A M A I O R M Í D I A D A C O M U N I D A D E Í T A L O - B R A S I L E I R A www.comunitaitaliana.com.br Ano 12 Nº84 Rio de Janeiro, 20 de abril de 2005 Diretor: Julio Vanni ISSN 1676-3220 R$ 4,50 Diretor - Presidente: Pietro Domenico Petraglia Conheça os encantos de Lucca FURLAN A cara da Economia ítalo-brasileira Su pp Ec lem on en om to ia di Exclusivo: entrevista com o ministro COSE NOSTRE Julio Vanni CALABRESES RECEBEM HOMENAGEM NO DIA 2 DE ABRIL FUNDADO EM MARÇO DE 1994 DIRETOR-PRESIDENTE / EDITOR: Pietro Domenico Petraglia (RJ23820JP) DIRETOR: Julio Cezar Vanni VICE-DIRETOR EXECUTIVO: Adroaldo Garani PUBLICAÇÃO MENSAL E PRODUÇÃO: Editora Comunità Ltda. TIRAGEM: 30.000 exemplares ESTA EDIÇÃO FOI CONCLUÍDA EM: 12/04/2005 às 12:30h DISTRIBUIÇÃO: Rio de Janeiro, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Bahia, Minas Gerais, Amazonas, São Paulo REDAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO: Rua Marquês de Caxias, 31 Centro – Niterói – RJ – Brasil CEP: 24030-050 Tel/Fax: (21) 2722-0181 / (21) 2719-1468 E-MAIL: [email protected] SUBEDIÇÃO Gisele Maia REDAÇÃO: Andressa Camargo, e Gisele Maia REVISÃO / TRADUÇÃO Davi Raposo, Cristiana Cocco PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO: Alberto Carvalho FOTO DE CAPA Carla Romero / Valor / Ag. O Globo COLABORADORES: Franco Vicenzotti – Braz Maiolino – Lan – Giuseppe D’Angelo (in memoriam) – Pietro Polizzo – Giovanni Crisafulli – Venceslao Soligo – Marco Lucchesi – Luca Martucci – Domenico De Masi – Franco Urani – Francesco Alberoni – Giovanni Meo Zilio - Guido Sonino - Fernanda Maranesi CORRESPONDENTES: Ana Paula Torres (Roma) Guilherme Aquino (Milão) Comunità Italiana está aberto às contribuições e pesquisas de estudiosos brasileiros, italianos e estrangeiros. Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores, sendo assim, não refletem, necessariamente, as opiniões e conceitos da Revista. La rivista Comunità Italiana è aperta ai contributi e alle ricerche di studiosi ed esperti brasiliani, italiani e estranieri. I collaboratori esprimono, nella massima libertà, personali opinioni che non riflettono necessariamente il pensiero della direzione. ISSN 1676-3220 2 Filiato all’Associazione Stampa Italiana in Brasile M Órfãos uito já se falou sobre o Papa “mais carismático” de todos os tempos. As aspas são porque acho injusto com os outros. Batizado católico, não conheço profundamente a história da Igreja. Fala-se que passaram pelo santo cargo 265 homens, e até se cogita uma papisa, a “Joana” – provavelmente uma mulher influente sobre um papa ou uma esposa legítima, visto que até 1139 o celibato não era obrigatório e Adriano II, por exemplo, viveu com mulher e filha no palácio. Eles não puderam contar com a comunicação de massa dos nossos tempos, o que, aliás, poderia ser desastroso para alguns, como o devasso Alexandre VI, um Bórgia que subornou os cardeais para ser eleito. Conhecido pelas orgias e por ter dividido o mundo entre Portugal e seu país, a Espanha, se notabilizou pelo poder que deu a seus filhos César e Lucrécia. Outros merecem nossas orações, como Júlio II, papa da Renascença responsável por mandar pintar a Capela Sistina e pelo início da construção da Basílica de São Pedro. Certo é que o papa Wojtyla soube empolgar multidões. O homem que visitou as mais diversas civilizações, se uniu a outros líderes religiosos em apelo à paz, foi conservador, combateu o comunismo, mas se mostrou líder em questões polêmicas. Pode-se afirmar que foi hábil como fenômeno audiovisual, sabendo tocar corações, fazendo acreditar que a humanidade, afligida por violência e desigualdade, castigada por catástrofes naturais, pode ser melhor. No mais, confesso que sempre tive orgulho e me considero abençoado pelas palavras gravadas dentro da cúpula de São Pedro: “Tu sei Pietro e su questa pietra edificherò la mia chiesa...”. “Una bastonata!” – Assim se referiram muitos às eleições que aconteceram em 13 regiões da Itália, no dia 4 de abril. Outros disseram até se tratar de uma homenagem ao Santo Padre, na semana dos funerais. O Forza Italia, de Berlusconi, somou apenas 18% dos votos. A coalizão Casa da Liberdade, que reúne além do partido do premier, a Aliança Nacional (exfascistas), A Liga Norte (separatistas) e parte dos antigos democratas cristãos, venceu apenas no Vêneto e na Lombardia. Piemonte, Lazio e Puglia, regiões consideradas ganhas antes do pleito, foram para a esquerda. Uma surpresa também para a esquerda, suprimida pelo poder do congresso e da mídia direitista. Agora, não se fala em outra coisa que não seja a vitória da esquerda nas eleições políticas de 2006. Prevalecendo as previsões contrárias de Berlusconi, que disse em um programa de televisão Pietro Petraglia logo após o resultado negativo que a vitória de seu partido está garantida, Editor parece que veremos uma grande virada de mesa. Basta esperar qual será o reflexo para os italianos residentes no exterior que irão às urnas pela primeira vez para eleger representantes no Parlamento italiano. Violência – Ecoou em todo o mundo a notícia da chacina ocorrida recentemente no Rio de Janeiro com a participação de policiais. Essa “classe” de policiais bandidos, comprometida e, pior, integrante do crime organizado, é sustentada pelo povo. É óbvio, mas é chocante e reforça o nosso sentimento de insegurança. Cada arma, cada bala é paga pelo contribuinte. 11 anos – Comunità Italiana completou 11 anos em março. Agradecemos a todos os leitores e patrocinadores que tornam o principal veículo de comunicação da comunidade ítalo-brasileira viável. Cultura de qualidade – O Instituto Italiano de Cultura do Rio de Janeiro está promovendo iniciativas que agradam a todos. Para alegria geral, seu diretor, Franco Vicenzotti, está empenhado em transformar a Sala Itália num espaço, além de belo como é, mais aconchegante, com ar-refrigerado, novos assentos e palco reformado. No último dia 7 de abril, quem foi assistir ao espetáculo “Nariz de Prata” (versão do Italo Calvino), com o Omanë Teatro, de Marilena Bibas, se surpreendeu com o espaço café, que distribuía um bom espresso ou cappuccino para os convidados. As terças e quintas-feiras, a Sala Itália dará lugar ao cinema italiano. Na estréia, dia 19 de abril, “Ladri di Biciclette”, de De Sica. Até 30 de agosto serão exibidos antigos e recentes sucessos como “La caduta dei dei” (Luchino Visconti-1969), “La Chiave” (Tinto Brass-1983), “L’Ultimo Imperatore” (Bernardo Bertolucci-1989), “Pane e Tulipani (Silvio Soldini-1999). Para ter acesso à programação basta ligar para 2532-2146 ou acessar www.iicrio.org.br/info.htm Outro programa imperdível é a exposição “Afrescos de Pompéia: A Beleza Revelada”, em cartaz a partir do dia 12 no Museu Nacional de Belas Artes. Fora os afrescos – raramente fora do sítio arqueológico da Campania – a exposição exibe peças da coleção particular da imperatriz Maria Tereza Cristina. EDITORIAL Entretenimento com cultura e informação COMUNITÀ ITALIANA / ABRIL 2005 U ma missa em louvor ao padroeiro dos calabreses, San Francesco di Paola, realizada no Clube Italiano, em Niterói, no último dia 3 de abril, foi carregada de emoção. Rezada pelo padre Constantino, titular da paróquia de S. Francisco de Paula, na Barra da Tijuca, reuniu uma centena de fiéis que aproveitaram a ocasião para orar pelo Papa João Paulo II. Ao final da missa, o comerciante Pasquale Annunziato Santoro, conhecido colaborador em atividades da comunidade italiana no Rio de Janeiro, recebeu uma homenagem da Assembléia Legislativa do Estado. O deputado Adroaldo Peixoto Garani, autor de projeto que institui o dia 2 de abril – dia da morte do santo calabrês – como “Dia da Colônia Calabresa no Estado do Rio de Janeiro”, entregou moção de Louvor a, como é conhecido, “Don” Pasquale, que completara 88 anos dois dias antes, pelos inúmeros serviços prestados à sociedade. O deputado Adroaldo Garani entrega título a Pasquale Santoro observado pelo presid. do Clube Italiano Francesco Giglio e pelo pe. Constantino GARANI BUSCA INSERÇÃO DO IDIOMA ITALIANO C onhecido também como representante da comunidade italiana junto ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, Adroaldo afirmou que a homenagem aos calabreses radicados no Estado justifica-se pelo empenho desses cidadãos em fazer “daqui um lugar melhor”. “Presentes em nossa capital desde 1845, eles foram fundamentais para o desenvolvimento de nosso Estado. Como engenheiros, médicos, ou simplesmente como profis- sionais liberais, jornaleiros, peixeiros e engraxates, eles estão presentes na formação do povo fluminense”, declara o deputado ítalo-brasileiro. Descendente de italianos da cidade de Savigno, na região da Emillia Romagna, Garani, que também é diretor da Associação Cultural Ítalo-Brasileira (ACIB), recebeu 33 mil votos em 2002, quando se candidatou ao cargo atual. Com experiência legislativa – este é o segundo mandato como deputado, tendo antes ocupado a secretaria de Transportes – Garani busca a inserção da língua italiana nas escolas públicas estaduais. “A língua italiana não é somente a mais bonita de todas, ela hoje ocupa um lugar de destaque também devido ao estabelecimento aqui de muitas multinacionais. Com a entrada em vigor da eleição de deputados no exterior para o Parlamento italiano, a língua assume, acima de tudo, três características importantes: cultural, econômica e política”. “Minha família estuda italiano. Quero dar essa oportunidade a todos os cidadãos em nosso Estado”, conclui Adroaldo. SENADORES ITALIANOS ADIAM VINDA AO RIO MINISTRO TREMAGLIA MINISTRO FINI U VIRÁ EM MAIO VIRÁ EM JULHO S E ma Comissione Affari Costituzionale, do Senado Italiano, liderada pelo seu presidente, o senador Andrea Pastore, deveria se encontrar com a comunidade italiana do Rio no último dia 9 de abril. A finalidade da visita era preparar a Campanha Eleitoral e orientar as autoridades consulares e os eleitores sobre o direito de voto dos italianos residentes no exterior. Os senadores italianos, porém, resolveram adiar a visita em virtude da morte do Papa. egundo fontes do Ministero Affari Esteri, deverá chegar ao Rio de Janeiro no dia 29 de maio, o ministro dos Italianos no Mundo, Mirko Tremaglia, que pretende avaliar a receptividade da comunidade italiana sobre as eleições em que os italianos residentes no exterior votarão pela primeira vez. TRÁFICO QUASE MATA ITALIANO SESSENTA ANOS DA 2ª GRANDE GUERRA CONSOLATO INFORMA F C S ilho de um importante embaixador italiano foi encontrado baleado numa favela do Rio de Janeiro. Segundo testemunhas, o filho do diplomata é viciado em cocaína e teria discutido com traficantes no momento de pagar pela droga consumida. Foi o suficiente para que atirassem com fuzil quatro vezes nas suas pernas. De acordo com o laudo médico, o jovem continuará a andar, porém teve numa das pernas uma redução de cinco centímetros. REGIONE TOSCANA INVESTE NEI GIOVANI ALL’ESTERO I l programma finanziario dell’anno della Regione Toscana per assistere i toscani all’estero é di Euro 723.360. Circa 391.999,80, ossia, il 54,19%, saranno per le iniziative a favore dei giovani residenti all’estero che vogliano studiare all’Università per Stranieri di Siena o nell’ Università di Pisa. ABRIL 2005 / omemora-se no próximo dia 8 de maio, os 60 anos do fim da Segunda Guerra Mundial. Em homenagem aos soldados brasileiros que combateram na Itália o nazi-fascismo, transcrevemos do livro Barga, Paese come tanti, do jornalista Bruno Sereni, o seguinte texto: (...) Afinal chegaram os soldados brasileiros depois de bombardearem a cidade de Barga onde acreditavam estarem os alemães. (...)Graças a afinidade de língua e o fervor religioso, os soldados brasileiros se entrosaram com a população. Sensíveis ao sofrimento humano, os brasileiros cediam galochas e agasalhos aos necessitados, fornecendo-lhes, ainda, alimento, cigarro e barras de chocolate. Modestos e gentis, passaram a freqüentar as casas dos barguijanos, falando-lhes de suas famílias no Brasil, mostravam fotografias de parentes e se emocionavam.. Encantava os barguijanos o fato dos soldados brasileiros comparecerem às missas. Respeitosos, pediam ao pároco para benzer medalhas e santinhos, principalmente de Nossa Senhora. Quando foram, substituídos pelos Bufalos canadenses, a população de Barga sentiu muito. COMUNITÀ ITALIANA m julho virá ao Rio de Janeiro o ministro das Relações Exteriores da Itália, Gianfranco Fini, um dos mais notáveis políticos do momento italiano. ono stati recentemente ammessi ai voto i referendum abrogativi di alcune disposizioni normative relative alla procreazione medicalmente assistita (Legge 19 febbrario 2004 n. 40). Nei primi giorni di aprile dovrebbero essere decise le date di effetuazione dei referendum abrogativi che dovrebbero ricadere nel periodo 21 maggio - 12 giugno, 2005. Come noto i cittadini residenti all’estero sono ammessi a votare per i referendum o votando nello stato estero di residenza o optando per il voto in Italia entro dieci giorni dall’indizione del referendum. Al fine di poter essere ammessi al previsto voto por corrispondenza gli italiani residenti nella circoscrizione che non siano iscritti nei registri AIRE (Albo Italiani Residenti all’ Estero) sono invitati ad aggiornare la propria posizione anagrafica recandosi presso il Consolato Generale di Rio de Janeiro. É invitato altresì ad aggiornare la propria posizione anche chi, pur essendo iscritto all’AIRE, debba segnalare cambiamenti di indirizzo per consentire il corretto inoltro della corrispondenza che il Consolato Generale invierà quando verrà formalmente indetto il referendum. 3 Mondo Mondo N “Este Papa merece o título de ‘grande’”, afirma frei Constantino Comunità all’estero: il saluto al Papa dei giovani e dell’amore C ordoglio da tutto il mondo per la morte di Giovanni Paolo II, in particolare dai rappresentanti più importanti delle comunità italiane all’estero. In prima linea, il Ministro per gli Italiani nel Mondo, Mirko Tremaglia, presente anche lui in Piazza San Pietro. “Questo Pontefice ha cambiato la storia del mondo con la forza meravigliosa delle sue parole e del suo esempio”, ha dichiarato il Ministro, che, ricordando le parole del Pontefice nel suo discorso in Brasile agli italiani di Curitiba, il 6 luglio 1980, ha proseguito sottolineando come “in questo modo il Papa sia riuscito a toccare il cuore degli Italiani nel Mondo con parole che riempiono chiunque di coraggio: credere in Dio e credere nella Patria”. Sentito e commosso anche il messaggio che Franco Narducci ha inviato a nome del Consiglio Generale degli Italiani all’Estero alla Segreteria di Stato del Vaticano e nel quale esprime “il suo profondo cordoglio e dolore per la morte del Santo Padre Giovanni Paolo II”. “Un grande Papa – si legge nel messaggio - che ha segnato la storia del Novecento, ci ha lasciati per sempre e gli italiani emigrati vogliono testimoniare la gratitudine che hanno sempre avuto per il Santo Padre”. Si sono unite al dolore profondo per la perdita del Santo Padre le Acli della Svizzera, che, in un messaggio, hanno ricordato l’attenzione dimostrata in ogni occasione da Giovanni Paolo II “per l’emigrazione, un fenomeno che conosceva fin da giovane, poiché anche dalla sua amata Polonia erano partiti milioni di cittadini verso terre lontane in cerca di lavoro e di pane, e la sua benedizione ha accompagnato sempre gli emigrati”. Un pontefice ricordato come uomo di valore anche da Angelo Saracini, Presidente del Comites Grecia, che sottolinea di aver “avuto l’onore e il privilegio” di conoscerlo da vicino durante la visita che effettuò il 4 maggio 2001 proprio in Grecia. In quell’occasione, prosegue Saracini, “come consulente tecnico del Nunzio Apostolico in Grecia, Mons. Paolo Tabet, e nei giorni della permanenza del Papa presso la Nunziatura Apostolica, assistetti direttamente ad un colloquio tra stretti collaboratori della Nunziatura e capii quanto il Papa fosse prima di tutto uomo”. Parole commosse sono state scritte, infine, da Egidio Todeschini che, in un articolo, ha voluto ricordare alcune parole del Pontefice, “quelle sussurrate, negli ultimi due giorni della sua esistenza, con un esiguo filo di voce o lette sulle sue labbra da chi gli stava vicino. Ripetutamente durante il suo pontificato ci ha detto: Non abbiate paura”. Todeschini ha ricordato Giovanni Paolo II come il Papa dei giovani, “conquistati con la simpatia, con la battuta di spirito, con la spontaneità della sua partecipazione ai canti, perfino alle danze, ma anche con l’insistente invito all’amore, da dare ed accettare incondizionatamente”. “Ha avuto ragione – conclude - se, a pregare, a piangere e a chiamarlo affettuosamente per nome, ci sono soprattutto giovani, in Piazza San Pietro. Ai quali rivolge l’ultimo, amoroso addio pieno di gratitudine: “Vi ho chiamati. Siete venuti e vi ringrazio”. 4 N ascido na Calábria, o frei Constantino Mandarino é responsável pela Paróquia de São Francisco de Paula, na Barra da Tijuca, que, como ele mesmo afirma, “se constitui ponto de referência da comunidade italiana católica do Rio de Janeiro”. Em fevereiro de 1965, já graduado em filosofia e teologia pela Universidade Lateranense, foi ordenado sacerdote em Roma. Saiu da Itália no ano seguinte para coordenar paróquias no Canadá e nos Estados Unidos. Em seguida, veio morar no Brasil, onde permaneceu de 1972 a 1990. Entre 1990 e 1992, esteve em Roma novamente e, lá, se encontrou diversas vezes com João Paulo II. Quando decidiu retornar às Américas, passou primeiro por Los Angeles e, em seguida, fixou residência no Rio. Assumiu, em 2003, a missão pastoral na igreja da Barra. Abalado pela morte do Papa, o padre Constantino fala, na entrevista a seguir, sobre sua admiração pelo líder católico e suas expectativas para a próxima eleição do Vaticatino. Comunità - Que homenagens a comunidade italiana do Brasil tem prestado ao Papa João Paulo II? Pe. Constantino - Não tenho conhecimento de alguma atividade específica promovida pela colônia italiana no Brasil, mas é certo que cada italiano se unirá a todo o povo de Deus para prestar homenagem ao Papa, grande líder da Igreja Católica e da Humanidade. Aqui na Barra da Tijuca, programamos uma liturgia eucarística no dia 8 de abril. A Paróquia de São Francisco de Paula, ponto de referência para a comunidade Italiana, teve, nesse dia, a presença forte dos jovens, pois João Paulo II não escondeu seu amor e predileção por eles. CI- Quais são as suas impressões mais gerais sobre esses últimos 26 anos da história do Vaticano? Pe. Constantino - Não há duvida alguma de que este Papa merece o título de “grande” que a história lhe atribuiu. Todos reconhecem a contribuição de João Paulo II na promoção da paz, do respeito, da liberdade religiosa, do ecumenismo, da solidariedade, da identidade familiar. Além disso, o Papa exaltou: enquanto houver ricos e pobres, a sociedade não caminha pelas veredas do nosso Criador. Mas acredito que a maior herança que o Papa nos deixa é seu testemunho como ser humano e cristão, pois ele encarnou os valores do Evangelho, o que será certamente reconhecido pela Igreja, quando, daqui a cinco anos, se iniciar o processo de beatificação. Ele foi extraordinário, pelo seu carisma. Todos vêem nele o líder da Igreja Católica. Mas devo lembrar que é também necessário ver o Papa com os olhos da fé e, quando alguém se arrisca a dar um juízo, não deve esquecer este fator para não cair no superficialismo. CI- O que o senhor espera do novo Papa? Pe. Constantino - Tenho certeza de que o Espírito Santo escolherá a pessoa adequada para continuar a dirigir sua Igreja. Uma pessoa que responda às exigências da atual sociedade. O Papa não é apenas o líder da Igreja, pois a dimensão moral dessa instituição influencia toda a humanidade. CI- Qual seria o impacto da Igreja Católica na América Latina se o novo Papa fosse brasileiro? Pe. Constantino - A Igreja do Brasil ficaria extremamente agradecida a Deus por esta possibilidade. Assim como aconteceu com o povo da Polônia quando João Paulo II foi eleito. Mas o impacto será simplesmente na ordem das emoções: sem negar a sua origem e humanidade, o Papa deve guiar a todos indistintamente. COMUNITÀ ITALIANA / ABRIL 2005 O legado da paz Faustino Teixeira PPCIR-UFJF ão há dúvida de que o papa João Paulo II será lembrado sobretudo pelo seu grande testemunho em favor da paz. Num tempo marcado por tanta violência e disputas, por competições e busca de produtividade, o papa deixa um rastro diferenciado: sinalizado pela afirmação da gratuidade, do testemunho ético e da solidariedade universal. Um de seus gestos mais corajosos foi manter acesa a chama de suas convicções contra a guerra, mesmo quando grandes nações do mundo, atormentadas pelo desencontro terrorista, apostavam nos caminhos sombrios do revide e nas teses conturbadas do choque de civilizações. Para João Paulo II, a travessia para a felicidade do mundo estava em outra direção, na teimosa afirmação de uma utopia de solidariedade entre os povos e entre as religiões. Como um “ícone branco do Ocidente” batalhou até o fim de seus dias em favor do diálogo entre as religiões, com gestos de grande ousadia para o tempo e para as igrejas, confundindo e atormentando setores da cúria romana que não estavam disponibilizados a vivenciar a novidade de um misterioso vínculo espiritual entre as religiões. As imagens mais fortes e sublimes de sua trajetória nestes quase vinte e sete anos de pontificado foram aquelas que expressaram a humildade e a disposição de um aprendizado com a alteridade, como a sensibilidade que acompanhou a Jornada Mundial de Oração pela Paz, em Assis (1986), onde lideranças de várias tradições reliosas puderam juntos celebrar o valor transcendente da paz a partir de uma experiência partilhada de oração. O papa acreditava firmemente que a defesa da sacralidade da dignidade humana encontra sua fonte mais sublime em raízes místicas que estão esquecidas ou obstruídas no Ocidente. Ele afirmou mais com sua figura carismática e seus gestos do que com suas palavras sua crença na ecumene abraâmica, no comum patrimônio que une judeus, cristãos e muçulmanos e a necessidade de um empenho comum em favor do cuidado com todas as comunidade de vida e a integridade da criação. A paz é um dos valores mais sublimes e essenciais de nosso tempo e só acontece quando redimensionamos nossas relações com a Terra, com as outras pessoas, culturas e religiões. Não há caminho possível para um futuro harmonioso fora do diálogo. Como afirmou João Paulo II aos representantes das várias religiões da Índia, em fevereiro de 1986, é na abertura aos outros que nos abrimos a Deus. PARLIAMONE [email protected] con l’Avvocato Giuseppe Fusco D G iuseppe Fusco, Pino per gli amici, é un casertano trapiantato a Trento nel 1960 e catapultato a Rio de Janeiro nel 1980 dal Ministero degli Affari Esteri per insegnare e poi dirigere la Scuola Italiana “G.Marconi”, purtroppo chiusa da diversi anni. Dal 1990 al 1995 ha coordinato, sempre per conto del Ministero degli Esteri, i Corsi di Lingua e Cultura Italiana per i discendenti negli Stati di Rio de Janeiro, Espirito Santo e Bahia. É stato anche molto attivo nella comunitá italiana, dove, fra l`altro, ha fondato, assieme all`artista e corista del Teatro Municipale di Rio de janeiro Julia Mosciaro, il Coro Italia e diversi spettacoli musicali e operistici nella Casa d´Italia e nell’entroterra dello stato. Nel 1993 ha ricevuto l`onorificenza di Cavaliere al Merito della Repubblica Italiana Laureato in Legge alla PUC/RJ, é avvocato iscritto alla OAB/ RJ e dopo due anni e mezzo di volontariato in Amazzonia, assistenza giuridica gratuita, difesa e rieducazione di “menores infratores” (nell`isola di Parintins) e un anno trascorso in Italia, ha deciso di ritornare a Rio de Janeiro. Siamo sicuri che i nostri lettori troveranno in Pino Fusco un punto di riferimento attraverso la rubrica “PARLIAMONE”. ABRIL 2005 / COMUNITÀ ITALIANA opo alcuni anni, eccomi di ritorno. Verrebbe da dire: - Dove eravamo rimasti? Invece dico: - Da dove comincio? Felice (forse) pensionato dello Stato, rientro per (diciamo cosí) rigenerare il fisico e l’intelletto, appesantito il primo, obnubilato il secondo. Il clima tropicale, la bellezza e la luminosità di Rio assieme all’accoglienza rinfrancano lo spirito e, speriamo, alleggeriscano anche il corpo, ancora pieno di buon vino,pastasciutte favolose, polente trentine, luganeghe e grappini corroboranti. Intanto riprendo a scrivere su ComunitàItaliana, questa bella Rivista che ho visto nascere e che ha fatto tanta strada. Di che cosa parleremo? Di tutto un po’. Dipende soprattutto da voi: scrivete, telefonate, chiedete, commentate, criticate, elogiate (sempre, naturalmente!). Suggerimenti: giustizia, cittadinanza, letteratura italiana, storia, filosofia, curiosità, attualità... ce n’é per tutti. Per esempio, oggi mi viene in mente il riconoscimento della cittadinanza italiana ai discendenti delle persone nate nel territori che facevano parte dell’Impero Austro-Ungarico. La materia è regolata dalla Legge 379/2000. Chi sono gli interessati? Sono discendenti delle persone nate nei territori dell’Impero Asburgico, oggi Provincie di Trento e Bolzano (Regione Trentino Alto Adige) e Gorizia nonché i territori italiani ceduti alla Jugoslavia con il Trattato di Parigi (10/12/1947) e di Osimo (16/07/1920) che abitavano là e che emigrarono all’estero dal 25/12/1867 (fondazione dell’Impero Austro-Ungarico) al 16/07/1920 (entrata in vigore del Trattato di pace di San Germain. Chi ha diritto al riconoscimento della cittadinanza? 1) I discendenti della linea paterna fino al 31/12/1947 e dal 01/01/1948 anche quelli della linea materna; 2) la condizione unica è l’appartenenza al gruppo linguistico e etnico italiano (ius sanguinis). I documenti da allegare all’istanza sono parecchi e quindi è meglio chiedere in Consolato. Tuttavia comunico agli interessati che il 20 dicembre di quest’anno scade il termine per la presentazione delle domande. Siamo d’accordo? Allora, parliamone.... 5 Marco Lucchesi – Intervista letteratura italiana fatta in Brasile, da più di cent’anni e talvolta trascurata o sconosciuta dai ricercatori e dagli insegnanti di letteratura italiana... Mia - In Italia solo da qualche anno è stata scoperta la letteratura d’emigrazione, germe dell’attuale produzione degli scrittori italiani fuori confine, proprio grazie al passaggio del paese da deriva di emigrazione ad asilo di immigrazione. Il fenomeno dell’emigrazione in realtà, il più profondo che la storia italiana abbia conosciuto, è stato deliberatamente ignorato per la volontà di seppellire un percorso “straccione”. Gli intellettuali italiani all’estero, invece, anche di lingua straniera, e il loro corrispettivo intraterritoriale, sono parte integrante della cultura di un’Italia finalmente sbancata dal proprio monoculturalismo e provincialismo. L’unico problema è ancora, a mio avviso, quello dell’individuazione di un pubblico per ambedue le sponde della presenza italiana. E questo è un lavoro che spetta agli scrittori stessi, ai critici curiosi, agli editori accorti per una letteratura viva, però, lontana dalle operazioni archeologiche che tanto piacciono agli accademici. Lucchesi - Parlami del tuo laboratorio a Lucca e della tua ricerca con il poeta brasiliano (ma anche di espressione italiana) Julio Monteiro Martins. Mia - Sono grata a Julio Monteiro Martins per avermi chiamata a ragionare di poesia con gli allievi iscritti al Master di scrittura creativa della sua “Sagarana”, a cui è collegato il bel trimestrale on-line, a cui collaboro, che grazie alle due anime dello scrittore brasiliano, da dieci anni nel nostro paese, dove ha già pubblicato due raccolte di racconti in italiano e un romanzo, si pone appunto come interfaccia tra il Brasile e l’Italia, e nella sezione Ibridazioni in particolare approfondisce i temi legati alla migranza. Monteiro Martins svolge annualmente a Lucca un seminario che fa proprio il punto sulle evoluzioni e i cambiamenti delle letteratura italiana della migrazione, e che viene registrato e integralmente riversato nel sito della Scuola/Rivista (www.sagarana.net). Lucchesi -La tua poesia invece... Mia - Sono cresciuta all’interno di “un’officina poetica”, in tutta semplicità, all’umile torchio del sentimento quotidiano, e ne ho ricavata una concezione artisticamente e moralmente artigianale del fare poesia, lontana dai pulpiti declamatori e dalle accademie. Non sono una poetessa prolifica, anche perché mi piace dedicarmi alla scrittura degli altri. E perché scrivo parallelamente altri generi: libri per bambini, racconti, teatro. Non so se troverò mai un editore tanto incosciente da darmi retta, ma mi piacerebbe molto pubblicare questi generi diversi e complementari in edizioni promiscue, in cui la prosa e la poesia fossero reciprocamente di sostegno alla lettura di un corpo unico, che restituisse la struttura musicale in tutti i suoi andamenti. Vengo da una famiglia di musicanti e le mie ispirazioni poetiche sono proprio musicali. Forse sono semplicemente una musicista mancata e cerco di suonare nella maniera più onesta possibile l’unico strumento che mi è stato permesso di toccare. Verso Una Cittad inanza Letteraria I n tempi bui, o davvero strani, a dir poco, di quanto si vive in Italia nei suoi rapporti con altri sguardi, e voci, e lingue, Mia Lecomte pare una luce del tutto (o quasi) solitaria. Comparatista e ricercatrice, il suo lavoro si rivolge allo studio della letteratura scritta in italiano da non italiani (tra cui il poeta brasiliano Heleno de Oliveira) e così realizza una prospettiva di una cosiddetta inclusione di valori letterari che si fondano sulla diversità. Lucchesi - Vorrei sentire da te come e quando è iniziato il tuo interesse per una letteratura italiana scritta e vissuta aldilà dei suoi confini prettamente geografici. Mia - E’ stato nel 1997, in seguito alla pubblicazione di un libro, realizzato con il fotografo Sebastian Cortés, sui luoghi della poesia italiana. Si intitolava Luoghi poetici (Loggia de’Lanzi, Firenze) e vi erano antologizzati ventun poeti di tre generazioni, fotografati con immagini e parole nei luoghi in cui avevano voluto riconoscersi. L’idea e il taglio insoliti per il mercato editoriale italiano gli procurarono un discreto successo, e spinsero me, e la mia connaturale inquietudine rispetto ai progetti realizzati, a cercare ancora, e altrove, altri “luoghi” poetici, più vergini e in qualche modo autentici. Mi sono chiesta se per caso anche in Italia, nonostante il suo passato coloniale limita6 to, stesse affacciandosi qualcosa di simile a quello che si era manifestato in altri paesi di antica e consolidata immigrazione, se ci fosse in atto un’ipotesi in qualche modo ascrivibile al filone delle letterature post-coloniali sviluppata da autori stranieri che scrivevano in italiano. La nascita della letteratura della migrazione italofona risale agli inizi degli anni ‘90. Quando cominciai a cercare i miei poeti, se la narrativa aveva già fatto dei progressi, di poesia si parlava ancora molto poco. E’ nata così la collana “Cittadini della poesia”, che finora ha pubblicato cinque quaderni antologici (Loggia de’Lanzi editore, Firenze), divisi per aree geografiche, e ha da poco inaugurato il passaggio all’editrice Zone di Roma con un corso monografico avviato proprio con le raccolte di due brasiliani: “Se fosse vera la notte” di Heleno Oliveira e il Murilo Mendes delle poesie italiane di “Ipotesi”, ristampate a cura di Luciana Stegagno Picchio. L’interesse per la letteratura di immigrazione mi ha portata in seguito a quello per la letteratura d’emigrazione, di cui non mi ritengo assolutamente un’esperta, prodotta in italiano o altra lingua fuori dai confini d’Italia, e in particolare in Australia, nei territori ispanoamericani, negli Stati Uniti e in Brasile. Il mio sguardo alle letterature “altre”, comunque, ha anche e soprattutto una giustifica- zione personale, biografica. Io stessa sono francese, ma nata a Milano e cresciuta in Svizzera. Mi sono imparentata con la letteratura sicuramente attraverso mio padre Yves, poeta francese, che ha voluto coinvolgermi nella traduzione dei propri testi dal francese all’italiano. La lontananza dal mio paese natale, in compagnia di un padre lontano dal suo, che traducevo da un francese comunque sua esclusiva proprietà nella lingua di un paese in cui non mi identificavo, mi ha strutturata psicologicamente e culturalmente come una sorta di apolide in pantofole. Uno spaesamento che mi ha messa sulle tracce di altri spaesamenti, fino a ritrovare la pista dell’importante movimento migratorio che costituisce il tessuto di percorsi che contraddistingue la nostra epoca. Solo la cittadinanza letteraria mi ha garantito qualche diritto, e l’opportunità di una reale condivisione, di valori e sentimenti, e suoni. Lucchesi -Il campo della tua ricerca mi pare davvero avvincente, poiché sviluppi delle considerazioni letterarie e storiche assai ampie, dagl’emigranti italiani o discendenti agli stranieri che vivono in Italia e utilizzano la nuova lingua come espressione letteraria. Mia - Quello della migrazione non è un epifenomeno. In realtà la stessa storia dell’umanità è caratterizzata dal movimento di popolazioni, nonostante la visione distorta che ha cercato di COMUNITÀ ITALIANA / ABRIL 2005 conservatrice/eversiva insita nella sua storia. Una costituzione linguistica giovane, con un antico e nobile passato di rivoluzioni e restaurazioni alle spalle, di cui si è persa memoria. Lucchesi - Una prospettiva assai dibattuta sarebbe quella di analizzare i confini di una ricerca come la tua, in cui si ravvisa un aspetto del tutto letterario (a cui badi) e un altro aspetto culturale (a cui stai attenta). Ci sarebbe una dialettica precisa tra cultura e letteratura, oppure una sovrapposizione di questa a scapito di quella? Mia - Io parlerei in questo caso, non so se riesco a spiegarmi, di una cultura “liofilizzata”, quella d’origine - degli italiani all’estero o degli stranieri in Italia - che si sviluppa al reagente della nuova lingua/letteratura, con imprevedibili e inaspettate fioriture. Qualcosa di molto piccolo, necessariamente adatto a viaggiare e attraversare frontiere, a essere nascosto e custodito che, giunti a destinazione e dopo un periodo di acclimatamento, si risveglia dalla morte apparente e cresce, cresce alimentato dalle stimolanti, se pur difficili, condizioni del nuovo habitat. D’altro canto, a distanza spazio-temporale, lo sguardo della migrazione sulla terra d’origine ne coglie a sua volta l’essenza, ripulita dai sentimenti della quotidianità. Non uno sguardo irrealmente ideale, dunque, ma piuttosto, ancora una volta, all’identità distillata di un paese, purgata dalle bassezze della sua popolazione umana. Lucchesi -Il tuo lavoro apre le porte alla riconoscenza del valore letterario e umano di una ABRIL 2005 / COMUNITÀ ITALIANA Mia Lecomte Il fenomeno dell’emigrazione è stato deliberatamente ignorato per la volontà di seppellire un percorso “straccione” imporci il nazionalismo degli ultimi cento anni. Sappiamo che poco meno del 5% della popolazione mondiale è attualmente “in marcia”. E questa marcia porta alla ribalta concetti fondamentali per la reale comprensione della nuova realtà che continuiamo poco consapevolmente a chiamare mondo: quello di “limite”, a ricordarci che rimane sempre un’altra barriera da oltrepassare; quello di “meticciamento”, che produce generazioni bastarde e meravigliosamente uniche; quello di identità, rigorosamente plurale e soprattutto dinamica. Il caso delle letteratura della migrazione in italiano è estremamente importante per la sua unicità: una lingua senza un passato coloniale tale da ricondurla al filone delle letterature post-coloniali - con cui condivide comunque molti risultati espressivi - scelta al di là di qualsiasi imposizione implicita o esplicita, che viene conquistata e fatta propria con più difficoltà, più lentamente e laboriosamente, e proprio per questo rinnovata molto più radicalmente. Sono modificazioni quasi impercettibili che vanno di pari passo con la padronanza spregiudicata della lingua parlata, ma che agiscono in maniera sotterranea. È proprio una peculiarità della lingua italiana quella di essere caratterizzata da una doppia spinta 7 Itália - Turismo habitantes) da Europa, Lucca mantém como patrimônio da sua grandeza histórica, além da amurada e do seu centro, a primeira Câmara de Comércio do mundo, criada em 1214 como Corte dei Mercanti. A fim de preservar o amor dos emigrados pela sua terra, a Câmara de Comércio, Industria, Artesanato e Agricultura de Lucca – este é o seu nome completo - contando com o apoio do governo da Província, da Prefeitura e da Associazione dei Lucchesi nel Mondo, outorga, anualmente, após rigorosa seleção, a medalha de ouro a lucchesi e descendentes que no exterior têm honrado e dignificado a Província e a Itália. Mais de 20 lucchesi residentes no Brasil já foram contemplados com a valiosa medalha nos últimos anos. Lucca medieval, L ucca é uma cidade especial. A imponente amurada que a cerca a coloca entre as mais curiosas do mundo. Mesmo se destacando na atualidade como centro de cultura dos mais notáveis da Europa, estranhamente não se insere no contexto turístico da região que já conta com Florença, Pisa, Siena e São Geminiano como principais atrações. Sem apoio das empresas promotoras do turismo e da mídia italiana no âmbito internacional, Lucca tem sabido como atrair e cativar milhares de turistas que diariamente a visitam, ou os que simplesmente passam pela porta da cidade no roteiro Firenze-Pisa. Valendo-se da velha rivalidade com os pisanos, os lucchesi afirmam que a torre pendente é a única atração da vizinha cidade. SUA HISTÓRIA E O MURO Lucca foi fundada por romanos em território etrusco a fim de proteger a população contra invasões inimigas. Sua história é prenhe de acontecimentos políticos, realizações comerciais, manifestações culturais e de invasões estrangeiras. Desde a invasão longobarda (572) até a idade média, Lucca foi residência de duques e marqueses famosos que a projetaram no cenário político e cultural da Itália. Passagem obrigatória entre Roma e a Europa central (via Francigena), a cidade se notabilizou como centro comercial de grande prestígio, o que inspirou seus mercadores a criarem a Corte dei Mercanti (1214), primeira organização de mercado, até hoje existente. Seu território foi Ducado autônomo e, depois de passar por república aristocrática, integrou o Grão Ducado da Toscana, em período que antecedeu à invasão francesa de 1799. A amurada que envolve o centro histórico de Lucca foi erguida no século II a. C. Rudimentar, foi reconstruída no século XVI, já nos 8 porém moderna Julio C. Vanni padrões hoje conhecidos. São 5 mil metros de construção, com 12 metros de altura, 30 de largura e dez bastiões estratégicos, hoje transformados em amplas praças alteadas. Sete grandes portões asseguram, atualmente, o acesso à parte interior, que abrigava depósito de alimentos, caserna, munição, armamento e prisão. Com a evolução dos tempos e já vivendo em paz com Florença e Pisa, grandes rivais no passado, os lucchesi transformaram a imensa amurada em área de lazer e de atração turística. Fechada ao trânsito de automóveis e veículos pesados, permite ao visitante sentir-se livre para conhecer os costumes de seus moradores. Local de encontros, ali se vê de tudo: o farniente de idosos, crianças brincando, jovens namorando, intelectuais conversando, políticos cochichando, stands de livros, peças artísticas, mostras populares e até as pettegolezze da vida alheia. A amurada de Lucca é, possivelmente, o maior patrimônio da cidade. É intocável no seu aspecto medieval, sem pinturas, retoques ou reformas que a descaracterizariam completamente. Dezenas de igrejas majestosas marcam o grau da religiosidade dos lucchesi. Algumas, já desativadas, se juntaram aos imponentes palácios, torres e casarões medievais que hoje abrigam repartições públicas, bancos, teatros, colégios, museus, bibliotecas, modernas lojas comerciais, associações culturais, mostras de arte, restaurantes, albergues etc. Recomenda-se a aquele que pela primeira vez chega a Lucca munir-se de uma carta urbana e embrenhar-se nas ruas e vielas estreitas. Visitas recomendadas são: a Torre Guinigi, com jardim no seu topo, os palácios Provinciali, Bernardini, Pretório, Pfaner, o Anfiteatro Romano transformado em grande praça colorida pelos varais de roupa ao sol; o Teatro Giglio, a Basílica de San Michele, toda revestida de mármore, a catedral de San Martino, onde se encontram telas de Tintoretto, o monumental sepulcro de Ilaria del Carretto e o altar do Volto Santo, padroeiro da cidade; as igrejas de São Freddiano, San Paolino, San Donato, a Igreja e Museu San Giovanni e a antiga e majestosa igreja de San Romano, hoje transformada num imponente teatro lírico. E também as vilas Bottini, Diodati, Querci, Mansi, Santini, Burlamachi, o luxuoso comércio da rua Fillungo, a feira livre da rua Bacchettoni. Não podemos esquecer dos monumentos a Garibaldi, Francesco Burlamachi, a casa de Giacomo Puccini, as relíquias de Santa Zita e Santa Gemma Galgani, além das dezenas de lojas de artesanato e outro tanto de livrarias. FORA DO MURO Fora da amurada, um largo gramado e uma ampla avenida de contorno separam o centro histórico da outra Lucca, periférica, que cresce permitindo grandes e modernas edificações e o surgimento de bairros chiques e populares. Está na periferia a maioria das vilas (chácaras) históricas que pertenceram à nobreza lucchesa no tempo de Ducado autônomo e república aristocrática. Bem conservadas, são grandes atrações e podem ser visitadas em dias e horários programados pela entidade promotora do turismo local. CÂMARA DE COMÉRCIO Os lucchesi são orgulhosos das suas origens, costumes e tradições. Considerada uma das dez mais cultas cidades de seu porte (90/100 mil O CENTRO HISTÓRICO O Centro Histórico de Lucca, limitado pela amurada, também é imutável. A arquitetura cuidadosamente preservada no seu aspecto exterior permite, entretanto, o conforto da modernidade no seu interior. COMUNITÀ ITALIANA GRANDES VULTOS É com orgulho que os lucchesi reverenciam a memória de personalidades como Napoleão Bonaparte, um benemérito da cidade onde viveu sua irmã Elisa Bacciochi Bonaparte, principesa di Lucca; Francesco Bulamarchi, pioneiro no ideal da unidade italiana, cem anos antes da unificação; Giacomo Puccini, um dos mais famosos compositores musicais do mundo; poetas, escritores e musicistas como Giosué Carducci e Giuseppe Ungaretti; o arquiteto Matteo Civitalli, que introduziu a gráfica na Itália; o compositor Luigi Boccherini; o aviador Carlo Del Prete, que, em 1928, tornou-se pioneiro no vôo direto entre a Itália e o Brasil. ABRIL 2005 ABRIL 2005 / Para melhor avaliar a potencialidade cultural de Lucca e o seu elevado padrão de vida, assim se expressou o arquiteto brasileiro Virgílio Petrocchi, que vive na cidade: “Aqui, minha mulher e eu temos, de segunda-feira ao domingo, as melhores opções de lazer cultural que envolvem o teatro lírico, o dramático, recitais, balés, corais, folclore, cinema, ciclos de estudos, seminários, convenções, feiras de antigüidade e artesanato, exposições de arte etc. Tudo isso – completou – com a total tranqüilidade de regressarmos para casa nas altas horas da noite pelas ruas e becos já vazios de gente”. LUCCHESI NEL MONDO Os lucchesi foram os mais antigos emigrantes da Itália. Partiram para diferentes lugares do mundo em busca da riqueza, a maioria viajando por conta própria. Há até uma anedota que alto fala do espírito de aventura e da audácia comercial dessa gente. Conta-se que quando Colombo desembarcou na América, teria encontrado um lucchese que queria vender-lhe uma estatueta de gesso, um símbolo da arte milenar da velha província. Amantes da liberdade e do progresso, muitos deles foram pioneiros do desenvolvimento econômico e social de cidades na América do Sul, inclusive no Brasil. Não é à toa que os lucchesi cuidaram de organizar suas associazioni no exterior, hoje coordenada por uma Associazione dei Lucchesi nel Mondo sediada num dos palacetes sobre o velho muro que cerca o seu centro histórico. Atualmente, existem associazioni di lucchesi no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e cinco no estado de São Paulo. Pouco conhecida dos sul-americanos, Lucca é sede de uma rica província que forneceu ao Brasil grandes contingentes de imigrantes de boa estrutura cultural e qualificação para o trabalho. O muro - parte externa Centro histórico: casarões antigos bem conservados / O lucchese Enzo Giovannetti e o cônsul Massimo Bellelli, do Rio COMUNITÀ ITALIANA O VOLTO SANTO Mesmo espalhados pelo mundo, os lucchesi não esquecem a origem e, sempre que podem, visitam Lucca no mês de setembro, quando a cidade promove a mais antiga festa popular, uma mistura de civismo com religião. A devoção ao Volto Santo, um Cristo negro encontrado numa praia do mar Tirreno, é uma verdadeira réplica à história e à devoção dos brasileiros por Nossa Senhora Aparecida. Levado para Lucca, passou a ser venerado como padroeiro da cidade. No dia do santo, a cidade se enfeita com dezenas de milhares de velas dentro de copos de vidro. O espetáculo deslumbrante dura 24 horas, formando gambiarras que contornam janelas, portas, alpendres, marquises e cimalhas. Os festejos têm seu ponto alto com a procissão do Volto Santo, que percorre as principais ruas do centro histórico com grupos trajando roupas medievais, acompanhados de dezenas de estandartes representativos das associazioni lucchesi espalhadas pelo mundo. 9 Festival di S anremo recupera credibilità e attrae oltre 16 milioni di telespettatori u G u q A e m r e h l i o n L ’equipe dell’organizzazione del 55° Festival di Sanremo quest’anno è riuscita a mettere insieme nel teatro Ariston buona parte del fior fiore musicale della penisola e, con ciò, recuperare la credibilità che le ultime edizioni dell’evento avevano perso sia col pubblico, sia con i media. La prima serata, il primo marzo, sono rimasti incollati davanti alla televisione 16 milioni e 599mila italiani, godendosi il circo condotto da Paolo Bonolis e dalle sue coadiuvanti colleghe di palco Antonella Clerici – famosa presentatrice di tv – e Federica Felini – modella. Colto, spontaneo e intelligente, Bonolis ha attratto un pubblico di elevato grado culturale e ha aiutato a rinvigorire la festa della canzone italiana, ultimamente indebolita dalla monotonia e dalle denunce di corruzione, secondo le quali imprenditori e produttori musicali usavano comprare la visibilità dei loro pupilli. Inoltre, dimostrando capacità d’improvviso, il presentatore ha contornato imprevedibili problemi tecnici e osate proposte sceniche e artistiche: dalla mancanza di suono durante la presentazione dell’invitato internazionale Michael Blubè, alla presenza del pugile Mike Tyson; dall’inno italiano eseguito dal chitarrista Paolo Carta, quasi alla Hendrix, alle immagini di Che Guevara e Gandhi nell’apertura del Festival dovuto alla presentazione del candidato Umberto Tozzi. Per tutti questi motivi, Paolo Bonolis si è rivelato senza dubbi come uno dei successi di questa edizione. Malgrado questo, non si può ancora dire che questo sia stato il festival dei festival, perché quello del 2000, condotto da Fabio Fazio, continua imbattibile in numeri di audience: 17 milioni e 551mila spettatori per la serata di apertura. Le categorie competitive dell’evento sono state cinque: classici, uomini, donne, gruppi e giovani, per un totale di 32 candidati. La prima serata hanno cantato tutti; la seconda è stato il turno delle donne, degli uomini e di qualche giovane; la terza sono saliti sul palco i restanti giovani e i gruppi; la penultima, si sono presentati i 22 selezionati e l’ultima il pubblico ha visto i 15 finalisti e ha scoperto i risultati finali del concorso. Tra alcuni dei talenti, c’erano Umberto Tozzi, Paola e Chiara, Matia Bazar, Nicola Arigliano – in piena forma a 83 anni –, DJ Francesco, Toto Cutugno Minetti, Alexia, Gigi D’Alessio, Le Vibrazioni, Francesco Renga, Antonella Ruggiero, Marco Masini, Anna Tatangelo, Peppino di Capri, Marcella Bella, Paolo Meneguzzi, Nicky Nicolai e Stefano Battista Jazz Quartet, Franco Califano, Velvet e Marina Rei. Cantanti debuttanti e consacrati hanno formato in scena un crogiolo culturale in cui l’Italia delle canzoni romantiche e l’Italia reale, che ha vissuto momenti drammatici come quello del sequestro di Giuliana Sgrena, si sono incontrati ancora una volta. Come un abile equilibrista, Paolo Bonolis ha fatto del palco un altoparlante e ha portato a galla problemi specificamente italiani e questioni umanitarie mondiali. Da Sanremo sono partiti un appello per la liberazione dell’italiana in potere dei sequestratori iracheni, una richiesta di aiuti per i bambini africani di Darfur e un messaggio di addio per Alberto Castana. Verso la fine dell’evento c’è stato anche un applauso per Nicola Caprini, l’agente segreto morto durante l’operazione di salvataggio di Giuliana Sgrena. In questi momenti la musica diventava melodica e utopica cornice per le iniziative di interazione del Festival con il mondo esterno. 10 COMUNITÀ ITALIANA / ABRIL 2005 Francesco Renga riceve premio di miglior cantante per la categoria maschile ed è anche eletto dal televoto i Famoso anche per la presenza di personalità del jet-set internazionale, il Festival di Sanremo quest’anno ha ricevuto nientemeno che il pugile Mike Tyson, uscito dalla prigione dove era rinchiuso condannato per stupro. Paolo Bonolis, di fronte a quell’omaccione, ha condotto un’intervista attenta, come meritava il contesto. Alla fine, l’ex campione dei pesi massimi ha trasmesso un’immagine di timido, sorrideva. Curvo sulla sua sedia, come dominato dal presentatore, il pugile poco a poco ha smontato l’immagine da lupo cattivo e si è dimostrato un padre di famiglia. Parlando con cognizione di causa, ha criticato il sistema giuridico americano, ma ha anche aggiunto che non era un angelo e che l’importante era vincere, vincere, vincere. Comunque, se come pugile è stato quello che è stato, come cantante non si farebbe strada. Durante l’intervista, Mike Tyson non se l’è fatto dire due volte e ha canticchiato qualche parola di ‘Volare’, ma la famosa strofa ‘Nel blu, dipinto di blu’ è stata messa K.O. dalla voce poco intonata del demolitore. Ci ha anche provato con ‘New York, New York’, in una versione rap di Grandemaster Flash. Ma le note stonate di Tyson non sono state le uniche a interrompere il silenzio del teatro Ariston. Antonella Clerici, compagna di palco di Bonolis e presentatrice di un programma di culinaria, ha tentato qualche strofa di ‘She’, ma anche lei come cantante non andrebbe lontana. La canzone, che fa parte della colonna sonora di ‘Notthinghill’, sarebbe dovuta servire per creare un clima per una chiacchierata tra Paolo Bonolis e l’attore inglese Hugh Grant, un’altra star invitata. Ma è stato inutile. Decisamente i due non parlavano la stessa lingua e il tavolo da tè apparecchiato sul palco è stato insufficiente per rompere il ghiaccio di un Grant poco motivato e noioso e di un Bonolis che non sapeva dove mettersi le mani. Il risultato è stato un tè raffreddatosi di fronte a migliaia di telespettatori. Invece l’incontro di Bonolis con l’americano Will Smith è stato totalmente differente: l’attore, che è arrivato a Sanremo con la madre, la sorella e un entourage di 20 persone, è stato simpaticissimo e disinvolto. Entrerà nella storia del Festival la divertente lezione di danza che ha dato al presentatore. Per venti minuti, Will ha rubato la scena cantando rap – molto più intonato del suo compatriota, Tyson – e simulando una fuga con la bella Federica Felini, che usava un seduttore vestito firmato Armani. Invitati speciali a parte, le serate sono state dedicate alla musica. L’inedita formula di premiare i primi tre collocati di ognuna delle cinque categorie praticamente dava a tutti i partecipanti un po’ il sapore della vittoria. Prima del verdetto finale, il pubblico di Sanremo ha potuto vedere anche una presentazione dell’idolo Vasco Rossi. Senza dubbio, la sua presenza è stata un alito di buona musica nell’Ariston. Critici di turno dicono che sono state poche le buone canzoni presentate nella gara, ma che nell’agitazione della festa – con il suo scenario molto moderno e futuristico, che paradossalmente ricordava la figura di un castello o quella di una sala di un teatro neoclassico – finivano col servire al proposito del puro divertimento. Considerando che il festival è un ritratto udibile dell’attuale panorama musicale italiano, gli specialisti si sono rattristati quando si sono resi conto che ci sarà da aspettare per un rinnovo. Chissà se questa missione non ricadrà nelle mani e sulla voce di Laura Bono, 26 anni e vincitrice della categoria Giovani? Andiamo agli altri vincitori: Nicky Nicolai, con Stefano Di Battista Jazz Quartet, ha vinto il premio di miglior Gruppo; Antonella Ruggiero, con la canzone “Echi d’infinito”, ha vinto la categoria Donne; Toto Cutugno, accompagnato da Annalisa Minetti, ha cantato “Come noi nessuno al mondo” ed è stato vittorioso nei Classici; e Francesco Renga è stato il prescelto per la categoria Uomini con la canzone “Angelo”. Anzi, lui è arrivato anche al primo posto nel conteggio generale del televoto, con il 54,41% delle 400mila telefonate, seguito da Toto Cutugno (17,79%), Antonella Ruggiero (16,45%), Nicky Nicolai e compagnia (7,45%) e Laura Bono (4,13%). Vale la pena ricordare che ogni voto è costato al giurato domestico 0,60 centesimi di euro. E il Festival di Sanremo non finisce con la premiazione. La macchina del marketing non si riposa e gli echi della festa rimarranno nei media per molto tempo. I protagonisti dell’evento assistono già all’aumento vertiginoso dei loro cachet per i concerti. Il presentatore Paolo Bonolis, 44, conduttore di un programma Rai, ha ricevuto una proposta milionaria per cambiare canale. Inoltre, in breve arriverà sugli scaffali dei megastore di musica un CD speciale di questa edizione del concorso. La redenzione del Festival di Sanremo ha recuperato la possibilità di dare ossigeno alla musica italiana. Critiche e polemiche a parte, gli organizzatori della festa adesso cercano un presentatore all’altezza del successo ristabilito: creativo, serio, intelligente e con un pungente senso di humor. Dicono le buone e cattive lingue che Fiorello sarebbe un serio candidato per il 2006. Cultura O desenho de muitas vidas em uma só Gisele Maia F O chargista Lan veio da Toscana para o Uruguai, aprendeu a ser jornalista na Argentina e se apaixonou pelo Brasil 12 oram oito décadas - vividas em diversos países - de incontáveis histórias, memoráveis paixões e muita tinta no papel. Em fevereiro passado, o chargista italiano Lan, que se considera pra lá de “carioca”, comemorou seus 80 anos com muito samba, em meio às tantas homenagens prestadas no Rio de Janeiro. No mesmo mês, viajou a Buenos Aires para inaugurar a exposição Um porteño carioca, no Centro Cultural Recoleta, onde estiveram reunidas ilustrações suas que mesclam o cotidiano das suas duas cidades do coração, além das que registram sua passagem pela imprensa argentina. Na cidade maravilhosa, estão disponíveis ao público alguns de seus trabalhos, até o dia 12 de abril, no Centro Cultural dos Correios. Lá, suas obras dividem espaço com as de Borjalo e Millôr Fernandes. Entre tantos compromissos, Lan concedeu uma entrevista à Comunità, na qual falou de sua carreira jornalística e de seus 60 anos de traço. Este senhor de nome comprido – Lanfranco Aldo Riccardo Vaselli Cortellini Rossi Rosini – deixou Monte Varchi, na região Toscana, ainda muito jovem. Quando contava apenas seis anos de idade, veio com a família para o Brasil porque seu pai, o músico Aristides Vaselli, aceitara um convite para inaugurar a Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal de São Paulo. Foi uma decisão difícil, pois, na época, Aristides administrava a fábrica de chapéus de seu pai, avô de Lan. “Minha família, dos dois lados, se constituía de tremendos burgueses, negociantes. Mas unia extremos, porque meus avós maternos eram fabricantes de sapatos, ‘pés no chão’, e não queriam a filha deles casada com um artista”, conta Lan. Apesar da vida confortável na Itália, Aristides Vaselli resolveu dar uma chance à carreira musical. Depois de morar alguns anos em São Paulo, ele assinou contrato com a Sinfônica de Montevidéu. Em 1935, entretanto, ao aceitar uma proposta da orquestra da rádio El Mundo, rumou para Buenos Aires. Por fim, buscando descanso, decidiu voltar ao Uruguai e criar raízes. “Papai adorava Montevidéu e torcia pelo Nacional, como eu. O futebol foi fundamental nessa decisão”, comenta, sempre em tom descontraído. Ainda no Uruguai, Lan descobriu a caricatura. Aconteceu em uma aula de química do colégio italiano, quando ele desenhou seu mestre “carrasco”. Daí por diante, os amigos não paravam de pedir que ele retratasse outros professores. Tempos depois, já na escola alemã - que, ao contrário da italiana, permaneceu aberta durante a Segunda Guerra -, o talento de Lan foi farejado por um professor de desenho. “Ele viu a caricatura que eu fiz do diretor. Então, me chamou em um canto, disse que eu não acompanharia as aulas com os demais e me mandou desenhar mais professores. Mas eu deveria usar a memória. Ele me ensinou COMUNITÀ ITALIANA / ABRIL 2005 algo fundamental: a memória é o filtro, no qual se fixa o essencial, a impressão subjetiva, e essa é a verdadeira caricatura. Daí para frente só desenhei de memória”. Ainda na capital uruguaia, Lan trabalhou no El País, o primeiro periódico dos muitos por que passou. DA VIDA DE PORTENHO: JORNALISMO ARGENTINO, CANTINAS E CABARÉS Depois de uma exposição em Punta del Este, Lan conheceu o dono da revista Rico Tipo, a número um do humor no Rio La Plata. Desse contato, veio a oportunidade de deixar o Uruguai e trabalhar no Notícias Gráficas de Buenos Aires e, tempos mais tarde, na Editorial Haynes de Evita Perón. Durante os anos vividos na capital argentina, de 1947 a 1952, as noites começavam nas cantinas do bairro La Boca com os colegas de redação. Estes, casados, voltavam cedo para casa, enquanto Lan, um solteiro convicto, pulava das cantinas para os cabarés. As prostitutas viravam suas amigas e lhe contavam seus problemas. “Era uma época muito romântica. Hoje tudo se transformou, e isso vale para as mulheres que vivem do corpo”. De suas ilustrações, nasceram situações memoráveis. Na Editorial Haynes, fez uma caricatura do então governador da Província de Tierra del Fuego, o General Guillermo Carro Catáneo. A secretária do militar ligou para a redação pedindo o original, o que gerou muitas piadas por parte dos colegas. Por isso, quando o General telefonou, pessoalmente, Lan atendeu disparando uma enxurrada de palavrões. “Quando, dez minutos depois, ele apareceu na porta do jornal e me mandou entrar na limusine oficial, achei que fosse ser jogado no Rio La Plata”, lembra. Mas ali começou uma grande amizade. Em janeiro de 1952, Guillermo Carro Catáneo contou a Lan que havia sido destituído do seu cargo. O motivo: Catáneo estava do lado de Juan Carlos Perón e contra os generais que planejavam derrubar o presidente argentino. “Este poderia se tornar o meu maior furo de reportagem, mas eu prometi que não falaria nada. O que teria acontecido na Argentina se eu tivesse dado a notícia? Eu sabia até os nomes dos golpistas: Aramburu, Rojas e todos os que, três anos mais tarde, tomaram o poder”. Ainda em 1952, Lan, de passagem pelo Rio de Janeiro, aceitou uma proposta de Samuel Wainer para trabalhar no Última Hora. “Era um jornal a favor de Getúlio Vargas, que por sua vez era amigo de Perón. Tive uma grande chance, mas receava pôr em risco a vida de Catáneo. Falhei como jornalista, mas mantive minha palavra”, lembra. RIO DE JANEIRO: PAIXÃO E IDEAIS REVOLUCIONÁRIOS Ao se mudar para o Brasil, Lan morou seis meses em São Paulo e, depois, conseguiu a transferência para o Rio, conforme Samuel Wainer havia prometido. “Às vezes me pergunto como pude deixar uma cidade tão majestosa como Buenos Aires. Mas, por outro lado, foi um grande impacto ver o Rio de Janeiro pela primeira vez”, comenta Lan, flamenguista e portelense, que passou muitas madrugadas no morro da Mangueira, com Cartola, Carlos Cachaça e outras lendas do samba. Depois de Última Hora, trabalhou para O Globo durante dois anos. Em seguida foi para o Jornal do Brasil, onde esteve durante 39 anos dos 60 de sua carreira como jornalista e chargista. Desde 2002, se dedica às suas Cariocaturas, publicadas aos sábados n’O Globo. Das charges de cunho político, muitas deram o que falar, como a de Carlos Lacerda retratado como corvo. Mas a glória foi quando Ernesto Che Guevara pediu, por intermédio de um assessor, o original de uma ilustração – em que Lan afirma ter “esculhambado o Tio Sam” – para decorar seu gabinete de ministro em Cuba. Não que o comandante revolucionário tivesse o hábito de ler os jornais do Rio. O contato aconteceu porque Lan, apaixonado pelos ideais da ilha de Fidel, passou a fazer charges para o periódico cubano La Revolución, depois de ter fundado o escritório carioca da Prensa Latina, agência de notícias latino-americanas criada em Havana, em 1959, logo após a conquista da capital. Em apenas duas ocasiões Lan viu pessoalmente o comandante Che. Uma delas foi na conferência da Organização dos Estados Americanos (OEA) de 1961, em Punta del Este, no Uruguai, quando Jânio Quadros condecorou Guevara entregandolhe a Grã Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul. Um episódio, até hoje, é contado às gargalhadas: na vez do representante dos Estados Unidos discursar na convenção, Che Guevara se retirou do plenário, seguido por vários jornalistas, entre eles Lan, que acreditaram se tratar de um ato de protesto. Somente ao parar na porta do banheiro, o herói revolucionário se dirigiu aos repórteres. “O Che disse: ‘Muchachos, se necessitam, podem servir-se”. Ele só queria dar uma mijadinha, depois voltou para o auditório!”, lembra. Afastado há alguns anos do mundo da política – que hoje, confessa, lhe causa ojeriza – Lan tinha planos de, em 1957, se juntar ao exército revolucionário de Fidel Castro em Sierra Maestra. Estava tudo preparado quando ele conheceu Olívia, com quem permanece casado há 45 anos. “Acabei desistindo dos meus ideais revolucionários. Para mim, mulher é muito mais importante que Fidel Castro!”, confessa entre risos. O chargista se declara “contra o casamento e a favor de Olívia”, por sua coragem de ser desposada por um boêmio e por ter feito os cubanos perderem um soldado. Não bastasse toda a simpatia pelos comunistas do momento, uma charge, publicada na semana anterior ao Golpe de 64, fez de Lan um alvo da ditadura militar. No desenho, um general “Quatro Estrelas” se olhava no espelho e via, no reflexo, um general “quatro bananas”. Por conta disso, optou pelo auto-exílio. Viveu dois anos na Itália e mais um em Paris, entre 64 e 67. Nesse período, não manteve contato com a imprensa brasileira nem teve charges publicadas. Enquanto residiu na Europa, escreveu notícias em espanhol para a Prensa Latina. Algumas decepções o fizeram abandonar as caricaturas políticas. Desde de 1992, sua arte é plena de curvas femininas e ele faz questão de ressaltar que não se dedica somente às mulatas. “Nas entrevistas que concedo, só me perguntam de mulatas, parece que não fiz mais nada na vida. Chega, não quero ouvir falar em mulatas, já tenho uma em casa, a Olívia. Não sou ‘mulatólogo’, sou ‘mulherólogo’”, dispara. A bronca, apesar de acompanhada de uma boa dose de humor, é séria. E ele completa: “Tenho 60 anos de jornalismo. Acho muito restrito falarem apenas das mulatas”. Charges de Lan para a revista Comunità 13 CONI Cultura - Informa Le case, i visi e le parole della comunità Dogon COMITE OLIMPICO NAZIONALE ITALIANO Alfredo Apicella BRASIL E ITALIA, IRMÃOS NO ESPORTE F oi celebrado, no dia 11 de março, um convênio entre o CONI (Comitato Olimpico Nazionale Italiano) e o COB (Comitê Olímpico Brasileiro), na cidade do Rio de Janeiro, na presença do cônsul geral da Itália no Brasil, Dott. Massimo Bellelli, do vice-presidente do COB, Dr. André Richer, do representante do CONI no Brasil, Prof. Alfredo Apicella e de outras autoridades de ambas as entidades. O convênio visa estreitar e intensificar o intercâmbio sócio-esportivocultural entre Itália e Brasil. Dr. André Richer abriu a reunião expressando grande satisfação e otimismo em relação ao convênio. Passou a palavra ao Dr. Raffaele Pagnozzi, secretario geral do CONI-ITALIA, que demonstrou igual entusiasmo. Ambos foram os signatários do convênio, representando suas respectivas organizações. Fizeram uso da palavra, contribuindo para o enriquecimento do evento, Massimo Bellelli, representando o Embaixador da Italia no Brasil Ministro Valensise, o Campeão Bernardinho do vôlei, o Prof. Alfredo Apicella e o Prof. André Luiz Lace Lopes, consultor do CONI/Brasile. O próximo passo, agora, será a elaboração de uma estratégia conjunta de trabalho e a definição de projetos de intercâmbio, que possam potencializar, ainda mais, as excelentes relações entre Itália e Brasil. Andressa Camargo Da esquerda para a direita Dr Andre Lace - Assessor.CONI Brasil Prof.Alfredo Apicella - Delegado CONI no Brasile Dr.Bernardo Dr. Pagnozzi Raffaele - Secretario Geral do Comite Olimpico Italiano Dr. André Richer Abril - Vice Pres Comite Olimpico Brasileiro Dr.Massimo Bellelli - Consul Geral da Italia Dr Roberto Fabircini - Responsavel Rapporti Internazionali CONI Sr.Francesco Perrotta - Presidente COMITES Do Rio de Janeiro RIO DE JANEIRO SEDÍA A FASE NACIONAL DOS GIOCHI DELLA GIOVENTÙ 2005 É hora da decisão para saber quem vai à Itália competir no mundial A contecerá, no dia 30 de abril, a final nacional dos Giochi Della Gioventú 2005, no Centro Esportivo Miécimo da Silva, às 9:30h. Comparecerão à cidade do Rio de Janeiro, delegações esportivas de natação e atletismo dos estados de Santa Catarina e São Paulo, que participarão das competições decisivas para a seleção dos vinte adolescentes que irão à Itália competir na grande olimpíada estudantil de 2005. São esperados muitos atletas que, somados aos do Rio de Janeiro, atuarão no evento esportivo. Será realizada também uma partida amistosa de futebol entre as equipes da Azzurra (de São Paulo, representando a Itália) e a equipe do Miécimo da Silva (do Rio de Janeiro, representando o Brasil) que contribuirão para o brilho do evento. O delegado do CONI no Brasil Alfredo Apicella pontua que o objetivo para este ano é realizar uma festa com toque especial de renovação, pois bem sabemos que novas iniciativas estão sendo planejadas também para os proximos anos e os Giochi Della Gioventù se introduzem bem a esses trabalhos futuros do CONI-Brasile. A realização dos Giochi Della Gioventù 2005 conta com as boas vindas de autoridades como o prefeito da Cidade do Rio de Janeiro, Cesar Maia, e do secretário de Esportes e Lazer da cidade do Rio, Ruy Cesar, que não medem esforços para contribuir institucionalmente pela realização do evento na cidade. Além destes, os Giochi 2005 agraciam-se pelas nobres contribuições que também muito ajudam para o êxito dos Giochi 2005, como a do cônsul geral da Itália no Rio de Janeiro, Ernesto Massimo Bellelli, o cônsul geral da Itália em Curitiba, Mario Trampetti, o cônsul geral da Itália em São Paulo, Gian Luca Bertinetto, e o embaixador da Itália, Michele Valensise. Os Giochi Della Gioventù Giochi Della Gioventù - Evento esportivo promovido através do CONI no Brasil e do Ministério das Relações Exteriores. O principal objetivo é o de reforçar o apoio do esporte, os laços de amizade que unem os dois países irmãos: Brasil e Itália. O CONI está presente com esses jogos em todos os países que acolhem os italianos no mundo e a reunião desses jovens se faz possível neste evento que foi denominado GIOCHI DELLA GIOVENTÙ, possibilitando assim esse encontro que após torneios regionais em cada país, se reúnem numa grande e festiva olimpíada num centro esportivo no território italiano. Os trabalhos do CONI com os jovens oriundos foram oficializados a partir de 1974. Desde então, os GIOCHI tem sido o ponto de crescimento de um projeto que já nasceu grande e tende a se evoluir muito mais. O Brasil participa dos GIOCHI DELLA GIOVENTÙ desde 1992, com as modalidades de ATLETISMO e NATAÇÃO, em todas as categorias, para a faixa etária de 10 a 14 anos, de acordo com o regulamento. Seletiva Regional - Santa Catarina Natação Foi realizada, 27 de março, em Florianópolis, a competição de natação da fase regional seletiva estadual dos Giochi Della Gioventù 2005. Santa Catarina recebeu os Giochi com a participação da FESPORTE, que deu o suporte local apoiando na organização desta seletiva. Seletiva Regional – Rio - Barra do Piraí Natação Foi realizada no domingo, 27 de março, a competição de natação da fase regional seletiva estadual dos Giochi Della Gioventù 2005, a cidade de Barra do Piraí recebeu os Giochi com uma grande manisfestação e marcou história com a participação da FIRJAN, Prefeitura da Cidade e empresas locais, o que para este ano contribuiu e deu brilho à competição no Estado do Rio de Janeiro. A exemplo do que foi feito este ano, o CONI buscará sempre melhorar o evento atraindo parceiros e desenvolvendo ações como as que foram exemplificadas por Barra do Piraí-RJ. Seguem as seletivas pelos estados e o atletismo agora será a grande atração, a começar pelo Estado de Santa Catarina, que realizará este mês sua seletiva e São Paulo e Rio de Janeiro, que também preparam suas seletivas e suas equipes. Este ano, as vagas para a Itália serão bastante disputadas devido ao grande interesse dos jovens em conhecerem a sua terra de origem. D al 4 marzo al 10 aprile le sale del Centro Cultural da Justiça Federal di Rio de Janeiro hanno ospitato la mostra fotografica Togu Na – A casa da Palavra, in cui è stata messa a fuoco la cultura dei Dogon, uno dei più significativi popoli della Repubblica del Mali. Prodotta dall’Istituto Italiano di Cultura, la mostra ha riunito circa 60 immagini captate dagli architetti Tito e Sandro Spini (padre e figlio) che, negli anni ’70, hanno coordinato una serie di ricerche di campo sul posto. La civiltà Dogon, il cui territorio si trova nelle zone amministrative di Bandiagara e Douentza, al sud di Cabo do Niger, è stata studiata per la prima volta nel 1933 dall’etnologo francese Marcel Griaule e, da allora, risveglia la curiosità dell’occidente. Nei suoi lavori, Griaule ha rivelato al mondo l’originalità delle sculture e dell’architettura Dogon, a partire da cui si può scoprire molto dei miti e tradizioni di questo popolo. Negli anni ’70, le scoperte di questo etnologo circolavano per tutta Europa, sia nel mondo accademico, sia in quello artistico, e sono arrivate alle orecchie di Tito e Sandro Spini. In un’intervista rilasciata a Comunità, il bergamasco Sandro, che oggi tiene lezione di antropologia visuale presso l’Università Ca’ Foscari di Venezia, ricorda: “Siamo rimasti affascinati da quelle costruzioni. Artisti plastici famosi, come Picasso, per esempio, alle loro collezioni già allora aggiungevano alcuni pezzi Dogon”. Insieme, padre e figlio hanno organizzato varie spedizioni in quella comunità e hanno conosciuto 76 villaggi Dogon. Nei viaggi, parlavano con gli abitanti, ascoltavano storie e scattavano foto. Il risultato finale delle ricerche si è trasformato nel libro Togu na: la casa della parola, pubblicato nel 1976 dall’Electa Editrice e lo stesso anno ha vinto il Premio Italia di Fotografia. Malgrado sia uno dei ‘diffusori’ della cultura Dogon, Sandro avvisa del pericolo rappresentato dall’invasione di valori occidentali nel villaggio, che potrebbero causare una perdita di caratteristiche. “Attualmente, le sculture Dogon si trovano esposte nei più importanti musei del mondo, ma credo che dovrebbero restare unite, in un centro culturale dello stesso Mali”, dice. “In principio, mi piacerebbe sviluppare un progetto di un museo virtuale, mettendo in risalto l’importanza della restituzione di queste opere al loro paese di origine.” TOGU NA: CENTRO DI DECISIONI Abitanti di una regione abbastanza arida e rocciosa, situata ai margini del fiume Niger, i Dogon costruiscono le loro case in totale integrazione con l’ambiente. Per fare questo usano legno di alberi locali o scavano le pietre. Spesso nelle fotografie di Tito e Sandro le costruzioni si mescolano e si confondono con lo scenario naturale. “E’ un’architettura senza architetti”, spiega Sandro. Ma l’oggetto centrale delle indagini degli Spini e, di conseguenza, dell’esposizione a Rio de Janeiro, è la Togu na, ossia, la Casa della Parola. Si tratta del centro amministrativo dei villaggi Dogon, il luogo ove gli uomini (e soltanto gli uomini, perché loro rappresentano l’autorità) si incontrano per decidere questione relative al calendario agricolo, alla giustizia civile, alle norme etiche, tra molte altre. Quando si fonda un nuovo villaggio, la Togu na è la prima delle costruzioni ad essere messa a punto. Le pareti della Casa della Parola sono costituite da larghi tronchi di legno, sui quali si trovano intagliate le descrizioni delle regole di Veja onde existem chances para você conquistar sua vaga na FINAL!! Seletiva Regional - Santa Catarina (Atletismo) Atletismo: Dia 16 de abril - início: 8h Local:Pista sintética de atletismo de Itajaí Seletiva Regional – São Paulo (Atletismo) Local das Competições: SESI Itu e Salto Rua José Bruni, 201 CEP 13304-080 Bairro São Luiz ITU SP Com a colaboracão do CEI Centro da Emigração Italiana em ITU São Paulo Seletiva Regional – São Paulo (Natação) Local das Competições: Piscina do Complexo do Ibirapuéra Local Inscrições: Na F.A.P. Federação Aquática Paulista - Rua Manuel Nobrega 1361 Cep 04001-084 Tel 011-384-7557 Para obter maiores informações e saber mais sobre o CONI acesse a página www.conibrasile.org Mostra fotografica ha rivelato la cultura di uno dei più intriganti popoli della Repubblica del Mali comportamento che tutti devono rispettare durante le riunioni: nessuno deve alzare la voce o manifestare, con gesti aggressivi, un’insoddisfazione. Gli uomini devono ascoltare gli uni agli altri e riflettere sulle idee degli altri. “Dentro una Togu na non si può rimanere in piedi, per questo i soffitti fatti di rami sono bassi. L’abitante del villaggio che si infuria, quando si alza sbatte con la testa al soffitto e, soltanto dopo essersi calmato e riseduto, può ricominciare a parlare”, spiega Sandro Spini, che ha selezionato fotografie di 47 esempi di Togu na per l’esposizione di Rio de Janeiro. Chi vuole sapere un po’ di più della cultura Dogon potrà comprare il libro Togu na:La casa della parola, di Tito e Sandro Spini, attraverso il sito della casa editrice italiana Bollati Boringhieri, responsabile per la nuova edizione del titolo nel 2003. www.bollatiboringhieri.it. In alto: Rappresentanti del villaggio Biniemana parlano sulla soglia di una Togu na. A sinistra: una Togu na vista da fuori. A destra: pilastro di legno con iscrizioni Dogon ABRIL 2005 / COMUNITÀ ITALIANA 15 Notizie Camera italo-brasiliana propone un emendamento costituzionale per attribuire il voto agli stranieri Il Comitato Giuridico della Camera Italo-Brasiliana di Commercio e Industria di San Paolo, presieduto dalla professoressa Ada Pellegrini Grinover, ha elaborato una proposta di emendamento Costituzionale che chiede di attribuire il diritto di voto, nelle elezioni municipali, a stranieri residenti in Brasile da almeno cinque anni. La proposta viene presentata al Ministro di Grazia e Giustizia, Marcio Thomas Bastos, dalla stessa Ada Pellegrini e dal presidente della Camera di Commercio di San Paolo, Edoardo Pollastri. Secondo i membri del Comitato Giuridico, “l’approvazione della proposta rappresenterebbe per il Brasile un chiaro riconoscimento agli stranieri che partecipano intensamente alla vita economica, sociale e politica del Paese. Il riconoscimento di tale diritto rende allo straniero residente in Brasile la pari dignità con gli altri cittadini, su tutti i piani, ed in particolare a coloro che hanno scelto il Brasile come seconda Patria”. “Oramai sono diversi i Paesi che, anche in America Latina, hanno concesso il diritto di voto nelle elezioni municipali agli stranieri stabilmente residenti. Con tale atto – concludono - il Brasile si allineerebbe a coloro che hanno inteso ampliare gli spazi di democrazia e partecipazione alla vita del proprio Paese”. (Ansa) Il Governo potrà rispamiare 4 miliardi con l’uso di e-mail Usando la posta elettronica, anziché quella cartacea, i ministeri possono risparmiare ogni anno 4-5 miliardi di euro. La carta che producono in un anno è pari al volume del Duomo di Milano. Lo ha affermato il ministro dell’Innovazione tecnologica, Lucio Stanca, in una conferenza stampa a Pescara nella quale ha rivelato come l’Italia stia recuperando in molti campi dell’innovazione tecnologica. “Quattro anni fa, quando fu creato per la prima volta in Italia un ministro dell’Innovazione tecnologica, sembrava una stravaganza - ha aggiunto. Eravamo molto indietro rispetto ad altri Paesi europei. Oggi il 56% delle famiglie ne ha almeno uno in casa, rispetto al 51% della media dell’Ue a 15, e non vi sono divari tra Nord e Sud”. La politica adottata ha consentito interventi per “l’alfabetizzazione dei cittadini, la modernizzazione della Pubblica amministrazione, la competitività delle imprese. Per la prima volta è stata introdotta l’informatica nella scuola. È poi disponibile un bonus di 175 euro per i ragazzi che compiono 16 anni, come aiuto per l’acquisto di un Pc. Già 70-80 mila ragazzi hanno usufruito di questa possibilità”. Per quanto riguarda la Pubblica amministrazione, Stanca ha parlato di “rivoluzione” grazie alla digitalizzazione. “Ci sono oltre mille Comuni in Italia - ha spiegato - dove il pagamento dell’Ici si può fare via Internet a qualsiasi ora. Cosí come la richiesta di certificati. Quattro anni fa ci vedeva al 13º o 14º posto. Oggi siamo al 7º o 8º posto”. (Ansa) Cambiamenti al Circolo italiano Il 30 marzo sono stati eletti i sette nuovi consiglieri, per il rinnovamento di un terzo del Consiglio. Essi sono: De Fiori Mario, Mattoli Socrate, Maveri Carlo, Laspro Giovanni, rieletti, più Sandin Bruno Amadei, Accurti Ricardo e Michels Amneris Biagini, eletti per la prima volta. Per l’elezione della Direzione Esecutiva, già da tempo circolavano rumori secondo i quali l’ex presidente Giuseppe Cappellano si sarebbe ricandidato alla Presidenza, contrastando la rielezione del presidente uscente Mario De Fiori. Dopo l’espressivo risultato ottenuto alle votazioni dei consiglieri, De Fiori ha inviato una circolare a tutti i soci, informandoli che, nonostante i suoi sforzi, “non essendo riuscito a sensibilizzare il Consiglio alle mie proposte” che riguardavano l’incentivo ai giovani, l’equilibrio finanziario e la facoltà del socio vitalizio di non pagare più mensilità, De Fiori dichiarava: “sento che il contributo che potevo apportare come Presidente si è esaurito”, ritirandosi dalla elezione della Presidenza. È stato lo stesso De Fiori che si è dichiarato sorpreso di avere ricevuto, nella seduta per l’elezione della Direzione Esecutiva il 5 aprile scorso, l’invito dello stesso Cappellano affinché lui rimanesse come Presidente, con l’appoggio unanime di tutti i consiglieri. E così, spinto da tutto il Consiglio, ha accettato l’incarico. (V.N. - Asib) Esperienze a confronto nell’incontro tra i coordinatori dei Comites argentini e brasiliani BUENOS AIRES - Si sono incontrati a Rio de Janeiro i due coordi- natori dei Comites argentini e brasiliani. In Brasile, Riccardo Merlo, presidente del Comites di Buenos Aires, ha infatti incontrato il Presidente del comitato di Rio de Janeiro, Francesco Rodolfo Perrotta, accompagnato dal suo vice, Piero Stefano Ruzzenenti. Un’occasione per rinvigorire rapporti già esistenti tra i rappresentanti degli italiani in Argentina e Brasile. In qualità di Coordinatori dell’Intercomites dei due Paesi, Merlo e Perrotta hanno potuto confrontare esperienze e informazioni sulle problematiche comuni delle comunità che rappresentano che, da sole, compongono il 75% degli italiani dell’America Latina A margine dell’incontro, Merlo si è detto molto soddisfatto, poiché si sono stretti nuovi vincoli che torneranno sicuramente utili per un lavoro comune e concordato, a beneficio di tutti gli italiani residenti in entrambi i paesi. (Aise) Per la prima volta nella storia della diplomazia italiana due donne nominate ambasciatore di grado ROMA - Per la prima volta nella storia della diplo- Editora Comunità - Comunità Italiana Rua Marquês de Caxias, 31 Centro - Niterói - RJ - 24030-000 Tel / Fax: (21) 2722-0181 mazia italiana, due donne sono state nominate ambasciatore di grado. Sono Graziella Simbolotti e Iolanda Brunetti le prime donne in Italia a raggiungere il più alto grado della carriera diplomatica. Con loro è stato nominato ambasciatore di grado anche Mario Bova. (aise) ABRIL 2005 / COMUNITÀ ITALIANA Si terrà a Salvador la prima conferenza sulla cooperazione italiana allo sviluppo in Brasile SAN PAOLO - Gli interventi italiani di cooperazione, scambio di infor- mazioni e promozione di un migliore coordinamento a livello federale e statale tra gli attori della cooperazione, stimolo per nuovi contatti tra la società civile e le istituzioni per sostenere i progetti in via di attuazione e promuovere una visione d´insieme degli interventi in corso, in vista delle linee future della cooperazione tra Italia e Brasile. Questi i temi della prima Conferenza sulla cooperazione italiana allo sviluppo in Brasile che si terrà il 14 e il 15 aprile prossimi a Salvador de Bahia. Organizzata dall’Ambasciata italiana, la conferenza si propone di ricalcare i tre filoni principali della cooperazione italiana in Brasile: ambiente e sviluppo sostenibile, lotta all’esclusione sociale e riqualificazione urbana. Oltre a questo, verranno trattati anche gli aspetti trasversali, particolarmente apprezzati dal Governo brasiliano, della cooperazione italiana in Brasile: la partecipazione comunitaria, la cooperazione decentrata, il dialogo con la società civile locale e l’intersettorialità degli interventi. Secondo il programma provvisorio, i due giorni di lavoro inizieranno con una sessione plenaria di apertura, alla presenza di autorità politiche nazionali e locali. Hanno già confermato la loro presenza i Ministri Marina da Silva (Ambiente) e Patrus Ananias (Politiche Sociali), il Governatore dello Stato di Bahia, il Sottosegretario agli Esteri, Giampaolo Bettamio e del Direttore Generale per la Cooperazione del Ministero degli Esteri, Giuseppe Deodato. Nel pomeriggio si terranno tre sottosessioni tematiche, simultanee, sui tre temi principali dell’evento: per ciascuna di esse, i soggetti della cooperazione (operatori, Ong, rappresentanti della società civile) presenteranno, scambieranno e discuteranno le rispettive esperienze sui programmi in corso a livello di cooperazione governativa, non governativa e decentrata. Il pomeriggio del 15, invece, in una nuova sessione plenaria, i coordinatori delle tre sessioni tematiche riassumeranno i termini del dibattito, sulla base delle quali saranno tratte le conclusioni della conferenza. Alla riunione parteciperanno i volontari e i cooperanti italiani in Brasile, le controparti locali dei programmi di cooperazione italiani, autorità italiane e brasiliane, le Ong italiane operanti in Brasile, i rappresentanti della cooperazione decentrata italiana, della Commissione europea, della rete consolare italiana e del Ministero degli Esteri brasiliano. Dall’Italia, infine, parteciperanno anche funzionari ed esperti responsabili per i diversi aspetti della cooperazione italiana in Brasile. (Aise) Atualidade Italia - Attualità Fotos: Assessoria do INEPAC M O Caminho que liga o Rio de Janeiro a Matera Assinado o acordo de cooperação ítalo-brasileiro para restaurar e preservar bens históricos do estado do Rio de Janeiro N o princípio de março, mais um acordo de cooperação entre Itália e Brasil foi selado, desta vez na área de conservação e restauração. Foi no bairro carioca da Lapa, onde tantos edifícios de alto valor patrimonial ainda permanecem esquecidos, que aconteceu o MateraRio – nos caminhos do Rio, tesouros de Matera. O protocolo de intenção entre os dois países envolve, especificamente, o Governo do Estado do Rio de Janeiro, o Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), a Secretaria de Estado de Cultura, o Opificio delle Arti e dei Mestieri di Matera, a região da Basilicata e a Prefeitura de Matera. O evento, realizado na Sala Cecília Meirelles, contou com a participação do Cônsul geral da Itália Ernesto Massimo Bellelli. Na prática, o projeto visa restaurar construções históricas ao longo do Caminho do Ouro, por onde, durante o período colonial, era escoada a produção de ouro de Minas Gerais até os portos do Rio de Janeiro. O trabalho conjunto de profissionais brasileiros e italianos visa unir o conhecimento da história local à técnica adquirida ao longo de anos de trabalho de restauração em Matera, que, desde de 1993, figura na lista da UNESCO como Patrimônio Mundial da Humanidade. Um acordo de tal importância para o Rio de Janeiro surgiu de maneira despretensiosa, durante uma viagem ao Brasil de dois arquitetos do Opificio delle Arti e dei Mestieri di Matera, Giuseppe Andrisani e Nicola Letizia. Na ocasião, eles vinham de uma recente experiência de co18 Gisele Maia operação internacional com Cuba, que consistiu na restauração de nove edifícios no centro histórico de Havana Velha. Algumas similaridades entre as construções da cidade caribenha e as da Lapa chamaram a atenção dos dois profissionais italianos que, com a ajuda da amiga brasileira Salma Kolling, contataram o governo do Estado do Rio. Depois de algumas reuniões com o Instituto Estadual de Patrimônio Cultural, decidiu-se que a intervenção na Lapa ficaria para o futuro. Entre as tantas urgências do Rio de Janeiro, no que se refere à preservação do patrimônio, o Caminho do Ouro foi apontado como prioridade. A estrada, construída a partir das trilhas dos índios guaianazes, foi muito utilizada durante o ciclo do ouro e ligava cidades mineiras como Diamantina, Ouro Preto e Tiradentes à Paraty, de onde o metal partia rumo a Portugal. Em um primeiro momento, os trabalhos de preservação ficam restritos ao trecho fluminense do caminho. “Temos um interesse especial no patrimônio cultural do período da colônia. O Brasil será nosso segundo país latino-americano e já iniciamos alguns contatos também com a Argentina e a Colômbia”, afirma o arquiteto Nicola Letizia. Além da oportunidade dos profissionais brasileiros receberem treinamento dos técnicos italianos, existe ainda a possibilidade de que, no final dos trabalhos, o Rio de Janeiro obtenha um reconhecimento da União Européia, o que resultaria em investimentos destinados à preservação. Para que isso aconteça, o Opificio delle Arti e dei Mestieri di Matera deverá intervir junto ao conselho europeu e lançar a candidatura do Caminho do Ouro como patrimônio histórico, como foi o caso mesmo de Havana. “O Inepac demonstrou o interesse de, futuramente, estender às obras de recuperação a Minas Gerais. Depois, os dirigentes do INEPAC nos apontarão suas outras emergências. Nós do Opificio candidataremos, junto à União Européia, todos os projetos que forem confiados às nossas mãos”, explica o arquiteto Giuseppe Andrisani. O Opificio acumula uma experiência de 25 anos de restauração nos Sassi de Matera. O trabalho desenvolvido rendeu o prêmio europeu de melhor projeto de recuperação de um centro urbano. Por conta disso, o Opificio, apesar de ser uma sociedade privada, é apoiado pela Região da Basilicata e pela Prefeitura de Matera. A cidade é um grande laboratório para os restauradores: os Sassi remontam ao período neolítico e a arquitetura é uma síntese dos vários períodos da humanidade, trazendo rastros dos diferentes povos que viveram ao longo dos séculos na região. “Nós temos um patrimônio histórico milenar e, por isso, existe uma tradição no que respeita à preservação de bens históricos. Infelizmente não é assim em muitos outros países, entre os quais o Brasil. Existe aqui um patrimônio importante da era colonial, mas muitas construções foram abandonadas, se não destruídas. Ao mesmo tempo, edificações que não guardam nada de belo do ponto de vista arquitetônico são ‘plantadas’ ao redor de preciosidades históricas, roubando-lhes a visibilidade merecida. É esse o caso da Lapa, por exemplo”, comenta Letizia. Em sua palestra, o diretor do Inepac, Marcos Monteiro, citou as dificuldades com que normalmente tem que lidar, entre elas a falta de conscientização no que se refere aos bens culturais. Apesar do cenário pouco favorável, Giuseppe Andrisani comenta: “Nós, os italianos, temos tradição em preservar e restaurar. Com certeza os problemas serão superados”. O arquiteto lembra que em Cuba havia escassez de mão-de-obra qualificada e que, por conta disso, enviou profissionais para fazer cursos na Itália. Mas ele ressalta que o Opificio não tem o objetivo de ensinar, mas trocar experiências. “Qualquer que seja o obstáculo, só saberemos quando os trabalhos tiverem se iniciado”, diz Andrisani. COMUNITÀ ITALIANA / ABRIL 2005 ilioni di italiani hanno conosciuto il dramma dell’emigrazione, eppure adesso sembrano incapaci di accogliere i tanti disperati provenienti dall’Africa e scaraventati dal mare sulle coste dell’isola di Lampedusa. Comunità hà già documentato questa diaspora etnica che crea gravissimi problemi umani, sociali, politici. E gli italiani, che per tanti decenni sono stati un popolo di emigranti, si trovano sotto accusa: sono egoisti, razzisti, intolleranti, cattivi? Ma le differenze tra l’emigrazione di un tempo dall’Italia e quella attuale per l’Italia sono enormi. La “fuga” dal Medio Oriente, dall’Africa, dall’Asia di tanti disperati avviene nella clandestinità, senza regole, anzi, contro le regole: l’emigrazione dall’Italia risultava, per quanto possibile, disciplinata, legale. La meta più importante era costituita dalle “Americhe”, dal Brasile. E il Brasile, soprattutto dopo il 1888, e cioè con la abolizione della schiavitù, aveva bisogno di braccia. L’inizio dell’emigrazione per il Sudamerica, però, si fa risalire già al 1875. Prima partivano i veneti, poi piemontesi, lombardi, calabresi, e così via. I viaggi, per lungo tempo avventurosi e anche drammatici, a poco a poco miglioravano. Comunque anche nell’ultimo dopoguerra, 3-4 settimane di nave per chi affollava i “saloni” della terza classe (triste, squallida, e così umiliante) non erano facili. All’arrivo, i severi controlli di polizia a Rio de Janeiro o a Santos, l’eventuale viaggio a San Paolo o peggio “no interior”, il problema di un alloggio, di un lavoro. Comunque, agli inizi gli emigranti si trovavano già assegnate delle terre da coltivare e successivamente potevano contare in gran parte su parenti e amici. Di certo lavoravano, e lavoravano duro. “Alla mattina si comincia “cole” stelle e la sera a casa “cole” stelle. Agli inizi del secolo la giornata di lavoro in Brasile arrivava a 15 ore e solo nel 1923 si accordavano le prime ferie: 15 giorni l’anno. Lo sciopero era un reato, e gli immigrati che creavano “problemi”, accusati di anarchia e quindi di essere pericolosi alla sicurezza nazionale, venivano subito espulsi. Con la Seconda Guerra, poi, i rapporti Italia-Brasile si rompevano: Mussolini, prima ammirato, diventava un nemico. D’altra parte, tre decenni dopo, il Governo Medici (1969-1974) con gli stranieri non ammetteva discussione: “Isto é o Brasil, ame-o ou deixe-o”. Ma italiani e brasiliani sono sempre stati fratelli con tante affinità e principalmente con una fede e tradizioni comuni. Gli italiani si sono fatti onore come semplici braccianti, operai, artigiani, commercianti (altro che “carcamanos” e cioè con la mano calcata sulla bilancia per rubare sul peso), molti sono stati i pionieri. Insieme hanno contribuito allo sviluppo del Brasile. E – non sembra un caso – il primo santo del Brasile è una povera suora immigrata dal Trentino, Madre Paulina. Contrariamente all’emigrazione italiana in Brasile, quella dall’Africa all’Italia è costituita da fratelli profondamente lontani, come tradizioni, comportamento, religione. A parte lo sconvolgente dramma (già documentato) dei clandestini, la convivenza con quanti hanno regolarizzato la loro presenza non sempre risulta semplice. Anche in Italia, per esempio, in diverse occasioni, è stata richiesta la rimozione ABRIL 2005 / Italia: Il contrasto dell’immigrazione Ugo Guadalaxara del Crocefisso da scuole o uffici: alcuni musulmani hanno oltraggiosamente definito il simbolo del Cristianiesimo un “cadaverino” macabro che suscita “repulsione”. Nello scorso dicembre sempre in alcune scuole si è arrivati a cambiare – per non “turbare” i musulmani – “la festa di Gesù” con la “La ‘fuga’ di tanti disperati, dal Medio Oriente, dall’Africa, dall’Asia, avviene nella clandestinità, contro le regole: l’emigrazione dall’Italia risultava organizzata, legale” “la festa di virtù”. L’abbigliamento ostentato da varie donne, con la testa coperta e nascosta, ha suscitato polemiche anche in Francia, così come il rifiuto di alcune ragazze di seguire le lezioni di ginnastica con i maschi, o addirittura i casi di musulmani che convivono con più mogli. Tensioni nel mondo del lavoro, fra l’altro, per il mancato rispetto degli orari di chiusura da parte di chi – soprattutto arabi e pachistani – ha ottenuto la gestioni di negozi di generi alimentari. Nei trasporti urbani (non esistendo il “cobrador”, ma confidando nella correttezza dei passaggeri per la regolarizzazione dei biglietti) gli immigrati vengono indicati come i maggiori trasgressori. I pochi controllori affermano di non essere in grado di intervenire, qualcuno ha denunciato di essere stato aggredito. I trasporti pubblici sono in deficit e le spese ricadono sulla collettività. COMUNITÀ ITALIANA Il diritto per gli immigrati di mantenere la propria religione e le proprie tradizioni, il dovere degli italiani di non “ferire” le loro coscienze, causano discussioni, tensioni, scontri. In Italia, non dimentichiamolo, non arrivano soltanto i disperati dall’Africa, ma anche slavi, albanesi, cinesi, filippini, zingari. Moltissimi, è chiaro, sono gli onesti, ma aumenta il numero di quanti si uniscono alla criminalità (droga, prostituzione, rapine), a volte spinti e sfruttati da altri immigrati. E non manca la scoperta di elementi legati al terrorismo, un incubo per l’Europa, dalla Spagna alla Russia, alla Turchia. Negli ultimi decenni l’Italia, il mondo, sono cambiati. L’emigrazione è cambiata. Gli emigranti di oggi sono senz’altro diversi da quelli che il secolo scorso (europei, arabi, asiatici) giungevano in Brasile e tutti insieme formavano un popolo. Enormi le differenze tra le epoche, le condizioni di vita, le aspirazioni. Il Brasile, nato soltanto nel 1500, grande 28 volte l’Italia, finiva per svilupparsi secondo un evidente destino multirazziale. La storia plurimillenaria dell’Italia è ben differente e il Paese sembra scosso da una crescente, scomposta immigrazione, imprecisa e imprevedibile. Le anomalie di questa disordinata – e frequentemente forzata – convivenza fra troppe anime, emergono già nelle strade, nei locali pubblici, in autobus, con un’accozzaglia di lingue e abbigliamenti, e soprattutto con tanti comportamenti sperso contrapposti, spesso ostili. Bologna – chiamata “la Dotta” per l’antichissima università e per la sua civiltà, e “la Grassa” per la gastronomia e il suo diffuso benessere – sempre indicata come una delle città più aperte e ospitali, ora soffre l’impatto, l’attrito, fra troppe realtà. Anche la grandiosa e prodiga Milano, la “capitale morale” d’Italia, la “Milano col cuore in mano” sta mutando. Ne è un esempio – tra altri – il vastissimo piazzale della Stazione Centrale (un tempo punto di arrivo di tanti italiani del Sud con le valigie di cartone) adesso sempre più invaso da una folla di immigrati stranieri per ogni tipo di incontri e di “commerci”. Molti vecchi milanesi, molti vecchi bolognesi, molti vecchi italiani, appena possono, si rinchiudono in casa. 19 UNA GUERRA CHE RACCONTA LA STORIA DEL NAUFRAGIO Etiopia: un paese alla deriva Una società millenaria che non è mai riemersa dalle guerre del sec. XX 20 D a tempo desideravo conoscere l’Etiopia per vari motivi. Innanzitutto, ricordavo, dai tempi della mia fanciullezza (sono nato nel 1930), l’entusiasmo delirante per la conquista di questo spazio di oltre un milione di km2 considerato vitale per consentire all’allora Italia proletaria e prolifica di inviare là il suo eccesso di popolazione. E, per giunta, l’Italia aveva sfidato la Società delle Nazioni che aveva condannato la guerra e deciso sanzioni economiche (blande peraltro, in quanto non includevano il petrolio ed il passaggio dal Canale di Suez) e, con la conquista, si trasformava addirittura in un Impero. Fatti questi sapientemente strumentalizzati dalla propaganda fascista che facevano facile presa, specie sui giovani. Mi attraevano poi le vicende storiche: gli antichi vincoli con la Giudea, la leggenda dell’incontro della Regina di Saba con Re Salomone a Gerusalemme da cui derivava la stirpe degli Imperatori etiopici durata quasi 3000 anni, il presunto trasferimento ad Axum delle tavole della legge mosaica, le comunità ebree là emigrate da circa 1300 anni, ormai somaticamente africane ed in gran parte trasferite ad Israele verso il 1990 per la carestia del periodo e la solita emarginazione. E poi, il fenomeno della Chiesa Copta Cristiana che ha finora resistito sugli altipiani etiopici alla pressione islamica, emanazione nel 300 d.C. della Chiesa di Alessandria di Egitto, separata da sempre da Roma e con patriarcato proprio prima ad Axum e poi ad Addis Abeba, con tante chiese incredibili scavate nella roccia, antichi dipinti e le sue cerimonie fastose. Ed infine, mi interessava conoscere qualcosa di questa terra antica, culla dell’uomo sulla base dei reperti di oltre 4 milioni di anni, con i suoi altipiani tormentati, le ambe (montagne con pareti scoscese ed ampia cima piatta), le profonde diversità etniche delle tante tribù, le tragiche problematiche economiche. Nonostante i soli 10 giorni disponibili, ci è stato possibile vedere buona parte dell’altopiano, sorvolandolo con aerei Fokker ad ala alta che volano a bassa quota, attraversare in barca il lago Tana con visita alle sue storiche isolette, percorrere in auto e a piedi le città di Addis Abeba, Gondar, Lalibela, Axum, altre minori e vari dintorni. Abbiamo anche partecipato a Gondar e Lalibela alle processioni religiose con centinaia di preti copti addobbati con ricche vesti, ombrelli intessuti di fili d’oro, grandi croci argentate e migliaia di pellegrini poverissimi avvolti in tuniche bianche, con ininterrotte musiche, balli, preghiere, canti religiosi. Cerimonie queste ancora assolutamente autentiche, con scene che sembrano uscite dalla Bibbia. A parte il folklore, le splendide antichità, un originale artigianato, la bellezza della gente, la naturale eleganza delle donne, qualche mercato movimentato, la sensazione che dà l’Etiopia è di un paese in enormi difficoltà, con una popolazione cresciuta a dismisura, sottonutrita, carente di istruzione, di assistenza medica, di comunicazioni, rassegnata, in condizioni del tutto primitive. COMUNITÀ ITALIANA / ABRIL 2005 Per cercare di comprendere i motivi di questa tragica situazione, potranno essere utili alcuni cenni sugli avvenimenti degli ultimi 70 anni. Iniziamo con la conquista italiana del 1935/36 che aveva comportato per il nostro paese impegni ed oneri elevatissimi. Furono trasferiti in Eritrea e Somalia, in centinaia di navi, oltre 200.000 soldati, aerei, autocarri, artiglieria, ogni sorta di materiali, genieri, migliaia di addetti alla costruzione di strade per consentire l’accesso al difficile territorio e le operazioni logistiche. Nei circa 5 anni, dall’inizio delle ostilità fino all’entrata dell’Italia nella 2a guerra mondiale nel giugno 1940, fu profuso dallo Stato fascista il 25% delle risorse governative nelle operazioni belliche e nelle opere di infrastruttura, specie strade, che ancor oggi costituiscono la rete fondamentale di comunicazione. Nel 1938 la popolazione etiopica era allora valutata in circa 6 milioni di abitanti, contro gli allora 45 milioni della popolazione italiana. In questa situazione – nonostante le grandi difficoltà del territorio, la lontananza, l’opposizione del governo ad incroci razziali - l’idea di investire per poi inviare gradualmente in Etiopia l’eccesso della popolazione italiana poteva anche avere un senso. Ma chi mai avrebbe potuto pensare che la popolazione etiopica sarebbe cresciuta a dismisura e viene valutata oggi in 70 milioni di miserabili, mentre l’Italia è diventata uno dei paesi a più bassa natalità, con necessità di milioni di immigrati per sostenerne l’economia? C’è inoltre da chiedersi come mai il governo italiano, con l’ingente impegno etiopico e le finanze conseguentemente debilitate, avesse deciso di entrare in guerra contro l’Inghilterra nel 1940, con conseguente isolamento dell’Impero per la chiusura del canale di Suez. Dopo poco più di un anno dall’inizio delle ostilità, l’Impero era perso e si concludeva così una folle e breve avventura che, oltre ad ingenti spese, aveva comportato il sacrificio di migliaia di nostri combattenti e lavoratori. Con il ritorno del Negus nel 1941, l’Etiopia aveva stretto rapporti con gli Stati Uniti dai quali aveva avuto l’appoggio per annettersi l’Eritrea come stato confederato ed assicurarsi così uno sbocco al mare. Peraltro, con il declassamento dell’Eritrea a semplice provincia nel 1960, ebbe origine una interminabile guerra, di fatto non ancora conclusa. Analoghi conflitti, anche se di minore durata, avvennero con Somalia e Sudan. Nel 1955 fu poi proclamata una nuova costituzione che dava maggiori poteri al parlamento e cercava di ridimensionare il secolare ordinamento feudale, ma ne seguirono disordini, tensioni, rivolte e – nel 1974 – il fatto nuovo, con la destituzione del Negus, poi assassinato, la proclamazione della repubblica, l’assunzione di un regime militare - con a capo il Col. Menghistu - di ispirazione socialista, con l’economia controllata dallo Stato, nazionalizzazione dei terreni agricoli e ridistribuzione ai contadini, rottura con gli Stati Uniti, nuova alleanza con l’Unione Sovietica e Cuba che ABRIL 2005 / diedero cospicui aiuti militari, altre guerre e disordini interni. Il regime Menghistu si concluse nel 1990 con il disimpegno dell’URSS e si affermò un nuovo regime federalista in cui venne eletto democraticamente premier Meles Zenawi che sta facendo tentativi di modernizzare il Paese, le cui condizioni sono ormai disastrate per l’esplosione demografica a cui già si è accennato, le ricorrenti carestie per mancanza di piogge e per l’investimento in spese militari di gran parte delle risorse disponibili. Dilagano AIDS, malaria, l’istruzione è precaria, l’agricoltura è manuale e di pura sussistenza, si stima che la grande maggioranza Editoria de arte Franco Urani – Economia una campagna di pianificazione famigliare, certo difficile con l’80% della popolazione contadina, con estrema precarietà di comunicazione e assistenza medica. Dovrebbe poi venire condonato il debito estero di 6 miliardi di dollari che corrisponde a quasi un anno di PIL. E “Chi avrebbe potuto pensare che la popolazione etiopica venisse valutata in 70 milioni di miserabili, mentre l’Italia è diventata uno paesi con necessità di milioni di immigrati per sostenerne l’economia?” della popolazione non si alimenti sufficientemente, le carestie sono ricorrenti, le città pullulano di bambini e deficienti fisici questuanti. Quindi un panorama disastroso, uno dei paesi più poveri del mondo nel già estremamente critico contesto africano. Difficile dire cosa dovrebbe farsi per tentare di iniziare in Etiopia una qualche ripresa. Innanzitutto, e con i buoni uffici internazionali, occorrerebbe azzerare le spese militari e quindi risolvere definitivamente le interminabili e assurde guerre con gli Stati vicini. In secondo luogo, dovrebbe venire lanciata in grande stile poi, sarebbe imperativo – e non solo in Etiopia – il massiccio intervento internazionale, sotto l’egida dell’ONU (presente ad Addis Abeba da circa 40 anni, peraltro con risultati scoraggianti), applicando almeno una parte delle ingenti risorse che potrebbero mettere a disposizione i paesi ricchi con la riduzione dei loro bilanci militari e la rinuncia ad una parte del loro benessere, che spesso è opulenza. Dovremmo cioè sforzarci per acquisire rapidamente una nuova coscienza etica mondiale e realizzare una pacifica rivoluzione solidaria, prima che sia troppo tardi. Bastano pochi dati statistici per capire la drammatica situazione economica dell’Etiopia, il cui territorio è di circa 1,1 milioni Km2 (contro 0,3 dell’Italia e 8,5 del Brasile): Popolazione valutata in 70 milioni, con crescita annua prossima al 3% Fecondità di circa 7 figli per donna, con mortalità infantile del 12,4% Vita media sui 45 anni Prodotto interno lordo (PIL) di 7 miliardi di dollari (contro 600 Brasile e 1.100 Italia) Reddito annuo pro-capite di US$ 100 (contro 3.000 del Brasile e 20.000 dell’Italia) Debito estero di 6 miliardi di dollari Popolazione agricola di oltre l’80% (contro 20% Brasile e 5% Italia) Analfabeti circa 60% della popolazione e accesso all’acqua potabile per il 30% COMUNITÀ ITALIANA 21 Economia CI – Perché l’Italia risente del problema molto di più dei suoi vicini? Bombassei – L’Italia ha sempre dimostrato una grande capacità di trasformazione, perché non ha mai posseduto le materie prime, industrie pesanti o altri tipi di produzione. Un paese trasformatore che non è quasi mai stato produttore di tecnologia, salvo delle eccezioni. Per esempio, sappiamo che l’Italia è la vice-campionessa nel consumo di apparecchi cellulari, ma non fabbrichiamo nessun telefono mobile sul nostro territorio. CI – La crisi del settore tessile è uno dei casi più gravi per ciò che riguarda la competitività? Bombassei – Questa crisi dura da vent’anni. Le licenze di importazione cinesi, oggigiorno aumentano dal 600 al 1300%. Siamo contrari alle tasse doganali in generale, per motivi storici ed economici, ma abbiamo regole dell’Unione Europea che debbono essere seguite. Se dei prodotti importati mettono in crisi un intero settore dell’economia, si può ricorrere all’esazione di tariffe, e questo è un procedimento legale. Dobbiamo far valere il principio di reciprocità. I prodotti europei importati dalla Cina pagano il 40%, invece i prodotti cinesi importati in Europa pagano molto meno. CI – La mancanza di controllo rende più grave il problema? Bombassei – Sì. Fino a poco tempo fa venivano liberati nel porto di Napoli circa 1000 container al giorno, ma solo cinque o sei impiegati sono responsabili per il controllo del carico merci. Questo è umanamente impossibile. Sicuramente lì inizia una catena di irregolarità. Abbiamo già fatto un accordo con la Guardia di Finanza per ridurre il problema. CI – In che area l’Italia va meglio dei suoi vicini? Bombassei – La tassa di occupazione italiana è maggiore di quella tedesca, ma gli altri dati sono negativi. Il governo sta proponendo e adottando misure molto modeste in relazione a quelle indicate da noi e al contrario di ciò che stanno facendo gli altri paesi. La Francia ha adottato un programma di ricerca e sviluppo preventivato in 6 miliardi di euro, mentre noi abbiamo avuto a disposizione soltanto 800 milioni di euro, che non sappiamo neanche se saranno spesi bene. Siamo molto delusi dal programma proposto dall’Italia. CI – Che cosa aveva chiesto la Confindustria al governo? Bombassei – Avevamo chiesto un onere fiscale più leggero per le imprese. I paesi che sono entrati adesso nell’Unione Europea subiscono un onere fiscale molto minore, quindi è chiaro che gli investimenti si dirigono verso terreni più fertili. Il costo della manodopera in questi paesi corrisponde a un quinto di quello francese, italiano o tedesco. In Italia, la differenza tra il costo del lavoro e gli stipendi netti degli operai è molto grande. Siamo i primi alla voce ‘costi’ e gli ultimi a u u qG A e m r e o h quella n l ‘stipendi’ i i . È una dispersione molto accentuata. CI – Quale altro fattore incide sulla diminuzione della competii freni, Alberto Bombassei ne capisce. È il presidente della Brembo, tività italiana? azienda italiana leader mondiale nella fabbricazione di freni per auto- Bombassei – Prima di tutto siamo uno dei pochi paesi europei che mobili e installata in Brasile, a Betim, da due anni. Ogni anno vende non hanno energia nucleare e, comprando energia dai nostri vicini, il 30 milioni di unità in tutto il mondo. I suoi prodotti sono presenti in costo dell’elettricità italiana è il più elevato di tutta Europa. Un altro macchine utilitarie, commerciali e sportive come Ferrari e Porche, così come fattore è la nostra burocrazia che, tanto in governi di destra quanto in in moto Honda e Yamaha. Ma è stato nelle vesti di vice-presidente della Con- quelli di sinistra, continua a minare gli sforzi del sistema italiano. findustria italiana che ha ricevuto i corrispondenti stranieri nel salone delle CI – Qual è il bisogno urgente del paese? conferenze della Borsa di Valori di Milano. All’ordine del giorno dell’incontro Bombassei – Abbiamo bisogno di un piano di infrastrutture, di riforme c’erano i freni della Grembo e quelli dell’Italia, che non riesce a dare il via e del sistema stradale, ferroviario e aeroportuale. Al sud, questa infrastruta competere con gli altri paesi eutura è praticamente inesistente. Al ropei. Comunità Italiana ha parsud della Spagna e della Francia tecipato all’incontro, avvenuto lo c’è un potenziale turistico ben svistesso giorno in cui Berlusconi, a luppato e amministrato. La Sicilia, Roma, votava in Parlamento il paccon tutto il potenziale di interessi chetto di misure per incrementare culturali, paesaggistici e archeola competitività del paese e reculogici, potrebbe essere il motore perare il terreno perduto sullo scedi un’industria forte del turismo, nario internazionale. ma non riusciamo a investirci coComunità Italiana – La perdita della competitività è un problema italiano o me vorremmo. Inoltre abbiamo l’accordo di Lisbona, secondo cui i paesi europeo in generale? debbono investire perlomeno il 3% del prodotto interno lordo in ricerca Alberto Bombassei – È soprattutto un problema europeo. L’economia mondiale e sviluppo entro la fine del decennio. Sono già passati quattro anni e va bene. Il mercato nord-americano sta avanzando, così come quello sudame- l’Italia è ferma ad applicazioni di risorse che si aggirano sull’1%, mentre ricano, che si risolleva dopo alcune difficoltà. I paesi asiatici, tra cui la Cina e nei paesi del nord si investe molto di più. L’Europa occidentale non è in anche il Giappone, che si trovavano in ristagno da decenni, sono in crescita. crescita, al contrario dei paesi asiatici e sudamericani, il Brasile in special Ma l’Europa si trova ingessata dovuto ai suoi nodi sociali e burocratici. E l’Italia modo. Perfino per attrarre investimenti automobilistici dobbiamo correre risente del problema molto di più dei suoi vicini. dietro alle condizioni di crescita di queste nazioni. Francesca Giobbi dalla testa ai piedi F ELEMENTI ORIGINALI Francesca racconta che la sua famiglia, venuta dalla Lombardia, arrivò in Brasile nel 1932. Il bisnonno, proprietario di una piccola ditta edile, sentì dire che a San Paolo c’erano grandi opportunità per ingegneri specializzati nell’apertura di strade e decise di ingrandire gli affari. Comunque l’Italia non ha mai smesso di esser un punto di riferimento culturale trasmesso da generazioni. “Fin da piccola ho avuto contatto con i prodotti di là, visto che mia nonna viaggiava spesso e mi portava molti regali”, ricorda Francesca in questa intervista a Comunità. Le borse e scarpe sono state, fin dall’inizio, gli oggetti preferiti dalla designer. Vale la pena mettere in risalto che quando ha visitato l’Italia per la prima volta, a 16 anni, al ritorno si portò in valigia circa 40 paia di scarpe nuove, alcune firmate da grandi marche come Gucci, altre scelte con attenzione nei mercatini di Firenze. “Gli italiani apprezzano cose nobili, sono minuziosi con le rifiniture e la linea. Con loro ho imparato a distinguere ciò che è di qualità e ciò che non lo è”, dice. Non per caso Francesca ha scelto di studiare all’Istituto Europeo di Design, a Milano, un ri- Vice-presidente della Confindustria parla del ristagno europeo e spiega perché l’Italia è uno dei paesi meno competitivi del Vecchio Continente COMUNITÀ ITALIANA / ABRIL 2005 nomato centro di insegnamento nelle aree della Moda, delle Arti Visuali e di Comunicazione. Là, si è laureata in Architettura di Interni – come abbiamo già detto – e ha avuto la sua prima opportunità professionale. “Grazie a contatti fatti presso l’Istituto, sono stata invitata a lavorare nella Linea Casa di Versace”, ricorda. A partire da quel momento, la sua carriera ha ricevuto un grande impulso. Ancora presso la Versace, ha cominciato ad occuparsi delle vendite internazionali delle scarpe della boutique. Grazie al knowhow acquisito in questo settore, ha cominciato ad essere chiamata dalle grandi maison: Miu Miu, Prada, Jill Sander, Armani, Donna Karan e Sérgio Rossi. Nel 1999, contrattata da un ufficio internazionale chiamato Agan, Francesca ha coordinato lo sviluppo di una linea giovane di prodotti italiani, che sarebbe stata venduta da un grande magazzino inglese, l’House of Fraser. Ma sei mesi dopo ha ricominciato a lavorare con grandi marche e, questa volta, ha disegnato una collezione completa di scarpe per la Gucci. E COSTRUIRE IL NUOVO MONDO Contando con il periodo degli studi, Francesca ha vissuto a Milano per 10 anni. Ma nel 2000, con l’idea di aprire la sua propria ditta, è ritornata alla sua terra natale. “Il Brasile è un paese di opportunità, dobbiamo imparare nel vecchio mondo e costruire nel nuovo mondo”, insegna. In principio, ha pensato di occuparsi della distribuzione di prodotti di grandi marche – come faceva in Italia – visto che così avrebbe potuto conoscere meglio il mercato nazionale. Ma ha scoperto che non c’erano molte opportunità in questo settore. E allora ha scelto di offrire consulenze temporanee a diversi fabbricanti di prodotti per mercerie. Linea di scarpe disegnate da Francesca Giobbi per la sua marca ABRIL 2005 / Designer di scarpe italo-brasiliana è proprietaria di un negozio di San Paolo e rifornisce 43 showroom all’estero IMPARARE NEL VECCHIO MONDO Fotos: Verônica Campos D 22 Andressa Camargo Figlia di una commerciante in abbigliamento di successo negli anni ’80, Francesca Giobbi è cresciuta in mezzo a stoffe pregiate e macchine da cucire. Da bambina ha imparato che nel mondo della moda ogni piccolo dettaglio è importante e che, nel mercato di lavoro, perfezionismo e determinazione costituiscono le parole d’ordine. Nel 1991, a 18 anni, decisa a costruirsi una carriera come designer, è partita per Milano per studiare Architettura d’Interni. Oggigiorno, Francesca Giobbi è proprietaria di una marca di scarpe e di una fortunata storia di vita, che vi raccontiamo più dettagliatamente nel testo che segue. L’Italia presenta uno dei peggiori indici di crescita dell’Unione Europea “L’economia mondiale va bene, ma l’Europa risulta ingessata dai suoi nodi sociali e burocratici” Moda COMUNITÀ ITALIANA Nel novembre del 2002, Francesca ha deciso di preparare una linea di scarpe fatte a mano da essere vendute all’ingrosso, e ha sfruttato l’opportunità per creare anche la sua marca. Nel settembre 2003, ormai abbastanza conosciuta dalle consumatrici brasiliane, ha inaugurato un negozio col suo nome nell’Alameda Gabriel Monteiro da Silva, nel quartiere Jardins, a San Paolo. “Alle mie clienti piace la qualità e la comodità”, spiega. Oggi, a 31 anni, proprietaria di un curriculum invidiabile, la designer spedisce parte della sua collezione a New York, Londra, Parigi, Milano, Oslo e Madrid, rifornendo un totale di 43 showroom all’estero. Diventate popolari nel mondo della moda, le sue creazioni già vengono pubblicate sulle principali riviste femminili dell’attualità, come Vogue e Elle, e ai piedi delle modelle più copiate, come Gisele Bündchen, Kate Moss e Claudia Schiffer. “Ma sono ancora agli inizi” dice lei, modesta. “Entro il 2007 voglio aprire un negozio mio in Europa e un’altro negli Stati Uniti”. Ma il Brasile non verrà mai messo in secondo piano: “Il mio paese è una fonte d’ispirazione, perché accoglie una grande varietà di fiori, culture e climi e, inoltre, è un paese in cui mi sento libera di creare”, termina l’intervistata, orgogliosa. 23 Comunidade se. E, apesar de toda a beleza dos artefatos, eles acabam saindo quase de graça para os foliões. “A apresentação da Pianeta Vacanze é, na verdade, patrocinada por empresas privadas italianas”, explica ela. “Pedimos aos participantes apenas uma contribuição de R$ 25, pois estamos apoiando, a pedido da Imperatriz, uma ONG que trabalha na formação de escolas de samba mirins”. Entretanto, para os 160 turistas que entraram na Sapucaí este ano, outros gastos devem ser considerados. A viagem completa - que inclui, passagem aérea, hospedagem por uma semana, um dia de excursão, um almoço em churrascaria da moda e um ticket para assistir às campeãs no sambódromo – não sai por menos de 1500 euros. O que não impede que o número de interessados cresça a cada ano: “Em 2004, vieram para o Rio conosco mais ou menos 100 italianos”, diz Débora. ALÉM DO SAMBA, PIZZA E COMPROMISSO Sicília atuante no Rio de Janeiro O privilégio de representar a Itália no carnaval carioca 1 2 de fevereiro, fim de tarde na Cidade Maravilhosa. Apesar do calor, o público lota arquibancadas, frisas e camarotes da Marquês de Sapucai, e, ansioso, espera pelo início do desfile das vencedoras do Grupo Especial. Entra a primeira escola, todos se levantam alegres, mas alguns desavisados não compreendem o que se passa. Na Avenida, atrás de um grandioso e solitário carro alegórico, cerca de 550 pessoas entoam tarantelas e exaltam, nas fantasias, a gastronomia mediterrânea. Não, não podia ser a Mocidade Independente. E não era. Os foliões representavam a Acadêmicos da Pianeta Vacanze, uma escola composta exclusivamente por italianos e descendentes, que, desde 2002, abre o sábado das campeãs. “Esse evento é uma vitrine para a cultura da bota aqui no Brasil, para que os próprios descendentes descubram suas raízes”, afirmou Débora dos Santos, uma baiana que vive há anos na Sicília e que organiza os desfiles da escola. Na Itália, em sociedade com o marido, Débora dirige uma agência de turismo chamada, justamente, Pianeta Vacanze. “Por sermos proprietários de uma empresa conceituada lá fora, conseguimos contatar a Liga das Escolas e assumir a coordenação desse desfile, o que faz muito sentido para nós”, completa ela, lembrando que, mesmo antes de 2002, um pequeno grupo italiano já entrava na Sapucaí, sob orientação de alguns carnavalescos da cidade de Cento (Ferrara), para aquecer a 24 Andressa Camargo e Gisele Maia platéia. “Eu achava linda aquela manifestação, entretanto, naquela época, a prioridade era mostrar atrações vindas diretamente das festas italianas, acabava faltando uma unidade temática nas apresentações”. Desde que assumiu o projeto, Débora trabalha para que sua escola tenha o mesmo requinte das brasileiras. Entretanto, nunca se esquece que o mais importante é divulgar a cultura e as belezas naturais da Itália. “Queremos tocar na memória dos imigrantes e despertar o interesse dos brasileiros”, explica. Para confeccionar, no próprio Rio de Janeiro, as fantasias e o carro alegórico da Pianeta Vacanze, Débora conta com a ajuda e o know how dos artesãos da Imperatriz Leopoldinen- Participar do carnaval carioca não foi o único objetivo dos visitantes. Neste ano de 2005, a Pianeta Vacanze teve a iniciativa de transformar a vinda ao Rio de Janeiro em uma oportunidade para se fazer negócios. Em 14 de fevereiro, a segunda-feira após o desfile das campeãs, um evento organizado pela agência de viagens promoveu o encontro do Cônsul Geral da Itália, Mássimo Bellelli, com alguns empresários sicilianos. Nesse dia, 150 pessoas lotaram o auditório principal do Instituto Italiano de Cultura do Rio de Janeiro. “Esses empresários são nossos clientes e nós decidimos facilitar o contato entre eles e o consulado. Além disso, aproveitamos a oportunidade para fortalecer as amizades entre as pessoas que desfilaram conosco”, afirma Débora, que lamentava pelo espaço reduzido da sala. “Infelizmente só pudemos enviar dois convites para cada família, nem todos estão aqui”. O arquiteto Ivano Manzan, original da cidade de Latina, reside no Brasil desde 1976 e era um dos italianos presentes na confraternização. “Sinto orgulho de entrar na Avenida representando meu país. A Itália é a única nação estrangeira a desfilar no carnaval carioca”, diz ele, que, atualmente, trabalha no consulado com vistos e navegação. Para garantir a diversão dos convidados, subiram ao palco três dos maiores pizzaiolos acro- batas do mundo: Giorgio Riggio, Paolo Coppola de Açúcar, que é um colosso, prefere não se are Salvatore Lana. “Eles desfilaram sobre o nosso riscar e trabalha com o que o público já conhecarro na Sapucaí e, hoje, quiseram se apresentar ce, como as massas e os azeites, e não se volta em homenagem ao cônsul”. Além disso, dezenas para os produtos artesanais”, explica Denise de Almeida Peres, diretora da Câmara do Rio. de prêmios foram sorteados. Os encontros de negócios continuaram no Para ela, a Acadêmicos da Pianeta Vacanze é dia seguinte. A Câmara Ítalo-brasileira de Co- uma vitrine importante e reforça a imagem da mércio e Indústria promoveu a organização culinária mediterrânea – que é o caso da Sicília de um workshop para que importadores e dis- e das regiões do sul da Itália -, já amplamente tribuidores locais pudessem conhecer os pro- divulgada. “Este ano, o tema da escola foi Sapori Mediterrani, o que enaldutos sicilianos e discutir as tece muito o produto típico possibilidades de mercado alimentar italiano”, comenta para os mesmos no Brasil. a diretora. Durante o Incontro O Cônsul Geral da Itália, d’Affari, realizado no auditóErnesto Massimo Bellelli, que rio da Firjan (Federação das esteve presente no evenIndústrias do Rio de Janeito, também opinou sobre ro), a Sicília foi representaa questão: “O que estamos da pela Compunet, produtora vendo aqui é um dos muitos de cartões plásticos de PVC; exemplos do que aconteceu a Kart, de artigos naturais nesse segmento. A Câmara medicinais; a Ecoconsult, que de Comércio e o ICE (Institupresta consultoria ambiental; to Italiano para o Comércio a Pasticceria Caviezec, que faExterior) promoveram evenbrica doces típicos; a Perlat, tos sobre a Dieta Mediterde artesanato; a Inalme, de rânea no Rio de Janeiro e produtos naturais; e, como já também em cidades menores foi dito, a Pianeta Vacanze, como Valença e outras pelo na área turística. Os empreBrasil afora. A comida itasários não só trocaram idéias liana é bastante conhecida, e esclareceram condições de mas mesmo os brasileiros venda: os convidados tiveram não são acostumados com a também a oportunidade de riqueza de todos os seus eleprovar a qualidade das pastas mentos”, afirma Bellelli. finas e doces típicos siciliaA compunet, de cartões nos de produção artesanal. plásticos, despertou inteOs mesmos talvez estejam resse de consultores que disponíveis para o público carioca em breve, já que a ERNESTO MASSIMO BELLELLI, trabalham com a Brasil Telecadeia de supermercados ZoCÔNSUL GERAL DA ITÁLIA NO com. Mas, no momento atual, em que o mundo inteiro na Sul, cujo dono é italiano, RIO DE JANEIRO se volta para a questão do demonstrou interesse em fameio-ambiente, por conta zer um teste junto aos consumidores. “Tivemos o cuidado de avaliar bem da entrada em vigor do Protocolo de Kyoto, a quem seriam os possíveis parceiros no Rio. Os mais “concorrida”, segundo Denise Peres, foi elementos trazidos hoje aqui são muito típicos a Ecoconsult. Entre os projetos realizados, a e não é qualquer supermercado que os coloca- empresa trabalha com tecnologia para a puriria em suas nas prateleiras. Mesmo o Grupo Pão ficação da água e do ar atmosférico. “A comida italiana é bastante conhecida, mas mesmo os brasileiros não são acostumados com a riqueza de todos os seus elementos” Carro alegórico da Acadêmicos da Pianeta Vacanze, escola italiana que abriu o desfile das campeãs Pizzaiolos acrobatas se apresentam no Instituto Italiano de Cultura - RJ COMUNITÀ ITALIANA / ABRIL 2005 ABRIL 2005 / COMUNITÀ ITALIANA Missão siciliana visita Hospital Italiano do Rio de Janeiro para discutir acordos na área da saúde A Sicília também reafirmou seu compromisso com os concidadãos que vivem no exterior. No mês de março, uma delegação da Comissão de Serviços Sociais e Sanitários da Região esteve no Hospital Italiano do Rio de Janeiro. Em uma reunião com o presidente da SBMS (Società Italiana di Beneficenza e Mutuo Soccorso), Doutor Antonio Aldo Chianello, discutiu-se os problemas dos italianos, principalmente os de origem siciliana, que, por questões financeiras, não tem acesso a atendimento médico de qualidade. Foram propostas soluções como a cobertura das despesas médicas de cidadãos sicilianos e fornecimento de material e equipamento hospitalar. Uma lei recentemente aprovada pela junta regional também permite que seja dado apoio financeiro a outros hospitais em países em desenvolvimento, não necessariamente hospitais italianos. Durante a visita, estiveram presentes representantes do projeto ITENETS (International Training and Employment Network) tem por objetivo formar redes de contato entre os italianos de determinadas regiões, dentro e fora da Itália. A iniciativa recebe o apoio do Ministero degli Affari Esteri, da Direzione Generale per gli Italiani all’Estero e le Politiche Migratorie (DGIEPM). É financiada pela União Européia através do Fundo social Europeu, e tem como foco de atuação a Basilicata, Calábria, Campânia, Molise, Puglia, Sardegna e Sicília. Para isso, existem os “observatórios regionais” e, por meio deles, busca-se formar redes de trabalho e criar relações entre as regiões meridionais italianas e italianos residentes no exterior, de modo particular nos setores do trabalho, de formação profissional e empresarial. “É um projeto que também explora o lado cultural, econômico, científico e tecnológico. Por exemplo, entramos em contato com o hospital italiano para que daí possa haver intercâmbio na área médica, mantendo aqui um padrão igual ao existente na Itália”, explicou Lucio Dieni, diretor do Osservatório ITENETs – Região Sicília, durante uma visita ao Hospital Italiano. O exemplo do hospital, citado por Dieni, é apenas uma das formas de atuar. Os Osservatori se destinam também às administrações regionais, entes locais, serviços de emprego, centros de formação e sindicatos. No exterior, as instituições que dão suporte são: embaixadas e consulados italianos, as Câmaras de Comércio, os escritórios do ICE, os Institutos Italianos de Cultura e as organização dos italianos no exterior. 25 Serviços Caro leitor, Inauguramos nesta edição a sessão “Participa Comunità”. Nela estarão informações sobre cursos, prêmios internacionais, bolsas de estudo e outras oportunidades para a comunidade italiana. PRIMEIRA EDIÇÃO DO CONCURSO JORNALÍSTICO PARA MIGRANTES A Província de Pescara está organizando a primeira edição do Concurso jornalístico para migrantes, em colaboração com a Abruzzo nel mondo, periódico dedicado à comunidade italiana no exterior. O concurso está dividido em duas sessões: uma dedicada aos autores residentes na Itália provenientes de países em desenvolvimento não pertencentes à União Européia e a outra para italianos residentes no exterior. Os candidatos deverão ter entre 18 e 40 anos. O tema a ser abordado é a questão das trocas interculturais enquanto fator de enriquecimento social. O artigo ou reportagem deverá ser inédito, no tamanho máximo de duas páginas (cada página de 30 linhas, com o máximo de 60 caracteres por linha). O texto, redigido em língua italiana, deve ser enviado, junto com os dados do autor, para o Servizio Politiche Sociale – Ufficio Immigrazione della Provincia até o dia 29 de abril. O prêmio para a primeira sessão (autores residentes na Itália provenientes de países em desenvolvimento não pertencentes à União Européia) será um estágio de formação e treinamento por dois meses na redação do “Il Centro”. As bolsas são de 600 euros para o primeiro colocado e 350 para o segundo. Quanto à segunda sessão (italianos residentes no exterior), o prêmio para o primeiro colocado é de 600 euros, mais a publicação do artigo de sua autoria no jornal Abruzzo nel mondo. O segundo colocado receberá 350 euros. Maiores informações: www.pescaraonline.net PRÊMIO LITERÁRIO INTERNACIONAL A Associação Cultural Maestrale e o Salotto Letterario do Restaurante San Marco promovem a nona edição do Prêmio Literário “Maestrale – San Marco / Marengo d’Oro”. O objetivo é a valorização da cultura literária na Região Ligúria. É possível participar em diversas categorias, como poesia, romance, texto teatral e tese de doutoramento, todas para o idioma italiano. Há ainda uma categoria especial para estrangeiros, que permite textos nas línguas francesa, inglesa, portuguesa, espanhola e alemã. O vencedor absoluto levará o prêmio de 500 euros, mas os primeiros, segundos e terceiros lugares das diversas categorias também serão contemplados. O prazo para as inscrições é até 31 de maio. Para maiores informações: www.maestralesestrilevante.com [email protected] 26 BOLSAS DE ESTUDO PARA ESTUDANTES ESTRANGEIROS OPORTUNITÀ DI STUDIO E LAVORO O Ministério das Relações Exteriores italiano divulgou as ofertas de bolsas de estudo oferecidas pelo Governo a cidadãos estrangeiros e italianos residentes no exterior. Uma característica importante das bolsas oferecidas é que existe a possibilidade dos estrangeiros de estudar também a língua italiana, seja do ponto de vista instrumental para o aprendizado de outras disciplinas, ou como aprendizado do idioma em si. As bolsas de estudo concedidas aos estudantes estrangeiros são o principal instrumento de política exterior cultural da Itália, tendo como objetivo reforçar as relações com os diversos países, além de se constituírem numa importante oportunidade de valorização do potencial científico italiano. Os formulários de requerimento podem ser baixados no site do Ministério (www.esteri.gov.it > opportunità di studio e lavoro> borse di studio > per cittadini stranieri), onde há informações detalhadas. O prazo é até o dia 22 de abril. Nel 2002 la Facoltà di Economia dell’Università Politecnica delle Marche e l ’ISTAO (www.istao.it) hanno istituito un Master in Management Internazionale. Lo scopo del Master è di formare giovani laureati che possano assistere le imprese italiane nel loro processo di internazionalizzazione. Quest’anno abbiamo deciso di aprire il Master alla partecipazione di studenti internazionali, nella convinzione che le sussidiarie estere delle nostre imprese hanno bisogno di personale locale familiare con la lingua, la cultura e la pratica commerciale italiane. Il numero dei posti disponibili è limitato ed in prima approssimazione abbiamo deciso di dare priorità agli studenti di quei paesi emergenti o in transizione che hanno rapporti commerciali più sviluppati con l’Italia. “L’ITALIANO CHE C’È NEL MIO CUORE” Até o dia 31 de maio estarão abertas as inscrições para a edição 2005 do “Concorso di scrittura in língua italiana” promovido pela comissão de cultura do Comites de São Paulo. O concurso é aberto a jovens e adultos que freqüentam ou já tenham freqüentado cursos de língua italiana junto a entidades ligadas à coletividade italiana. O tema deste ano é “L’italiano que c’è nel mio cuore”. Os candidatos deverão apresentar, junto com a ficha de inscrição, um comprovante da escola de italiano que cursa ou cursou, com a assinatura do professor responsável. Os candidatos serão divididos em três categorias, por faixa etária: de 12 a 17 anos, de 18 a 39 e acima de 40 anos. Serão considerados, além da forma e da gramática em italiano, a originalidade ao discorrer sobre o tema e o conteúdo. As inscrições são recebidas na secretaria do Comites. Para maiores informações: (11) 3141 – 2890 PREMIO LETTERARIO INTERNAZIONALE VILEG NOVELLA DAL JUDRI - CULTURAGLOBALE “PICCOLE STORIE D’ACQUA” L’uomo e ciò che lo circonda 6a edizione 2005 Medaglia del Presidente della Repubblica Italiana promosso ed organizzato da NOI CULTURA e VILEG NOVELLA DAL JUDRI CULTURAGLOBALE NOI CULTURA progetto integrato dei Comuni di: Buttrio, Chiopris - Viscone, Corno di Rosazzo, Manzano, Pavia di Udine, Pradamano, Premariacco, S. Giovanni al Natisone. Servizio: Associazione Culturale Vileg novella dal judri - Culturaglobale via IV novembre, 17 - 33048 S. Giovanni al Natisone www.culturaglobale.it [email protected] 0481.62326 - 339.2650471 La preghiamo di notare che: 1) la selezione delle domande è in base al merito; 2) gli studenti selezionati avranno una borsa di studio che copre completamente il costo di iscrizione al master; 3) in aggiunta riceveranno un contributo alle spese di soggiorno di 600 euro mensili per il periodo residenziale del corso (maggio-settembre 2005); 4) le spese di viaggio non sono rimborsabili; 5) la lingua di lavoro è l’inglese; 6) agli studenti internazionali verrà offerto gratuitamente un corso specializzato di lingua italiana. Servizio: Facoltà di Economia, Università Politecnica delle Marche Piazzale Martelli, 8 - 60100 ANCONA (IT) tel: +39 071 2207093, fax: +39 071 2207102 www.dea.univpm.it FESTIVAL ITALIANO DE DIREÇÃO TEATRAL Estão abertas as inscrições para o prêmio “Fantasio Piccoli 2005”. Esta é a oitava edição do único festival na Europa dedicado à direção teatral, que, este ano, se concentra em cinco teatros: Trento, Forli, Gênova, Nápoles e Vasto. O festival é organizador por Quei de Vilazan em colaboração com a CO.F.AS, a associação “Colori di sfondo” de Nápoles, a associação “La Pozzanghera” de Gênova, a associação “Romeo” de Forli, a associação “Teatro Vasto” de Vasto e a associação “Estroteatro” de Trento. Aos diretores que participarem será dado um texto de duração máxima de 15 minutos e cada um estará livre para encená-lo como achar melhor. A comissão julgadora avaliará quesitos como técnica teatral, capacidade de criar emoção, de harmonização e de orientação dos atores. Os interessados deverão baixar o formulário de inscrição no site www.queidevilazan.it e enviá-lo para: Quei de Vilazan – Invito alla Regia Via San Martino, 42 38040 Vattaro (Trento) Itália COMUNITÀ ITALIANA / ABRIL 2005 Supplemento di Economia *Textos em português disponíveis no site www.comunitaitaliana.com.br Comunità Italiana È arrivato il momento. Brasile e Italia devono ristrutturare i loro legami commerciali, renderli dinamici in un momento in cui gli sguardi si rivolgono quasi esclusivamente al nuovo centro di potere che emerge in Asia. L’ unione storica e culturale che coinvolge i due paesi da quasi due secoli, che ha culminato nell’emigrazione di 25 milioni di persone, si costituisce in un marketing naturale tra i più straordinari dell’economia internazionale e, quindi, non può essere trascurata. In questo servizio speciale di Comunità Italiana tutti i punti positivi e negativi di questa partnership sono in dibattito, che coinvolge mercato, governo e, soprattutto, italo-brasiliani. I Mani in pasta 28 ANDRÉ FELIPE LIMA l pescivendolo carioca Pascoalino Gentile, 45, forse non lo sa ma fa parte di una comunità di all’incirca 25 milioni di brasiliani, i cui legami con l’Italia sono molto più che culturali. Sono di sangue, sudore e, soprattutto, imprenditorialità. La maggior parte di questi oriundi ha ereditato dai suoi avi, che sono arrivati qui in fuga dalla Seconda guerra mondiale, affari che oggi rappresentano circa il 35% del Prodotto Interno Lordo Brasiliano (PIB). Soltanto nelle a Federação das Indústrias dello stato di San Paolo (Fiesp), secondo stime di Edoardo Polastri, presidente della Camera di Commercio italo-brasiliana nella chiamata ‘zona della pioggerella’ e, interinamente, dell’associazione mondiale delle 71 Camere bi-nazionali, il 60% delle 100mila imprese brasiliane associate hanno origini italiane. Su questo scenario di San Paolo – malgrado l’inesistenza di statistiche precise in altri stati – il signor Pascoalino ha ragione ad essere orgoglioso: infatti lui rappresenta il ritratto dell’anima italiana, sempre perseverante, ovunque si trovi, in qualsiasi angolo del Brasile o del mondo. Questa è, forse, la ABRIL 2005 / maggior eredità lasciatagli dal padre, Giuseppe, che è stato giornalaio, fornaio e, infine, pescivendolo. Oggigiorno, il signor Pascoalino, che 26 anni fa voleva essere architetto, esterna quest’anima nei mercati di Rio. La routine comincia alle quattro di mattina. È a quest’ora che il signor Pascoalino si dirige a Niteròi in uno dei suoi camion frigoriferi per comprare la merce. Caricata mezza tonnellata di pesce, l’oriundo italiano ritorna ai mercati di Rio. - Lavoro molto, ma non penso di cambiare vita. Con la pescheria mantengo la mia casa – dice gli occhi umidi. Casi come quello del signor Pascoalino e di un enorme numero di discendenti di italiani in Brasile hanno convinto l’attuale Governo federale di un fatto: esiste la necessità di intensificazione dei legami commerciali con l’Italia, importando, tra l’altro, modelli socioeconomici di successo nel Belpaese, come i distretti industriali, anche conosciuti come clusters, perché aggregano in un unico centro varie piccole imprese che finiscono col rafforzare l’economia della regione in cui si concretizzano. Recentemente, il ministro per lo Sviluppo, Industria e Commercio estero, Luiz Fernando Furlan, si è riunito con membri della Camera di Commercio di Milano e della Promos milanese per COMUNITÀ ITALIANA Ernane D. A. Ernane D. A. PRINCIPALE Pascoale Gentile, que há 26 anos trabalha nas feiras livres do Rio 29 Italiana Comunità PRINCIPALE “Non è necessario fare del marketing per vendere la pasta italiana” (RAFFAELE DI LUCA) PRINCIPALE conoscere il know-how italiano per, chissà, impiantarlo ancora quest’anno nel mercato brasiliano. Presso il Planalto si stanno già portando avanti studi affinché questo succeda in breve. Le realizzazioni del governo brasiliano all’estero hanno dato origine ad elogi che da molto non si ascoltavano sul mercato internazionale. Riccardo Landi, dell’ICE, definisce la gestione Lula come ‘brava’ per la fiducia conquistata presso il Fondo Monetario Internazionale (FMI) e la Banca Mondiale. - Non solo i grandi, ma anche i medi e piccoli investitori partono da una posizione di fiducia per ciò che riguarda il Brasile. Se da una parte esiste la possibilità di impiantazione del modello italiano di distretti industriali e un riconoscimento internazionale di stabilità economica in Brasile, dall’altra – decisiva per la stabilità economica e per il rafforzamento di questo modello – si aggrava: le piccole e medie imprese si scontrano ancora con la stramba caricas tributaria brasiliana. - Ogni 100 imprese che iniziano ad operare in tutto il Brasile, in un anno, 40 chiudono le porte. L ‘anno seguente, altre 30 – avvisa il presidente della Camera di Commercio italo-brasiliana di Rio, Raffaele Di Luca. Marketing naturale con 25 milioni di persone Tassi di interessi alti, burocrazia doganale, tasse in cascata e legislazione poco chiara preoccupano ancora gli investitori. Ma trattandosi di affaristica del Belpaese, malgrado le barriere commerciali, non esiste miglior mercato al mondo per assorbire prodotti italiani – garantisce Di Luca – all’infuori del Brasile. - Non è necessario fare del marketing per vendere la pasta italiana, qualsiasi prodotto italiano. In ogni famiglia brasiliana c’è qualcuno che discende da italiani. Se può scegliere tra un prodotto spagnolo, argentino o italiano, il brasiliano vorrà l’italiano. C’è un forte legame. Non investire in un marketing naturale come questo significa veramente voler negare un buon business. Vi immaginate lanciare la pasta in Svezia? Ci vorrebbe un po’ po’ di marketing. Andréa Matarazzo, ex ambasciatore del Brasile in Italia durante il governo 30 Italiana di Fernando Henrique Cardoso, riconosce il peso di una partnership più diretta tra l’Italia e il Brasile nell’area economica. Lui fa coro a coloro che mettono sull’avviso le autorità a proposito dell’importanza della presenza, su suolo brasiliano, di oltre 25 milioni di oriundi italiani. - Essendo uscito (n.d.t.:dal governo) insieme a Fernando Henrique, non conosco perfettamente le relazioni italiane col governo Lula. Ma so che lui non c’è ancora andato. Io, ovviamente, come italiano che vive in un paese che ospita 26 milioni di italiani, e sapendo che l’Italia è la quinta economia mondiale, penso che sarebbe molto importante farlo. FHC, da quello che mi ricordo, tra il 1997 e il 2000 si era recato tre o quattro volte in Italia. Una relazione ben prossima – dice con una punta di sarcasmo Matarazzo. Essere di centro-sinistra, direzione del governo Lula, spiega Matarazzo, non impedisce al paese di avvicinarsi commercialmente in maniera più proficua all’Italia: - Anche il governo FHC era di centrosinistra, un po’ più progressista di quello di Lula, ma non ci sono mai state difficoltà di avvicinamento. Forse si tratti di una questione di priorità: l’attuale perno della politica estera è diverso da quello di FHC. Anzi, non penso neanche che i due paesi siano lontani l’uno dall’altro, credo soltanto che le relazioni tra di essi non vengono mantenute a caldo. Malgrado questo attraente marketing naturale ripieno di potenziali consumatori, la bilancia commerciale tra Brasile e Italia ha cominciato a sbilanciarsi intensamente dal 2001, favorendo l’economia brasiliana. Sul piatto brasiliano c’è circa il 70% delle esportazioni. Commodity, come carne e cereali che ancora predominano nelle esportazioni, sono passati a contare su componenti meccanici nella lista, ossia, prodotti con un maggior valore aggiunto, come le macchine della Fiat, marchio di questo ribaltamento nella bilancia tra i due paesi. - Sono cambiati i profili delle esportazioni brasiliane – dice l’addetto commerciale italiano a Rio, Livio Angeloni, che presta servizio agli stati di Rio de Janeiro, Bahia e Espírito Santo. E il cambio, ha una parte di colpa in questa situazione? Fin da quando è nata la mo- COMUNITÀ ITALIANA / ABRIL 2005 neta europea, i brasiliani preferiscono esportare verso l’Italia. In fondo, l’euro, con un cambio a R$ 3,60, non permette il contrario. Oggigiorno, qualsiasi prodotto che si acquisti all’estero e arrivi sul mercato brasiliano, arriva al consumatore come minimo con l’80% di costo in più rispetto al suo prezzo iniziale. Il Brasile è il settimo paese in termini d’importanza di importazioni e volume per il mercato italiano, conferma Riccardo Landi, direttore generale dell’Istituto Italiano per il Commercio Estero (ICE) in Brasile. - Non era specificamente dichiarato come paese prioritario – mette in risalto. Secondo Landi, questa posizione del Brasile nella scala delle priorità commerciali italiane si chiarirà soltanto quanto verranno definiti ed approvati programmi promozionali dal governo Berlusconi. - In questo momento, non lo so ancora. Sto parlando di priorità politiche. Quali sono i motivi? Sono tanti…già c’erano condizioni favorevoli che non sono state sfruttate a sufficienza. Bisognerà lavorare molto per sfruttare queste condizioni – indica Landi, senza fornire altri dettagli su quali sarebbero queste condizioni. Comunque c’è un’aspettativa sul nome di Vincenzo Petrone, ex ambasciatore d’Italia in Brasile e che, in questo momento, lavora presso la Federazione delle Industrie Italiane. - Lui è un personaggio molto importante, che conosce molto bene il Brasile, che sa quante possibilità ci sono qui. E, incontrandosi con altre imprese private italiane, è chiaro che potrà indirizzare positivamente le scelte per il Brasile. Credo anche che lui abbia dato un contributo all’inserzione del Brasile tra le quattro principali priorità del governo italiano – mette in distacco Landi, che riceve oltre il 50% di tutti gli investimenti dell’ICE fatti in America Latina nelle sue installazioni a San Paolo. L’altra faccia della moneta Il fatto che la bilancia completi il quarto anno favorevole al Brasile non significa, però, che vada tutto bene. Malgrado l’Italia non sopporti un grande numero di imprese multinazionali, il suo mercato è composto nel 90% (circa 170mi- ABRIL 2005 / la imprese) da piccole e medie imprese, che sono anche responsabili per gran parte delle esportazioni di prodotti italiani. In Brasile è diverso: le imprese esportatrici sono circa 15mila, delle quali soltanto il 2% sono piccole e medie. Di fronte a questi dati, Di Luca raccomanda una maggiore cautela e meno euforia dell’industria brasiliana, e ne spiega il perché: - Di solito dico che se si vende una scatolina grande come un pacchetto di sigarette piena di diamanti si ha l’equivalente a quattro navi piene di acciaio che partono per l’Europa. Se il Brasile esportasse, ad esempio, più prodotti di alto valore aggiunto il differenziale sarebbe enorme. Oggi, il Brasile deve esportare milioni di tonnellate in volume e peso per poter guadagnare quel che guadagna. In parole povere, esportare più commodity che tecnologia non è, sicuramente, la migliore strada per l’economia brasiliana. Sensibile a qualsiasi cambiamento più drastico del mercato, il Brasile ha provato recentemente il costo di aver dato priorità all’esportazione di commodity, lasciando in secondo piano la promozione alla tecnologia propria. Un esempio viene dalla Russia, che all’inizio del decennio ha cominciato a tagliare più alberi e a vendere legno più intensamente sul mercato internazionale. Vulnerabile, il commercio estero del legno brasiliano è crollato. Alcune imprese hanno dovuto cominciare a cercare di vendere il prodotto già processato, con valore aggiunto. - Molta carta che veniva prodotta grezza, ora è prodotta semilavorata. Ma che succede? Il Brasile non importa macchine per la sua industria, e succederà che qui avremo un’industria con macchine obsolete e una situazione simile a quella accaduta in Argentina, quando era più a buon prezzo importare che produrre e vendere. Oggigiorno l’Argentina ha bisogno di vendere, ma è fallita – prevede Di Luca. La produzione di uno degli affettati più cari d’Italia, la bresaola, è fatta quasi completamente con carne bovina brasiliana. Il prodotto, diciamo, italo-brasiliano viene esportato negli Stati Uniti. Però situazioni come questa non sono motivo sufficiente perché il Brasile riduca le esportazioni, ma che invece faccia suona- COMUNITÀ ITALIANA Andressa Camargo Comunità “Il Brasile è il settimo paese in importanza di importazioni e volume per il mercato italiano” (RICCARDO LANDI) 31 Comunità Italiana Comunità Andressa Camargo PRINCIPALE Edoardo Polastri “Bilancia commerciale tra Brasile e Italia ha cominciato a perdere equilibrio dal 2001, favorendo l’economia brasiliana” Papaiz, a maior indústria de cadeados e fechaduras do país 32 Italiana PRINCIPALE re un campanello di allarme per qualificare tecnologicamente la sua industria. Varie porte si apriranno ancor più per i prodotti brasiliani su mercati più rigorosi con prodotti detti – in modo peggiorativo – del terzo mondo. Il Governo italiano, ad esempio, tenta fin dal 1997 di far sì che il Congresso brasiliano metta in pratica un accordo bilaterale di sviluppo tecnologico, che prevede un’erogazione annuale di 200mila euro a progetti di tecnologia alimentare e di informazione, per il risanamento basico e ambientale e il restauro di opere d’arte. Vicoli ciechi tecnologici Un caso simile di incapacità tecnologica brasiliana nell’accogliere investimenti internazionali che esigono valore aggiunto è successo ad una delle maggiori imprese internazionali fabbricanti di equipaggiamenti speciali per la prospezione di petrolio, la Nova Pignone, con sede a Firenze. Responsabile di un’ampia partnership con la Petrobras nella costruzione di nuove piattaforme petrolifere, l’impresa ha però scelto di portare le sofisticate macchine dall’Italia. E soltanto perché non ci sono partner con tecnologia di punta per una produzione locale. Ogni macchina costa circa US$ 60 milioni. Convincere gli investitori stranieri a dare appoggio non soltanto alla produzione ma, soprattutto, alla capacitazione tecnologica è un compito difficile, ma che si sta realizzando. Il Governo italiano è uno dei più sensibili in questo senso in Brasile e sta dando appoggio al partner governativo per la modernizzazione industriale. L’ex ambasciatore brasiliano in Italia, Andrea Matarazzo, cita come azione fondamentale l’interscambio tecnologico intenso tra i due paesi. E il marchio delle banche brasiliane, in controtendenza a questo contesto, definisce la differenza quando il tema è tecnologia. - La tecnologia bancaria brasiliana è una delle più avanzate del mondo. Siamo nel 2005 e l’Italia è in enorme ritardo. Il Brasile ha progredito moltissimo in tecnologia di software. Edoardo Polastri, della Camera di Commercio italo-brasiliana di San Paolo cita come esempio di sforzo dell’economia italiana nella collaborazione per la maturazione di altri mercati, un sistema privato che offre finanziamenti a lunga scadenza e con interessi bassi a tutte le imprese italiane che vogliano fare affari in qualsiasi altro paese, anche con formazione di joint venture. - C’è un secondo ente di supporto che si chiama SACE (n.d.t.: Servizi Assicurativi del Commercio Estero) che è molto importante visto che garantisce il rischio politico. Supponiamo che un’impresa brasiliana spenda US$ 10 milioni in materia prima o in macchine da pagare fra qualche anno. Se il Brasile dichiara moratoria, il SACE non permette che il pagamento sia effettuato all’estero. Quindi il SACE protegge l’esportatore italiano contro il rischio politico. Invece in un rapporto specifico come quello dell’Italia con il Brasile, no – spiega Polastri. In Brasile, una delle iniziative del Governo che possono collaborare per attrarre più imprendimenti italiani è la recente riduzione di garanzie di investimenti stranieri nel paese, che è stata ridotta da US$ 200mila a US$ 50mila. - La legge dice che US$ 50mila non è un valore rigido. Se ho un progetto di US$ 30mila, posso investire, con il permesso di soggiorno – indica l’addetto commerciale Livio Angeloni. Tuttavia c’è chi creda che, più che creare leggi di incen- COMUNITÀ ITALIANA / ABRIL 2005 tivo, la sfida del brasiliano con il mercato estero adesso sia di tipo culturale. Ma ci sono soluzioni per tutto. Secondo Di Luca, le 72 Camere di Commercio italiane sparpagliate per il mondo dovrebbero, in un modo o nell’altro, convincere gli esportatori delle aree in cui agiscono ad ottenere finanziamenti per i loro compratori extra, come i brasiliani, affinché possano pagare entro 180 giorni. E spiega che gli acquisti sarebbero a basso costo reale, e si eviterebbe di perdere denaro con lo stoccaggio. Livio Angeloni Un legame culturale dimenticato? Mentre gli imprenditori italiani cercano alternative per il marchio Italia, al contrario il governo brasiliano sta facendo sforzi per evidenziare il marchio Brasile all’estero, con diritto a simbolo e tutto il resto. Andrea Matarazzo dice che il timore degli italiani nell’investire in Brasile è cominciato quanto scoppiò la crisi economica in Argentina, nel 2001. Per ribaltare questa situazione, suggerisce lo stimolo del marchio Brasile in Italia. - Questi scambi debbono essere più stimolati anche perché l’Italia non conosce il Brasile ed è importante che il nostro paese costruisca un’immagine là fuori. Non ci sono nostre imprese in Italia per divulgare la nostra immagine, il nostro fare quotidiano, la nostra economia. Abbiamo bisogno di un’attività governativa che agisca in questo senso: ambasciate, camere di commercio, che mostrino le cose moderne del Brasile. Io ricordo che una volta portai progetti di aerei dell’Embraer e di un seggio elettorale elettronico ABRIL 2005 / perché li vedessero. Ne rimasero affascinati, volavano grazie alla tecnologia brasiliana e non lo sapevano. Bisogna mostrare che il Brasile è un paese contemporaneo, malgrado i suoi problemi. Ma che si trova inserito nel mondo globalizzato. Tutti sanno che qui ci sono spiagge bellissime, ma nessuno sa che abbiamo anche alberghi meravigliosi, uguali a quelli della Florida o della Costa Azzurra – ricorda. L’ ex ambasciatore Matarazzo avvisa che il fatto che il Brasile abbia 25milioni di oriundi italiani non significa che si conoscano Italia e Brasile oltre alla spaghettata e alla pizza: - Sono stati pochi gli immigranti tornati in Italia. Pochi si sentono italiani. E i discendenti brasiliani, alle volte, neanche conoscono l’Italia. Inoltre, l’influsso dei media sul Brasile è negativo: violenza, sporcizia, favelas. I punti positivi riguardano il calcio e le spiagge. Questi loro li conoscono. Il nostro sguardo è peggiore, perché il Brasile non conosce l’Italia. Non possiamo valutare soltanto ciò che noi stessi pensiamo, siamo una minoranza. Pensi a 170 milioni di persone. Io ho conosciuto l’Italia soltanto quando ci sono andato, e allora ho notato che potenziale hanno, riuscendo a unire sviluppo tecnologico, qualità di vita e tradizione, che è un fatto raro. E, malgrado questo, posso dire che l’immagine dell’Italia in Brasile è migliore di quella del Brasile in Italia. La stessa immigrazione dovrebbe essere sfruttata dal settore turistico. A un italiano piacerebbe molto conoscere città costruite dal suo stesso popolo, visto che è un’aggiunta alla storia del suo paese. Ad esempio, il sud del Brasile e l’entroterra di San Paolo, ad esempio, dovrebbero ricevere molti più turisti italiani di quelli che ospitiamo oggigiorno. In alcune località di Santa Catarina ancora possono essere incontrate comunità che parlano il veneto tradizionale, più puro di quello parlato in Italia. Io dico sempre che per attrarre l’attenzione bisogna far vedere l’inusitato. Ma ciò che importa è che Italia e Brasile, malgrado il movimento oscillante di approssimazione commerciale, ancora possono sfruttare la capacità imprenditoriale da ambedue i lati dell’accordo. Basta sedersi al tavolo e negoziare. Ci sono leggi incentivo a questo fine e, ciò che è più essenziale, un legame culturale e storico poco comune in altre parti del mondo e non ancora ben sfruttato dai due paesi. COMUNITÀ ITALIANA “Gli immigranti che sono ritornati in Italia sono stati pochi. Pochi si sentono italiani. E i discendenti brasiliani, alle volte, neanche conoscono l’Italia” (ANDREA MATARAZZO) 33 Comunità Italiana Comunità “L’Italia è una delle priorità della politica commerciale brasiliana” C ominciano a percepirsi buoni segnali nella relazione bilaterale tra Italia e Brasile. Se dipendesse dal Ministro dello Sviluppo, Industria e Commercio Estero, Luiz Fernando Furlan, gli accordi commerciali tra i due paesi già farebbero parte dell’ordine del giorno delle priorità del commercio estero del Planalto nel 2005. In un’intervista esclusiva a Comunità Italiana il Ministro, che è italo-brasiliano, confessa che i sistemi economici dei due paesi sono complementari e che ci sono promettenti relazioni commerciali da essere sfruttate durante il 2005. E afferma ciò citando numeri incoraggianti. Le importazioni italiane, ad esempio, hanno avuto un incremento del 14,2%, passando da US$ 1,62 miliardo nel 2003 a US$ 1,85 miliardo l’anno scorso. “Le nostre vendite a questo paese, che sono del 34,5%, hanno superato la media generale delle esportazioni, che sono il 30%. La partecipazione italiana nel nostro listino di quest’anno è arrivata al 3,1%, ribaltando la tendenza di caduta che si stava osservando fin dal 2000”, ha indicato il ministro. Furlan ci ha anche anticipato che il Governo semplificherà la burocrazia che coinvolge l’apertura di imprese, con la diffusione di un unico modulo come primo passo, che conterrà tutti i documenti sollecitati dagli innumerevoli organismi che partecipano al processo di apertura di compagnie. 34 ANDRÉ FELIPE LIMA Comunità – Il Brasile ha presentato un indice di crescita economica del 5,3% fino a settembre, la più grande dal ’95. Il PIL, nell’ultimo trimestre del 2004, è aumentato del 6,1%. C’è, specificamente, qualche settore decisivo che abbia fatto da leva per ottenere questi percentuali? Luiz Fernando Furlan – Il 2004 dovrà essere visto come l’anno della ripresa della crescita, specialmente dovuto al tasso di crescita del PIL che si aggira sul 5% e l’aumento della produzione industriale brasiliana, che si trova sull’8% accumulato fino ad ottobre, comandato dalla crescita dei settori dei beni di consumo durevoli (22,7%) e dei beni di capitali (21,8%). Ma bisogna ricordare che le esportazioni l’anno scorso hanno subito una crescita consistente del 30%, con un importante impatto in tutta l’economia e nella creazione di posti di lavoro. Tutto indicherebbe che ci stiamo incamminando verso una proporzione di esportazioni in relazione al PIL ben superiore ai tetti storici del 15%. Per quest’anno prevediamo qualcosa che si aggira sul 25% o 30%. COMUNITÀ ITALIANA / ABRIL 2005 Comunità – L’Italia si trova al sesto posto nel ranking degli accordi bilaterali col Brasile. Alcuni investitori italiani in terra brasiliana dicono che c’è una politica che prende di mira più l’esportazione che l’importazione. Nel caso italiano, affermano, questo dimostrerebbe un forte squilibrio nella bilancia tra i due paesi, il che, in futuro, sarebbe disastroso per il Brasile. Tutto questo rumore ha un fondamento? Furlan – L’Italia è una delle priorità della politica commerciale brasiliana e partner naturale del Brasile, anche dovuto alle affinità culturali. Inoltre, le economie dei nostri paesi presentano grandi complementarietà e il potenziale da essere sfruttato nelle nostre relazioni economico-commerciali è ancora promettente. Il Brasile è un paese aperto al commercio estero, che conta su una tariffa media di importazione del paese che si aggira sul 10,8%. Quest’anno, tanto le importazioni come le esportazioni brasiliane presentano una crescita all’incirca del 30% e, con la ripresa della crescita economica, le proiezioni sono di continuità dell’aumento di importazioni. Il governo brasiliano è pienamente consapevole del fatto che la crescita dell’economia nazionale si realizzerà per mezzo di una maggiore apertura agli scambi internazionali, in cui le importazioni sono l’elemento fondamentale per l’ampliamento degli investimenti produttivi e l’aumento della competitività della produzione industriale brasiliana. Alcuni dati possono illustrare meglio il recente disimpegno brasiliano come mercato importatore. Gli acquisti esterni brasiliani fino al novembre 2004 hanno totalizzato US$ 57,1 miliardi, contro i US$ 44,3 miliardi nello stesso periodo del 2003. Anche il disimpegno delle importazioni provenienti dall’Italia è aumentato del 14,2%, passando da US$ 1,62 miliardo di due anni fa a US$ 1,85 miliardo dell’anno scorso. Comunità – Importanti dirigenti italiani in Brasile affermano che l’attuale governo sta dando priorità agli accordi commerciali con India e Cina a scapito dei vecchi legami economici con i paesi europei, specialmente l’Italia e che, in un certo modo la riduzione delle importazioni di prodotti europei favorirebbe la moneta americana, che si sta svalutando con l’aumento dell’euro negli ultimi anni. Di fronte a questo scenario, quale sarebbe, effettivamente, il mercato estero prioritario della politica economica? ABRIL 2005 / Paulo Giandalia / VALOR COPERTINA Ruy Baron / VALOR / GLOBO COPERTINA Italiana “Lavorare per ridurre la burocrazia è meta costante del Ministero” Furlan – Il Brasile sta diversificando i mercati, osservando luoghi che non erano mai stati visitati, ma senza dimenticarsi dei grandi partner come Argentina, Stati Uniti e Unione Europea, includendo l’Italia. L’anno scorso, la maggiore crescita delle nostre esportazioni sono accadute nelle vendite destinate alle regioni che non sono i maggiori acquirenti di prodotti brasiliani, come l’Asia, l’Europa Orientale e il Mercato Comune Centro-Americano. Possiamo citare, ad esempio, l’aumento delle vendite a paesi come la Repubblica Slovacca (+278%), le Bahamas (+284%), la Georgia (+ 125%) e il Senegal (97%). Ossia, siamo di fronte ad un importante processo di diversificazione nel destino delle esportazioni brasiliane e questo significa che non vogliamo indirizzare le nostre vendite su appena un unico mercato acquirente. Vogliamo mantenere questo ritmo di crescita e questo passa attraverso la diversificazione di paesi importatori che comprano prodotti brasiliani. L’Italia rappresenta un’importante partner, tanto è vero che, nel 2004, la crescita delle nostre vendite verso questo COMUNITÀ ITALIANA paese, che erano del 34,5%, hanno superato la media generale delle esportazioni, del 30%. L’anno scorso, la partecipazione italiana al nostro listino è passata al 3,1%, ribaltando la tendenza che si osservava fin dal 2000. Invece i prodotti italiani rappresentano il 3,26% di tutto quello che compriamo, il che dimostra che non c’è discrepanza nel commercio bilaterale. Comunità – Per il piccolo e medio imprenditore ci saranno sorprese gradevoli nel 2005, come la riduzione degli iter burocratici per l’apertura di imprese o qualche nuova politica per i nuovi imprenditori? Furlan – Ridurre la burocrazia è una meta costante del nostro Ministero e il problema dell’apertura di imprese viene studiata da quasi un anno da un gruppo interministeriale creato dal Presidente Lula. Ci interessa risolvere il problema in maniera rapida ed efficiente, ma bisogna ricordare che nel processo di apertura di imprese ci sono coinvolti oltre 20 organismi, come l’Anvisa, il Ministero del Lavoro, le Segreterie statali della Finanza, Ricetta Federale e perfino i Pompieri e i Comuni. Perciò il lavoro deve essere fatto insieme, altrimenti è inutile che le Commissioni Commerciali ci mettano soltanto cinque giorni lavorativi ad effettuare un registro se la persona interessata ancora deve passare per altri vari organi, portare decine di documenti e compilare tantissimi moduli. Stiamo lavorando per creare, in un primo momento, un unico modulo in cui risultino quali sono i documenti che tutti questi organismi richiedono, così da facilitare la vita dell’imprenditore. Stiamo anche facendo l’integrazione elettronica di tutte le Commissioni Commerciali affinché si comunichino meglio tra di esse e con gli altri organismi. È un lavoro pesante, ma i cui risultati dovranno venire fuori in breve tempo. Bisogna ricordare, però, che nel 2004 abbiamo già realizzato varie iniziative all’interno della Politica Industriale rivolte ai nuovi imprenditori, come anche la riduzione di costi, come è stato il caso del regime di Pre-Impresa, che concede trattamento tributario, previdenziale e lavorativo speciale all’imprenditore con un guadagno lordo annuale di perfino R$ 36mila. Questa misura ha per scopo l’inclusione sociale dell’imprenditore di basso reddito, con l’obiettivo di promuovere la formalizzazione, così come la sua inclusione nel sistema previdenziale e lavorativo. 35 Comunità Italiana Comunità COOPERATIVISMO Italiana COOPERATIVISMO Marketing Andressa Camargo C 36 ’è chi dice che il cooperativismo è nato in Italia. Non ci sono prove concrete, ma ce n’è un‘ altra, questa incontestabile, del fatto che è nel Belpaese che, subito dopo la Seconda guerra mondiale, il modello fu sfruttato alla meglio e servì d’esempio agli altri mercati. Pienamente consapevole dei limiti individuali, nacque lo spirito aggregativo del piccolo imprenditore italiano, come spiega Enzo Maranesi, della Camera di Commercio italo-brasiliana di San Paolo, che ha scatenato il sorgere di cooperative, consorzi di esportazione e distretti industriali per tutta Italia. Ed è nell’agroindustria che il modello ha presentato risultati straordinari, come nella regione Emilia-Romagna, dove queste cooperative si sono trasformate in grandi centri di produzione e di distribuzione. Per arrivare al mercato estero i prodotti delle cooperative usano le Camere italiane di Commercio all’estero e l’ICE. Ma malgrado il successo interno, questi produttori presentano grandi difficoltà per ampliare i loro marchi nel mercato internazionale. Scenario questo abbastanza comune tra i produttori italiani di vino, di cui appena cinque ottengono marketing estero. - La maggior parte delle imprese italiane sono piccole, da sole non hanno potenza per effettuare azioni promozionali. Il limite dell’offerta italiana è proprio questo. Parlo del caso del vino, ma il discorso serve anche ad altri prodotti, è un’offerta caratterizzata dalla piccola dimensione del produttore, quindi di poca capacità promozionale e pubblicitaria. Questo spiega perché la presenza italiana, come per esempio nel mercato dei formaggi, è relativamente ridotta. Gli manca volume per organizzare le azioni promozionali. Adesso queste azioni potrebbero essere portate avanti dalle istituzioni pubbliche – suggerisce Maranesi. Secondo lui, per cambiare questa situazione ci vorrebbe un’azione governativa. Ogni produttore dovrebbe avere un organismo che lo appoggia. L’olio d’oliva – secondo Maranesi “uno dei migliori del mondo” – subisce anch’esso le conseguenze del mancato marketing. L’olio italiano oggigiorno non possiede più del 4% del mercato brasiliano, mentre la Spagna ne detiene circa il 50%, e il Portogallo il 35%. - Sono stato recentemente in Puglia, una delle regioni che più produce olio d’oliva. Là ci sono, più che cooperative, associazioni che difendono i diritti dei produttori. Ma anche a loro manca la capacità di effettuare azioni promozionali. Il governo spagnolo mantiene da anni uffici in Brasile, responsabili per la COMUNITÀ ITALIANA / Enzo Maranesi: “in Brasile mancano azioni promozionali ai prodotti italiani” Andressa Camargo senza fiato ABRIL 2005 “Il governo spagnolo mantiene uffici in Brasile, responsabili della pubblicità dei prodotti spagnoli. L’Italia questo non l’ha fatto” pubblicità dei prodotti spagnoli. L’Italia non ha fatto questo – assicura Maranesi. Dividere con gli altri Fare cooperative è un fenomeno tipicamente culturale. Dal punto di vista razionale è sempre una buona idea associarsi a qualcuno, ma voler essere il padrone di tutto e non dividere niente con nessuno è una barriera direi emotiva e culturale difficile da sorpassare, ed abbatterla è estremamente importante. Il cooperativismo ha superato l’abbandono del governo italiano nel dopoguerra ed è diventato così forte che dei gruppi hanno cominciato ad occuparsi del prodotto finito. Comunque la politica è stata marcante nei primi tempi e, in qualche modo, timidamente continua fino ai giorni d’oggi. Ci sono cooperative di connotazione di sinistra, le ‘rosse’. Ce ne sono anche altre che non sono dello stesso avviso. N BO RV IELM B2R0O0 2 A 5 0 0/ 4 C /O M UCNOI MT ÀU NII TT AÀ L II AT NA AL I A N A In un certo modo, alla fine il cooperativismo era legato ad ideologie – ricorda Maranesi, citando come esempio le ‘rosse’, le cooperative dell’Emilia Romagna. Comunque nella regione c’è spazio per modelli ibridi, come la Compagnia delle opere, una forma di cooperazione legata ad un movimento di base cattolica conosciuto come Comunione e Liberazione. Politica e fede insieme. Secondo Maranesi, la Compagnia delle opere aggrega oltre 15mila imprese che la rendono un’indiscutibile potenza economica in Italia. D’altronde, quando si mettono insieme per andare a fare spese fanno una vera e propria festa. La cooperativa, per esempio, quando si presenta in Fiat, non compra una o due macchine, ma un centinaio di esse. - È un gruppo che aiuta le imprese cooperate, ma non ci sono enti con un prodotto proprio, con un marchio proprio. Quindi non c’è competizione. Allo stesso modo, non esiste cooperazione tra una cooperativa e l’altra – mette in risalto Maranesi. Il Brasile, dovuto al suo potenziale in questo campo, potrebbe diventare terreno fertile per il cooperativismo. - La grande possibilità di cooperazione si trova giustamente con i piccoli agricoltori, che hanno pezzetti di terra così piccoli che servono appena alla loro sussistenza. Ma mettendo insieme cento di loro, si specializzano nelle produzioni e, evidentemente, il reddito aumenta. Ora, il problema è di tipo culturale: ognuno di loro deve superare la fase del dire “no, io bado a me stesso e non rinuncio alla mia supremazia’. Una volta che decidono di unirsi, i vantaggi sono evidenti – indica Maranesi. 37 Comunità Italiana Comunità NOTIZIE China Cancella la pizza e porta un ‘frango xadrez’!!! D are priorità al mercato cinese nella lista degli accordi commerciali del 2005 è costato non poche critiche al Planalto da parte di partner considerati storicamente intoccabili. L’Italia è uno di essi. Negli ultimi cinque anni, la bilancia commerciale tra i due paesi mette enfasi sui cambiamenti direttivi della politica commerciale brasiliana. Oggigiorno, non ci sono più garanzie secondo le quali le affinità culturali determinerebbero il mantenimento di antichi legami commerciali. Neanche quello col Brasile, che presenta 25 milioni di oriundi italiani. Per spiegarlo, usiamo lo scambio della pizza con il piatto tradizionale cinese, il pollo ‘xadrez’. - Oggi come oggi non esiste molto dialogo, in termini di politica, tra l’Italia e il Brasile perché il Brasile si dirige verso il mercato cinese, indiano e africano. Cercare dei partner in Cina, dove vendono più di quello che comprano dal Brasile, è un’impresa ardua. Credo che il Brasile sia in condizioni di produrre molto più rapidamente e di vendere a mercati più facili e a costi inferiori – indica il presidente della Camera di Commercio Italo-brasiliana a Rio, Raffaele Di Luca, riferendosi al deficit brasiliano nella bilancia commerciale con la Cina. - Secondo il dirigente, malgrado i cambiamenti degli obiettivi commerciali, il prodotto brasiliano è più attraente per europei e NOTIZIE americani e, oggigiorno, per cinesi e giapponesi. Un esempio è la tecnologia bancaria applicata nel Brasile. - Le banche brasiliane sono fantastiche. Eseguo operazioni per pagamenti di stipendi di impiegati via internet, con il miglior sistema di sicurezza del mondo da circa tre anni. In Europa questo non si fa. All’europeo tocca alzarsi dalla sua sedia e andare direttamente allo sportello bancario – puntualizza Di Luca. Secondo il presidente della Camera di Commercio Italo-brasiliana a San Paolo, Edoardo Polastri, non si può disprezzare il mercato cinese. Tanto è che anche l’Italia – precisa – ha scalato la Cina come una delle priorità negli accordi bilaterali del 2005. In fondo, dice Polastri, l’economia cinese è quella che pìù cresce – all’incirca il 9% all’anno – nel mondo, influenzando i prezzi dei commodity bond sul mercato internazionale. - Oggigiorno tutti fanno joint venture con i cinesi. In questo momento, in Italia la priorità è la Cina. In seguito possiamo citare l’India, il Brasile e l’Est europeo – dice Polastri, che definisce ‘intelligente’ e ‘flessibile’ l‘apertura commerciale del governo federale verso il mercato asiatico, giacché permette che gli investimenti di questi paesi arrivino con più frequentemente in Brasile. Evento a Roma Lula in Italia? Le quattro camere di commercio italo-brasiliane e i conso- Anche se i suoi subordina- lati italiani stanno organizzando la venuta di altri programmi che vogliano investire in Brasile. Perciò quest’anno ci sarà, a Roma e ancora senza data definita, una programmazione per stimolare l’interscambio commerciale tra i due paesi. L’evento sarà organizzato dall’Ambasciata d’Italia, camere di commercio, Promos Milano, comune di Rio e Governo dello stato di Rio. 38 Italiana ti, come il ministro Furlan, ogni tanto mettono piede nel Belpaese, in due anni di governo il presidente Lula ancora non si è fatto vivo in Italia. Vediamo se adesso, con il nuovo aereo… Oooommm! Un buon affare tra brasiliani e italiani non si riassume a vini, formaggi e attrezzature industriali. Una società italiana del settore dei prodotti esoterici cerca soci per sviluppare nuovi punti vendita in Brasile. Gli interessati devono inviare una mail alla Camera di Commercio di Rio de Janeiro. (associados@cam araitaliana.com.br). Gomma La Marangoni do Brasil, che l’anno scorso ha ampliato la sua fabbrica di mescola per pneumatici a Lagoa Santa (MG), quest’anno vuole espandere le sue vendite del 40% in tutta l’America Latina. Frevo e Tarantella La Mossi & Ghisolfi (M&G) investirà US$ 800 milioni nella costruzione del Polo Poliéster, in Pernambuco, in una partnership con la Petrobras che finanzierà il 49% del progetto. Il polo verrà costruito entro due o tre anni e avrà una fabbrica di contenitori di plastica per bibite gassate, acqua minerale e combustibili, con capacità di 450mila tonnellate all’anno. Inoltre, ospiterà un’altra unità di produzione di materia prima per poliestere. In totale, le due unità daranno impiego a 300 persone. COMUNITÀ ITALIANA / ABRIL 2005 Fuga delle Banche Tutto per il sociale La Uscita della BNL e Sudameris compromettono internazionalizzazione del marchio Italia ANDRÉ FELIPE LIMA S i parla molto della crisi della Parmalat, la cui eco è arrivata anche all’economia brasiliana. Invece poco si è detto dell’uscita – effettivata l’anno scorso – di due importanti banche italiane dal mercato brasiliano: Sudameris e Banca Nazionale del Lavoro (BNL). Per molti questa è stata una ritirata che ha danneggiato l’espansione del marchio Italia in altri segmenti e ha indebolito delle misure del governo italiano che miravano all’ampliamento degli accordi bilaterali. Il presidente della Camera di Commercio Italo-brasiliana a San Paolo, Edoardo Polastri, non capisce come le banche italiane abbiano potuto promuovere la ritirata dal Brasile proprio in un momento così cruciale per il governo italiano, che sta internazionalizzando il marchio del Belpaese. - Non si capisce perché questa internazionalizzazione non viene accompagnata dalle banche. Un bell’esempio del fatto che il governo si sta dedicando a questa operazione è la creazione del Sistema Italia, e anche che gli ambasciatori e consoli italiani in tutto il mondo sono stati chiamati per impegnarsi di più nella promozione di prodotti italiani. Per non lavorare soltanto nella pratica diplomatica, ma essere messaggeri del prodotto italiano. Questo viene fatto fin dagli inizi del governo ed ha coinvolto tutto il sistema italiano: le ambasciate, i consolati, l’ICE (Istituto del Commercio Estero), le Camere di Commercio e sono mancate proprio le banche – puntualizza Polastri. Secondo il presidente della Camera di Commercio italo-brasiliana di Rio de Janeiro, Raffaele Di Luca, rinunciando alle aree che considerano di minore importanza, le banche italiane credono di aver portato avanti una buona ristrutturazione imprenditoriale. - Questo vale specialmente per la BNL che, dopo la chiusura in Argentina, era diventata proprietaria di una sola banca in America Latina e che portava avanti un’attività molto modesta se paragonata alle altre grandi banche brasiliane. Certo, era un’attività che generava guadagno. Non hanno mai perso soldi, ma non faceva più parte del suo core business. Il Brasile, per la BNL, era soltanto un frammento che non interessava più – suppone Di Luca. La BNL, dopo la sua ristrutturazione, è stata incorporata dalla banca Intesa, il cui obiettivo principale ora è quello di aprire mercati nell’est europeo e in Cina. preoccupazione del Consolato italiano di Rio con il rafforzamento socioeconomico degli stati di cui si occupa è latente. Sono vari i progetti in andamento in questo senso, tra i quali quelli sociosanitari e di appoggio all’infanzia abbandonata, ambedue con l’appoggio del BID (Banca Interamericana di Sviluppo). Sono circa 60 progetti tra gli stati di Bahia, Espìrito Santo e Rio. Lo stato nordestino ne ha il 70%, rimanendone il 20% per Rio e il resto per quelli di Espìrito Santo. Gli investimenti nei progetti sommano 5 milioni di euro. A Rio, il governo italiano appoggia un progetto per piccoli agricoltori della Baixada Fluminense preventivato in 2,5 milioni di euro. La controparte italiana è di 750mila euro. Sguardi commerciali Passaporto Brasile Oggigiorno Varie in tutto il mondo ci sono 71 camere di commercio bi-nazionali presenti in 46 paesi. La loro associazione è presieduta interinamente da Edoardo Polastri, che rimane a San Paolo. Le camere, anche se private, seguono la legislazione dei paesi in cui lavorano e parametri politici determinati dal Ministero degli Affari Esteri italiano. La Camera di San Paolo ha 102 anni, fu creata quando neanche si parlava dell’Istituto del Commercio Estero d’Italia (ICE). Ce ne sono altre a Rio, Belo Horizonte e Porto Alegre. La più antica in America Latina è quella di Montevideo, in Uruguai, che ha 120 anni. Invece l’ICE è un’entità esclusiva del Governo italiano. porte in Brasile si stanno aprendo a chi voglia lavorare nei Consolati italiani e, dopo, avere un’impresa nel paese. Una di esse è l’interscambio che coinvolge le università Bocconi e Cattolica, ambedue a Milano, e il Ministero degli Affari Esteri italiano, che offre uno stage di tre mesi in uno dei quattro Consolati italiani o presso la stessa Ambasciata, con ufficio totalmente equipaggiato. Il Consolato di Rio, per esempio, ha bisogno di gente che parli portoghese e che sia laureato in scienze politiche. Sembra, ma non è I Sembra, ma non è II Malgrado il deficit italiano nella bilancia commerciale con il Brasile, La gli stati della Bahia e di Espìrito Santo continuano ad importare più che esportare in Italia. Potrebbe sembrare favorevole all’Italia, ma non lo è. Dati del Consolato d’Italia a Rio indicano che le importazioni venute dall’Italia verso questi due stati si aggirano intorno ai US$ 10-15 milioni, considerato un volume basso nel mercato. ABRIL 2005 / COMUNITÀ ITALIANA soluzione affinché Bahia e Espìrito Santo equilibrino la bilancia potrebbe trovarsi nel turismo, specialmente a Bahia, dove c’è una grande mobilizzazione di imprese del settore e ristoranti. E là, nella Terra di Tutti i Santi, la notoria dieta mediterranea dovrebbe proprio prosperare. 39 Comunità Italiana Comunità INTERVISTA INTERVISTA ANDRÉ FELIPE LIMA C Vedovato lascia Fiat con saldo positivo L ’italiano Roberto Vedovato era al comando del Gruppo Fiat in Brasile dal maggio 1998. Ha lavorato nell’azienda per 32 anni. A febbraio ha dato addio all’incarico e ha passato il bastone di comando a Cledorvino Bellini, superintendente alla Fiat Automobili per l’America Latina, che così ora accumula due funzioni. Ma il lascito di Vedovato e il rispetto che ha conquistato sul mercato brasiliano come uno dei principali dirigenti fino ad allora in attività merita d’essere messo in distacco. Vedovato lascia un saldo estremamente positivo, come lo straordinario recupero delle esportazioni di veicoli nel 2004, una crescita del circa 40% del fatturato e del 60% delle esportazioni. Ma nell’intervista rilasciata in esclusiva a Comunità Italiana prevede che quest’anno il mercato sarà meno attraente che nel 2004. Sul mercato europeo, inclusa l’Italia, sono stati commercializzati oltre 213.500 veicoli commerciali della Fiat, il che corrisponde ad una quota del 10,8%. In Brasile sono stati venduti 44.480 veicoli commerciali, che rappresentano una quota di mercato del 24,3%. Questo risultato rappresenta una crescita del 10,6% in relazione al 2003, quando sono state commercializzate 40.234 unità. 40 Italiana omunitá – Nel 2004 c’è stato un aumento del 45% sulle vendite estere e una produzione il 20% al di sopra del volume del 2003. Malgrado questo, l’Anfavea prevede un 2005 con un margine minore per l’industria di autoveicoli. Lei è d’accordo con queste previsioni? Roberto Vedovato – Fare previsioni in Brasile è sempre difficile, ma crediamo che ci siano tutte le condizioni affinché lo sviluppo continui. Però le percentuali di crescita saranno più modeste. Siccome il 2003 è stato un anno fiacco, la crescita nel 2004 presenta percentuali molto espressivi. Invece il 2004 è stato un anno positivo, quindi il 2005 dovrà presentare percentuali minori di crescita. Inoltre, fare grandi salti continui non è auspicabile: è meglio mantenere un ritmo ragionevole, ma costante, sostenibile a lunga scadenza, piuttosto che crescere rapidamente e poi crollare più avanti. Comunità – La valorizzazione de Real in proporzione al dollaro potrebbe essere il motivo principale di una possibile ritrazione del settore quest’anno? Vedovato – Il valore del dollaro è importante nell’economia brasiliana ma, secondo me, non possiamo basare la nostra competitività sul cambio, che è una questione di congiunture. Dobbiamo conquistare la nostra competitività lottando contro i nostri problemi strutturali brasiliani. Per prima cosa dobbiamo migliorare la nostra infrastruttura (strade e porti, per esempio). Aiuterebbero anche una semplificazione tributaria, così come una riduzione dell’impatto tributario. Dopo, osservando da dentro ognuna delle nostre imprese, dobbiamo aumentare la nostra capacità di progettazione e produzione di prodotti di qualità e a prezzi adeguati per entrare in competizione non solo sul mercato brasiliano, che è estremamente conteso, ma anche su quello internazionale, che stiamo affrontando con molta determinazione fin dal 1999. Comunità – Alcuni dirigenti italiani criticano la politica economica esterna del governo attuale. Secondo loro, il Planalto starebbe dando priorità a mercati considerati ancora immaturi – dal punto di vista delle regole internazionali del commercio – come Cina e India, discreditando partner europei come la stessa Italia. Alcune aziende che offrono servizi al settore automobilistico sono fallite, come la Grimaldi che deteneva poco più del COMUNITÀ ITALIANA / ABRIL 2005 50% degli introiti dipendenti dalle esportazioni della Fiat per l’Europa, che ha venduto i suoi attivi e ha chiuso le porte in Brasile perché gli obiettivi delle esportazioni della Fiat sono cambiati. Lei come analizzerebbe questo scenario? Vedovato – Il Brasile ha svolto un lavoro spettacolare sul front esterno e dobbiamo fare i complimenti al ministro Luiz Fernando Furlan per la competenza dimostrata durante il suo incarico. Sicuramente il Brasile deve dedicarsi alla creazione di maggiori legami commerciali con i grandi blocchi economici, come l’Unione Europea e gli Stati Uniti. Si potrebbe criticare la maniera in cui il governo cerca di attrarre paesi i cui mercati rappresentano una minore espressione economica, ma sono pur sempre mercati e dobbiamo osservarli tutti. Comunità – Il tasso basico di interesse sembra sarà più alto quest’anno. I contributi tributari, malgrado la diminuzione nel 2004, danno ancora fastidio. Tutto ciò aggredisce il finanziamento, che sostiene circa il 70% delle vendite dei veicoli in Brasile. Tenendo conto che sarà posto un freno alle esportazioni, resta soltanto il mercato interno. Il gruppo Fiat come si sta organizzando per questo quadro di mercato? Vedovato – Non crediamo che sarà posto un freno alle esportazioni. Ci sarà, se le condizioni internazionali peggioreranno, un ritmo più lento di crescita. Per quanto riguarda il mercato brasiliano, se l’economia continuerà a migliorare, come sembrerebbe finora, le vendite continueranno ad aumentare, ancora a ritmo lento, ma senza fermarsi. Stiamo investendo in tecnologia e nuovi prodotti, sia macchine che trattori, camion, autobus e pezzi di ricambio, affinché possiamo usufruire della crescita d’ora in avanti. Comunità – Gli incentivi fiscali promessi dallo stesso presidente Lula per il 2005 che mese arriveranno? Il Planalto ha già dato segnali di un cronogramma? Vedovato – Le negoziazioni tra il settore di autoveicoli e il governo sono centralizzate nell’ Anfavea. Le fabbriche, il governo e la società dovrebbero pensar bene a quale sia il ruolo e il futuro dell’industria “Il Brasile deve dedicarsi alla creazione di maggiori legami commerciali con i grandi blocchi economici” automobilistica brasiliana. Fino a qualche anno fa, il Brasile e altri paesi dell’America Latina erano considerati buone opportunità di investimento. Oggigiorno, la Cina e altri paesi asiatici dimostrano essere più interessanti e competono tra di loro questi investimenti. Le fabbriche – così come le altre imprese in generale – non presentano risorse illimitate da investire da tutte le parti. Le imprese scommetteranno su quei paesi dove ci sarà una maggior certezza di ritorno. Nel caso delle fabbriche, il Brasile è forte nella produzione di macchine monovolumi come la Fiat Palio. Sono sia le più vendute sul mercato interno, sia le più esportate. Sarà questa la nostra vocazione naturale? Se lo è, perché non creare meccanismi affinché possiamo trasformarci in una base mondiale per questo tipo di macchina? Comunità – Malgrado tutto, il 2004 è stato migliore del 2003? Mercato e Governo stano facendo perbene i compiti di casa? Vedovato – Il Brasile presenta un’enorme capacità di sorpresa. Le potenzialità qui sono enormi. Veda ciò che sta succedendo all’agricoltura negli ultimi quattro anni. Ci siamo trasformati in uno dei maggiori granai del mondo. In poco tempo saremo una superpotenza agricola. Il Brasile è sulla strada giusta. Gli interessi sono alti? Sì. L’ inflazione resiste ancora? Sì. Ma la stabilità brasiliana oggigiorno è magnifica se paragonata a quella degli anni ’80 e inizi anni ’90. Il sistema finanziario è solido, professionale e tutto questo non è da sottovalutare. Inoltre, il Brasile ha realizzato un importante passo istituzionale con la re-democratizzazione. Il passaggio dei poteri tra Fernando Henrique Cardoso e Lula è stata una lezione di civiltà per tutto il mondo. La tranquillità delle ultime elezioni sono una prova di questa maturità. Comunitá – Lei ha presieduto il Gruppo Esponenti Italiani(GEI) per due volte. Cosa deve fare il nuovo presidente Guido Urizio per fare leva sulle relazioni commerciali tra il Brasile e l’ Italia? Vedovato – Tutto ciò che potrà essere fatto per intrecciare le relazioni Brasile/ Italia dev’essere fatto. I due paesi presentano così tante affinità e interessi comuni che un’integrazione maggiore porterebbe enormi benefici a tutti gli interessati. Il Brasile possiede una gigantesca produzione agro-pastorale, l’Italia possiede la tecnologia di processamento degli alimenti. Soltanto questo esempio dimostra ciò che potrebbe essere fatto. Inoltre, come dimostra il caso della Fiat, brasiliani e italiani hanno il dono di, insieme, realizzare cose bellissime. Veduta aerea della fabbrica della Fiat a Betim, Minas Gerais L’industria Fiat all’interno N BO RV IELM B2R0O0 2 A 5 0 0/ 4 C /O M UCNOI MT ÀU NII TT AÀ L II AT NA AL I A N A 41 Comunità Italiana Comunità GASTRONOMIA GASTRONOMIA Un ristorante eloquente Fotos: Andressa Camargo C “Il cibo italiano si trovava soltanto in piccole case, le case della mama” onsiderato nel 2002 dall’Italian Culinary Institute for Foreigners (Icif), con sede in Piemonte, come il miglior cibo italiano in Sudamerica, il ristorante di San Paolo Massimo è un’incontestabile riferimento sullo scenario gastronomico brasiliano. Al comando della casa c’è Massimo Ferrari, che attribuisce la ricetta di successo ad alcuni ‘condimenti’ indispensabili: - Facciamo molta attenzione alla scelta delle materie prime, importiamo il nostro olio d’oliva, i capperi, la salsa di pomodoro, degli affettati. Inoltre, il mio socio e fratello Venanzio va sempre in Italia per scegliere vini: ne compriamo da quei piccoli produttori già di nome, ma che difficilmente hanno accesso al mercato brasiliano – racconta. Altri due ingredienti sono: l’architettura della casa – costruita nel 1970 da Venanzio – che dispone di due sale da pranzo e di un enorme bar che possono ricevere anche riunioni affaristiche, insieme a comodità e buon servizio. - A quel tempo non c’era niente di così grande. Il cibo italiano si poteva mangiare soltanto in piccole case, le case della mama. A loro (i clienti) piace sapere che verranno trattati con affetto e allegria – mette in risalto Massimo. La famiglia Ferrari è arrivata in Brasile alla fine degli anni ’40, venuta dal Piemonte. Il padre di Massimo e Venanzio, Felice Ferrari, si è inoltrato nel settore dei ristoranti partecipando all’apertura di una churrascaria a San Paolo. Imprenditore, nel 1953 è riuscito a iniziare il suo proprio affare con la Churrascaria Cabana, che amministrava insieme alla moglie. Negli anni ’70 ha aiutato i figli a pianificare il ristorante Massimo, ma è deceduto pochi mesi prima dell’inaugurazione della casa. - Ho osservato i miei genitori fin da piccolo, perché vivevo intrufolato nel ristorante. Mi sono laureato in economia e amministrazione, però mi stavo già indirizzando verso questo lavoro. Sono fortunato, sono un appassionato di quello che faccio – ricorda Massimo. Nel 1993 la famiglia ha deciso di dedicarsi esclusivamente alla culinaria italiana e ha chiuso le porte della Churrascaria Cabana. L’architettura della casa costruita nel 1970 da Venanzio Ferrari 42 Italiana COMUNITÀ ITALIANA / ABRIL 2005 Dieta che apre porte commerciali ANDRÉ FELIPE LIMA O tto piccole melanzane, una tazza di parmigiano grattuggiato grosso, uno spicchio d’aglio tritato bene, basilico, olio di oliva…e così via con un’altra delle decine di ricette che formano la dieta più in voga (e salutare) di cui si abbia notizia. Stiamo parlando della dieta mediterranea, in franca espansione in Brasile. Le quattro Camere italiane di commercio nel paese hanno cominciato l’anno scorso un’ampia campagna per diffonderla. Una dieta che fa del popolo italiano uno dei più salutari del mondo e apre porte commerciali al Belpaese. Le Camere hanno anche pubblicato un libro, “Mangiare italiano, buono e sano – princípios da dieta mediterrânea”, insieme a vari ristoranti famosi del paese per la loro tradizionale cucina italiana. Il libro ci mostra informazioni, convalidate da medici, a conferma del fatto che i cittadini italiani presentano meno problemi cardiovascolari e più longevità di persone di altri paesi. Vini e formaggi sono il marchio di questa culinaria. Per esempio, in Brasile abbiamo già attinto la maturità economica in questi due settori. Quello del vino muove annualmente circa R$ 1,2 miliardo. Secondo dati dell’ Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), l’ultima produzione, nel 2003, del vino brasiliano (fino, da tavola, spumanti e succo d’uva) è arrivata a 360 milioni di litri. In Brasile ci sono 700 aziende vinicole e 16mila proprietà terriere dove si coltiva l’uva. Del totale di questo mercato, Rio Grande do Sul controlla circa il 90%. Nelle esportazioni, la leadership dei vini da tavola è ancora schiacciante (l’80%). Invece, la produzione di vini fini ha raggiunto 50 milioni di litri, malgrado il Brasile importi ancora molto di più di quanto esporti in questo segmento vinicolo, specialmente dall’Italia. Comunque, le esportazioni sono aumentate del 42% fino al settembre 2004, e dovrebbero aumentare ancor più quest’anno (20%) e nel 2006 (30%). La Miolo, ad esempio, vuole arrivare a R$ 50 milioni in esportazioni annuali entro 10 anni. Si stanno preparando programmi. Uno dei più significativi è l’accordo tra l’ Agência de Promoção de Exportações do Brasil (Apex) e l’ Ibravin, preventivato in R$ 2,78 milioni, che finanzierà marche di vini brasiliani all’estero. Le aziende vinicole Casa de Lantier, Casa Valduga, Cooperativa Vinícola Aurora, Lovara, Miolo e Salton, tutte aventi sede in Rio Grande do Sul, si trovano nella lista dei finanziamenti, ma entro il 2006 l’Apex spera di ampliare fino a 12 il numero di imprese nel programma. L’ Ibravin si è associata anche al Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), al Banco do Brasil e alla Secretaria de Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul per sviluppare i cosiddetti Arranjos Produtivos Locais (APL’s) – conosciuti anche come clusters – che incrementeranno ancor più la produzione vinicola nel paese. Modello genuinamente italiano, gli APL’s sono responsabili per il circa 43% delle esportazioni italiane, e danno impiego ad oltre 2 milioni di lavoratori distribuiti in 90mila imprese. Inoltre, l’Italia ha intensificato la sua preoccupazione con il marchio del suo vino all’estero, tanto N BO RV IELM B2R0O0 2 A 5 0 0/ 4 C /O M UCNOI MT ÀU NII TT AÀ L II AT NA AL I A N A è vero che funziona dal 2003 l’Enoteca d’Italia, che dispone di 20 milioni per promuovere i vini italiani nel mondo. Se la relazione bilaterale con l’Italia per il mercato vinicolo va bene, nel mercato dei formaggi e in quello dell’olio d’oliva è più timida. Il Brasile, oggigiorno, è un grande importatore di olio d’oliva, ma circa il 50% dei suoi acquisti vengono fatti in Spagna. Più audace e autosufficiente, l’industria del formaggio in Brasile muove R$ 110 milioni l’anno. Sono 20mila tonnellate di formaggi che consumano 2 miliardi di litri di latte e danno impiego a 37mila persone nella sua produzione. Lo stato di Minas Gerais risponde del 60% della produzione nazionale. Importare formaggi dall’ Italia, comunque, non è una delle principali caratteristiche del mercato brasiliano e meno ancora l’esportazione su larga scala verso il Brasile non è uno dei principali obiettivi degli italiani. Le vendite del parmigiano italiano, ad esempio, negli ultimi due anni hanno totalizzato in media circa 900 milioni. Il Brasile, al contrario di quanto si potrebbe immaginare, non si trova nelle liste dei principali acquirenti del parmigiano italiano, i cui principali mercati sono proprio i paesi europei. Al contrario dell’Italia, gli Stati Uniti da cinque anni aprono fronti nel mercato brasiliano per i loro formaggi, specialmente il cheddar e il cream cheese, le cui vendite sono in crescita circa del 5 % annuo. Anzi, vivere in modo salutare, come fanno gli italiani, è sempre stato un mistero, specialmente per gli americani. Subito dopo la Seconda Guerra Mondiale, il medico Ancel Keys sbarcò a Salerno, al sud d’Italia, e constatò che la popolazione locale non soffriva di problemi cardiovascolari, comuni negli Stati Uniti. Keys, tra il 1958 e il 1964 concluse uno studio in alcuni paesi europei, in Giappone e negli Stati Uniti. Risultato: la dieta mediterranea è decisiva per la vita di chi vive sul litorale europeo, specialmente per l’Italia, che occupa il primo posto in longevità in Europa. Ma una cosa è irrevocabile: Keys vive fino ad oggi, ha 100 anni, e sua moglie 95. Agili e snelli grazie alla dieta mediterranea. 43 Comunità Italiana Comunità PERSONAGGIO PERSONAGGIO Andressa Camargo GISELE MAIA Da giornalista a proprietario di ristorante: le prodezze dei Morici tra Sicilia e San Paolo S alvatore Morici è arrivato in Brasile a diciotto anni e fino ad oggi si ricorda della data precisa: l’11 febbraio 1961, un sabato di carnevale. Ma non è stata la festa popolare a portarlo qui. Lui, allora un giovane giornalista, aveva come obiettivo un servizio sull’Amazonas, con l’esploratore Willy Aureli, che aveva fatto importanti scoperte nella regione di Araguaia. Ci sono voluti pochi giorni perché il suo viaggio prendesse un’altra direzione e lui decidesse di rimanere qui per sempre. Infatti è bastato innamorarsi di una bella italo-brasiliana, Regina Melena Farabutti, con cui si è sposato. Adesso lei 44 Italiana è la responsabile del menù di prima qualità del ristorante Taormina Ristorante Siciliano, a San Paolo. La ditta della famiglia Morici esiste da soli due anni e, come dice scherzando Salvatore, ‘è stata aperta soltanto per sfuggire alla depressione senile’. Quando è arrivato dall’Amazzonia, Salvatore era stato invitato alla festa di una famiglia di imprenditori italiani che vivevano a San Paolo, gli Scavone. Là, gli fecero una proposta: comporre la direzione della Oretri Propaganda, all’epoca un’importante agenzia pubblicitaria. Salvatore ringraziò l’invito, ma lo rifiutò perché doveva ritornare in Italia pochi giorni dopo. Comunque, nella stessa festa conobbe Regina e, grazie a lei, non imbarcò, malgrado non avesse più ‘un soldo bucato’. “Mi sono svegliato il giorno dopo quello della partenza, affamato e senza soldi. Mi recai in un mercato vicino al quartiere Consolação, rubai cinque banane e telefonai al proprietario della Oretri”, ricorda con allegria. A partire dalla scelta di stabilirsi in questo paese, Salvatore decise anche di collaborare con il Fanfulla, il giornale italiano che, secondo lui, riuscì a superare in tiratura il quotidiano Provincia de São Paulo, che dopo si sarebbe chiamato O Estado de São Paulo. Nel 1965, il Fanfulla fu chiuso dalla dittatura militare. Nel 1966, Salvatore fondò un giornale, chiamato Itàlia Mondo, che durò poco più di un anno. Malgrado il suo coinvolgimento con i media, racconta che in Brasile non ha mai guadagnato come giornalista. Con una laurea anche in ingegneria, ha fatto lavori in quest’area, oltre ad aver lavorato nel mercato pubblicitario e nell’industria di prodotti chimici. Anima imprenditoriale, ha messo su una tintoria e due fabbriche di tingitura di tessuti. “Io, che prendevo sei in chimica, qui formulavo prodotti”, racconta. Più tardi Salvatore diventò conosciuto perché importava silicone e lo introdusse nel mercato brasiliano, specialmente con i fabbricanti di materassi. Nel 1977 poteva dirsi un uomo ricco. Ma, quell’anno stesso, ci fu la maxi svalorizzazione del cruzeiro. Indebitato in dollari, Salvatore dovette vendere la sua casa, i terreni e le macchine. “Erano debiti normali. Io compravo specialmente dalla Germania, e era di prassi pagare in 360 giorni. Allora io, che avevo introiti pari al doppio del mio investimen- to, pagai un debito due volte più grande. Persi tutto e cominciai ad odiare il Brasile. Tornai in Italia nel 1980 giurando che non ci avrei mai più messo piede”. Già in Italia, sua moglie occupò l’incarico di direttrice di una rivista di turismo. In poco tempo, Salvatore ha aperto un’agenzia di viaggi. Erano i segnali del recupero della famiglia Morici. Ma ci fu un altro cambiamento di piani: il figlio della coppia, che aveva già fatto l’esame di ingresso per l’Istituto Politecnico della USP, fu approvato e decise che voleva tornare in Brasile. E così fece. Subito la madre lo accompagnò. Salvatore, che voleva mantenere la promessa all’inizio, invece si arrese e venne ad unirsi alla famiglia. Affittò la sua agenzia di viaggi là e ne aprì un’altra a San Paolo. Il sacrificio valse la pena. Salvatore racconta orgoglioso la traiettoria professionista del figlio che, per nove anni, è stato direttore della Parmalat ed ora è il direttore di marketing della Coca-Cola. Invece la figlia è direttrice per l’America Latina della ENIT (Ente Nazionale Italiano per il Turismo), l’ Embratur italiana, oltre ad essere vice presidente mondiale dell’Associazione Europea di Turismo Il buon servizio del ristorante e la qualità del menù, che porta a tavola il meglio della cucina siciliana, gli ha aperto altre strade. Oggigiorno, il maggior guadagno viene dagli eventi che Salvatore e Regina organizzano con il Buffet Dolci Momenti, un altro affare dei Morici. Tra i suoi clienti ci sono il GEI (Gruppo degli Esponenti Italiani), l’ ICE (Istituto Italiano per il Commrcio Estero) e altre istituzioni italiane. Innamorato delle sue radici, Salvatore aiuta anche a promuovere incontri della Regione Sicilia in Brasile, sia con obiettivi politici, sia commerciali. La dedicazione gli è valsa il premio Pigna D’Argento, dato a siciliani in tutto il mondo che si mettono in risalto con la divulgazione dei valori della regione. “Ho qui alla parete del mio ristorante un diploma di ‘sicilianità’, e so che ne sono degno. Di solito, i miei compatrioti delle altre regioni si presentano come italiani. Io, prima di tutto, sono siciliano”, commenta orgoglioso Salvatore. Serviço: Rua Peixoto Gomide, 1395 - Cerqueira Cesar São Paulo - tel. 11-3284.3838 COMUNITÀ ITALIANA / ABRIL 2005 Gruppo Comolatti: successo ereditario GISELE MAIA S ergio Comolatti ha preso il comando di uno dei gruppi imprenditoriali di maggior successo in distribuzione e vendita di autoricambi, il Gruppo Comolatti, fondato da suo padre Evaristo. Quando ha assunto su di sé gli affari della famiglia, Sergio ha imposto una nuova dinamica amministrativa, espandendo e modernizzando le attività del gruppo. All’inizio, il padre di Sergio, venuto dall’Italia del nord nel dopoguerra, esattamente nel 1948, comprò un camion e con esso lavorava in vari stati del Brasile con il trasporto di combustibile. Pochi anni dopo, nel 1957, l’imprenditore italiano aprì un negozio di autoricambi per camion Alfa Romeo che portava il suo nome, la Evaristo Comolatti e Cia Ltda. Nel 1965 già ne esistevano nove filiali. Oggigiorno, il gruppo che Sergio dirige dà impiego a circa 1700 persone. Imprese coinvolte nella distribuzione di autoricambi sono la Sama Autopeças, Laguna, Abouchar, Tietê, Cofipe Iveco. Tra di esse, alcune sono più antiche del Gruppo Comolatti e già godevano il rispetto del mercato anche prima di veni- re incorporate. La Sama, con 17 centri di distribuzione in tutto il paese, lavorava da 43 anni in Brasile, con otto filiali, quando è stata integrata al Gruppo Comolatti, nel 1965. Anche la Laguna era un’antica impresa quando è stata incorporata nel 1995. Esisteva fin dal 1918, quando fu fondata dall’anche lui italiano Cirillo Laguna. La Abouchar Pneus è passata a far parte della holding nel 1981, il che è risultato nell’aumento del volume di affari, visto che l’impresa, oggi con 77 anni di realizzazioni, è passata a coprire una parte del mercato, quello dei pneumatici, ancora non sfruttato dai Comolatti. Ma il nome Comolatti è anche legato al settore immobiliario con la Bernina Imobiliària. Inoltre, alla famiglia italiana appartiene uno dei più privilegiati spazi di San Paolo – il Terrazzo Italia, un ristorante situato nel più alto edificio della città (l’Edifìcio Itàlia) e dal quale si può vedere tutto il centro finanziario della capitale. È là, con la migliore vista di San Paolo, che il Gruppo Comolatti promuove vari eventi riguardanti le sue attività sociali. La più conosciuta e tradizionale è il tè beneficente, realizzato da più di trent’anni. L’ini- ziativa è cominciata con l’impegno di Evaristo Comolatti e sua moglie ma, in questo momento, ne viene garantita la continuità dalla figlia della coppia, Terza Maria Comolatti Ruivo. Fino ad oggi, 304 istituzioni sono state beneficiate. Fin dall’inizio della sua gestione, Sergio investe sempre più in azioni di Responsabilità Sociale. Soltanto nel 2002, dati basati dalla Relazione di Attività Sociali di quell’anno, R$ 8 milioni sono stati destinati al benessere dei suoi collaboratori e dipendenti. Comunità Italiana Comunità OPINIONE OPINIONE Dalla Serra Gaúcha alla civiltà brasiliana CARLOS LESSA C onsidero decisivo il contributo degli immigranti italiani nell’occupazione del territorio brasiliano e la diffusione di standard di civiltà. Le mie osservazioni non sono una novità, però nascono da viaggi e intensi contatti. Comincio dalla Serra Gaúcha. Sono ottocentomila abitanti in 34 comuni: Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Veranópolis, Garibaldi, Farroupilha, São Marcos, Flores da Cunha, Pinto Bandeira, Ipê, Antônio Prado ecc., dove si trovano 511 aziende vinicole. La produzione regionale di 250 milioni di litri all’anno (90% della produzione brasiliana) è legata a circa 16mila famiglie. L’attività ha avuto inizio nel 1815, con i tedeschi che occuparono una buona parte della Valle. È stata consolidata dal 1865 da immigranti italiani che, sui versanti, producevano per consumo proprio. Viene lavorato circa il 50% dell’uva brasiliana. (N.d.t.: Lo stato di) Rio Grande do Sul corrisponde al 95% dell’uva lavorata. 46 Italiana La Serra presenta 31mila ettari di vigneti. È una tipica attività di piccoli proprietari, con un uso intenso di manodopera familiare (4 persone per ogni proprietà). Si stima che l’area media per ogni vigneto sia di 2 ettari. Sono 17mila stabilimenti rurali poco meccanizzati, in una regione dalla topografia accidentata. Una caratteristica storica dei vigneti della “Serra Gaúcha” è la coltivazione di uva americana e ibrida, specialmente a Isabel. Agli inizi del sec. XX, con l’arrivo dei fratelli Monaco, sono sorte imprese produttrici di vino: la Dreher e Salton, nel 1910; la Peterlongo, nel 1913; la Cooperativa Aurora, nel 1930. Nel 2003, la raccolta gaucha è stata di 380 milioni di chili d’uva. Nel 2004 si è arrivati a 578 milioni. Voglio riferirmi adesso alla pioniera Aurora, fondata nel 1931. Il bel contributo italiano ha dato origine ad altre 18 cooperative legate alla Fecovinho, il cui presidente è Hermes Zaneti. Tutte le altre hanno presidenti brasiliani dal cognome italiano. In Austria, Canada, Finlandia e Israele, tra il 70 e l’80% della popolazione adulta partecipa a qualche cooperativa. In Belgio, Norvegia e Francia, tra il 50 e il 60%. Negli Stati Uniti, Danimarca, Giappone e Portogallo, tra il 40 e il 50%. In Brasile, soltanto il 4%. Uno scarso standard di civiltà in Brasile che è invece abbondante nella Serra Gaúcha. La cooperativa è una società di persone che cooperano per produrre un risultato; ogni cooperato ha un voto ed è pagato secondo quello che produce. La sua preoccupazione con il guadagno non è la stessa di una società di capitali, e non ha un socio maggioritario che comanda. Attraverso la cooperazione, il piccolo produttore partecipa ad una grande organizzazione, che assume l’impegno di ricevere tutta la produzione dell’associato e, invece di distribuire guadagni, reinvestire gli avanzi dei suoi risultati. Oggigiorno, l’Aurora conta su 1242 viticoltori. Produce circa il 10% dell’uva COMUNITÀ ITALIANA / ABRIL 2005 gaucha che si trasforma in vini da tavola – di cui il più famoso è il Sangue de Boi, fatto da uve americane. Produce vini fini con la Vitis Vinifera (ne usa oltre 10 ceppi), e fa ottimi spumanti. Direttamente dall’Aurora dipendono, tra associati, impiegati e rispettivi familiari, quasi 8000 persone. Ed è sempre in cerca di perfezionamento. “Fare vino è un affare relativamente semplice, solo i primi 200 anni sono difficili”, insegna la Baronessa di Rotschild. L’Aurora ha 75 anni, però ci ha già brindati con il suo Millesimo 1999, un Bordeaux di prima qualità. Soltanto verso gli anni ’70, con l’entrata di ditte come la Martini e Rossi, la Möet et Chandon, la Maison Forrestier, la Hublein e l’Almaden, i vini della Serra hanno assunto una migliore qualità. Quelle arrivate di recente hanno introdotto processi sofisticati di vitivinificazione, e i vini della Serra hanno cominciato ad essere consumati fuori dalla regione. I brasiliani sono grandi bevitori di birra, ma consumano soltanto 2 litri di vino all’anno per abitante. La Francia, 60. l’Italia, 58. Il Portogallo, 56. L’Argentina, 40 e l’Uruguai, 31. Perfino la povera Romania, 29. Il miglioramento di qualità darà impulso alla crescita esponenziale del consumo. Vorrei sottolineare un’altra lezione della Serra Gaúcha. A Bento Gonçalves si trova l’Istituto Brasiliano del Vino – Ibravin. Ne sono soci fondatori la Fecovinho, la Commissione Interstatale dell’Uva (Lavoratori rurali), la Agavi (Associazione Gaucha di Viticoltori) e la Uvibra (Unione Brasiliana di Vitivinicoltura). Partecipano anche il Governo dello stato di Rio Grande do Sul e l’Associazione Brasiliana di Enologia (Abe). Non resisto e debbo parlare del cognome dei dirigenti dell’istituto: Riboldi, Debiasi, Gervasoni, Perrini, Cavagni, Valduga, Schiavenin, Paviani, Salton. Sono brasiliani totalmente inseriti, che cooperano per la civiltà del vino. Vediamo i loro nomi: Zeferino, João Guerrino, Antônio Agostinho, Marcos Antônio, Carlos Raimundo, Olir. Nella grandezza del cocktail brasiliano, il presidente dell’Abe di cognome fa Czarnobay. Ed è un altro Antônio Agostinho. Non parlerò dei nuclei urbani della Serra Gaúcha, tutti conoscono il polo industriale e il polo universitario di Caxias do Sul. Non parlerò della fedeltà al luogo, della Festa dell’Uva e neanche della bellezza dei Centri di Tradizioni Gauche. Lascerò da parte una magnifica gastronomia che ha riunito il churrasco (n.d.t.: grigliata), il galletto, la polenta, gli insaccati, i crauti – tutto condito da vino e birra. Farò un salto verso il Sudest di Santa Catarina. Seguo l’impulso seminatore dei figli degli immigranti italiani del sec. XIX. Vado nella città di Descanso. Il posto, in mezzo alla foresta, prende il nome dal riposo che facevano quelli della Colonna Prestes nel 1925. Quattro famiglie vi si installarono come pioniere. Dieci anni dopo, imprese colonizzatrici vendevano lotti in linea senza strade a famiglie venute dalla Serra Gaúcha. I pionieri raccoglievano cannella per fare mobili e pino per le costruzioni. Ci fu una corsa alle terre di Descanso tra il 1943 e il 1956, anno di fondazione del comune. Farò la lista dei cognomi dei dirigenti politici di là: Piran, Saltonello, Pelissari, Roman, Faccio, Toral, Bido, Ferlin, Panegalle, Mingore, Degrani, Basso, Povola, Cassul, Massune. Piran, Saltonello, Pelissari, Roman, Faccio, Toral, Bido, Ferlin, Panegalle, Mingore, Degrani, Basso, Povola, Cassul, Massune. Il sincretismo a Descanso ricevette l’apporto di famiglie polacche immigranti di prima generazione. Sorgono Wronski, Petroski, Graboski, Chechanovski, Koproski (di Casca, RS). La parrocchia cattolica cristiana è dedicata al Santo Estanislau Kostka. Il cocktail nella politica è totale: dirigenti discendenti da polacchi, come i N BO RV IELM B2R0O0 2 A 5 0 0/ 4 C /O M UCNOI MT ÀU NII TT AÀ L II AT NA AL I A N A Jacinski, da tedeschi, come gli Schirman, e un indiscutibile Lopes Brasiliano. Gli standard di cooperazione e civiltà a Descanso sono commoventi e sintomatici. Alla base del comune ci sono 3100 famiglie rurali proprietarie di, in media, 17,4 ettari di terra. Producono mais, soia, grano, fagioli. Ci sono alcune aziende di produzione lattiera e di allevamenti avicolo e di carni suine. Negli scorsi decenni era comune che le donne affittassero una terra, insieme, producevano ortaggi e piccoli animali. Con ciò, riducevano le spese monetarie. Oggigiorno, sempre più si compra tutto nei supermercati. La frutticoltura si sta trasformando in una nuova attività importante. Nel 1949, in un simbolico atto di integrazione, hanno installato il loro Cristo Redentore, icona di Rio de Janeiro. Nel 1963 hanno creato la Cooperativa Agro-pastorale Santa Lucia. Dal 1970 dispone di un Sindacato di Impiegatori e un altro di Lavoratori Rurali. Nei fine settimana, molti pescano, altri danno sostegno ai coralli. Hanno una rete di saloni comunitari. Feste vengono realizzate sempre con un’ampia partecipazione e la popolazione coopera. Il 100% è alfabetizzato – ci sono 42 scuole comunali. Nessuno fa la fame. Tutti usano le scarpe. I figli dei ‘gauchos’ hanno seminato Descanso. Nello stato di Mato Grosso do Sul c’è Dourados, che replica Descanso. Diamantino, un altro clone nel Mato Grosso, batte il record di produzione di soia. Dai cognomi, rimontiamo alla Serra Gaúcha. Un’ultima cosa su Descanso: sull’autostrada della Região dos Lagos (RJ) ho trovato una churrascaria tipo grill dove, oltre alle golosità della Serra, fanno la feijoada, la goiabada con formaggio minas e anche sushi e sashimi. Il suo proprietario è di Descanso. Carlos Lessa è professore di Economia presso l’UFRJ e ex-presidente del BNDES 47