aprire il Master alla partecipazione di studenti internazionali, nella convinzione che le sussidiarie estere
delle nostre imprese hanno bisogno di personale locale familiare con la lingua, la cultura e
la pratica commerciale italiane. Il numero dei
posti disponibili è limitato ed in prima approssimazione abbiamo deciso di dare priorità agli
studenti di quei paesi emergenti o in transizione che hanno rapporti commerciali più sviluppati con l’Italia.
“L’ITALIANO CHE C’È NEL MIO CUORE”
Até o dia 31 de maio estarão abertas as inscrições
para a edição 2005 do “Concorso di scrittura in
língua italiana” promovido pela comissão de cultura do Comites de São Paulo. O concurso é aberto a jovens e adultos que freqüentam ou já tenham freqüentado cursos de língua italiana junto
a entidades ligadas à coletividade italiana.
O tema deste ano é “L’italiano que c’è nel
mio cuore”. Os candidatos deverão apresentar,
junto com a ficha de inscrição, um comprovante
da escola de italiano que cursa ou cursou, com a
assinatura do professor responsável.
Os candidatos serão divididos em três categorias, por faixa etária: de 12 a 17 anos, de 18 a
39 e acima de 40 anos. Serão considerados, além
da forma e da gramática em italiano, a originalidade ao discorrer sobre o tema e o conteúdo.
As inscrições são recebidas na secretaria do Comites. Para maiores informações: (11) 3141 – 2890
PREMIO LETTERARIO INTERNAZIONALE
VILEG NOVELLA DAL JUDRI - CULTURAGLOBALE
“PICCOLE STORIE D’ACQUA”
L’uomo e ciò che lo circonda
6a edizione 2005
Medaglia del Presidente
della Repubblica Italiana
promosso ed organizzato da NOI CULTURA e
VILEG NOVELLA DAL JUDRI CULTURAGLOBALE
NOI CULTURA
progetto integrato dei Comuni di:
Buttrio, Chiopris - Viscone, Corno di Rosazzo, Manzano, Pavia di Udine, Pradamano,
Premariacco, S. Giovanni al Natisone.
Servizio:
Associazione Culturale Vileg
novella dal judri - Culturaglobale
via IV novembre, 17 - 33048
S. Giovanni al Natisone
www.culturaglobale.it [email protected]
0481.62326 - 339.2650471
La preghiamo di notare che:
1) la selezione delle domande è in base al merito;
2) gli studenti selezionati avranno una borsa
di studio che copre completamente il costo di
iscrizione al master;
3) in aggiunta riceveranno un contributo alle
spese di soggiorno di 600 euro mensili per il
periodo residenziale del corso (maggio-settembre 2005);
4) le spese di viaggio non sono rimborsabili;
5) la lingua di lavoro è l’inglese;
6) agli studenti internazionali verrà offerto
gratuitamente un corso specializzato di lingua italiana.
Servizio: Facoltà di Economia, Università Politecnica delle Marche Piazzale Martelli, 8 - 60100
ANCONA (IT) tel: +39 071 2207093, fax: +39 071
2207102 www.dea.univpm.it
FESTIVAL ITALIANO DE DIREÇÃO TEATRAL
Estão abertas as inscrições para o prêmio “Fantasio Piccoli 2005”. Esta é a oitava edição do
único festival na Europa dedicado à direção teatral, que, este ano, se concentra em cinco teatros: Trento, Forli, Gênova, Nápoles e Vasto. O
festival é organizador por Quei de Vilazan em
colaboração com a CO.F.AS, a associação “Colori di sfondo” de Nápoles, a associação “La Pozzanghera” de Gênova, a associação “Romeo” de
Forli, a associação “Teatro Vasto” de Vasto e a
associação “Estroteatro” de Trento.
Aos diretores que participarem será dado
um texto de duração máxima de 15 minutos
e cada um estará livre para encená-lo como
achar melhor. A comissão julgadora avaliará
quesitos como técnica teatral, capacidade de
criar emoção, de harmonização e de orientação dos atores.
Os interessados deverão baixar o formulário
de inscrição no site www.queidevilazan.it e enviá-lo para:
Quei de Vilazan – Invito alla Regia
Via San Martino, 42
38040 Vattaro (Trento)
Itália
COMUNITÀ ITALIANA
/
ABRIL 2005
Supplemento di Economia
*Textos em português disponíveis no site www.comunitaitaliana.com.br
Comunità
Italiana
È arrivato il momento. Brasile e Italia devono ristrutturare i loro
legami commerciali, renderli dinamici in un momento in cui gli
sguardi si rivolgono quasi esclusivamente al nuovo centro di potere
che emerge in Asia. L’ unione storica e culturale che coinvolge i due
paesi da quasi due secoli, che ha culminato nell’emigrazione di 25
milioni di persone, si costituisce in un marketing naturale tra i più
straordinari dell’economia internazionale e, quindi, non può essere
trascurata. In questo servizio speciale di Comunità Italiana tutti i
punti positivi e negativi di questa partnership sono in dibattito, che
coinvolge mercato, governo e, soprattutto, italo-brasiliani.
I
Mani in pasta
28
ANDRÉ FELIPE LIMA
l pescivendolo carioca Pascoalino Gentile, 45, forse non lo sa
ma fa parte di una comunità di
all’incirca 25 milioni di brasiliani, i cui legami con l’Italia
sono molto più che culturali.
Sono di sangue, sudore e, soprattutto,
imprenditorialità. La maggior parte di
questi oriundi ha ereditato dai suoi avi,
che sono arrivati qui in fuga dalla Seconda guerra mondiale, affari che oggi
rappresentano circa il 35% del Prodotto
Interno Lordo Brasiliano (PIB). Soltanto nelle a Federação das Indústrias dello
stato di San Paolo (Fiesp), secondo stime di Edoardo Polastri, presidente della
Camera di Commercio italo-brasiliana
nella chiamata ‘zona della pioggerella’ e, interinamente, dell’associazione
mondiale delle 71 Camere bi-nazionali,
il 60% delle 100mila imprese brasiliane
associate hanno origini italiane.
Su questo scenario di San Paolo
– malgrado l’inesistenza di statistiche
precise in altri stati – il signor Pascoalino ha ragione ad essere orgoglioso:
infatti lui rappresenta il ritratto dell’anima italiana, sempre perseverante,
ovunque si trovi, in qualsiasi angolo del
Brasile o del mondo. Questa è, forse, la
ABRIL 2005
/
maggior eredità lasciatagli dal padre,
Giuseppe, che è stato giornalaio, fornaio
e, infine, pescivendolo. Oggigiorno, il signor Pascoalino, che 26 anni fa voleva
essere architetto, esterna quest’anima
nei mercati di Rio.
La routine comincia alle quattro
di mattina. È a quest’ora che il signor
Pascoalino si dirige a Niteròi in uno dei
suoi camion frigoriferi per comprare
la merce. Caricata mezza tonnellata
di pesce, l’oriundo italiano ritorna ai
mercati di Rio.
- Lavoro molto, ma non penso di cambiare vita. Con la pescheria mantengo la
mia casa – dice gli occhi umidi.
Casi come quello del signor Pascoalino e di un enorme numero di discendenti
di italiani in Brasile hanno convinto l’attuale Governo federale di un fatto: esiste
la necessità di intensificazione dei legami
commerciali con l’Italia, importando, tra
l’altro, modelli socioeconomici di successo nel Belpaese, come i distretti industriali, anche conosciuti come clusters,
perché aggregano in un unico centro varie piccole imprese che finiscono col rafforzare l’economia della regione in cui si
concretizzano. Recentemente, il ministro
per lo Sviluppo, Industria e Commercio
estero, Luiz Fernando Furlan, si è riunito
con membri della Camera di Commercio
di Milano e della Promos milanese per
COMUNITÀ ITALIANA
Ernane D. A.
Ernane D. A.
PRINCIPALE
Pascoale Gentile, que há 26 anos trabalha nas
feiras livres do Rio
29
Italiana
Comunità
PRINCIPALE
“Non è
necessario
fare del
marketing per
vendere la
pasta italiana”
(RAFFAELE DI LUCA)
PRINCIPALE
conoscere il know-how italiano per, chissà, impiantarlo ancora quest’anno nel
mercato brasiliano. Presso il Planalto si
stanno già portando avanti studi affinché
questo succeda in breve.
Le realizzazioni del governo brasiliano all’estero hanno dato origine ad elogi che da molto non si ascoltavano sul
mercato internazionale. Riccardo Landi,
dell’ICE, definisce la gestione Lula come
‘brava’ per la fiducia conquistata presso il
Fondo Monetario Internazionale (FMI) e
la Banca Mondiale.
- Non solo i grandi, ma anche i medi
e piccoli investitori partono da una posizione di fiducia per ciò che riguarda
il Brasile.
Se da una parte esiste la possibilità
di impiantazione del modello italiano di
distretti industriali e un riconoscimento
internazionale di stabilità economica in
Brasile, dall’altra – decisiva per la stabilità economica e per il rafforzamento di
questo modello – si aggrava: le piccole e
medie imprese si scontrano ancora con la
stramba caricas tributaria brasiliana.
- Ogni 100 imprese che iniziano ad
operare in tutto il Brasile, in un anno, 40
chiudono le porte. L ‘anno seguente, altre
30 – avvisa il presidente della Camera di
Commercio italo-brasiliana di Rio, Raffaele Di Luca.
Marketing naturale
con 25 milioni di persone
Tassi di interessi alti, burocrazia doganale, tasse in cascata e legislazione poco
chiara preoccupano ancora gli investitori.
Ma trattandosi di affaristica del Belpaese,
malgrado le barriere commerciali, non
esiste miglior mercato al mondo per assorbire prodotti italiani – garantisce Di
Luca – all’infuori del Brasile.
- Non è necessario fare del marketing
per vendere la pasta italiana, qualsiasi
prodotto italiano. In ogni famiglia brasiliana c’è qualcuno che discende da italiani. Se può scegliere tra un prodotto spagnolo, argentino o italiano, il brasiliano
vorrà l’italiano. C’è un forte legame. Non
investire in un marketing naturale come
questo significa veramente voler negare
un buon business. Vi immaginate lanciare la pasta in Svezia? Ci vorrebbe un po’
po’ di marketing.
Andréa Matarazzo, ex ambasciatore
del Brasile in Italia durante il governo
30
Italiana
di Fernando Henrique Cardoso, riconosce il peso di una partnership più
diretta tra l’Italia e il Brasile nell’area
economica. Lui fa coro a coloro che
mettono sull’avviso le autorità a proposito dell’importanza della presenza, su
suolo brasiliano, di oltre 25 milioni di
oriundi italiani.
- Essendo uscito (n.d.t.:dal governo)
insieme a Fernando Henrique, non conosco perfettamente le relazioni italiane col governo Lula. Ma so che lui non
c’è ancora andato. Io, ovviamente, come
italiano che vive in un paese che ospita 26 milioni di italiani, e sapendo che
l’Italia è la quinta economia mondiale,
penso che sarebbe molto importante
farlo. FHC, da quello che mi ricordo,
tra il 1997 e il 2000 si era recato tre o
quattro volte in Italia. Una relazione
ben prossima – dice con una punta di
sarcasmo Matarazzo.
Essere di centro-sinistra, direzione
del governo Lula, spiega Matarazzo, non
impedisce al paese di avvicinarsi commercialmente in maniera più proficua
all’Italia:
- Anche il governo FHC era di centrosinistra, un po’ più progressista di quello
di Lula, ma non ci sono mai state difficoltà di avvicinamento. Forse si tratti di
una questione di priorità: l’attuale perno
della politica estera è diverso da quello di
FHC. Anzi, non penso neanche che i due
paesi siano lontani l’uno dall’altro, credo
soltanto che le relazioni tra di essi non
vengono mantenute a caldo.
Malgrado questo attraente marketing
naturale ripieno di potenziali consumatori, la bilancia commerciale tra Brasile e
Italia ha cominciato a sbilanciarsi intensamente dal 2001, favorendo l’economia
brasiliana. Sul piatto brasiliano c’è circa il 70% delle esportazioni. Commodity,
come carne e cereali che ancora predominano nelle esportazioni, sono passati
a contare su componenti meccanici nella
lista, ossia, prodotti con un maggior valore aggiunto, come le macchine della Fiat,
marchio di questo ribaltamento nella bilancia tra i due paesi.
- Sono cambiati i profili delle esportazioni brasiliane – dice l’addetto commerciale italiano a Rio, Livio Angeloni,
che presta servizio agli stati di Rio de
Janeiro, Bahia e Espírito Santo. E il
cambio, ha una parte di colpa in questa
situazione? Fin da quando è nata la mo-
COMUNITÀ ITALIANA
/
ABRIL 2005
neta europea, i brasiliani preferiscono
esportare verso l’Italia. In fondo, l’euro,
con un cambio a R$ 3,60, non permette
il contrario. Oggigiorno, qualsiasi prodotto che si acquisti all’estero e arrivi
sul mercato brasiliano, arriva al consumatore come minimo con l’80% di costo
in più rispetto al suo prezzo iniziale.
Il Brasile è il settimo paese in termini
d’importanza di importazioni e volume
per il mercato italiano, conferma Riccardo Landi, direttore generale dell’Istituto Italiano per il Commercio Estero
(ICE) in Brasile.
- Non era specificamente dichiarato
come paese prioritario – mette in risalto.
Secondo Landi, questa posizione del
Brasile nella scala delle priorità commerciali italiane si chiarirà soltanto quanto
verranno definiti ed approvati programmi promozionali dal governo Berlusconi.
- In questo momento, non lo so ancora. Sto parlando di priorità politiche.
Quali sono i motivi? Sono tanti…già
c’erano condizioni favorevoli che non
sono state sfruttate a sufficienza. Bisognerà lavorare molto per sfruttare
queste condizioni – indica Landi, senza
fornire altri dettagli su quali sarebbero
queste condizioni.
Comunque c’è un’aspettativa sul nome di Vincenzo Petrone, ex ambasciatore
d’Italia in Brasile e che, in questo momento, lavora presso la Federazione delle
Industrie Italiane.
- Lui è un personaggio molto importante, che conosce molto bene il
Brasile, che sa quante possibilità ci sono qui. E, incontrandosi con altre imprese private italiane, è chiaro che potrà indirizzare positivamente le scelte
per il Brasile. Credo anche che lui abbia
dato un contributo all’inserzione del
Brasile tra le quattro principali priorità del governo italiano – mette in distacco Landi, che riceve oltre il 50% di
tutti gli investimenti dell’ICE fatti in
America Latina nelle sue installazioni a
San Paolo.
L’altra faccia della moneta
Il fatto che la bilancia completi il quarto anno favorevole al Brasile non significa, però, che vada tutto bene. Malgrado
l’Italia non sopporti un grande numero
di imprese multinazionali, il suo mercato è composto nel 90% (circa 170mi-
ABRIL 2005
/
la imprese) da piccole e medie imprese,
che sono anche responsabili per gran
parte delle esportazioni di prodotti
italiani. In Brasile è diverso: le imprese esportatrici sono circa 15mila, delle
quali soltanto il 2% sono piccole e medie. Di fronte a questi dati, Di Luca raccomanda una maggiore cautela e meno
euforia dell’industria brasiliana, e ne
spiega il perché:
- Di solito dico che se si vende una
scatolina grande come un pacchetto di
sigarette piena di diamanti si ha l’equivalente a quattro navi piene di acciaio
che partono per l’Europa. Se il Brasile esportasse, ad esempio, più prodotti
di alto valore aggiunto il differenziale
sarebbe enorme. Oggi, il Brasile deve
esportare milioni di tonnellate in volume e peso per poter guadagnare quel
che guadagna.
In parole povere, esportare più commodity che tecnologia non è, sicuramente, la migliore strada per l’economia brasiliana. Sensibile a qualsiasi cambiamento più drastico del mercato, il Brasile ha
provato recentemente il costo di aver dato priorità all’esportazione di commodity,
lasciando in secondo piano la promozione alla tecnologia propria.
Un esempio viene dalla Russia, che
all’inizio del decennio ha cominciato a
tagliare più alberi e a vendere legno più
intensamente sul mercato internazionale.
Vulnerabile, il commercio estero del legno brasiliano è crollato. Alcune imprese hanno dovuto cominciare a cercare di
vendere il prodotto già processato, con
valore aggiunto.
- Molta carta che veniva prodotta
grezza, ora è prodotta semilavorata. Ma
che succede? Il Brasile non importa
macchine per la sua industria, e succederà che qui avremo un’industria con
macchine obsolete e una situazione
simile a quella accaduta in Argentina,
quando era più a buon prezzo importare che produrre e vendere. Oggigiorno
l’Argentina ha bisogno di vendere, ma è
fallita – prevede Di Luca.
La produzione di uno degli affettati
più cari d’Italia, la bresaola, è fatta quasi
completamente con carne bovina brasiliana. Il prodotto, diciamo, italo-brasiliano viene esportato negli Stati Uniti. Però
situazioni come questa non sono motivo sufficiente perché il Brasile riduca le
esportazioni, ma che invece faccia suona-
COMUNITÀ ITALIANA
Andressa Camargo
Comunità
“Il Brasile
è il settimo
paese in
importanza di
importazioni
e volume per
il mercato
italiano”
(RICCARDO LANDI)
31
Comunità
Italiana
Comunità
Andressa Camargo
PRINCIPALE
Edoardo Polastri
“Bilancia
commerciale
tra Brasile
e Italia ha
cominciato
a perdere
equilibrio
dal 2001,
favorendo
l’economia
brasiliana”
Papaiz, a maior
indústria de cadeados
e fechaduras do país
32
Italiana
PRINCIPALE
re un campanello di allarme per qualificare tecnologicamente la sua industria.
Varie porte si apriranno ancor più per i
prodotti brasiliani su mercati più rigorosi
con prodotti detti – in modo peggiorativo
– del terzo mondo.
Il Governo italiano, ad esempio, tenta
fin dal 1997 di far sì che il Congresso brasiliano metta in pratica un accordo bilaterale di sviluppo tecnologico, che prevede
un’erogazione annuale di 200mila euro a
progetti di tecnologia alimentare e di informazione, per il risanamento basico e
ambientale e il restauro di opere d’arte.
Vicoli ciechi tecnologici
Un caso simile di incapacità tecnologica
brasiliana nell’accogliere investimenti internazionali che esigono valore aggiunto
è successo ad una delle maggiori imprese
internazionali fabbricanti di equipaggiamenti speciali per la prospezione di petrolio, la Nova Pignone, con sede a Firenze. Responsabile di un’ampia partnership
con la Petrobras nella costruzione di nuove piattaforme petrolifere, l’impresa ha
però scelto di portare le sofisticate macchine dall’Italia. E soltanto perché non ci
sono partner con tecnologia di punta per
una produzione locale. Ogni macchina
costa circa US$ 60 milioni.
Convincere gli investitori stranieri a
dare appoggio non soltanto alla produzione ma, soprattutto, alla capacitazione tecnologica è un compito difficile, ma che si
sta realizzando. Il Governo italiano è uno
dei più sensibili in questo senso in Brasile
e sta dando appoggio al partner governativo per la modernizzazione industriale.
L’ex ambasciatore brasiliano in Italia,
Andrea Matarazzo, cita come azione fondamentale l’interscambio tecnologico intenso tra i due paesi. E il marchio delle
banche brasiliane, in controtendenza a
questo contesto, definisce la differenza
quando il tema è tecnologia.
- La tecnologia bancaria brasiliana è
una delle più avanzate del mondo. Siamo
nel 2005 e l’Italia è in enorme ritardo. Il
Brasile ha progredito moltissimo in tecnologia di software.
Edoardo Polastri, della Camera di
Commercio italo-brasiliana di San Paolo
cita come esempio di sforzo dell’economia italiana nella collaborazione per la
maturazione di altri mercati, un sistema
privato che offre finanziamenti a lunga
scadenza e con interessi bassi a tutte le
imprese italiane che vogliano fare affari
in qualsiasi altro paese, anche con formazione di joint venture.
- C’è un secondo ente di supporto che si chiama SACE (n.d.t.: Servizi Assicurativi del Commercio Estero)
che è molto importante visto che garantisce il rischio politico. Supponiamo
che un’impresa brasiliana spenda US$
10 milioni in materia prima o in macchine da pagare fra qualche anno. Se il
Brasile dichiara moratoria, il SACE non
permette che il pagamento sia effettuato all’estero. Quindi il SACE protegge
l’esportatore italiano contro il rischio
politico. Invece in un rapporto specifico
come quello dell’Italia con il Brasile, no
– spiega Polastri.
In Brasile, una delle iniziative del
Governo che possono collaborare per
attrarre più imprendimenti italiani è la
recente riduzione di
garanzie di investimenti stranieri nel
paese, che è stata ridotta da US$ 200mila
a US$ 50mila.
- La legge dice che
US$ 50mila non è un
valore rigido. Se ho
un progetto di US$
30mila, posso investire, con il permesso
di soggiorno – indica
l’addetto commerciale Livio Angeloni.
Tuttavia c’è chi
creda che, più che
creare leggi di incen-
COMUNITÀ ITALIANA
/
ABRIL 2005
tivo, la sfida del brasiliano con il mercato
estero adesso sia di tipo culturale.
Ma ci sono soluzioni per tutto. Secondo Di Luca, le 72 Camere di Commercio
italiane sparpagliate per il mondo dovrebbero, in un modo o nell’altro, convincere gli esportatori delle aree in cui
agiscono ad ottenere finanziamenti per i
loro compratori extra, come i brasiliani,
affinché possano pagare entro 180 giorni.
E spiega che gli acquisti sarebbero a basso costo reale, e si eviterebbe di perdere
denaro con lo stoccaggio.
Livio Angeloni
Un legame culturale dimenticato?
Mentre gli imprenditori italiani cercano
alternative per il marchio Italia, al contrario il governo brasiliano sta facendo
sforzi per evidenziare il marchio Brasile
all’estero, con diritto a simbolo e tutto il
resto. Andrea Matarazzo dice che il timore degli italiani nell’investire in Brasile è
cominciato quanto scoppiò la crisi economica in Argentina, nel 2001. Per ribaltare questa situazione, suggerisce lo stimolo del marchio Brasile in Italia.
- Questi scambi debbono essere più
stimolati anche perché l’Italia non conosce il Brasile ed è importante che il nostro paese costruisca un’immagine là fuori. Non ci sono nostre imprese in Italia
per divulgare la nostra immagine, il nostro fare quotidiano, la nostra economia.
Abbiamo bisogno di un’attività governativa che agisca in questo senso: ambasciate, camere di commercio, che mostrino le
cose moderne del Brasile. Io ricordo che
una volta portai progetti di aerei dell’Embraer e di un seggio elettorale elettronico
ABRIL 2005
/
perché li vedessero. Ne rimasero affascinati, volavano grazie alla tecnologia brasiliana e non lo sapevano. Bisogna mostrare
che il Brasile è un paese contemporaneo,
malgrado i suoi problemi. Ma che si trova inserito nel mondo globalizzato. Tutti
sanno che qui ci sono spiagge bellissime,
ma nessuno sa che abbiamo anche alberghi meravigliosi, uguali a quelli della Florida o della Costa Azzurra – ricorda.
L’ ex ambasciatore Matarazzo avvisa
che il fatto che il Brasile abbia 25milioni
di oriundi italiani non significa che si conoscano Italia e Brasile oltre alla spaghettata e alla pizza:
- Sono stati pochi gli immigranti tornati in Italia. Pochi si sentono italiani. E
i discendenti brasiliani, alle volte, neanche conoscono l’Italia. Inoltre, l’influsso
dei media sul Brasile è negativo: violenza,
sporcizia, favelas. I punti positivi riguardano il calcio e le spiagge. Questi loro li
conoscono. Il nostro sguardo è peggiore,
perché il Brasile non conosce l’Italia. Non
possiamo valutare soltanto ciò che noi
stessi pensiamo, siamo una minoranza.
Pensi a 170 milioni di persone. Io ho conosciuto l’Italia soltanto quando ci sono
andato, e allora ho notato che potenziale
hanno, riuscendo a unire sviluppo tecnologico, qualità di vita e tradizione, che è
un fatto raro. E, malgrado questo, posso
dire che l’immagine dell’Italia in Brasile
è migliore di quella del Brasile in Italia.
La stessa immigrazione dovrebbe essere
sfruttata dal settore turistico. A un italiano piacerebbe molto conoscere città costruite dal suo stesso popolo, visto che è
un’aggiunta alla storia del suo paese. Ad
esempio, il sud del Brasile e l’entroterra di
San Paolo, ad esempio, dovrebbero ricevere molti più turisti italiani di quelli che
ospitiamo oggigiorno. In alcune località di
Santa Catarina ancora possono essere incontrate comunità che parlano il veneto
tradizionale, più puro di quello parlato in
Italia. Io dico sempre che per attrarre l’attenzione bisogna far vedere l’inusitato.
Ma ciò che importa è che Italia e Brasile, malgrado il movimento oscillante di
approssimazione commerciale, ancora
possono sfruttare la capacità imprenditoriale da ambedue i lati dell’accordo. Basta
sedersi al tavolo e negoziare. Ci sono leggi
incentivo a questo fine e, ciò che è più essenziale, un legame culturale e storico poco comune in altre parti del mondo e non
ancora ben sfruttato dai due paesi.
COMUNITÀ ITALIANA
“Gli immigranti
che sono
ritornati in
Italia sono stati
pochi. Pochi si
sentono italiani.
E i discendenti
brasiliani, alle
volte, neanche
conoscono
l’Italia”
(ANDREA MATARAZZO)
33
Comunità
Italiana
Comunità
“L’Italia è una delle priorità della
politica commerciale brasiliana”
C
ominciano a percepirsi buoni segnali nella relazione bilaterale tra
Italia e Brasile. Se dipendesse dal Ministro dello Sviluppo, Industria e Commercio Estero, Luiz Fernando Furlan, gli accordi commerciali tra i due paesi già farebbero parte dell’ordine del giorno delle priorità del commercio estero del Planalto nel 2005. In un’intervista esclusiva a Comunità Italiana il Ministro, che è italo-brasiliano, confessa
che i sistemi economici dei due paesi sono complementari e che ci sono
promettenti relazioni commerciali da essere sfruttate durante il 2005.
E afferma ciò citando numeri incoraggianti. Le importazioni italiane,
ad esempio, hanno avuto un incremento del 14,2%, passando da US$
1,62 miliardo nel 2003 a US$ 1,85 miliardo l’anno scorso. “Le nostre vendite a questo paese, che sono del 34,5%, hanno superato la media generale
delle esportazioni, che sono il 30%. La partecipazione italiana nel nostro
listino di quest’anno è arrivata al 3,1%, ribaltando la tendenza di caduta
che si stava osservando fin dal 2000”, ha indicato il ministro.
Furlan ci ha anche anticipato che il Governo semplificherà la burocrazia che coinvolge l’apertura di imprese, con la diffusione di un unico modulo come primo passo, che conterrà tutti i documenti sollecitati dagli innumerevoli organismi che partecipano al processo di apertura di compagnie.
34
ANDRÉ FELIPE LIMA
Comunità – Il Brasile ha presentato un indice di crescita economica del 5,3% fino a
settembre, la più grande dal ’95. Il PIL, nell’ultimo trimestre del 2004, è aumentato del
6,1%. C’è, specificamente, qualche settore
decisivo che abbia fatto da leva per ottenere
questi percentuali?
Luiz Fernando Furlan – Il 2004 dovrà essere visto come l’anno della ripresa della crescita, specialmente dovuto al tasso di crescita
del PIL che si aggira sul 5% e l’aumento della
produzione industriale brasiliana, che si trova sull’8% accumulato fino ad ottobre, comandato dalla crescita dei settori dei beni di consumo durevoli (22,7%) e dei beni di capitali
(21,8%). Ma bisogna ricordare che le esportazioni l’anno scorso hanno subito una crescita
consistente del 30%, con un importante impatto in tutta l’economia e nella creazione di
posti di lavoro. Tutto indicherebbe che ci stiamo incamminando verso una proporzione di
esportazioni in relazione al PIL ben superiore
ai tetti storici del 15%. Per quest’anno prevediamo qualcosa che si aggira sul 25% o 30%.
COMUNITÀ ITALIANA
/
ABRIL 2005
Comunità – L’Italia si trova al sesto posto nel ranking degli accordi bilaterali col
Brasile. Alcuni investitori italiani in terra
brasiliana dicono che c’è una politica che
prende di mira più l’esportazione che l’importazione. Nel caso italiano, affermano,
questo dimostrerebbe un forte squilibrio
nella bilancia tra i due paesi, il che, in futuro, sarebbe disastroso per il Brasile. Tutto
questo rumore ha un fondamento?
Furlan – L’Italia è una delle priorità della
politica commerciale brasiliana e partner
naturale del Brasile, anche dovuto alle affinità culturali. Inoltre, le economie dei nostri paesi presentano grandi complementarietà e il potenziale da essere sfruttato
nelle nostre relazioni economico-commerciali è ancora promettente. Il Brasile è
un paese aperto al commercio estero, che
conta su una tariffa media di importazione
del paese che si aggira sul 10,8%. Quest’anno, tanto le importazioni come le esportazioni brasiliane presentano una crescita
all’incirca del 30% e, con la ripresa della
crescita economica, le proiezioni sono di
continuità dell’aumento di importazioni.
Il governo brasiliano è pienamente consapevole del fatto che la crescita dell’economia nazionale si realizzerà per mezzo di
una maggiore apertura agli scambi internazionali, in cui le importazioni sono l’elemento fondamentale per l’ampliamento
degli investimenti produttivi e l’aumento
della competitività della produzione industriale brasiliana. Alcuni dati possono illustrare meglio il recente disimpegno brasiliano come mercato importatore. Gli acquisti esterni brasiliani fino al novembre
2004 hanno totalizzato US$ 57,1 miliardi,
contro i US$ 44,3 miliardi nello stesso periodo del 2003. Anche il disimpegno delle
importazioni provenienti dall’Italia è aumentato del 14,2%, passando da US$ 1,62
miliardo di due anni fa a US$ 1,85 miliardo dell’anno scorso.
Comunità – Importanti dirigenti italiani
in Brasile affermano che l’attuale governo sta dando priorità agli accordi commerciali con India e Cina a scapito dei
vecchi legami economici con i paesi europei, specialmente l’Italia e che, in un
certo modo la riduzione delle importazioni di prodotti europei favorirebbe la
moneta americana, che si sta svalutando
con l’aumento dell’euro negli ultimi anni.
Di fronte a questo scenario, quale sarebbe, effettivamente, il mercato estero prioritario della politica economica?
ABRIL 2005
/
Paulo Giandalia / VALOR
COPERTINA
Ruy Baron / VALOR / GLOBO
COPERTINA
Italiana
“Lavorare per
ridurre la burocrazia
è meta costante del
Ministero”
Furlan – Il Brasile sta diversificando i
mercati, osservando luoghi che non erano mai stati visitati, ma senza dimenticarsi dei grandi partner come Argentina, Stati
Uniti e Unione Europea, includendo l’Italia. L’anno scorso, la maggiore crescita delle nostre esportazioni sono accadute nelle
vendite destinate alle regioni che non sono
i maggiori acquirenti di prodotti brasiliani,
come l’Asia, l’Europa Orientale e il Mercato Comune Centro-Americano. Possiamo
citare, ad esempio, l’aumento delle vendite a paesi come la Repubblica Slovacca
(+278%), le Bahamas (+284%), la Georgia
(+ 125%) e il Senegal (97%). Ossia, siamo
di fronte ad un importante processo di diversificazione nel destino delle esportazioni brasiliane e questo significa che non vogliamo indirizzare le nostre vendite su appena un unico mercato acquirente. Vogliamo mantenere questo ritmo di crescita e
questo passa attraverso la diversificazione
di paesi importatori che comprano prodotti brasiliani. L’Italia rappresenta un’importante partner, tanto è vero che, nel 2004, la
crescita delle nostre vendite verso questo
COMUNITÀ ITALIANA
paese, che erano del 34,5%, hanno superato la media generale delle esportazioni,
del 30%. L’anno scorso, la partecipazione
italiana al nostro listino è passata al 3,1%,
ribaltando la tendenza che si osservava fin
dal 2000. Invece i prodotti italiani rappresentano il 3,26% di tutto quello che compriamo, il che dimostra che non c’è discrepanza nel commercio bilaterale.
Comunità – Per il piccolo e medio imprenditore ci saranno sorprese gradevoli nel
2005, come la riduzione degli iter burocratici per l’apertura di imprese o qualche
nuova politica per i nuovi imprenditori?
Furlan – Ridurre la burocrazia è una meta costante del nostro Ministero e il problema dell’apertura di imprese viene studiata da quasi un anno da un gruppo interministeriale creato dal Presidente Lula. Ci interessa risolvere il problema in
maniera rapida ed efficiente, ma bisogna
ricordare che nel processo di apertura di
imprese ci sono coinvolti oltre 20 organismi, come l’Anvisa, il Ministero del Lavoro, le Segreterie statali della Finanza,
Ricetta Federale e perfino i Pompieri e i
Comuni. Perciò il lavoro deve essere fatto
insieme, altrimenti è inutile che le Commissioni Commerciali ci mettano soltanto
cinque giorni lavorativi ad effettuare un
registro se la persona interessata ancora
deve passare per altri vari organi, portare
decine di documenti e compilare tantissimi moduli. Stiamo lavorando per creare,
in un primo momento, un unico modulo in cui risultino quali sono i documenti che tutti questi organismi richiedono,
così da facilitare la vita dell’imprenditore. Stiamo anche facendo l’integrazione
elettronica di tutte le Commissioni Commerciali affinché si comunichino meglio
tra di esse e con gli altri organismi. È un
lavoro pesante, ma i cui risultati dovranno venire fuori in breve tempo. Bisogna
ricordare, però, che nel 2004 abbiamo
già realizzato varie iniziative all’interno
della Politica Industriale rivolte ai nuovi imprenditori, come anche la riduzione
di costi, come è stato il caso del regime
di Pre-Impresa, che concede trattamento
tributario, previdenziale e lavorativo speciale all’imprenditore con un guadagno
lordo annuale di perfino R$ 36mila. Questa misura ha per scopo l’inclusione sociale dell’imprenditore di basso reddito, con
l’obiettivo di promuovere la formalizzazione, così come la sua inclusione nel sistema
previdenziale e lavorativo.
35
Comunità
Italiana
Comunità
COOPERATIVISMO
Italiana
COOPERATIVISMO
Marketing
Andressa Camargo
C
36
’è chi dice che il cooperativismo è nato in Italia. Non ci sono
prove concrete, ma ce n’è un‘ altra, questa incontestabile, del
fatto che è nel Belpaese che, subito dopo la Seconda guerra
mondiale, il modello fu sfruttato alla meglio e servì d’esempio
agli altri mercati.
Pienamente consapevole dei limiti individuali, nacque lo spirito aggregativo del piccolo imprenditore italiano, come spiega Enzo Maranesi,
della Camera di Commercio italo-brasiliana di San Paolo, che ha scatenato il sorgere di cooperative, consorzi di esportazione e distretti industriali
per tutta Italia. Ed è nell’agroindustria che il modello ha presentato risultati straordinari, come nella regione Emilia-Romagna, dove queste cooperative si sono trasformate in grandi centri di produzione e di distribuzione. Per arrivare al mercato estero i prodotti delle cooperative usano le
Camere italiane di Commercio all’estero e l’ICE. Ma malgrado il successo
interno, questi produttori presentano grandi difficoltà per ampliare i loro
marchi nel mercato internazionale.
Scenario questo abbastanza comune tra i produttori italiani di vino, di
cui appena cinque ottengono marketing estero.
- La maggior parte delle imprese italiane sono piccole, da sole non
hanno potenza per effettuare azioni promozionali. Il limite dell’offerta
italiana è proprio questo. Parlo del caso del vino, ma il discorso serve
anche ad altri prodotti, è un’offerta caratterizzata dalla piccola dimensione del produttore, quindi di poca capacità promozionale e pubblicitaria. Questo spiega perché la presenza italiana, come per
esempio nel mercato dei formaggi, è relativamente ridotta.
Gli manca volume per organizzare le azioni promozionali.
Adesso queste azioni potrebbero essere portate avanti dalle istituzioni pubbliche – suggerisce Maranesi. Secondo lui,
per cambiare questa situazione ci vorrebbe un’azione governativa. Ogni produttore dovrebbe avere un organismo
che lo appoggia.
L’olio d’oliva – secondo Maranesi “uno dei migliori del
mondo” – subisce anch’esso le conseguenze del mancato
marketing. L’olio italiano oggigiorno non possiede più del 4%
del mercato brasiliano, mentre la Spagna ne detiene circa il
50%, e il Portogallo il 35%.
- Sono stato recentemente in Puglia, una delle regioni che
più produce olio d’oliva. Là ci sono, più che cooperative, associazioni che difendono i diritti dei produttori. Ma anche a loro
manca la capacità di effettuare azioni promozionali. Il governo
spagnolo mantiene da anni uffici in Brasile, responsabili per la
COMUNITÀ ITALIANA
/
Enzo Maranesi:
“in Brasile
mancano azioni
promozionali ai
prodotti italiani”
Andressa Camargo
senza fiato
ABRIL 2005
“Il governo
spagnolo
mantiene uffici
in Brasile,
responsabili della
pubblicità dei
prodotti spagnoli.
L’Italia questo
non l’ha fatto”
pubblicità dei prodotti spagnoli. L’Italia
non ha fatto questo – assicura Maranesi.
Dividere con gli altri
Fare cooperative è un fenomeno tipicamente culturale. Dal punto di vista
razionale è sempre una buona idea associarsi a qualcuno, ma voler essere il
padrone di tutto e non dividere niente
con nessuno è una barriera direi emotiva
e culturale difficile da sorpassare, ed abbatterla è estremamente importante.
Il cooperativismo ha superato l’abbandono del governo italiano nel dopoguerra ed è diventato così forte che dei
gruppi hanno cominciato ad occuparsi
del prodotto finito. Comunque la politica è stata marcante nei primi tempi e, in
qualche modo, timidamente continua fino ai giorni d’oggi.
Ci sono cooperative di connotazione
di sinistra, le ‘rosse’. Ce ne sono anche
altre che non sono dello stesso avviso.
N BO RV IELM B2R0O0 2
A
5 0 0/ 4 C /O M UCNOI MT ÀU NII TT AÀ L II AT NA AL I A N A
In un certo modo, alla fine il cooperativismo era legato ad ideologie – ricorda
Maranesi, citando come esempio le ‘rosse’, le cooperative dell’Emilia Romagna.
Comunque nella regione c’è spazio per
modelli ibridi, come la Compagnia delle
opere, una forma di cooperazione legata
ad un movimento di base cattolica conosciuto come Comunione e Liberazione.
Politica e fede insieme.
Secondo Maranesi, la Compagnia delle opere aggrega oltre 15mila imprese
che la rendono un’indiscutibile potenza
economica in Italia. D’altronde, quando
si mettono insieme per andare a fare spese fanno una vera e propria festa. La cooperativa, per esempio, quando si presenta
in Fiat, non compra una o due macchine,
ma un centinaio di esse.
- È un gruppo che aiuta le imprese cooperate, ma non ci sono enti con un prodotto proprio, con un marchio proprio. Quindi non c’è competizione. Allo stesso modo,
non esiste cooperazione tra una cooperativa e l’altra – mette in risalto Maranesi.
Il Brasile, dovuto al suo potenziale in
questo campo, potrebbe diventare terreno fertile per il cooperativismo.
- La grande possibilità di cooperazione
si trova giustamente con i piccoli agricoltori, che hanno pezzetti di terra così piccoli
che servono appena alla loro sussistenza. Ma mettendo insieme cento di loro, si
specializzano nelle produzioni e, evidentemente, il reddito aumenta. Ora, il problema è di tipo culturale: ognuno di loro deve
superare la fase del dire “no, io bado a me
stesso e non rinuncio alla mia supremazia’.
Una volta che decidono di unirsi, i vantaggi sono evidenti – indica Maranesi.
37
Comunità
Italiana
Comunità
NOTIZIE
China
Cancella la pizza e
porta un ‘frango xadrez’!!!
D
are priorità al mercato cinese nella lista degli accordi commerciali del 2005 è costato non poche critiche al Planalto
da parte di partner considerati storicamente intoccabili. L’Italia
è uno di essi. Negli ultimi cinque anni, la bilancia commerciale
tra i due paesi mette enfasi sui cambiamenti direttivi della politica commerciale brasiliana. Oggigiorno, non ci sono più garanzie secondo le quali le affinità culturali determinerebbero il
mantenimento di antichi legami commerciali. Neanche quello
col Brasile, che presenta 25 milioni di oriundi italiani. Per spiegarlo, usiamo lo scambio della pizza con il piatto tradizionale
cinese, il pollo ‘xadrez’.
- Oggi come oggi non esiste molto dialogo, in termini di politica, tra l’Italia e il Brasile perché il Brasile si dirige verso il
mercato cinese, indiano e africano. Cercare dei partner in Cina,
dove vendono più di quello che comprano dal Brasile, è un’impresa ardua. Credo che il Brasile sia in condizioni di produrre
molto più rapidamente e di vendere a mercati più facili e a costi
inferiori – indica il presidente della Camera di Commercio Italo-brasiliana a Rio, Raffaele Di Luca, riferendosi al deficit brasiliano nella bilancia commerciale con la Cina.
- Secondo il dirigente, malgrado i cambiamenti degli obiettivi
commerciali, il prodotto brasiliano è più attraente per europei e
NOTIZIE
americani e, oggigiorno, per cinesi e giapponesi. Un esempio
è la tecnologia bancaria applicata nel Brasile.
- Le banche brasiliane sono fantastiche. Eseguo operazioni per pagamenti di stipendi di impiegati via internet, con il miglior sistema di
sicurezza del mondo da circa
tre anni. In Europa questo
non si fa. All’europeo tocca
alzarsi dalla sua sedia e andare direttamente allo sportello bancario – puntualizza
Di Luca.
Secondo il presidente
della Camera di Commercio
Italo-brasiliana a San Paolo,
Edoardo Polastri, non si può
disprezzare il mercato cinese. Tanto è che anche l’Italia
– precisa – ha scalato la Cina
come una delle priorità negli
accordi bilaterali del 2005. In
fondo, dice Polastri, l’economia cinese è quella che pìù
cresce – all’incirca il 9% all’anno – nel mondo, influenzando
i prezzi dei commodity bond
sul mercato internazionale.
- Oggigiorno tutti fanno
joint venture con i cinesi. In
questo momento, in Italia la
priorità è la Cina. In seguito possiamo citare l’India, il
Brasile e l’Est europeo – dice
Polastri, che definisce ‘intelligente’ e ‘flessibile’ l‘apertura
commerciale del governo federale verso il mercato asiatico, giacché permette che gli
investimenti di questi paesi
arrivino con più frequentemente in Brasile.
Evento a Roma
Lula in Italia?
Le quattro camere di commercio italo-brasiliane e i conso-
Anche se i suoi subordina-
lati italiani stanno organizzando la venuta di altri programmi che vogliano investire in Brasile. Perciò quest’anno ci sarà, a Roma e ancora senza data definita, una programmazione per stimolare l’interscambio commerciale tra i due paesi.
L’evento sarà organizzato dall’Ambasciata d’Italia, camere di
commercio, Promos Milano, comune di Rio e Governo dello
stato di Rio.
38
Italiana
ti, come il ministro Furlan,
ogni tanto mettono piede
nel Belpaese, in due anni di
governo il presidente Lula
ancora non si è fatto vivo in
Italia. Vediamo se adesso,
con il nuovo aereo…
Oooommm!
Un
buon affare tra brasiliani e italiani non si
riassume a vini, formaggi
e attrezzature industriali. Una società italiana
del settore dei prodotti
esoterici cerca soci per
sviluppare nuovi punti vendita in Brasile. Gli
interessati devono inviare una mail alla Camera
di Commercio di Rio de
Janeiro. (associados@cam
araitaliana.com.br).
Gomma
La
Marangoni do Brasil,
che l’anno scorso ha ampliato la sua fabbrica di
mescola per pneumatici
a Lagoa Santa (MG), quest’anno vuole espandere
le sue vendite del 40% in
tutta l’America Latina.
Frevo e
Tarantella
La
Mossi & Ghisolfi (M&G) investirà US$
800 milioni nella costruzione del Polo Poliéster,
in Pernambuco, in una
partnership con la Petrobras che finanzierà il 49%
del progetto. Il polo verrà
costruito entro due o tre
anni e avrà una fabbrica
di contenitori di plastica
per bibite gassate, acqua
minerale e combustibili,
con capacità di 450mila
tonnellate all’anno. Inoltre, ospiterà un’altra unità di produzione di materia prima per poliestere. In totale, le due unità
daranno impiego a 300
persone.
COMUNITÀ ITALIANA
/
ABRIL 2005
Fuga delle Banche
Tutto per il sociale
La
Uscita della BNL e Sudameris compromettono
internazionalizzazione del marchio Italia
ANDRÉ FELIPE LIMA
S
i parla molto della crisi
della Parmalat, la cui eco
è arrivata anche all’economia
brasiliana. Invece poco si è
detto dell’uscita – effettivata
l’anno scorso – di due importanti banche italiane dal mercato brasiliano: Sudameris e
Banca Nazionale del Lavoro
(BNL). Per molti questa è stata
una ritirata che ha danneggiato
l’espansione del marchio Italia
in altri segmenti e ha indebolito delle misure del governo italiano che miravano all’ampliamento degli accordi bilaterali.
Il presidente della Camera
di Commercio Italo-brasiliana
a San Paolo, Edoardo Polastri,
non capisce come le banche
italiane abbiano potuto promuovere la ritirata dal Brasile
proprio in un momento così
cruciale per il governo italiano, che sta internazionalizzando il marchio del Belpaese.
- Non si capisce perché
questa internazionalizzazione
non viene accompagnata dalle
banche. Un bell’esempio del
fatto che il governo si sta dedicando a questa operazione
è la creazione del Sistema Italia, e anche che gli ambasciatori e consoli italiani in tutto il
mondo sono stati chiamati per
impegnarsi di più nella promozione di prodotti italiani.
Per non lavorare soltanto nella
pratica diplomatica, ma essere
messaggeri del prodotto italiano. Questo viene fatto fin dagli
inizi del governo ed ha coinvolto tutto il sistema italiano:
le ambasciate, i consolati, l’ICE
(Istituto del Commercio Estero), le Camere di Commercio e
sono mancate proprio le banche – puntualizza Polastri.
Secondo il presidente della Camera di Commercio italo-brasiliana di Rio de Janeiro,
Raffaele Di Luca, rinunciando
alle aree che considerano di
minore importanza, le banche
italiane credono di aver portato avanti una buona ristrutturazione imprenditoriale.
- Questo vale specialmente
per la BNL che, dopo la chiusura in Argentina, era diventata proprietaria di una sola
banca in America Latina e che
portava avanti un’attività molto modesta se paragonata alle
altre grandi banche brasiliane.
Certo, era un’attività che generava guadagno. Non hanno
mai perso soldi, ma non faceva più parte del suo core business. Il Brasile, per la BNL, era
soltanto un frammento che
non interessava più – suppone Di Luca.
La BNL, dopo la sua ristrutturazione, è stata incorporata dalla banca Intesa, il
cui obiettivo principale ora è
quello di aprire mercati nell’est europeo e in Cina.
preoccupazione del Consolato italiano di Rio con
il rafforzamento socioeconomico degli stati di cui si
occupa è latente. Sono vari i progetti in andamento in
questo senso, tra i quali quelli sociosanitari e di appoggio all’infanzia abbandonata, ambedue con l’appoggio
del BID (Banca Interamericana di Sviluppo). Sono circa 60 progetti tra gli stati di Bahia, Espìrito Santo e
Rio. Lo stato nordestino ne ha il 70%, rimanendone il
20% per Rio e il resto per quelli di Espìrito Santo. Gli
investimenti nei progetti sommano 5 milioni di euro. A
Rio, il governo italiano appoggia un progetto per piccoli agricoltori della Baixada Fluminense preventivato in
2,5 milioni di euro. La controparte italiana è di 750mila euro.
Sguardi
commerciali
Passaporto
Brasile
Oggigiorno
Varie
in tutto il mondo ci sono 71 camere di commercio bi-nazionali presenti
in 46 paesi. La loro associazione è presieduta interinamente da Edoardo Polastri,
che rimane a San Paolo. Le
camere, anche se private, seguono la legislazione dei paesi in cui lavorano e parametri
politici determinati dal Ministero degli Affari Esteri italiano. La Camera di San Paolo
ha 102 anni, fu creata quando
neanche si parlava dell’Istituto del Commercio Estero
d’Italia (ICE). Ce ne sono altre a Rio, Belo Horizonte e
Porto Alegre. La più antica
in America Latina è quella di
Montevideo, in Uruguai, che
ha 120 anni. Invece l’ICE è
un’entità esclusiva del Governo italiano.
porte in Brasile si stanno aprendo a
chi voglia lavorare nei
Consolati italiani e,
dopo, avere un’impresa nel paese. Una di
esse è l’interscambio
che coinvolge le università Bocconi e Cattolica, ambedue a Milano, e il Ministero degli Affari Esteri italiano, che offre uno stage
di tre mesi in uno dei
quattro Consolati italiani o presso la stessa
Ambasciata, con ufficio totalmente equipaggiato. Il Consolato
di Rio, per esempio,
ha bisogno di gente
che parli portoghese
e che sia laureato in
scienze politiche.
Sembra, ma non è I
Sembra, ma non è II
Malgrado il deficit italiano nella bilancia commerciale con il Brasile,
La
gli stati della Bahia e di Espìrito Santo continuano ad importare più
che esportare in Italia. Potrebbe sembrare favorevole all’Italia, ma non
lo è. Dati del Consolato d’Italia a Rio indicano che le importazioni venute dall’Italia verso questi due stati si aggirano intorno ai US$ 10-15
milioni, considerato un volume basso nel mercato.
ABRIL 2005
/
COMUNITÀ ITALIANA
soluzione affinché Bahia e Espìrito Santo
equilibrino la bilancia potrebbe trovarsi nel turismo, specialmente a Bahia, dove c’è una grande
mobilizzazione di imprese del settore e ristoranti.
E là, nella Terra di Tutti i Santi, la notoria dieta
mediterranea dovrebbe proprio prosperare.
39
Comunità
Italiana
Comunità
INTERVISTA
INTERVISTA
ANDRÉ FELIPE LIMA
C
Vedovato
lascia Fiat con saldo positivo
L
’italiano Roberto Vedovato era al comando del Gruppo Fiat in
Brasile dal maggio 1998. Ha lavorato nell’azienda per 32 anni. A
febbraio ha dato addio all’incarico e ha passato il bastone di comando a
Cledorvino Bellini, superintendente alla Fiat Automobili per l’America
Latina, che così ora accumula due funzioni. Ma il lascito di Vedovato e il
rispetto che ha conquistato sul mercato brasiliano come uno dei principali
dirigenti fino ad allora in attività merita d’essere messo in distacco.
Vedovato lascia un saldo estremamente positivo, come lo straordinario
recupero delle esportazioni di veicoli nel 2004, una crescita del circa 40%
del fatturato e del 60% delle esportazioni. Ma nell’intervista rilasciata in
esclusiva a Comunità Italiana prevede che quest’anno il mercato sarà
meno attraente che nel 2004.
Sul mercato europeo, inclusa l’Italia, sono stati commercializzati
oltre 213.500 veicoli commerciali della Fiat, il che corrisponde ad una
quota del 10,8%. In Brasile sono stati venduti 44.480 veicoli commerciali,
che rappresentano una quota di mercato del 24,3%. Questo risultato
rappresenta una crescita del 10,6% in relazione al 2003, quando sono
state commercializzate 40.234 unità.
40
Italiana
omunitá – Nel 2004 c’è stato un aumento del 45% sulle vendite estere e una
produzione il 20% al di sopra del volume del
2003. Malgrado questo, l’Anfavea prevede
un 2005 con un margine minore per l’industria di autoveicoli. Lei è d’accordo con queste previsioni?
Roberto Vedovato – Fare previsioni in Brasile è sempre difficile, ma crediamo che ci
siano tutte le condizioni affinché lo sviluppo
continui. Però le percentuali di crescita saranno più modeste. Siccome il 2003 è stato
un anno fiacco, la crescita nel 2004 presenta
percentuali molto espressivi. Invece il 2004
è stato un anno positivo, quindi il 2005 dovrà presentare percentuali minori di crescita. Inoltre, fare grandi salti continui non è
auspicabile: è meglio mantenere un ritmo
ragionevole, ma costante, sostenibile a lunga
scadenza, piuttosto che crescere rapidamente e poi crollare più avanti.
Comunità – La valorizzazione de Real in
proporzione al dollaro potrebbe essere il
motivo principale di una possibile ritrazione
del settore quest’anno?
Vedovato – Il valore del dollaro è importante nell’economia brasiliana ma, secondo me,
non possiamo basare la nostra competitività sul cambio, che è una questione di congiunture. Dobbiamo conquistare la nostra
competitività lottando contro i nostri problemi strutturali brasiliani. Per prima cosa
dobbiamo migliorare la nostra infrastruttura
(strade e porti, per esempio). Aiuterebbero
anche una semplificazione tributaria, così
come una riduzione dell’impatto tributario.
Dopo, osservando da dentro ognuna delle
nostre imprese, dobbiamo aumentare la nostra capacità di progettazione e produzione
di prodotti di qualità e a prezzi adeguati per
entrare in competizione non solo sul mercato brasiliano, che è estremamente conteso,
ma anche su quello internazionale, che stiamo affrontando con molta determinazione
fin dal 1999.
Comunità – Alcuni dirigenti italiani criticano la politica economica esterna del governo
attuale. Secondo loro, il Planalto starebbe
dando priorità a mercati considerati ancora immaturi – dal punto di vista delle regole
internazionali del commercio – come Cina
e India, discreditando partner europei come
la stessa Italia. Alcune aziende che offrono
servizi al settore automobilistico sono fallite,
come la Grimaldi che deteneva poco più del
COMUNITÀ ITALIANA
/
ABRIL 2005
50% degli introiti dipendenti dalle esportazioni della Fiat per l’Europa, che ha
venduto i suoi attivi e ha chiuso le porte
in Brasile perché gli obiettivi delle esportazioni della Fiat sono cambiati. Lei come
analizzerebbe questo scenario?
Vedovato – Il Brasile ha svolto un lavoro
spettacolare sul front esterno e dobbiamo
fare i complimenti al ministro Luiz Fernando Furlan per la competenza dimostrata durante il suo incarico. Sicuramente il Brasile deve dedicarsi alla creazione
di maggiori legami commerciali con i
grandi blocchi economici, come l’Unione
Europea e gli Stati Uniti. Si potrebbe criticare la maniera in cui il governo cerca
di attrarre paesi i cui mercati rappresentano una minore espressione economica,
ma sono pur sempre mercati e dobbiamo
osservarli tutti.
Comunità – Il tasso basico di interesse
sembra sarà più alto quest’anno. I contributi tributari, malgrado la diminuzione nel
2004, danno ancora fastidio. Tutto ciò aggredisce il finanziamento, che sostiene circa il 70% delle vendite dei veicoli in Brasile. Tenendo conto che sarà posto un freno
alle esportazioni, resta soltanto il mercato
interno. Il gruppo Fiat come si sta organizzando per questo quadro di mercato?
Vedovato – Non crediamo che sarà posto
un freno alle esportazioni. Ci sarà, se le
condizioni internazionali peggioreranno,
un ritmo più lento di crescita. Per quanto
riguarda il mercato brasiliano, se l’economia continuerà a migliorare, come sembrerebbe finora, le vendite continueranno ad aumentare, ancora a ritmo lento,
ma senza fermarsi. Stiamo investendo in
tecnologia e nuovi prodotti, sia macchine
che trattori, camion, autobus e pezzi di ricambio, affinché possiamo usufruire della crescita d’ora in avanti.
Comunità – Gli incentivi fiscali promessi
dallo stesso presidente Lula per il 2005
che mese arriveranno? Il Planalto ha già
dato segnali di un cronogramma?
Vedovato – Le negoziazioni tra il settore
di autoveicoli e il governo sono centralizzate nell’ Anfavea. Le fabbriche, il governo e la società dovrebbero pensar bene a
quale sia il ruolo e il futuro dell’industria
“Il Brasile deve
dedicarsi alla
creazione di
maggiori legami
commerciali con
i grandi blocchi
economici”
automobilistica brasiliana. Fino a qualche
anno fa, il Brasile e altri paesi dell’America Latina erano considerati buone opportunità di investimento. Oggigiorno,
la Cina e altri paesi asiatici dimostrano
essere più interessanti e competono tra
di loro questi investimenti. Le fabbriche
– così come le altre imprese in generale
– non presentano risorse illimitate da investire da tutte le parti. Le imprese scommetteranno su quei paesi dove ci sarà una
maggior certezza di ritorno. Nel caso delle fabbriche, il Brasile è forte nella produzione di macchine monovolumi come
la Fiat Palio. Sono sia le più vendute sul
mercato interno, sia le più esportate. Sarà
questa la nostra vocazione naturale? Se lo
è, perché non creare meccanismi affinché
possiamo trasformarci in una base mondiale per questo tipo di macchina?
Comunità – Malgrado tutto, il 2004 è stato migliore del 2003? Mercato e Governo
stano facendo perbene i compiti di casa?
Vedovato – Il Brasile presenta un’enorme
capacità di sorpresa. Le potenzialità qui
sono enormi. Veda ciò che sta succedendo
all’agricoltura negli ultimi quattro anni. Ci
siamo trasformati in uno dei maggiori granai del mondo. In poco tempo saremo una
superpotenza agricola. Il Brasile è sulla
strada giusta. Gli interessi sono alti? Sì. L’
inflazione resiste ancora? Sì. Ma la stabilità
brasiliana oggigiorno è magnifica se paragonata a quella degli anni ’80 e inizi anni
’90. Il sistema finanziario è solido, professionale e tutto questo non è da sottovalutare. Inoltre, il Brasile ha realizzato un importante passo istituzionale con la re-democratizzazione. Il passaggio dei poteri tra
Fernando Henrique Cardoso e Lula è stata
una lezione di civiltà per tutto il mondo. La
tranquillità delle ultime elezioni sono una
prova di questa maturità.
Comunitá – Lei ha presieduto il Gruppo Esponenti Italiani(GEI) per due volte.
Cosa deve fare il nuovo presidente Guido
Urizio per fare leva sulle relazioni commerciali tra il Brasile e l’ Italia?
Vedovato – Tutto ciò che potrà essere
fatto per intrecciare le relazioni Brasile/
Italia dev’essere fatto. I due paesi presentano così tante affinità e interessi
comuni che un’integrazione maggiore
porterebbe enormi benefici a tutti gli interessati. Il Brasile possiede una gigantesca produzione agro-pastorale, l’Italia
possiede la tecnologia di processamento
degli alimenti. Soltanto questo esempio
dimostra ciò che potrebbe essere fatto.
Inoltre, come dimostra il caso della Fiat,
brasiliani e italiani hanno il dono di, insieme, realizzare cose bellissime.
Veduta aerea della
fabbrica della Fiat a
Betim, Minas Gerais
L’industria Fiat
all’interno
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Comunità
Italiana
Comunità
GASTRONOMIA
GASTRONOMIA
Un ristorante
eloquente
Fotos: Andressa Camargo
C
“Il cibo italiano
si trovava
soltanto in
piccole case, le
case della mama”
onsiderato nel 2002 dall’Italian Culinary Institute for Foreigners (Icif), con sede in Piemonte, come il miglior cibo italiano in Sudamerica, il ristorante di San Paolo Massimo
è un’incontestabile riferimento sullo scenario gastronomico brasiliano. Al comando della casa c’è Massimo
Ferrari, che attribuisce la ricetta di successo ad alcuni
‘condimenti’ indispensabili:
- Facciamo molta attenzione alla scelta delle materie prime, importiamo il nostro olio d’oliva, i capperi, la
salsa di pomodoro, degli affettati. Inoltre, il mio socio e
fratello Venanzio va sempre in Italia per scegliere vini:
ne compriamo da quei piccoli produttori già di nome,
ma che difficilmente hanno accesso al mercato brasiliano – racconta.
Altri due ingredienti sono: l’architettura della casa
– costruita nel 1970 da Venanzio – che dispone di due
sale da pranzo e di un enorme bar che possono ricevere anche riunioni affaristiche, insieme a comodità e buon servizio.
- A quel tempo non c’era niente di così grande. Il cibo italiano si poteva mangiare
soltanto in piccole case, le case della mama. A loro (i clienti) piace sapere che verranno
trattati con affetto e allegria – mette in risalto Massimo.
La famiglia Ferrari è arrivata in Brasile alla fine degli anni ’40, venuta dal Piemonte.
Il padre di Massimo e Venanzio, Felice Ferrari, si è inoltrato nel settore dei ristoranti
partecipando all’apertura di una churrascaria a San Paolo. Imprenditore, nel 1953 è
riuscito a iniziare il suo proprio affare con la Churrascaria Cabana, che amministrava
insieme alla moglie. Negli anni ’70 ha aiutato i figli a pianificare il ristorante Massimo,
ma è deceduto pochi mesi prima dell’inaugurazione della casa.
- Ho osservato i miei genitori fin da piccolo, perché vivevo intrufolato nel ristorante.
Mi sono laureato in economia e amministrazione, però mi stavo già indirizzando verso questo lavoro. Sono fortunato, sono un appassionato di quello che faccio – ricorda
Massimo. Nel 1993 la famiglia ha deciso di dedicarsi esclusivamente alla culinaria italiana e ha chiuso le porte della Churrascaria Cabana.
L’architettura
della casa costruita
nel 1970 da
Venanzio Ferrari
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Italiana
COMUNITÀ ITALIANA
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ABRIL 2005
Dieta che apre porte commerciali
ANDRÉ FELIPE LIMA
O
tto piccole melanzane, una tazza di parmigiano grattuggiato grosso, uno spicchio d’aglio tritato bene, basilico, olio di oliva…e così via con un’altra delle decine
di ricette che formano la dieta più in voga (e salutare)
di cui si abbia notizia. Stiamo parlando della dieta mediterranea,
in franca espansione in Brasile. Le quattro Camere italiane di commercio nel paese hanno cominciato l’anno scorso un’ampia campagna per diffonderla. Una dieta che fa del popolo italiano uno dei
più salutari del mondo e apre porte commerciali al Belpaese.
Le Camere hanno anche pubblicato un libro, “Mangiare italiano, buono e sano – princípios da dieta mediterrânea”, insieme
a vari ristoranti famosi del paese per la loro tradizionale cucina
italiana. Il libro ci mostra informazioni, convalidate da medici, a
conferma del fatto che i cittadini italiani presentano meno problemi cardiovascolari e più longevità di persone di altri paesi.
Vini e formaggi sono il marchio di questa culinaria. Per
esempio, in Brasile abbiamo già attinto la maturità economica
in questi due settori. Quello del vino muove annualmente circa
R$ 1,2 miliardo. Secondo dati dell’ Instituto Brasileiro do Vinho
(Ibravin), l’ultima produzione, nel 2003, del vino brasiliano (fino, da tavola, spumanti e succo d’uva) è arrivata a 360 milioni di
litri. In Brasile ci sono 700 aziende vinicole e 16mila proprietà
terriere dove si coltiva l’uva. Del totale di questo mercato, Rio
Grande do Sul controlla circa il 90%.
Nelle esportazioni, la leadership dei vini da tavola è ancora
schiacciante (l’80%). Invece, la produzione di vini fini ha raggiunto 50 milioni di litri, malgrado il Brasile importi ancora
molto di più di quanto esporti in questo segmento vinicolo,
specialmente dall’Italia.
Comunque, le esportazioni sono aumentate del 42% fino al
settembre 2004, e dovrebbero aumentare ancor più quest’anno
(20%) e nel 2006 (30%). La Miolo, ad esempio, vuole arrivare a R$
50 milioni in esportazioni annuali entro 10 anni.
Si stanno preparando programmi. Uno dei più significativi è
l’accordo tra l’ Agência de Promoção de Exportações do Brasil
(Apex) e l’ Ibravin, preventivato in R$ 2,78 milioni, che finanzierà marche di vini brasiliani all’estero. Le aziende vinicole Casa de
Lantier, Casa Valduga, Cooperativa Vinícola Aurora, Lovara, Miolo
e Salton, tutte aventi sede in Rio Grande do Sul, si trovano nella
lista dei finanziamenti, ma entro il 2006 l’Apex spera di ampliare
fino a 12 il numero di imprese nel programma.
L’ Ibravin si è associata anche al Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), al Banco do Brasil e
alla Secretaria de Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul
per sviluppare i cosiddetti Arranjos Produtivos Locais (APL’s)
– conosciuti anche come clusters – che incrementeranno ancor
più la produzione vinicola nel paese. Modello genuinamente italiano, gli APL’s sono responsabili per il circa 43% delle esportazioni italiane, e danno impiego ad oltre 2 milioni di lavoratori
distribuiti in 90mila imprese. Inoltre, l’Italia ha intensificato la
sua preoccupazione con il marchio del suo vino all’estero, tanto
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5 0 0/ 4 C /O M UCNOI MT ÀU NII TT AÀ L II AT NA AL I A N A
è vero che funziona dal 2003 l’Enoteca d’Italia, che dispone di
20 milioni per promuovere i vini italiani nel mondo.
Se la relazione bilaterale con l’Italia per il mercato vinicolo
va bene, nel mercato dei formaggi e in quello dell’olio d’oliva è
più timida.
Il Brasile, oggigiorno, è un grande importatore di olio d’oliva,
ma circa il 50% dei suoi acquisti vengono fatti in Spagna. Più audace e autosufficiente, l’industria del formaggio in Brasile muove
R$ 110 milioni l’anno. Sono 20mila tonnellate di formaggi che
consumano 2 miliardi di litri di latte e danno impiego a 37mila
persone nella sua produzione. Lo stato di Minas Gerais risponde
del 60% della produzione nazionale. Importare formaggi dall’ Italia, comunque, non è una delle principali caratteristiche del mercato brasiliano e meno ancora l’esportazione su larga scala verso
il Brasile non è uno dei principali obiettivi degli italiani.
Le vendite del parmigiano italiano, ad esempio, negli ultimi
due anni hanno totalizzato in media circa  900 milioni. Il Brasile,
al contrario di quanto si potrebbe immaginare, non si trova nelle
liste dei principali acquirenti del parmigiano italiano, i cui principali mercati sono proprio i paesi europei. Al contrario dell’Italia,
gli Stati Uniti da cinque anni aprono fronti nel mercato brasiliano per i loro formaggi, specialmente il cheddar e il cream cheese,
le cui vendite sono in crescita circa del 5 % annuo.
Anzi, vivere in modo salutare, come fanno gli italiani, è sempre stato un mistero, specialmente per gli americani. Subito dopo
la Seconda Guerra Mondiale, il medico Ancel Keys sbarcò a Salerno, al sud d’Italia, e constatò che la popolazione locale non soffriva di problemi cardiovascolari, comuni negli Stati Uniti. Keys,
tra il 1958 e il 1964 concluse uno studio in alcuni paesi europei,
in Giappone e negli Stati Uniti. Risultato: la dieta mediterranea è
decisiva per la vita di chi vive sul litorale europeo, specialmente
per l’Italia, che occupa il primo posto in longevità in Europa.
Ma una cosa è irrevocabile: Keys vive fino ad oggi, ha 100 anni,
e sua moglie 95. Agili e snelli grazie alla dieta mediterranea.
43
Comunità
Italiana
Comunità
PERSONAGGIO
PERSONAGGIO
Andressa Camargo
GISELE MAIA
Da giornalista
a proprietario
di ristorante:
le prodezze
dei Morici
tra Sicilia e
San Paolo
S
alvatore Morici è arrivato in Brasile a diciotto anni e fino ad oggi
si ricorda della data precisa: l’11
febbraio 1961, un sabato di carnevale. Ma non è stata la festa popolare a portarlo qui. Lui, allora un giovane giornalista,
aveva come obiettivo un servizio sull’Amazonas, con l’esploratore Willy Aureli, che
aveva fatto importanti scoperte nella regione di Araguaia. Ci sono voluti pochi giorni perché il suo viaggio prendesse un’altra
direzione e lui decidesse di rimanere qui
per sempre. Infatti è bastato innamorarsi
di una bella italo-brasiliana, Regina Melena
Farabutti, con cui si è sposato. Adesso lei
44
Italiana
è la responsabile del menù di prima qualità del ristorante Taormina Ristorante Siciliano, a San Paolo. La ditta della famiglia
Morici esiste da soli due anni e, come dice
scherzando Salvatore, ‘è stata aperta soltanto per sfuggire alla depressione senile’.
Quando è arrivato dall’Amazzonia, Salvatore era stato invitato alla festa di una
famiglia di imprenditori italiani che vivevano a San Paolo, gli Scavone. Là, gli fecero una proposta: comporre la direzione
della Oretri Propaganda, all’epoca un’importante agenzia pubblicitaria. Salvatore
ringraziò l’invito, ma lo rifiutò perché doveva ritornare in Italia pochi giorni dopo.
Comunque, nella stessa festa conobbe Regina e, grazie a lei, non imbarcò, malgrado
non avesse più ‘un soldo bucato’.
“Mi sono svegliato il giorno dopo
quello della partenza, affamato e senza
soldi. Mi recai in un mercato vicino al
quartiere Consolação, rubai cinque banane e telefonai al proprietario della Oretri”, ricorda con allegria. A partire dalla
scelta di stabilirsi in questo paese, Salvatore decise anche di collaborare con il
Fanfulla, il giornale italiano che, secondo
lui, riuscì a superare in tiratura il quotidiano Provincia de São Paulo, che dopo si
sarebbe chiamato O Estado de São Paulo.
Nel 1965, il Fanfulla fu chiuso dalla dittatura militare. Nel 1966, Salvatore fondò
un giornale, chiamato Itàlia Mondo, che
durò poco più di un anno. Malgrado il suo
coinvolgimento con i media, racconta che
in Brasile non ha mai guadagnato come
giornalista. Con una laurea anche in ingegneria, ha fatto lavori in quest’area, oltre
ad aver lavorato nel mercato pubblicitario
e nell’industria di prodotti chimici. Anima
imprenditoriale, ha messo su una tintoria
e due fabbriche di tingitura di tessuti. “Io,
che prendevo sei in chimica, qui formulavo prodotti”, racconta.
Più tardi Salvatore diventò conosciuto
perché importava silicone e lo introdusse
nel mercato brasiliano, specialmente con i
fabbricanti di materassi. Nel 1977 poteva
dirsi un uomo ricco. Ma, quell’anno stesso, ci fu la maxi svalorizzazione del cruzeiro. Indebitato in dollari, Salvatore dovette
vendere la sua casa, i terreni e le macchine.
“Erano debiti normali. Io compravo specialmente dalla Germania, e era di prassi
pagare in 360 giorni. Allora io, che avevo
introiti pari al doppio del mio investimen-
to, pagai un debito due volte più grande.
Persi tutto e cominciai ad odiare il Brasile.
Tornai in Italia nel 1980 giurando che non
ci avrei mai più messo piede”.
Già in Italia, sua moglie occupò l’incarico di direttrice di una rivista di turismo. In
poco tempo, Salvatore ha aperto un’agenzia di viaggi. Erano i segnali del recupero della famiglia Morici. Ma ci fu un altro
cambiamento di piani: il figlio della coppia,
che aveva già fatto l’esame di ingresso per
l’Istituto Politecnico della USP, fu approvato e decise che voleva tornare in Brasile.
E così fece. Subito la madre lo accompagnò. Salvatore, che voleva mantenere la
promessa all’inizio, invece si arrese e venne
ad unirsi alla famiglia. Affittò la sua agenzia
di viaggi là e ne aprì un’altra a San Paolo.
Il sacrificio valse la pena. Salvatore
racconta orgoglioso la traiettoria professionista del figlio che, per nove anni, è
stato direttore della Parmalat ed ora è il
direttore di marketing della Coca-Cola.
Invece la figlia è direttrice per l’America
Latina della ENIT (Ente Nazionale Italiano per il Turismo), l’ Embratur italiana,
oltre ad essere vice presidente mondiale
dell’Associazione Europea di Turismo
Il buon servizio del ristorante e la qualità del menù, che porta a tavola il meglio
della cucina siciliana, gli ha aperto altre
strade. Oggigiorno, il maggior guadagno
viene dagli eventi che Salvatore e Regina
organizzano con il Buffet Dolci Momenti, un
altro affare dei Morici. Tra i suoi clienti ci
sono il GEI (Gruppo degli Esponenti Italiani), l’ ICE (Istituto Italiano per il Commrcio Estero) e altre istituzioni italiane.
Innamorato delle sue radici, Salvatore
aiuta anche a promuovere incontri della
Regione Sicilia in Brasile, sia con obiettivi politici, sia commerciali. La dedicazione gli è valsa il premio Pigna D’Argento,
dato a siciliani in tutto il mondo che si
mettono in risalto con la divulgazione dei
valori della regione.
“Ho qui alla parete del mio ristorante un diploma di ‘sicilianità’, e so che ne
sono degno. Di solito, i miei compatrioti delle altre regioni si presentano come
italiani. Io, prima di tutto, sono siciliano”,
commenta orgoglioso Salvatore.
Serviço:
Rua Peixoto Gomide, 1395 - Cerqueira Cesar
São Paulo - tel. 11-3284.3838
COMUNITÀ ITALIANA
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ABRIL 2005
Gruppo Comolatti: successo ereditario
GISELE MAIA
S
ergio Comolatti ha preso il comando di uno dei gruppi imprenditoriali di maggior successo in distribuzione e vendita
di autoricambi, il Gruppo Comolatti, fondato da suo padre Evaristo. Quando ha
assunto su di sé gli affari della famiglia,
Sergio ha imposto una nuova dinamica
amministrativa, espandendo e modernizzando le attività del gruppo.
All’inizio, il padre di Sergio, venuto
dall’Italia del nord nel dopoguerra, esattamente nel 1948, comprò un camion e
con esso lavorava in vari stati del Brasile con il trasporto di combustibile. Pochi
anni dopo, nel 1957, l’imprenditore italiano aprì un negozio di autoricambi per camion Alfa Romeo che portava il suo nome, la Evaristo Comolatti e Cia Ltda. Nel
1965 già ne esistevano nove filiali.
Oggigiorno, il gruppo che Sergio dirige dà impiego a circa 1700 persone.
Imprese coinvolte nella distribuzione di
autoricambi sono la Sama Autopeças, Laguna, Abouchar, Tietê, Cofipe Iveco.
Tra di esse, alcune sono più antiche
del Gruppo Comolatti e già godevano il
rispetto del mercato anche prima di veni-
re incorporate. La Sama, con 17 centri di
distribuzione in tutto il paese, lavorava da
43 anni in Brasile, con otto filiali, quando è stata integrata al Gruppo Comolatti,
nel 1965. Anche la Laguna era un’antica impresa quando è stata incorporata
nel 1995. Esisteva fin dal 1918, quando
fu fondata dall’anche lui italiano Cirillo
Laguna. La Abouchar Pneus è passata a
far parte della holding nel 1981, il che è
risultato nell’aumento del volume di affari, visto che l’impresa, oggi con 77 anni di
realizzazioni, è passata a coprire una parte del mercato, quello dei pneumatici, ancora non sfruttato dai Comolatti.
Ma il nome Comolatti è anche legato al settore immobiliario con la Bernina
Imobiliària. Inoltre, alla famiglia italiana
appartiene uno dei più privilegiati spazi di
San Paolo – il Terrazzo Italia, un ristorante situato nel più alto edificio della città
(l’Edifìcio Itàlia) e dal quale si può vedere
tutto il centro finanziario della capitale.
È là, con la migliore vista di San Paolo, che il Gruppo Comolatti promuove vari
eventi riguardanti le sue attività sociali. La
più conosciuta e tradizionale è il tè beneficente, realizzato da più di trent’anni. L’ini-
ziativa è cominciata con l’impegno di Evaristo Comolatti e sua moglie ma, in questo
momento, ne viene garantita la continuità
dalla figlia della coppia, Terza Maria Comolatti Ruivo. Fino ad oggi, 304 istituzioni
sono state beneficiate. Fin dall’inizio della
sua gestione, Sergio investe sempre più in
azioni di Responsabilità Sociale. Soltanto
nel 2002, dati basati dalla Relazione di Attività Sociali di quell’anno, R$ 8 milioni
sono stati destinati al benessere dei suoi
collaboratori e dipendenti.
Comunità
Italiana
Comunità
OPINIONE
OPINIONE
Dalla Serra
Gaúcha
alla civiltà
brasiliana
CARLOS LESSA
C
onsidero decisivo il contributo
degli immigranti italiani nell’occupazione del territorio
brasiliano e la diffusione di
standard di civiltà. Le mie osservazioni
non sono una novità, però nascono da
viaggi e intensi contatti.
Comincio dalla Serra Gaúcha. Sono ottocentomila abitanti in 34 comuni: Caxias
do Sul, Bento Gonçalves, Veranópolis, Garibaldi, Farroupilha, São Marcos, Flores da
Cunha, Pinto Bandeira, Ipê, Antônio Prado
ecc., dove si trovano 511 aziende vinicole.
La produzione regionale di 250 milioni di
litri all’anno (90% della produzione brasiliana) è legata a circa 16mila famiglie.
L’attività ha avuto inizio nel 1815, con
i tedeschi che occuparono una buona
parte della Valle. È stata consolidata dal
1865 da immigranti italiani che, sui versanti, producevano per consumo proprio.
Viene lavorato circa il 50% dell’uva brasiliana. (N.d.t.: Lo stato di) Rio Grande do
Sul corrisponde al 95% dell’uva lavorata.
46
Italiana
La Serra presenta 31mila ettari di vigneti.
È una tipica attività di piccoli proprietari,
con un uso intenso di manodopera familiare (4 persone per ogni proprietà). Si
stima che l’area media per ogni vigneto
sia di 2 ettari. Sono 17mila stabilimenti
rurali poco meccanizzati, in una regione
dalla topografia accidentata.
Una caratteristica storica dei vigneti
della “Serra Gaúcha” è la coltivazione di
uva americana e ibrida, specialmente a
Isabel. Agli inizi del sec. XX, con l’arrivo
dei fratelli Monaco, sono sorte imprese
produttrici di vino: la Dreher e Salton, nel
1910; la Peterlongo, nel 1913; la Cooperativa Aurora, nel 1930. Nel 2003, la raccolta
gaucha è stata di 380 milioni di chili d’uva.
Nel 2004 si è arrivati a 578 milioni.
Voglio riferirmi adesso alla pioniera
Aurora, fondata nel 1931. Il bel contributo italiano ha dato origine ad altre 18
cooperative legate alla Fecovinho, il cui
presidente è Hermes Zaneti. Tutte le altre
hanno presidenti brasiliani dal cognome
italiano. In Austria, Canada, Finlandia e
Israele, tra il 70 e l’80% della popolazione
adulta partecipa a qualche cooperativa.
In Belgio, Norvegia e Francia, tra il 50 e il
60%. Negli Stati Uniti, Danimarca, Giappone e Portogallo, tra il 40 e il 50%. In
Brasile, soltanto il 4%. Uno scarso standard di civiltà in Brasile che è invece abbondante nella Serra Gaúcha.
La cooperativa è una società di persone che cooperano per produrre un
risultato; ogni cooperato ha un voto ed
è pagato secondo quello che produce.
La sua preoccupazione con il guadagno
non è la stessa di una società di capitali,
e non ha un socio maggioritario che comanda. Attraverso la cooperazione, il piccolo produttore partecipa ad una grande
organizzazione, che assume l’impegno di
ricevere tutta la produzione dell’associato
e, invece di distribuire guadagni, reinvestire gli avanzi dei suoi risultati.
Oggigiorno, l’Aurora conta su 1242
viticoltori. Produce circa il 10% dell’uva
COMUNITÀ ITALIANA
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ABRIL 2005
gaucha che si trasforma in vini da tavola
– di cui il più famoso è il Sangue de Boi,
fatto da uve americane. Produce vini fini
con la Vitis Vinifera (ne usa oltre 10 ceppi), e fa ottimi spumanti.
Direttamente dall’Aurora dipendono,
tra associati, impiegati e rispettivi familiari, quasi 8000 persone. Ed è sempre in
cerca di perfezionamento. “Fare vino è un
affare relativamente semplice, solo i primi
200 anni sono difficili”, insegna la Baronessa di Rotschild. L’Aurora ha 75 anni,
però ci ha già brindati con il suo Millesimo
1999, un Bordeaux di prima qualità.
Soltanto verso gli anni ’70, con l’entrata di ditte come la Martini e Rossi, la Möet
et Chandon, la Maison Forrestier, la Hublein e l’Almaden, i vini della Serra hanno
assunto una migliore qualità. Quelle arrivate di recente hanno introdotto processi
sofisticati di vitivinificazione, e i vini della
Serra hanno cominciato ad essere consumati fuori dalla regione. I brasiliani sono
grandi bevitori di birra, ma consumano
soltanto 2 litri di vino all’anno per abitante. La Francia, 60. l’Italia, 58. Il Portogallo,
56. L’Argentina, 40 e l’Uruguai, 31. Perfino
la povera Romania, 29. Il miglioramento
di qualità darà impulso alla crescita esponenziale del consumo.
Vorrei sottolineare un’altra lezione
della Serra Gaúcha. A Bento Gonçalves si
trova l’Istituto Brasiliano del Vino – Ibravin. Ne sono soci fondatori la Fecovinho,
la Commissione Interstatale dell’Uva
(Lavoratori rurali), la Agavi (Associazione
Gaucha di Viticoltori) e la Uvibra (Unione
Brasiliana di Vitivinicoltura). Partecipano
anche il Governo dello stato di Rio Grande do Sul e l’Associazione Brasiliana di
Enologia (Abe).
Non resisto e debbo parlare del cognome dei dirigenti dell’istituto: Riboldi, Debiasi, Gervasoni, Perrini, Cavagni, Valduga,
Schiavenin, Paviani, Salton. Sono brasiliani totalmente inseriti, che cooperano per
la civiltà del vino. Vediamo i loro nomi: Zeferino, João Guerrino, Antônio Agostinho,
Marcos Antônio, Carlos Raimundo, Olir.
Nella grandezza del cocktail brasiliano, il
presidente dell’Abe di cognome fa Czarnobay. Ed è un altro Antônio Agostinho.
Non parlerò dei nuclei urbani della
Serra Gaúcha, tutti conoscono il polo industriale e il polo universitario di Caxias
do Sul. Non parlerò della fedeltà al luogo, della Festa dell’Uva e neanche della
bellezza dei Centri di Tradizioni Gauche.
Lascerò da parte una magnifica gastronomia che ha riunito il churrasco (n.d.t.:
grigliata), il galletto, la polenta, gli insaccati, i crauti – tutto condito da vino e birra. Farò un salto verso il Sudest di Santa
Catarina. Seguo l’impulso seminatore dei
figli degli immigranti italiani del sec. XIX.
Vado nella città di Descanso.
Il posto, in mezzo alla foresta, prende il
nome dal riposo che facevano quelli della
Colonna Prestes nel 1925. Quattro famiglie vi si installarono come pioniere. Dieci
anni dopo, imprese colonizzatrici vendevano lotti in linea senza strade a famiglie
venute dalla Serra Gaúcha. I pionieri raccoglievano cannella per fare mobili e pino
per le costruzioni. Ci fu una corsa alle terre di Descanso tra il 1943 e il 1956, anno
di fondazione del comune. Farò la lista dei
cognomi dei dirigenti politici di là: Piran,
Saltonello, Pelissari, Roman, Faccio, Toral,
Bido, Ferlin, Panegalle, Mingore, Degrani, Basso, Povola, Cassul, Massune. Piran,
Saltonello, Pelissari, Roman, Faccio, Toral,
Bido, Ferlin, Panegalle, Mingore, Degrani,
Basso, Povola, Cassul, Massune.
Il sincretismo a Descanso ricevette
l’apporto di famiglie polacche immigranti
di prima generazione. Sorgono Wronski,
Petroski, Graboski, Chechanovski, Koproski (di Casca, RS). La parrocchia cattolica
cristiana è dedicata al Santo Estanislau
Kostka. Il cocktail nella politica è totale:
dirigenti discendenti da polacchi, come i
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Jacinski, da tedeschi, come gli Schirman,
e un indiscutibile Lopes Brasiliano.
Gli standard di cooperazione e civiltà a
Descanso sono commoventi e sintomatici.
Alla base del comune ci sono 3100 famiglie
rurali proprietarie di, in media, 17,4 ettari
di terra. Producono mais, soia, grano, fagioli. Ci sono alcune aziende di produzione
lattiera e di allevamenti avicolo e di carni
suine. Negli scorsi decenni era comune
che le donne affittassero una terra, insieme, producevano ortaggi e piccoli animali.
Con ciò, riducevano le spese monetarie.
Oggigiorno, sempre più si compra tutto nei
supermercati. La frutticoltura si sta trasformando in una nuova attività importante.
Nel 1949, in un simbolico atto di integrazione, hanno installato il loro Cristo Redentore, icona di Rio de Janeiro. Nel 1963
hanno creato la Cooperativa Agro-pastorale
Santa Lucia. Dal 1970 dispone di un Sindacato di Impiegatori e un altro di Lavoratori
Rurali. Nei fine settimana, molti pescano,
altri danno sostegno ai coralli. Hanno una
rete di saloni comunitari. Feste vengono
realizzate sempre con un’ampia partecipazione e la popolazione coopera. Il 100% è
alfabetizzato – ci sono 42 scuole comunali.
Nessuno fa la fame. Tutti usano le scarpe.
I figli dei ‘gauchos’ hanno seminato
Descanso. Nello stato di Mato Grosso do
Sul c’è Dourados, che replica Descanso. Diamantino, un altro clone nel Mato
Grosso, batte il record di produzione di
soia. Dai cognomi, rimontiamo alla Serra Gaúcha. Un’ultima cosa su Descanso:
sull’autostrada della Região dos Lagos
(RJ) ho trovato una churrascaria tipo grill
dove, oltre alle golosità della Serra, fanno la feijoada, la goiabada con formaggio
minas e anche sushi e sashimi. Il suo proprietario è di Descanso.
Carlos Lessa è professore di
Economia presso l’UFRJ
e ex-presidente del BNDES
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