Comunidade de Sant’Egidio
COMO VAI
A SAÚDE?
C OMO AJUDAR - SE A SI PRÓPRIOS
E AOS OUTROS A ESTAR BEM
L E O N A R D O I N T E R N AT I O N A L
COMO VAI A SAÚDE?
©2004 Comunità di Sant’Egidio
www.santegidio.org
©2004 Leonardo International
www.leonardointernational.com
Comunidade de Sant’Egidio
COMO VAI A SAÚDE?
C OMO AJUDAR - SE A SI PRÓPRIOS
E AOS OUTROS A ESTAR BEM
Maria Cristina Marazzi
Leonardo Palombi
Sandro Mancinelli
Ersilia Buonomo
Anna Maria Doro Altan
Leonardo Emberti Gialloreti
Giuseppe Liotta
Massimo Magnano San Lio
Antonio Noce
Fabio Riccardi
Paola Scarcella
Ilustrações de Mario Cossu
L E O N A R D O I N T E R N AT I O N A L
INTRODUÇÃO
Esse livro que têm nas mãos é talvez um dos livros mais lidos em África.
Tal como um grande romance de Kourouma ou de Soyinka. São muitos
milhares as mãos que o passaram a outras mãos e que o guardaram no
lugar mais seguro para o poderem consultar novamente e permitir a
outros que o façam. Este livro pretende ser uma oferta de amizade como se pode ver pelo próprio título: “Como vai a saúde?” Como estás? É
o que se pergunta quando uma pessoa nos interessa. Este livro fala da
saúde: da minha, da tua, da nossa saúde.
É um livro que nasceu há cinco anos quase como uma aposta: pode-se
fazer muito para promover a saúde e viver melhor. Quem foi pouco à escola, quem não teve a sorte de aprender em casa como defender-se das
doenças de maneira simples, pode aprendê-lo na mesma apesar de saber
ler pouco ou nada. As mulheres que aprendem, contam-no e transmitem-no a outras mulheres e a toda a família. Os jovens que podem usar
“Como vai a saúde?”, envolvem outros jovens, os seus próprios amigos.
Este livro realiza um contágio bom: o conhecimento e a educação sanitária. É o livro de texto, juntamente com os livros da escola, para milhares
de crianças das Escolas da Paz1 de Norte a Sul, para as mulheres e para os
adultos envolvidos no programa DREAM2, para todos os que se dirigem
aos Centros de Saúde e aos Centros Materno-Infantis promovidos pela
Comunidade de Sant’Egidio ou a ela ligados. Mas pode ser também a guia
para uma vida boa para muitos.
É um manual, simples, que ajuda a
viver e a não cair nas inúmeras e
invisíveis armadilhas que existem
em ambientes com poucas infraestruturas, com fracos recursos,
onde, por enquanto, ainda não
estão previstas intervenções de
saúde pública típicas de outras
partes do mundo (tais como os esgotos, a canalização da água potável) e onde a instrução é carente.
Mas, para combater seriamente as
doenças, não se pode ficar à espera do tempo em que haja água limpa para todos, um pavimento para todos dentro de casa, serviços higiénicos e canalização das águas escuras
em todas as zonas rurais. É preciso defender imediatamente a própria
vida e a dos outros! Foi por isso que nasceu “Como vai a saúde?”: feito
por um grupo de investigadores médicos, especialistas em saúde pública, que não se resignaram à doença como se fosse um destino.
5
Este livro não é um best-seller, porque best-seller quer dizer “o livro
que é mais vendido” e este livro não se vende.3 Usa-se, recebe-se, restitui-se, empresta-se, conserva-se.
É um livro que não só faz viver melhor, como outros livros, mas também
faz viver mais. Se se tiver cuidado com a saúde e com a higiene vive-se
mais!
Como se sabe, em África não existe dinheiro suficiente para comprar
todos os medicamentos que são precisos. Tal como a instrução gratuita
para todas as crianças, a água limpa para toda a população, a energia
eléctrica disponível mesmo fora das grandes cidades, também a saúde
parece por vezes um luxo para tantas pessoas em África.
Para salvar muitas vidas humanas e reduzir a mortalidade e a difusão
de muitas doenças, temos na mão uma arma potentíssima, mais potente do que os medicamentos. Um meio extraordinário que permite já
vencer muitas batalhas e mudar a situação para melhor e de forma radical. Esta arma é a instrução. Muitos estudos antigos e recentes o demonstram. Investir nas pessoas (os “recursos humanos”) e na educação
sanitária levou muitos países com poucos recursos financeiros a melhorar de forma decisiva a sua capacidade de luta contra as doenças. Um
exemplo é o caso da Costa Rica. Neste país o dinheiro à disposição de
cada cidadão (o PIB pro capite), é dez vezes menos do que o que um
6
inglês tem à sua disposição. E no
entanto, é surpreendente que a esperança de vida à nascença seja
quase a mesma. Isto aconteceu devido a um forte investimento na
instrução e na educação sanitária.
Se se observar a mortalidade infantil e a esperança de vida na
Índia, verifica-se que os dados
melhoraram de forma relevante
quando se difundiu a instrução,
sobretudo feminina, nas zonas rurais. Se se compararem dois grandes Estados no interior da Índia, o Kerala e o Punjab (este mais rico mas
com menor escolaridade, o Kerala com menos recursos económicos mas
com maior escolaridade) verifica-se que a esperança de vida à nascença
é nitidamente mais alta em Kerala.
Nos países em vias de desenvolvimento e nos países com menos recursos
financeiros, a instrução e o investimento nos recursos humanos, sobretudo femininos, revelaram-se factores de incisiva mudança e de modernização. A lição a tirar é que, com o crescimento da cultura sanitária,
mesmo com poucos meios se pode mudar a qualidade de vida.
Hoje este livro está disponível em português mas também em inglês e
francês, espanhol e albanês para ajudar muitas pessoas a viver melhor e
a proteger a sua própria saúde.
A nossa esperança é que estas páginas se consumam à força de passarem de mão em mão. Cada página consumida significará que uma doença morreu ao nascer.
Maria Cristina Marazzi
Leonardo Palombi
1
Os Centros, promovidos pela Comunidade de Sant’Egidio, são antes de mais lugares de
educação para a paz e para o respeito pela pessoa. Completamente gratuitos, oferecem
ajuda às crianças e adolescentes para a inserção na escola, apoio no estudo, integração
para a alimentação, atenção especial à saúde, apoio a toda a família. Através das Escolas da Paz, espalhadas por todo o mundo, são ajudadas mais de 20.000 crianças.
2 DREAM (Drug Resources Enhancement against AIDS and Malnutrition) é um programa
global de prevenção e tratamento da SIDA iniciado pela Comunidade de Sant’Egidio em
África que prevê, para além doutras, a terapia com medicamentos antiretrovirais. É um
programa completamente gratuito que, tendo sido iniciado em Moçambique em 2001,
se estendeu a outros países de África.
3 E isto foi possível graças à contribuição de muitas instituições públicas e privadas, entre as quais a Conferência Episcopal Italiana, Deutscher Caritasverband, Generalitat de
Catalunya, Sue Ryder Care e Accentus Gemeinnützige Stiftung.
7
MICRORGANISMOS E DOENÇAS INFECCIOSAS
Os microrganismos
são seres
infinitamente
pequenos, que não
se vêem a olho nu,
mas apenas
através
de lentes de
aumento como
as de um
microscópio
Muitos são inócuos e alguns são úteis ou indispensáveis ao homem,
pelo contrário, outros causam doenças que podem ser graves ou até
mortais (agentes patogénicos).
Estas doenças são chamadas transmissíveis ou infecciosas, porque são
transmitidas na comunidade humana directamente, de homem/animal
infectado ou doente para o indivíduo são, ou então indirectamente.
A transmissão indirecta acontece através de veículos como o ar, a
água, o solo, os alimentos, os objectos de uso ou então vectores como,
por exemplo, alguns artrópodes (insectos).
Cada agente patogénico causa uma doença diversa e possui uma cadeia
de transmissão:
a) uma fonte, isto é o organismo (homem ou animal) que elimina o
microrganismo para o exterior
9
b) uma modalidade de transmissão, directa ou indirecta
c) uma via de entrada no homem são e receptivo (*)
d) uma via de eliminação.
A transmissão é directa ou indirecta.
A) Transmissão directa
1- Sexual - Através do contacto directo como nas relações sexuais. É a
via seguida por alguns agentes patogénicos como os que provocam a
sífilis ou a SIDA.
2 – Mãe - filho (vertical) - A passagem
dos agentes patogénicos acontece da
mãe para o feto, durante a gravidez,
ultrapassando a barreira constituída
pela placenta**. Esta via é seguida, por
exemplo, pelo agente patogénico que
provoca a toxoplasmose.
(*)
Receptivo: sujeito susceptível de acolher a infecção porque não tem imunidade
em relação ao microrganismo.
(**) Placenta: órgão que se forma durante a gravidez e que permite a respiração
e a nutrição do feto.
10
3 - Do animal infectado /
doente através de
mordedura. É a via seguida
pelo agente patogénico
que provoca a raiva.
B) Transmissão indirecta
1. Transmissão mediante veículos
Ar - Através do
ar que respiramos:
é o caso de muitas
doenças respiratórias
como a tuberculose
e o sarampo.
11
Água
- A água
que bebemos
pode estar
contaminada. Muitos
agentes patogénicos, como por
exemplo os que provocam a cólera ou
as diarreias infantis, seguem esta
modalidade de transmissão
Alimentos Os alimentos podem
ser perigosos (ver pág.
120). Duas doenças
transmitidas através
deste veículo são, por
exemplo, a febre
tifóide e a hepatite A
12
Solo - No terreno
vivem numerosos
agentes patogénicos.
Podem, através
de diversas vias,
chegar ao homem,
como, por exemplo,
no caso do tétano
Objectos de
uso - Podem estar
contaminados por
muitos tipos de
agentes patogénicos
que são transmitidos
para o homem
13
2. Transmissão mediante vectores
Artrópodes - Alguns
parasitas, como aquele que provoca
a malária, podem ser transmitidos
através da mordedura do
mosquito Outros podem
ser transmitidos pelas
moscas ou por
outros insectos
14
VECTORES E RATOS
Prevenção das doenças transmitidas pelos mosquitos: malária,
febre amarela, filariose, etc.
Os mosquitos são perigosos porque, através da mordedura transmitem
algumas doenças importantes como:
– Malária
– Febre amarela
– Filariose.
Os microrganismos que provocam estas doenças desenvolvem-se no
interior do organismo do mosquito e são transmitidos para o homem
que é mordido.
Seguidamente o microrganismo desenvolve-se também no organismo
do homem. Dele pode transmitir-se para o mosquito indemne através
do sangue.
Estas doenças podem ser transmitidas só por certos tipos
de mosquitos.
Também a transfusão de sangue pode representar um modo
de transmissão.
Para prevenir a difusão destas doenças deve-se agir em duas direcções:
1) Reduzir o número dos mosquitos
2) Reduzir o número de mordeduras dos mosquitos
15
Habitat e reprodução
O mosquito põe os ovos principalmente em água doce e estagnada
mesmo se poluída.
Um ovo leva 9-14 dias a transformar-se numa larva e a tornar-se
mosquito.
16
As larvas podem, portanto, desenvolver-se em:
• espelhos de água estagnada
• poças
• cisternas abertas
• depressões do terreno
• vasos
• pneus abandonados
• pegadas.
É particularmente perigosa a presença de grandes quantidades
de larvas de mosquito nas proximidades das habitações.
O mosquito adulto pode encontrar-se:
• no exterior da casa: vegetação, troncos de árvore, canos da água
• no interior: vestidos ou panos húmidos, cortinas, paredes, ramos
de flores.
Os diversos tipos de mosquitos voam e, portanto, mordem em
momentos diversos do dia.
17
Segundo o momento do dia em que se dá a mordedura será mais
provável que o mosquito encontrado seja do tipo que transmite:
malária:
de noite e ao pôr-do-sol
febre amarela:
de dia e ao pôr-do-sol
filariose:
de dia, de noite
e ao pôr-do-sol
Portanto, para evitar apanhar todas estas doenças é preciso protegerse da mordedura dos mosquitos todo o dia e toda a noite.
18
Luta contra os mosquitos
Antes de mais é necessário evitar que a larva do mosquito se aninhe
nas proximidades das habitações. Portanto é necessário evitar o mais
possível recolha de águas não necessárias e a infestação das recolhas
de água necessária.
Para obter este resultado é preciso tomar as seguintes medidas:
Manter o
exterior da casa
sempre limpo
Eliminar
as depressões
do terreno em
volta da casa
19
Eliminar
elementos como:
pneus, frascos e latas
vazios, garrafas vazias, troncos
de árvore cavados e qualquer
elemento que possa
recolher água
Cobrir as cisternas
e os poços que
estão no exterior
da casa
Cobrir os
contentores de água no
interior da casa
20
Eliminar
as descargas dos
canos no exterior
da casa através
de uma adequada
canalização
das águas
Outras medidas secundárias podem
ser a cobertura das cisternas
mediante um fio de óleo de parafina
e a introdução de peixes larvívoros
no caso de existirem pântanos perto
das habitações.
Para proteger-se da mordedura dos mosquitos é necessário tomar
as seguintes medidas:
Não construir
a casa a menos de
100-200 metros de fontes
de água descobertas
21
Evitar a presença de cultivações de
bananas perto das habitações nas
quais há sempre muitos macacos
que podem transmitir a
peste amarela aos
mosquitos e por
conseguinte ao
homem
Favorecer
a presença
de animais
insectívoros
à volta das
habitações:
sapos, libélulas,
lagartos, etc.
22
Instalar
redes nas
janelas
e nas
portas-janelas das
habitações
Instalar
mosquiteiros
nas camas
Impregnar
periodicamente as
redes de insecticida
ou de substâncias
repelentes
23
Vestir o mais
possível indumentos
com mangas
compridas e calças
compridas, sobretudo
se se penetra ou
permanece em
lugares com
vegetação
densa
Os mosquitos existem todo o ano mas o seu número e,
por conseguinte, o risco de ser mordido aumenta nas estações húmidas.
Nestas estações as medidas preventivas deverão, portanto,
ser tomadas com maior atenção e regularidade.
24
Prevenção das doenças transmitidas pelas moscas:
cólera, disenteria, febre tifóide, etc.
A mosca pode ser perigosa porque depois de ter pousado sobre
excrementos ou lixos pode pousar-se sobre alimentos sólidos ou
líquidos ou sobre partes do corpo.
Desta forma pode transmitir
doenças sobretudo do aparelho
gastro-intestinal como
a disenteria, cólera e febre tifóide.
Os microrganismos responsáveis
por estas doenças - que se
encontram nos excrementos ou
nos lixos - são transportados
pela mosca para os alimentos e,
portanto, ingeridos
acidentalmente pelo homem.
25
Podem também ser depositados sobre as mucosas (olhos) do homem
provocando doenças como o tracoma.
Habitat e reprodução
As moscas põem os ovos que se tornam larvas e, por fim, insectos
adultos.
As moscas reproduzem-se sobretudo nos excrementos, nos lixos e nas
águas sujas. A reprodução dá-se principalmente nas estações com
temperatura mais alta e com maior humidade.
Procuram alimento em todas as zonas húmidas onde se recolhem
detritos, excrementos e resíduos líquidos. Têm preferência em pousarse também nas zonas húmidas do corpo humano como as narinas, os
olhos, a boca, as feridas, etc.
Não voam no escuro; são atraídas pelo cheiro de produtos em
fermentação ou putrefacção.
26
Luta contra as moscas
1) Reduzir o número das moscas
Eliminando
os montes de
lixo
Evitando
a defecação ao ar
livre (eventualmente
cobrir sempre com
a terra)
Evitando as águas
paradas como as poças
27
Provendo
a uma limpeza
regular
do exterior
da casa
Provendo a uma
limpeza regular
das prateleiras
e das superfícies
internas da casa
Utilizando os
sistemas comuns de
eliminação das moscas
(pás mata-moscas, papel
insecticida, etc.)
28
2) Evitar o contacto entre a mosca e os alimentos
Aplicando os
mosquiteiros nas
portas e nas
janelas
Conservando
fechados os
recipientes que
contêm os
líquidos
29
Protegendo os
alimentos com
coberturas de
tecido, vidro, com
redes ou guardando-os
num lugar fechado
(armário ou
frigorífico)
3) Evitar o contacto entre a mosca e o corpo humano
Aplicando os
mosquiteiros
nas camas
30
Não dormindo
com as luzes
artificiais
acesas
Lavando muitas
vezes os olhos
às crianças.
31
Prevenção da infestação dos piolhos e das doenças transmitidas
pelos piolhos: tifo exantemático, etc.:
O piolho é um pequeno insecto que vive chupando o sangue do
hospedeiro. Existem três tipos de piolhos:
• o piolho da cabeça, que é o mais frequente
• o piolho do púbis, ou chato
• o piolho do corpo.
O piolho que vive na cabeça tem cerca de 3 mm de comprimento
e é cinzento.
Agarra-se à base do cabelo e põe aí os ovos, chamados lêndeas.
Os ovos têm pouco menos de 1 mm de comprimento, são cinzentos
e confundem-se facilmente com escamas de caspa; no entanto,
diferentemente destas não se despegam facilmente do cabelo.
Os ovos abrem-se cerca
duma semana depois
32
Fora do corpo humano o piolho pode sobreviver somente dois ou três
dias, enquanto que os ovos podem continuar vivos durante dez dias.
O contágio ocorre por contacto entre as pessoas; pode acontecer
também através do uso em comum de objectos como escovas, pentes,
cabelos, cachecóis, almofadas.
Os piolhos não saltam de uma pessoa para a outra. Além disso
a infestação não está ligada com o comprimento dos cabelos;
todavia cabelos muito compridos podem ser um obstáculo a uma
fácil individualização de piolhos e de lêndeas.
33
Ftiríase da cabeça
A comichão é o principal sintoma. A pele pode estar avermelhada
e pode haver um ligeiro inchaço das glândulas atrás das orelhas
e na parte posterior do pescoço. Os piolhos encontram-se sobretudo
na zona da nuca e atrás das orelhas, mais raramente também
nas sobrancelhas e pestanas e na barba.
As lesões superficiais produzidas
pela coçadura podem infectar-se
com microrganismos, provocando
infecções do couro cabeludo
e das glândulas do pescoço.
Além disso, alguns destes
microrganismos, que por vezes
existem nas fezes do piolho,
são agentes patogénicos
de doenças graves tal como
o tifo exantemático.
Ftiríase do púbis
É, por muitos aspectos, semelhante à da cabeça.
A ftiríase do púbis interessa a região acima dos órgãos genitais,
mas nos homens os parasitas podem existir também nos pêlos das
cochas, da barriga, do peito e do rosto. O piolho do púbis é bastante
semelhante ao da cabeça. Agarra-se aos pêlos, onde põe os ovos.
O contágio dá-se geralmente por contactos estreitos, como,
por exemplo, durante as relações sexuais.
Ftiríase do corpo
Apenas o piolho do corpo deposita os ovos também entre
as fibras têxteis dos fatos e da roupa da cama; pelo contrário,
os outros tipos deixam-nos unicamente nos cabelos e pêlos.
34
Luta contra os piolhos
1. O tratamento dos piolhos baseia-se no emprego de produtos que
contêm substâncias anti-parasitárias, que devem ser utilizadas
respeitando as informações indicadas nas confecções. Na ftiríase da
cabeça, para favorecer o descolamento das lêndeas é útil pentear o
cabelo com um pente fino, melhor se molhado em vinagre quente. Em
todas as formas é útil um segundo tratamento 8 ou 10 dias depois
para eliminar eventuais insectos nascidos entretanto de ovos que
ficaram vivos depois do primeiro tratamento.
2. Para ter a certeza de eliminar os piolhos deve-se inspeccionar
atentamente a cabeça (ou o corpo) de todas as pessoas com quem
se convive e do parceiro sexual para excluir a existência dos parasitas.
No caso de ftiríase do púbis é necessário submeter também o parceiro
ao tratamento e evitar contactos sexuais até que o tratamento esteja
concluído. Lavar a roupa interior e a da cama imediatamente após o
tratamento para evitar a reinfestação.
3. Depois do tratamento, para evitar reinfestações, lavar com água
quente (pelo menos 65 graus) os fatos, a roupa da cama e do banho.
De qualquer modo, dado que os piolhos que caem do hospedeiro no
chão e nos fatos morrem em 2 ou 3 dias por falta de alimento,
a maneira mais económica para obter a sua eliminação é a de pôr num
quarto bem arejado os indumentos e a roupa do paciente juntamente
com os vários acessórios para se pentear e não tocar neles durante
4-5 dias.
35
4. Escovas e pentes devem ser cuidadosamente lavados com água
quente (65 graus) e deixados em imersão durante 10 minutos melhor
ainda se se juntar um antiparasitário (o mesmo empregado para
o tratamento).
5. A melhor prevenção baseia-se na higiene dos cabelos que devem
ser lavados frequentemente e controlados regularmente, sobretudo
nas crianças e nas pessoas que vivem em comunidades com muita
gente como escolas, quartéis, etc.. Nestas comunidades é importante
evitar a troca de objectos pessoais (pentes, cachecóis, cabelos, escovas,
toalhas etc.) e a mistura de peças de vestuário de pessoas diferentes.
36
Prevenção das doenças transmitidas pelas simúlias: oncocercose, etc.
Trata-se de um tipo de mosquito que vive principalmente nas
proximidades de cursos de água rápidos ou cascatas.
Através da mordedura no homem transportam um parasita que
provoca uma doença denominada oncocerose ou cegueira dos rios.
Esta doença manifesta-se com nódulos subcutâneos e engrossamento
da pele. Muitas vezes conduz à cegueira ou a um forte abaixamento
da vista.
As simúlias transportam o parasita da oncocerose de um indivíduo
infectado para outro são através da mordedura.
37
Habitat e reprodução
Vivem em nuvens na proximidade dos cursos de água rápidos e das
cascatas. Voam ao nível do terreno e põem os ovos nas margens dos
cursos de água, onde se dá a maturação da larva até ao estádio adulto.
Voam e mordem durante as horas diurnas. Como preferem as
temperaturas suaves, são mais numerosas ao nascer e ao pôr-do-sol.
38
Luta contra as simúlias
1) Evitar as mordeduras
Não
construir
a habitação
na proximidade
dos rios
Aplicar
o mosquiteiro
nas portas e nas janelas
39
Assinalar às
autoridades sanitárias
a presença das
simúlias para a
desinfestação
Evitar
a permanência
nas margens
dos rios e, se
for necessário,
usar calças
compridas
e sapatos
fechados.
2) Evitar a difusão
da doença
• ir ao médico logo
que se aperceba que
tem nódulos cutâneos
• encorajar os familiares
e conhecidos que apresentem
nódulos cutâneos a ir ao médico.
40
Prevenção das doenças transmitidas pelos ratos:
tifo murino, leptospirose, etc.
Os ratos contribuem para a difusão de doenças, algumas graves.
Por exemplo a peste, o tifo murino, a leptospirose, a salmonelose.
Existem dois tipos principais de ratos.
• O rato preto, de
dimensões mais pequenas,
vive principalmente
debaixo dos tectos das
casas, nos celeiros, nas
árvores e nas moitas.
• O rato cinzento, de
maiores dimensões, vive
principalmente debaixo
da terra, no interior dos
muros da casa, nos
esgotos e nas descargas
do lixo.
Ambos os tipos de rato podem transmitir as mesmas doenças.
Entre as doenças transmitidas pelos ratos citam-se:
Doença
Modo predominante de transmissão
Peste murina
Tifo murino
Leptospirose
Pulgas que passam do rato para o homem
Pulgas que passam do rato para o homem
Contacto com água ou lama contaminadas com
a urina do rato (por exemplo andando descalço)
Comendo alimentos contaminados com fezes ou
urinas de rato
Mordedura
Mordedura
Salmonelose
Raiva
Sodoku
41
Habitat e difusão
O rato é um animal nocturno.
Os ratos alimentam-se das mesmas coisas que comem os homens e os
animais, mas também de lixos.
42
A presença de ratos manifesta-se
com sinais da sua passagem,
como manchas de urina,
fezes com forma característica
alongada com cerca de 1,5 cm.
de cumprimento, restos de
alimentos roídos, rasto de patas,
existência de tocas nos cantos
mais escondidos da casa.
Os ratos transmitem as doenças
directamente através das
mordeduras e, indirectamente
através da urina e das fezes
que contaminam os alimentos
ou a água.
Além disso, algumas doenças
são transmitidas ao homem
através da picada de insectos
que tenham apanhado
o microrganismo dos ratos.
43
Luta contra os ratos
Para proteger-se dos ratos em casa, é útil:
Limpar bem a mesa e
varrer o chão no fim
de todas as refeições
Conservar
os alimentos
cobertos e em
recipientes fechados
que os ratos não
possam roer
(metal, vidro,
terracota)
Não deixar os alimentos
no chão, mas sim num
lugar protegido e não
alcançável pelos
ratos
44
Conservar
a água em
recipientes tapados
Pôr
o lixo
doméstico
em recipientes
de metal fechados
e adequadamente
colocados em lugar
alto pelo menos
45 cm do solo
Guardar a roupa da
cama num lugar
inacessível aos ratos
45
Para proteger-se dos ratos à volta da
casa é útil:
Quando é possível, é
útil pintar na parede
externa da casa, por
baixo das janelas,
uma faixa de verniz
lisa que impeça aos
ratos de subir
Fechar
as rachas
das paredes
da casa com
mais de 6 mm.
de largura
46
Não deitar lixos
perto da casa;
manter limpo.
Os lixos devem
ser deitados
pelo menos
a 20 metros
da casa e
depois queimados ou
enterrados
Eliminar moitas
e vegetação baixa
nas proximidades
da casa
Cortar os ramos das
árvores que estão
próximos do tecto
da casa
47
Conservar
as reservas de
cereais cobertas,
levantadas do solo
e adequadamente
protegidas dos
ratos
Em casa é possível defender-se dos ratos também utilizando ratoeiras
Existem vários tipos de ratoeira. As mais comuns são com mola
ou com a cola.
48
As ratoeiras devem ser colocadas perto dos alimentos, na proximidade
das fezes dos ratos e dos lugares onde haja sinais da sua passagem.
Pôr uma isca na ratoeira: cereais, queijo, manteiga de amendoim,
carne ou outros produtos alimentares.
Usar sempre luvas para não tocar nos ratos mortos ou presos na
ratoeira, nem sequer tocar nas próprias ratoeiras. Sucessivamente,
as luvas deverão sempre ser desinfectadas.
Queimar os ratos mortos.
Manter as crianças longe das ratoeiras.
49
PARASITOSES INTESTINAIS
São provocadas por parasitas muito comuns (chamados vulgarmente
vermes) que atingem sobretudo as crianças entre os 5 e os 14 anos.
Os vermes podem entrar no organismo com alimentos ou água
contaminados, vivem no intestino e são eliminados com as fezes.
Podem atingir a pessoa:
1- metendo as mãos sujas na boca
2- comendo fruta ou verdura crua não
lavada que pode ter sido contaminada
no terreno por vermes ou pelas suas
larvas (veja-se o capítulo higiene dos
alimentos)
3- comendo carne crua ou mal cozida
que esteja contaminada (veja-se o
capítulo higiene dos alimentos)
4- bebendo água suja e contaminada
(veja-se o capítulo sobre a água)
Para proteger a população e sobretudo as crianças da infecção é
necessário:
1- construir e usar latrinas adequadas
2- prestar atenção à água e aos alimentos que podem estar
contaminados (veja-se o capítulo sobre a água e sobre os alimentos).
50
A presença de vermes intestinais pode-se manifestar com os seguintes
sintomas:
•
•
•
•
•
•
dor e inchaço do abdómen
astenia
inapetência
náusea e vómito
diarreia e/ou obstipação
prurido anal.
Além disso a infecção grave pode provocar:
•
•
•
•
má absorção e escasso crescimento na criança
anemia por carência de ferro
prolapso rectal
alergia e asma.
Se se descobrirem vermes nas fezes ou se se verificarem os sintomas
acima indicados dever-se-á dirigir ao médico ou ao pessoal do centro
de saúde para efectuar o tratamento adequado.
CENTRO DE SAÚDE
51
SARNA
É uma doença infecciosa provocada por um parasita, o ácaro da sarna,
que quando se pousa na pele penetra nela e escava cunículos onde
depõe os ovos. Os cunículos manifestam-se na pele com pápulas e
pequenas bolhas.
É uma doença que existe em todo o mundo mas que tem maior difusão
se as condições higiénico-sanitárias da população não forem boas.
Transmite-se por contacto directo pessoa a pessoa e indirecto através
de vestuário, de lençóis, de cobertores etc.
As lesões localizam-se sobretudo nos pés, entre os dedos das mãos,
nos pulsos, debaixo dos braços e nos genitais exteriores. O sintoma
principal é o prurido, sobretudo de noite. As lesões causadas pelo
coçar também se podem infectar.
Para prevenir o contágio é importante reconhecer rapidamente as
lesões e evitar o contacto com a pessoa infectada.
É também indispensável lavar a roupa interior, o vestuário e os lençóis
utilizados pelo doente com água a ferver durante dez minutos ou
então deixá-los expostos ao sol durante muito tempo.
52
De qualquer forma, é necessário dirigir-se ao médico ou ao pessoal do
centro de saúde para efectuar a terapia e a prevenção adequada.
CENTRO DE SAÚDE
53
HIGIENE PESSOAL
A higiene pessoal representa um elemento de grande importância para
manter uma boa saúde. As regras a seguir são poucas e simples mas de
grande eficácia.
Os cabelos
Deve-se reservar uma atenção particular aos cabelos que devem ser
lavados todas as semanas com água e sabão, ou então champô. De
facto, nos cabelos podem aninhar-se diversos tipos de parasitas
capazes de transmitir mesmo doenças graves.
Os olhos
Alguns conselhos simples podem prevenir as infecções oculares que
podem muitas vezes comprometer a vista. Evitar esfregar os olhos
com as mãos sujas, por exemplo, depois de ter tocado na terra. Deste
modo, de facto, arrisca-se a transmitir aos olhos microrganismos que
estão nas mãos sujas. A lavagem das mãos é suficiente para evitar
problemas nos olhos.
Evitar que os animais lambem o rosto das crianças.
Todas as crianças deveriam fazer uma consulta ao oftalmologista entre
os 5 e os 10 anos para verificar se existem defeitos da vista que
podem ser corrigidos.
Sempre que se nota comichão persistente nos olhos, vermelhidão,
lagrimação ou então quando se acorda de manhã com os olhos cheios
de crostas e com dificuldade em abri-los, é de boa norma ir ao médico
ou ao pessoal sanitário para uma consulta.
A boca
Uma boa higiene da cavidade oral favorece uma boa saúde física. De
facto, a boca contribui para a alimentação através da mastigação dos
alimentos e a mistura deles com a saliva.
Os dentes servem para mastigar os alimentos de modo a consentirem
55
a digestão e uma melhor assimilação das substâncias nutritivas por
parte do nosso organismo. A saliva serve para transformar os
alimentos esmigalhados pelos dentes em substâncias amalgamadas,
que se podem facilmente deglutir e digerir.
coroa
Os dentes são formados
por uma parte visível
(coroa) e uma inserida
na mandíbula (raiz).
Entre a coroa e a raiz
existe o “colo”.
raiz
esmalte
dentina
polpa dentaria
No interior dos dentes
estão os vasos sanguíneos
e as terminações nervosas
que transmitem
a dor quando o dente
está doente.
A dor dos dentes é devida
muitas vezes a “cáries”.
A cárie é uma lesão
que atravessa
a parte superficial
do dente (esmalte),
podendo penetrar até
ao seu interior; se não
for tratada, consuma
todo o dente.
56
Um sintoma de que os dentes estão cariados é a dor quando se comem
alimentos muito frios ou muito quentes.
A cárie é causada por uma infecção devida aos microrganismos que
existem normalmente na boca, apesar de não se verem porque são
muito pequenos; na presença de resíduos de comida, estes
microrganismos tornam-se muito mais numerosos e atacam o dente
provocando a formação da cárie.
Os alimentos que mais favorecem o desenvolvimento
dos microrganismos são os que contêm açúcar (doces, rebuçados
e semelhantes).
Há muitos alimentos que fazem bem aos dentes. Sobretudo as cenouras,
as maçãs e as laranjas porque, apesar de terem açúcar, contêm substâncias
nutritivas úteis para manter a boa saúde dos dentes.Também o leite, o
peixe e as verduras ajudam a manter os dentes saudáveis.
57
A melhor maneira de manter a higiene da cavidade oral é lavar
os dentes com a escova de dentes e o dentifrício. De facto, depois
das refeições, permanecem normalmente agarradas aos dentes
ou entre as gengivas partículas de alimento que favorecem o
desenvolvimento dos microrganismos e, portanto, a formação da cárie.
Por isso, devem-se lavar os dentes todos os dias, depois das refeições
principais. O dentifrício é importante porque ajuda a escova de dentes
a remover as partículas dos alimentos dos dentes.
Quando os dentes doem deve-se ir ao médico.
O corpo
A lavagem do corpo é muito importante porque nos permite prevenir
doenças e irritações da pele mesmo muito aborrecidas. São muitas as
doenças que podemos evitar com um banho quotidiano, possivelmente
com água e sabão.
Se não é possível lavar-se totalmente todos os dias seria, no entanto,
oportuno lavar todos os dias pelo menos a cara, a boca, os pés, os
órgãos genitais, a virilha e as dobras por baixo dos seios nas mulheres.
58
boca
seios
virilha
pés
Não tomar banho em águas estagnadas.
No caso de comichão persistente durante diversos dias ou
vermelhidão em qualquer lado do corpo, deve-se consultar
o médico ou o pessoal sanitário.
Manter limpo o próprio corpo significa também vestir roupa limpa.
Isto é importante porque os vestidos podem também conter muitos
tipos de parasitas perigosos, sobretudo para as crianças.
59
As mãos
As mãos podem transmitir muitas doenças, mesmo graves,
porque se sujam em contacto com os objectos ou com a terra e,
sem que nos apercebamos disso, apanham uma grande quantidade
de microrganismos. Levando-as depois à boca quando se come ou se
dá de comer às crianças, ou quando se acariciam, transportam
os microrganismos para o interior do nosso corpo provocando
as doenças. As mãos devem ser lavadas com sabão e água limpa.
Quando lavamos as mãos, devemos chegar até aos pulsos, ensaboando
de modo a fazer a espuma, esfregando bem e, finalmente,
passando por água possivelmente corrente.
60
Também as unhas devem estar limpas, porque podem transmitir
doenças através da sujidade que se acumula nelas.
As mãos não devem ser lavadas só quando nos apercebemos que estão
sujas, mas deve tratar-se de um hábito a assumir pelo menos nas
seguintes ocasiões:
Antes de
comer
61
Depois de
ter defecado
ou urinado
Depois de ter tocado
um animal
62
Quando se
regressa a casa
Antes e depois
de ter cozinhado
63
Os pés
Um outro elemento de grande importância para a própria saúde são
os sapatos. Andar descalço com efeito, expõe ao risco de feridas
sempre perigosas, sobretudo pela possibilidade de contrair o tétano
(ver capítulo sobre as feridas), mas também infecções comuns. Além
disso, andando descalço expõe-se a pele do pé à penetração de vermes
ou de outros pequenos animais capazes de transmitir muitas doenças
(ver capítulo sobre os vectores). Devem-se, portanto, usar sempre os
sapatos: quer na rua quer em casa.
É bom calçar sapatos impermeáveis quando se tem de passar por
terrenos húmidos ou cursos de água.
As feridas nos pés devem ser tratadas com muito cuidado para evitar
que se infectem com consequências por vezes muito graves.
64
HIGIENE DA GRAVIDEZ, DO PARTO
E DO RÉCEM-NASCIDO
Quando uma mulher, com menos de 45 anos, não tem menstruação
durante um período de tempo superior a um mês, provavelmente está
grávida. Esta situação dura geralmente cerca de nove meses desde
a data da última menstruação e conclui-se com o parto. A criança
cresce na barriga da mãe no interior de um órgão que se chama útero.
A gravidez não é uma doença, mas durante a gravidez quer a mãe quer
a criança podem contrair doenças muito perigosas para a sua saúde.
Por isso a gravidez deve ser seguida por um médico ou, pelo menos,
por pessoal sanitário experiente.
Todas as mulheres com menos de 45 anos que não tenham
menstruação durante mais de seis semanas deveriam ir ao médico
porque poderão estar grávidas.
65
A gravidez
A boa saúde da mãe é a coisa mais importante para que a gravidez
chegue ao fim normalmente e sem danos nem para a mãe nem para a
criança. Para que isto aconteça é útil seguir algumas normas de vida
quotidiana.
• Não se cansar: evitar, se possível, os trabalhos pesados como, por
exemplo, transportar pesos excessivos.
• Pesar-se: controlar o andamento do peso durante a gravidez é muito
importante para saber se tudo vai bem e se a criança nascerá ou não
saudável. É necessário pesar-se quando se sabe de estar à espera de
bebé e sucessivamente várias vezes ao longo da gravidez. O peso
aumenta sobretudo durante a segunda metade da gravidez. No
momento do parto é necessário ter aumentado pelo menos 1 Kg em
10. (Exemplo: uma mulher que pesa 50 Kg no início da gravidez deve
pesar, pelo menos, 55 - 60 no momento do parto)
66
• Comer bem: nutrir-se bem quer dizer ter cuidado consigo e também
com a criança. Se possível deve-se procurar comer carne, peixe, fruta e
verdura fresca, legumes, leite, ovos, juntando um pouco de azeite aos
alimentos quotidianos (ver capítulo sobre a alimentação).
leite
• Não tomar remédios sem ter consultado o médico, porque poderão
prejudicar a criança.
67
• Não beber álcool, não fumar, porque
as substâncias ingeridas ou inaladas
chegam à criança através da circulação
do sangue e podem prejudicá-la.
CENTRO DE SAÚDE
• Se possível ir
periodicamente ao médico
ou ao pessoal sanitário ou
a um obstetra para
um controlo.
68
Possíveis problemas durante a gravidez:
Vómito depois
do 6° mês
Perdas de sangue
da vagina
Dores de barriga
Convulsões
Inchaço
das pernas
69
Em todos estes casos é importante consultar um médico ou ao menos
uma pessoa experiente neste campo.
Seria oportuno que o parto fosse assistido por um médico, ou por
um obstetra ou por pessoal sanitário experiente.
Por exemplo, entre os riscos que podem ocorrer no caso de parto
não assistido, existe o tétano neo-natal, provocado pelo uso de
instrumentos não desinfectados ou não estéreis para cortar
o cordão umbilical dos recém-nascidos.
O cordão deve ser cortado com tesouras seladas (ou fervidas durante
10 minutos) ou com uma lâmina de barbear nova, acabada de tirar
da embalagem.
70
Cuidados pós-natais
Conselhos à mãe:
Manter o
próprio corpo
limpo: lavar-se
totalmente
todos os dias
Manter a criança
limpa: lavar a criança,
se possível todos
os dias
71
Comer bem: como
durante a gravidez.
(ver capítulo sobre
a alimentação)
Alimentar bem a criança: a amamentação
materna é o melhor modo de alimentar
o recém-nascido. Até cinco meses o bebé tem
que ser amamentado sempre que o queira,
e de qualquer maneira não menos de 5-6 vezes por
dia. Sucessivamente é útil introduzir outros alimentos
para além do leite da mãe. É importante saber o peso da
criança ao nascer e pesá-la periodicamente; depois da
primeira semana, deve aumentar de peso de
maneira gradual, mas sem
interrupções. Se isto não
acontece é necessário
ir ao médico
72
Não
fumar na
mesma sala
da criança
Não deixar
a criança
sozinha
enquanto
toma banho
73
Limpar
os ouvidos
e os olhos da
criança com um
bocadinho de algodão
e água limpa, possivelmente
fervida e arrefecida. Se os olhos
ficam vermelhos ou cheios de crostas,
ou se a criança os abre com dificuldade de
manhã, deve-se consultar um médico
74
URGÊNCIAS EM PEDIATRIA
A febre
O corpo tem uma temperatura estável, compreendida entre 36 e 37
graus, que pode ser medida com o termómetro (veja-se pág. 149).
Na criança a febre é geralmente sinal de infecção.
A febre alta (temperatura superior a 39 graus centígrados) pode ser
perigosa para a criança. Neste caso é útil fazer descer a temperatura
com pachos de água fria e um antipirético (paracetamolo) e levar a
criança ao centro de saúde.
CENTRO DE SAÚDE
A tosse
A tosse é um possível sinal de infecção das vias respiratórias.
Febre e tosse juntas são sinal de doença.
A tosse é grave quando surge também dificuldade de respirar.
Nestes casos a criança deve ser levada ao centro de saúde.
CENTRO DE SAÚDE
75
A diarreia, o vómito e a desidratação
A diarreia pode ser muito perigosa nas crianças sobretudo se as
descargas são muito frequentes, se há febre e se além disso é
acompanhada de vómito (veja-se pág. 92)
O principal perigo da diarreia na criança é o de provocar a
desidratação. Em caso de diarreia é preciso garantir que a criança
beba bastante.
Se a criança for muito pequena pode-se-lhe dar de
beber aos goles com uma colher de chá ou com um
conta-gotas ou então, se está a ser amamentada,
dar-lhe de mamar frequentemente.
Em caso de diarreia, sobretudo se acompanhada de
vómito e de febre, é importante levar a criança ao
centro de saúde.
CENTRO DE SAÚDE
Condições gerais de alarme na criança
Para além das condições já citadas, deve-se levar a criança a fazer uma
consulta ao centro de saúde no caso em que:
• respira de forma ofegante (isto é mais frequentemente do que as
outras crianças mesmo depois de ter estado em repouso alguns
minutos)
• se recusa a comer e a beber
• está fraca e não tem vontade de se levantar ou de brincar
• no caso do recém-nascido, se não chora ou se o faz de modo muito
mais débil do que o costume.
76
ÁGUA
A água e o nosso corpo
A água
é necessária para
viver, porque o nosso
corpo é constituído
principalmente
por água
77
A água entra no nosso
corpo bebendo e comendo
78
A água sai
normalmente do
nosso corpo com:
a urina
as fezes
o suor
a respiração
Por vezes, quando
se está doente,
muita água sai com
a diarreia e o vómito
A diarreia é a emissão
de fezes líquidas
79
Toda a água
que sai
do corpo deve
ser substituída
Quando sai
muita, devido
ao vómito
ou à diarreia,
é necessário
beber mais
80
Isto é válido
sobretudo para
as crianças
81
Usos da água
Atenção! Nem toda a água pode ser bebida!
A água que bebemos deve estar limpa.
A água limpa pode-se tirar de um poço protegido ou de uma fonte
protegida.
Um poço protegido deve estar:
• pelo menos a 20 metros de uma latrina ou de uma descarga de lixo
• pelo menos a 3 metros de profundidade
• rodeado por um pequeno muro
• revestido com pedras no interior
• provido de cano de escoamento para a água da chuva.
Atenção! Não entrar dentro de um poço e nunca deitar lixo para
dentro!
82
Uma nascente protegida deve ter:
• gradeamento a pelo menos 20 metros da nascente e portão fechado
• cano de escoamento para a água da chuva
• muro de 50 cm à volta da nascente.
Atenção! Tirar água apenas do cano de saída e não deixar aproximar
os animais.
83
A água tirada doutras fontes deve sempre ser posta a ferver
pelo menos durante 10 minutos e deixada arrefecer num recipiente
tapado antes de a beber.
Am alternativa a água pode ser filtrada.
84
A água não serve só para beber, mas também para:
cozinhar
lavar-se
limpar a casa
85
limpar as latrinas
dar de beber aos animais
irrigar os campos
86
A água e as doenças: cólera, diarreias nas crianças, etc.
Como se reconhece uma água limpa?
A água limpa é primariamente transparente e sem cor.
Atenção! Mesmo a água transparente,
que parece limpa, poderá trazer doenças
porque dentro da água se podem encontrar
microrganismos, ainda que os nossos olhos
não os consigam ver.
87
Todos estes microrganismos podem ser a causa de doenças mesmo
muito perigosas.
Estes microrganismos são perigosos para todos, mas em especial para
as crianças pequenas.
Para evitar estas doenças é necessário eliminar estes microrganismos
da água. Para fazer isto é necessário:
• ferver a água que se usa para beber e para cozinhar
• manter tapado o recipiente onde se conserva a água para beber
• filtrar.
Os microrganismos entram na água através de:
urina
88
fezes
lixos sólidos
89
Para evitar que os microrganismos entrem na água é necessário usar
as latrinas.
Uma latrina deve:
• estar a pelo menos 20 metros
das habitações
• estar a jusante de cursos
de água, nascentes, poços, etc.
e a 20 metros deles
• ser profunda pelo menos um
metro
• estar rodeada de cimento
• que se possa fechar
• estar rodeada por um muro
e coberta com um tecto
• ser limpada com água e,
se for possível, com hipoclorito
de cálcio
90
A água suja pode trazer muitas doenças. As mais frequentes são
as diarreias nas crianças. Uma doença muito grave é a cólera.
A água pode trazer estas doenças:
• bebendo-a
• comendo alimentos contaminados com água suja.
91
Estas doenças manifestam-se com:
• diarreia
• vómito
• febre
• desidratação
• fraqueza
§
• falta de apetite (na criança).
92
Para as evitar:
• beber só água fervida e arrefecida
• lavar os alimentos com água fervida e arrefecida
• cozer bem os alimentos
• lavar bem as mãos
• defecar nas latrinas.
Se a pessoa adoecer, é preciso que beba muito. Quanto mais frequente
e abundante for a diarreia tanto mais é necessário beber.
Beber sempre água fervida e arrefecida com sal e açúcar.
Se as descargas são muito frequentes ir imediatamente ao centro
de saúde.
CENTRO DE SAÚDE
93
Atenção! Algumas doenças são trazidas pela água mesmo sem a beber,
porque alguns microrganismos entram no nosso corpo através da pele.
Estas doenças manifestam-se frequentemente com febre e sangue
nas urinas.
94
Neste caso ir ao centro de saúde. Para evitar a difusão destas doenças:
não urinar
na água
não lavar a roupa em charcos
95
não deixar as
crianças brincarem
em charcos
não se lavar em charcos
96
ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO
Porque é que temos necessidade de nos alimentar?
•
•
•
•
•
Para
Para
Para
Para
Para
podermos viver
termos uma boa saúde
crescermos
termos energia e para trabalharmos
as festas e para reunir a família.
crescimento
leite
energia
saúde
97
Os alimentos são como um baú cheio de pedras preciosas que são as
substâncias nutritivas e a água de que é feito o nosso corpo.
• No arroz, no peixe ou na fruta e nas hortaliças, ou seja em tudo o
que comemos, há algo de muito precioso: trata-se das substâncias
nutritivas. São substâncias muito simples e são a matéria
fundamental de que somos constituídos.
• As substâncias nutritivas são: as proteínas, as gorduras, os hidratos
de carbono, as vitaminas e os minerais. Para além destas substâncias
nutritivas o nosso organismo precisa de água, e esta outra preciosa
substância encontra-se nas bebidas e também nos alimentos.
• Nos alimentos há uma parte não nutritiva que é a fibra e que é
importante para o nosso intestino e para a digestão.
O corpo humano é construído e mantido por alimentos e por bebidas
que contêm as substâncias nutritivas e a água.
• Água 61,6 %
• Proteínas 17 %
Vitaminas: vestigios
• Gorduras 13,8 %
Minerais 6,1%
• Hidratos de carbono 1,5 %
Hidratos de carbono 1,5%
• Minerais 6,1 %
• Vitaminas: vestígios.
Gorduras 13,8%
Proteínas 17%
Água 61,6%
98
Substâncias nutritivas
As funções das substâncias nutritivas:
As proteínas
• As proteínas: são as substâncias nutritivas mais complicadas, servem
para construir e manter todo o nosso corpo. Elas são necessárias
para o nosso organismo tal como os tijolos para uma casa.
• O nosso corpo necessita de diferentes tipos de proteínas, mas
nenhum alimento os contém todos: portanto é importante comer
alimentos diferentes para termos todas as proteínas de que
precisamos. Isto é importante especialmente para as crianças e os
jovens durante o crescimento e para as mulheres que estão à espera
de um filho ou que o estão a amamentar.
99
As gorduras
GORDURAS
HIDRATOS DE CARBONO
As gorduras também são como um carburante. Algumas são muito
preciosas porque o nosso organismo não é capaz de as produzir.
Os hidratos de carbono
Os hidratos de carbono são como um carburante que dá energia
imediatamente disponível para o organismo. A metade da energia
contida na dieta diária tem que derivar de alimentos ricos em hidratos
de carbono.
As vitaminas
• O que é que aconteceria a um coro sem o seu maestro? As vitaminas
são como o maestro do coro. Se faltam, muitas actividades do corpo,
que precisam umas das outras para poderem funcionar, vão cada
100
uma para seu lado. Se não há o acordo necessário, chegam as
doenças. Por exemplo, a carência prolongada de vitamina A leva à
cegueira.
• As vitaminas são úteis assumidas em quantidades pequenas e
frequentemente.
• São conhecidas como vitamina A, vitaminas do grupo B, vitamina C,
D, E, K e outras.
Os minerais e a água
• Os minerais são necessários para o bom funcionamento do nosso
corpo. Por exemplo o cálcio é importante porque é necessário
para a constituição dos nossos ossos.
• Também o ferro e o iodo são minerais úteis e quando faltam
ficamos sujeitos a algumas doenças. Sem o iodo muitas crianças não
conseguem crescer e não poderão desenvolver plenamente
as suas capacidades intelectivas.
• A água: é importantíssima para viver (ver o capítulo sobre a água).
101
Os alimentos e os grupos alimentares
Os alimentos, para se tornarem nas substâncias nutritivas
que constituem o nosso corpo, têm que fazer uma longa viagem.
• A viagem começa num campo de trigo, num aviário, numa árvore
cheia de fruta ou na rede de um pescador.
• Uma paragem importante é o mercado onde se compram estes
alimentos. É bom termos muita atenção em comprar produtos de
boa qualidade: observar bem o aspecto, a cor e o cheiro do alimento.
• Outra paragem da viagem é a cozinha, onde os alimentos se tornam
gostosos para o nosso paladar e adaptados ao nosso organismo.
Também aqui é importante conhecer as regras para obter uma
comida saudável para todos.
102
• Às vezes a viagem pode fazer paragens mais demoradas: muitos
alimentos podem ser conservados. Atenção: tem que se conhecer
também as regras para uma boa conservação.
• Finalmente os alimentos chegam à nossa boca: aqui começa a viagem
dentro do corpo para transformar os alimentos em substâncias que
o nosso corpo pode absorver e usar para si próprio. Esta parte da
viagem é a digestão.
A digestão
• Os dentes e a saliva:
servem para triturar
os alimentos e torná-los
pequenos e macios.
• Esófago e estômago:
o tubo que leva ao
estômago onde os
alimentos são
decompostos em partes
mais simples.
• Fígado e pâncreas:
produzem sucos para
favorecer a digestão.
No fígado construem-se
as novas proteínas de
que o corpo necessita.
• Intestino: aqui continua
a digestão graças aos
sucos e dá-se a absorção
no sangue das
substâncias nutritivas
e da água. Finalmente,
na última parte, haverá
a eliminação de todas
as substâncias não
aproveitadas pela
digestão.
DENTES
E SALIVA
ESÓFAGO
FÍGADO
PÂNCREAS
ESTÔMAGO
INTESTINO
103
Os alimentos reúnem-se em 5 grupos, segundo a quantidade
e a qualidade das substâncias nutritivas que contêm.
Grupo 1: Cereais e tubérculos
trigo
milho mais
arroz
• Os Cereais mais difundidos são: arroz, milho mais, trigo, cevada,
sorgo, aveia, milho e centeio. Representam o alimento principal de
todas as populações do mundo. São fontes energéticas fundamentais
mas também contêm proteínas. Têm poucas gorduras e contêm
também uma certa quantidade de vitaminas sobretudo as do grupo
B. Constituem uma óptima base alimentar e devem ser
acompanhados por outras fontes de proteínas, vitaminas e sais
minerais.
• Os Tubérculos mais consumidos são: a cassava ou mandioca,
a batata, a batata doce, o taro, o inhame e o yam.
Constituem uma óptima fonte de energia mas são muito escassos
em proteínas e também em vitaminas. Comer somente os tubérculos,
sobretudo para as crianças pequenas, provoca subalimentação.
Têm de ser consumidos juntamente com alimentos ricos em proteínas.
cassava
104
taro
yam
batata
batata doce
Grupo 1: Outras fontes de hidratos de carbono
• Banana e plantain: trata-se de discreta fonte energética, de potássio,
de vitamina A e C que deve ser associada, sobretudo nas crianças
pequenas, com fontes de proteínas.
• Açúcar e Mel: trata-se de óptimas fontes energéticas; no entanto um
consumo excessivo pode causar, sobretudo nas crianças, a cárie nos
dentes.
açúcar
105
Grupo 2: Legumes, nozes e sementes oleosas
• Os legumes mais consumidos são os feijões, as ervilhas, as lentilhas, o
grão-de-bico. A soja é um legume muito importante. Trata-se de
óptimas fontes proteicas, energéticas, vitamínicas e de ferro. Têm
ainda a vantagem de poderem ser conservados durante muito
tempo. Quando se comem legumes e cereais na mesma refeição, eles
fornecem uma mistura de proteínas que enriquece o valor proteico
da refeição.
• A noz mais comum no ambiente tropical
é a de coco, trata-se de uma boa
fonte energética mas contém gorduras
de qualidade escassa.
106
Grupo 3: Vegetais e Fruta
Os vegetais.
• São uma parte importante da dieta;
são ricos em vitamina A e C, contêm
quantitativos significativos de cálcio,
ferro, potássio, magnésio e outros minerais.
• Geralmente fornecem também um certo
quantitativo de hidratos de carbono.
• As folhas verde escuras têm um valor
nutritivo mais elevado. O consumo
de vegetais é importante para impedir
a carência de vitamina A e de ferro.
107
• A fruta: óptima fonte de vitamina C, A, ferro, cálcio e outros
minerais. Aconselha-se a todos e especialmente às crianças
e às mulheres grávidas ou em fase de amamentação. Além disso,
a fruta contém açúcar que a torna uma discreta fonte de energia
imediatamente disponível.
108
Grupo 4: Carne, peixe, ovos, leite e derivados
• Os alimentos de origem animal não são
essenciais para se ter uma alimentação
correcta; no entanto, são muito úteis para
completar as dietas à base de raízes,
tubérculos ou então de cereais. Com efeito
contêm proteínas de elevada qualidade.
Estes alimentos contêm também outras
substâncias nutritivas importantes como
o ferro, as vitaminas do grupo B e numerosas
substâncias gordas.
• O ovo também é um alimento completo,
contém óptimas proteínas e muitas outras
substâncias nutritivas. É de tal forma rico
de substâncias nutritivas que até pode gerar
pintainhos.
• O leite contem proteínas, gorduras e hidratos
de carbono; é rico em algumas vitaminas e,
portanto, pode-se considerar um alimento
completo.
• Carne: Óptima fonte de proteínas, ferro
e vitaminas do grupo B.
• Peixe: Óptima fonte de proteínas e minerais.
Melhora a alimentação à base de cassava.
leite
109
Grupo 5: Óleos e gorduras, fontes de gorduras vegetais e animais.
te
ig a
• Os alimentos que pertencem a este grupo são as gorduras e os óleos
animais e vegetais, que são utilizados para temperar os alimentos
(azeite). Os mais comuns são: manteiga, toucinho, vários óleos
vegetais e a margarina que é um produto industrial. Fornecem mais
do dobro da energia fornecida pelos hidratos de carbono e pelas
proteínas. São óptimas fontes de vitaminas A e D das quais
favorecem a absorção.
m
110
an
Uma dieta com poucas gorduras é muitas vezes pouco saborosa
e monótona. Apesar dos gostos serem subjectivos, é muito difícil
cozinhar uma boa comida sem um pouco de gordura.
Conselhos para uma alimentação correcta
• Uma alimentação correcta significa quer comer uma quantidade
suficiente de comida, quer comer de forma equilibrada os diversos
alimentos dos vários grupos alimentares.
• Uma alimentação correcta fornece ao organismo todas as
substâncias nutritivas de que precisamos.
• As necessidades de substâncias nutritivas variam consoante a idade, o
sexo e o nível de trabalho físico. Além disso, há momentos e condições
da vida durante os quais é necessário comer mais, especialmente
alimentos ricos em proteínas: durante a gravidez e a amamentação,
durante o crescimento, com doenças infecciosas. Sobretudo estas
pessoas têm necessidade de uma alimentação que lhes permita
fornecer ao organismo todas as substâncias nutritivas para crescer e
construir um organismo novo ou então substituir rapidamente todas
as substâncias que se consomem durante as doenças.
Quando a quantidade de comida não é suficiente a pessoa torna-se
subalimentada. Também quando se tem uma alimentação sempre
igual, com quase sempre só um tipo de alimento (por exemplo só
farinha de mandioca) começa-se a sofrer de subalimentação. Este tipo
de subalimentação chama-se Proteico-energética porque o nosso
organismo não recebe as proteínas e a energia de que tem
necessidade.
Durante a gravidez e a amamentação
• Durante a gravidez as necessidades de substâncias nutritivas da
mulher são maiores que em qualquer outro período da vida. Ela tem
de atender às necessidades do seu organismo e às da criança que se
está a desenvolver no seu corpo. (ver gravidez pág 67)
• Uma mulher grávida que tem uma alimentação insuficiente gera
crianças com pouco peso. Muitas vezes estas crianças nascem com
uma má saúde física e mental.
• Durante a gravidez a mulher deve aumentar antes de tudo a
quantidade dos alimentos que contêm proteínas (legumes, cereais,
carne, peixe, ovos, etc.), ferro e vitaminas. Todas as mulheres devem
seguir uma alimentação para prevenir a anemia (veja-se Anemia
pág 117) que é muito frequente durante a gravidez.
111
• Durante a amamentação a mulher produz e perde muitas substâncias
nutritivas. Estas substâncias têm que ser introduzidas no organismo
da mulher que amamenta com uma alimentação correcta. Primeiro
que tudo precisa de continuar a consumir, como durante a gravidez,
uma maior quantidade de alimentos ricos de proteínas (carne, peixe,
legumes, cereais), de cálcio (leite, ovos, legumes, peixe) e de ferro.
(veja-se Anemia pág 117).
• O leite que uma mulher produz contém bastante substâncias
nutritivas. Se a mulher se alimenta pouco, geralmente produz
menos leite.
leite
112
Durante os primeiros anos de vida
• Amamentação materna. O leite materno é o melhor alimento para o
crescimento e a saúde da criança. Ele fornece a quantidade e a
qualidade ideal de todas as substâncias nutritivas para a criança,
protege-a de muitas infecções e não custa nada. A criança que é
suficientemente amamentada pela mãe não precisa de mais nenhum
alimento ou bebida até aos 4-6 meses de idade.
• A duração da amamentação é variável e não se aconselha a limitá-la.
113
• Desmame: Depois de 4-6 meses de idade o leite materno torna-se
insuficiente; então é bom juntar gradualmente alimentos novos. Este
período é bastante crítico para a saúde da criança e um desmame
não correcto pode causar subalimentação.
• O desmame começa gradualmente por volta dos 4-6 meses e deveria
terminar até aos dois anos de idade, quando a criança completa
a dentição e a amamentação pode ser interrompida. O primeiro
alimento diverso do leite materno é geralmente uma papa (porridge)
de cereais ou de tubérculos, ou outro alimento básico. Para
aumentar o seu valor proteico aconselha-se a misturar legumes
(feijões, soja, ervilhas, etc.) na papa de cereais ou de tubérculos.
São também muito importantes para o fornecimento de proteínas
o peixe e a carne devidamente preparados. Para enriquecer a dieta
com vitaminas C e A e com ferro, são importantes também
as hortaliças com folhas verde escuro e a fruta fresca.
114
A subalimentação proteico-energética: o marasmo e o Kwashiorkor
A subalimentação proteico-energética atinge a todos os que não se
alimentam suficientemente, mas é muito mais frequente nas crianças;
elas podem adoecer gravemente até terem o “Marasmo” ou o
“Kwashiorkor”.
O marasmo:
• O marasmo manifesta-se mais frequentemente no primeiro ano de
vida, quando a criança não é amamentada adequadamente; outro
período crítico é o terceiro ano de vida, quando a alimentação
é escassa e há concomitantes diarreias.
• A criança tem o aspecto muito fraco, é muito magra com a pele seca
e músculos finos. O rosto tem um aspecto enrugado de velha.
Está muitas vezes rabugenta e tem um aspecto sofredor.
• A criança com marasmo tem diarreia frequentemente e necessita
de cuidados médicos urgentes e de uma alimentação adequada.
115
O Kwashiorkor:
• Pode manifestar-se em todas as idades, mas é mais frequente entre
o 1° e o 3° anos de vida.
• O corpo fica inchado por causa do acúmulo de líquidos; o inchaço
manifesta-se primeiramente nos pés e nas pernas depois nos braços
e na cara. O cabelo torna-se mais fraco e muda de cor (torna-se
castanho-arruivado). A criança com kwashiorkor é muito debilitada
e não cresce; tem um aspecto sofredor e está muitas vezes apática.
• Sofre frequentemente de diarreia ou de outras doenças infecciosas
e necessita urgentemente de cuidados médicos e de uma alimentação
adequada.
116
A anemia provocada por carência de ferro
• O ferro é um mineral que permite o bom funcionamento dos
glóbulos vermelhos (células do sangue)*. Quando o ferro é
insuficiente, a pessoa sente-se cada vez mais cansada e sem força
nem vontade de trabalhar. Tem dores de cabeça frequentes, arquejo
e o coração bate mais depressa. Estes são os sintomas de uma doença
que se chama “Anemia” e pode ser causada por carência de ferro.
Atinge mais facilmente as mulheres grávidas, as que amamentam e as
que têm muitos filhos. Também atinge as crianças que nascem de
mulheres anémicas. Geralmente todas as crianças pequenas que não
têm uma alimentação correcta podem tornar-se anémicas. Quando
se sentem estes sintomas, especialmente um grande cansaço durante
a gravidez, a pessoa deve dirigir-se rapidamente ao pessoal sanitário.
• Para prevenir e também para curar a anemia provocada pela carência
de ferro, é necessária uma alimentação com comida rica em ferro e
vitamina C: consumir frequentemente legumes (feijões, lentilhas e
soja), cereais (milho, sorgo e trigo), vegetais com folhas verde escuras
e, uma coisa muito importante, comer também fruta fresca em todas
as refeições. Quando for possível, é muito útil comer alimentos de
origem animal, especialmente o fígado e a carne que contêm tanto
óptimo ferro.
* O sangue é constituído por uma parte líquida e por uma parte sólida feita de
pequenas estruturas que se chamam células.
117
A carência de iodo
• Uma dieta pobre em iodo provoca atraso mental e danos cerebrais.
Um sintoma importante da doença provocada pela carência de iodo
é a presença de uma massa no pescoço devido ao inchaço de uma
parte ou de toda a glândula que se chama Tiróide.
• A carência de iodo nos alimentos é frequente nas zonas distantes do
mar. De facto, a doença é muito frequente em zonas de montanha.
Uma alimentação rica em peixe, mariscos e sal marinho protege
desta carência. Ultimamente, um modo muito útil para prevenir
a doença, é utilizar (se existe) um tipo de sal ao qual se juntou
o iodo e que se chama sal iodado.
SAL
+
IODO
• Para curar a doença, porém, é necessário consultar o pessoal
sanitário logo que se vejam inchaços no pescoço.
118
A carência de vitamina A
Uma dieta pobre em vitamina A tem efeitos muito negativos na vista e
pode causar a cegueira. Um dos primeiros sintomas da doença é uma
escassa capacidade visual à luz do pôr-do-sol. Os pais podem
aperceber-se que o seu filho tem esta doença porque quando é noite,
se houver pouca luz, a criança não é capaz de reconhecer as pessoas,
não brinca e move-se com dificuldade. Uma criança ou uma pessoa
com estes sintomas deve ser levada ao pessoal sanitário.
Para prevenir e para curar a carência de vitamina A é necessário
comer alguns alimentos que a contêm em abundância. Primeiro que
tudo o leite materno e os alimentos de origem animal como o fígado, a
parte amarela do ovo e o leite. Os vegetais com folhas verde escuras
(espinafres, folhas de cassava, amaranto) e os vegetais amarelos e
vermelhos (cenouras, pimentões, tomates). Por fim a fruta fresca é
também uma outra discreta fonte de Vitamina A.
119
Higiene dos alimentos
Os alimentos podem ser veículo de doenças. Uma alimentação sã quer
dizer consumir alimentos seguros que não estão contaminados por
microrganismos patogénicos e/ou que não contêm toxinas* e/ou outras
substâncias nocivas. Para reduzir o risco de doenças e para tornar os
alimentos seguros é necessário respeitar algumas regras higiénicas
durante a preparação, a cozedura e a conservação.
• Durante a preparação é preciso estar
muito atento e evitar que os
alimentos sejam contaminados e, por
isso, antes de iniciar a preparação dos
alimentos é necessário limpar
cuidadosamente a sala, as superfícies
onde se trabalha, os utensílios
e as mãos.
• Para eliminar a maioria dos
microrganismos patogénicos é
necessário que os alimentos,
sobretudo aqueles que estão em
contacto com o solo como os vegetais,
sejam previamente lavados com água
corrente ou substituída várias vezes,
até que seja necessário.
Quando é possível é muito útil
descascar os alimentos.
* As toxinas são substâncias venenosas que por vezes são produzidas por alguns
microrganismos patogénicos.
120
• Outra importante regra é que os alimentos crus (especialmente de
origem animal) sejam cuidadosamente separados dos que foram
cozinhados. É muito útil ter à disposição duas zonas de trabalho bem
separadas, uma para os alimentos crus e outra para os cozinhados e
preparados.
• É também útil ter duplos utensílios, ou então é necessário lavá-los
cuidadosamente antes de os utilizar novamente.
121
• Durante a cozedura dos alimentos, o calor elimina os microrganismos
patogénicos. Especialmente a carne, o peixe e os mariscos devem
sempre ser consumidos bem cozinhados.
• Todos os alimentos devem ser consumidos logo, ou então
conservados no modo correcto.
122
Os alimentos devem ser protegidos
• Quem prepara os alimentos deve saber que as suas mãos são uma
parte importante na cadeia de transmissão dos vários
microrganismos patogénicos para os alimentos. Por isso, as mãos
devem ser lavadas antes e durante a preparação dos alimentos.
Lavem sempre as mãos:
Depois de ter tocado
em: peixe, galinha,
carne, verduras, fruta
e saladas
Antes de tocar
nos alimentos
123
Depois de ter ido
à casa de banho
Depois de se
ter assoado
Depois de ter tocado
em animais ou lixo
124
• As moscas e os outros insectos, os animais domésticos e não só, os
roedores, podem contaminar os alimentos se entrarem em contacto
com eles. Para se evitar isto é necessário proteger os alimentos com
redes, contentores fechados ou outros e nunca deixar os alimentos
sem protecção.
• Todos os alimentos, especialmente os de origem animal, devem ser
conservados em contentores e em lugares limpos, com temperatura
baixa* e com ar bastante seco. Além disso, é boa coisa protegê-los dos
animais, conservando-os num local fechado e colocando-os no alto.
* Se a tecnologia o permitir, é possível conservar também com temperaturas
superiores a 60°.
125
HIGIENE DA HABITAÇÃO
Colocação
A casa deve ser construída num lugar não húmido porque:
• a humidade estraga a casa e faz mal à saúde
• junto dos cursos de água vivem alguns insectos que podem
transmitir doenças:
– as simúlias (mosquinhas), que podem transmitir a oncocerose
– os mosquitos, que podem transmitir a malária e a febre.
O tecto da habitação deve ser totalmente impermeável para proteger
a casa da chuva.
Arejamento
Um bom arejamento é importante
para que o ar dentro de casa fique
saudável. Se muitas pessoas
estiverem numa sala mal arejada
(ou então poucas pessoas durante
muito tempo), a atmosfera enchese de anidrido carbónico à medida
que as pessoas respiram. Também
se o fogo estiver aceso dentro
de casa, consuma o oxigénio e
emite anidrido carbónico e óxido
de carbono. Além disso, as pessoas
respiram também humidade
e microrganismos e assim
o ar torna-se doentio.
Nestas condições podem-se
transmitir muitas doenças
entre as quais a TBC, o sarampo,
a gripe, etc..
127
Para evitar que com o ar entrem
insectos perigosos e aborrecidos,
é conveniente colocar redes
mosquiteiras nas janelas.
Iluminação e ruído
Uma boa iluminação é essencial
para um ambiente são. Todas as
habitações deveriam beneficiar de
uma luz natural suficiente e de
uma fonte de luz artificial.
128
Uma iluminação insuficiente requer um esforço que cansa os olhos,
pode causar acidentes e torna mais difícil limpar a casa.
Também uma luz muito forte pode diminuir a capacidade visual.
A luz natural, a do sol, oferece a melhor iluminação.
As lâmpadas de azeite e as velas fazem muito fumo, consomem
oxigénio e podem provocar incêndios. Por isso devem ser colocadas
em lugares apropriados e controladas atentamente. A electricidade
é uma fonte de luz muito boa e não provoca incêndios se for instalada
correctamente. É necessário ensinar às crianças a não brincarem
com os interruptores e com as tomadas.
Pintar as paredes de branco ou de cores claras melhora a iluminação
interna porque a luz se reflecte nas paredes.
O ruído muito intenso tem efeitos nocivos no ouvido e no cérebro.
Por isso é necessário que a casa seja silenciosa sobretudo de noite.
A habitação deve estar longe das fábricas.
Limpeza
Limpar frequentemente a casa.
Varrer o pavimento e se se
utilizarem tapetes ou esteiras,
pô-las no exterior para as
limpar a fundo pelo menos
uma vez por semana.
129
Conservar as paredes limpas. Caiá-las com cal ou com um produto
análogo. A cor branca torna a casa mais luminosa e ajuda a afastar
os insectos.
Fechar os buracos e as rachas que permitem aos insectos e aos
roedores entrar ou construir tocas.
Libertar a casa de todos os restos de comida que atraem moscas,
baratas e roedores.
130
Não cuspir para o chão. Este hábito pode propagar as doenças porque
no cuspo pode haver microrganismos como, por exemplo,
o da tuberculose.
As camas devem estar longe do chão e devem ser arejadas
regularmente. Periodicamente devem ser expostas ao ar e ao sol
para matar eventuais microrganismos.
Para se proteger das mordeduras
dos mosquitos, é útil aplicar um
mosquiteiro à volta da cama.
Isto é importante sobretudo
para as crianças.
Controlar que os espaços em
redor da casa estejam limpos
e sem lixo. Na pouca água que
durante a chuva pode ficar
num velho pneu, numa lata ou
em qualquer recipiente
abandonado podem-se multiplicar,
em poucos dias, centenas
de larvas de mosquito.
Portanto estes objectos devem
ser destruídos ou enterrados.
131
Não deixar entrar os animais dentro de casa.
Os excrementos dos animais podem transmitir muitas doenças
e atraem as moscas. Os animais atraem os parasitas (mosquitos,
papatazes, mosca tsé-tsé, carraças) e podem ser portadores
de doenças transmissíveis ao homem (carbúnculo, brucelose.
hidatidose, raiva, tuberculose). Os cães podem ter vermes
(ténia e ascárides).
132
ACIDENTES DOMÉSTICOS E MORDEDURAS
Acidentes domésticos
Os acidentes domésticos ocorrem em casa e de forma especial
às crianças.
Para prevenir os acidentes domésticos é preciso não deixar as crianças
sozinhas sobretudo quando:
há um fogo
aceso
133
há líquidos
a ferver
há máquinas
em movimento
há fontes
de electricidade
não isoladas
134
enquanto
toma banho
Em geral entre os acidentes domésticos, são frequentes os incêndios.
Uma regra importante para prevenir os incêndios é não deixar velas,
lâmpadas e combustível perto das cortinas.
As crianças metem na boca tudo o que encontram: portanto, atenção
aos envenenamentos e aos sufocamentos.
Envenenamentos:
• não deixar remédios ao alcance das crianças
• não deixar ao alcance das crianças pós ou líquidos perigosos
(gasolina, detersivos, anti-parasitários, venenos para ratos, etc.).
135
Sufocamento:
• não deixar ao alcance das crianças objectos que, postos na boca,
possam causar sufocamento (exemplo: jogos ou frutos de dimensões
tais que possam causar sufocamento)
• não deixar sacos de plástico ao alcance das crianças.
Alguns acidentes podem ocorrer também perto da habitação. Para
prevenir este tipo de acidente é necessário antes de tudo não deixar
as crianças sozinhas:
• onde há trânsito
de veículos
136
• na proximidade de poços que, de qualquer maneira, devem sempre
ser inacessíveis às crianças.
Mordeduras
Qualquer mordedura de animal se deve considerar perigosa e deve ser
tratada o mais depressa possível. De qualquer modo uma mordedura
ou um arranhão feitos por animais devem ser tratados como uma
ferida, sobretudo por causa do risco de tétano. (ver pág. 140).
Se o animal está infectado/doente de raiva, a mordedura (e também a
lambidela ou os arranhões) do cão e de outros mamíferos é muito
perigosa e pode ser causa de morte.
Por isso é importante ensinar, sobretudo às crianças, a não se
aproximarem e a não brincarem com os animais.
137
Alguns conselhos a seguir no caso de mordedura de cão (ou de outro
animal):
Lavar
imediatamente a
ferida com água e
sabão (ou, pelo menos,
lavar abundantemente
com água
corrente)
Procurar saber se o animal tem dono ou
se alguém o conhece ou se gira sempre
numa determinada zona. Esta informação
é importante para poder controlar
se o animal ainda está vivo nos 10 dias
seguintes à mordedura, porque isto
significa que não tinha raiva quando
feriu o sujeito
138
Para poder tê-lo sob
controle, é
fundamental não
matar o animal
CENTRO DE SAÚDE
De qualquer forma é sempre
oportuno levar a pessoa ferida ao
hospital ou onde trabalha o
pessoal sanitário que pode
decidir melhor o que se deve
fazer (nota: existe uma vacina e
um soro contra a raiva)
139
Alguns conselhos para prevenir as mordeduras dos animais
– não se aproximar e não brincar com cães ou outros animais,
sobretudo se são desconhecidos
– é útil levar um pau sempre que a pessoa se afaste de casa e exista
o perigo de encontrar cães ou outros animais
– não procurar separar dois ou mais animais que brigam
– estar muito atento quando se quiser socorrer um animal ferido,
mesmo que seja conhecido, porque os animais feridos têm uma
tendência maior a morder seja quem for.
Tétano
O agente patogénico que provoca o tétano pode sobreviver no meio
ambiente durante anos (sobretudo no terreno).
O agente patogénico cresce no intestino dos animais herbívoros que
o eliminam com as fezes.
140
Por este motivo em qualquer ferida existe o perigo de apanhar esta
doença.
São mais perigosas as feridas com raias irregulares, feitas por corpo
penetrante, e aquelas nas quais permanecem farpas, terra, sujidade.
Portanto, por exemplo, as feridas no trabalho do campo, em guerra,
em acidentes estradais são as mais perigosas.
As farpas devem ser tiradas (mesmo com uma agulha desinfectada
com o fogo).
Depois as feridas devem ser limpas com água e sabão, tirando-lhes a
sujidade.
141
Depois de terem sido limpas as feridas devem ser desinfectadas.
Atenção: no caso de ferida, é importante ir ao centro de saúde para a
prevenção do tétano.
Também nas práticas rituais
(iniciações, cerimónias,
circuncisão, etc.) o uso
de instrumentos cortantes
não esterilizados pode
provocar doenças graves
Também em caso de parto não assistido, existe o risco do tétano
neonatal, provocado pelo uso de instrumentos não desinfectados ou não
estéreis para cortar o cordão umbilical dos récem-nascidos (ver pág. 70).
142
MATERIAIS SANITÁRIOS DE USO COMUM
Desinfectantes
Os desinfectantes são substâncias medicamentosas que matam
os microrganismos. Utilizam-se para desinfectar as feridas.
É importante fechar imediatamente os recipientes depois do uso
e conservá-los longe da luz e do calor, e longe do alcance das crianças.
Os desinfectantes são
medicamentos: como eles,
têm um prazo depois do qual não
devem ser utilizados.
143
Medicamentos, colírios e pomadas
Os medicamentos só se devem tomar
com receita médica ou do pessoal do
centro de saúde e devem-se tomar
nas doses e nos horários prescritos.
Os medicamentos devem ser
conservados correctamente: longe
da luz, da humidade, do excesso
de calor e sempre longe do alcance
das crianças; devem sempre ser
usados dentro do prazo de validade.
Muitos medicamentos (colírios,
pomadas e xaropes) depois
de abertos, devem ser usados em
pouco tempo apesar do prazo
de validade ser ainda longínquo
(está indicado nas instruções).
Cada confecção de colírios e pomadas
para curar os olhos deve ser utilizada
por uma só pessoa.
Se duas ou mais pessoas usarem
a mesma confecção, corre-se o risco
de provocar o contágio das doenças.
Seringas
As seringas servem para introduzir medicamentos no corpo. Se forem
usadas de modo incorrecto, podem transportar os microrganismos de
uma pessoa doente para uma sã. Então em vez de serem úteis tornamse muito perigosas. É preferível usar as seringas descartáveis,
que devem ser absolutamente usadas
apenas uma vez e depois se deitam fora.
As seringas de vidro devem ser
desmontadas...
e depois fervidas em água limpa
durante 30 minutos…
144
Quando termina a fervura, deixase a seringa no fervedor tapado
até que arrefeça...
Depois lavam-se bem as mãos
145
Como se prepara uma injecção:
Depois de
se ter fervido
a seringa e de se
terem lavado as mãos,
limpa-se a tampa de
borracha do frasquinho,
se existir, com algodão
hidrófilo e desinfectante,
ou parte-se o colo do
frasquinho de vidro
146
Torna-se a montar a seringa
Aspira-se o medicamento e eliminam-se as bolhas de ar puxando
o êmbolo para cima, até sair umas gotas do líquido.
Desinfecta-se a pele das nádegas (para cima e para o exterior)
ou da outra zona onde se deverá dar a injecção.
147
Como se dá uma injecção:
• Enfia-se a agulha com decisão, mas sem excessiva força,
perpendicularmente à pele fazendo-a entrar até ao fundo.
• Aspira-se ligeiramente para controlar que não entre sangue na
seringa (neste caso a injecção deve ser interrompida e refeita depois
de se ter mudado o medicamento e a seringa).
• Injecta-se o medicamento (para alguns medicamentos é necessário
fazê-lo com a velocidade indicada nas instruções do remédio).
• Extrai-se a seringa e desinfecta-se a pele sem esfregar com força,
mas tamponando.
148
Termómetro
Antes de se medir a febre o termómetro deve ser desinfectado com
álcool.
No adulto a febre deve ser medida de preferência debaixo do braço,
na axila.
149
No recém-nascido ou na criança muito pequena deve ser medida a
febre anal, com termómetros especiais.
A temperatura normal está compreendida entre os 36 e os 37 graus
centígrados. Quando a temperatura ultrapassa os 37 graus centígrados
(se medida debaixo do braço) ou os 37,5 graus centígrados (se medida
no ânus) fala-se de “Febre”.
Medir a febre pondo uma mão na testa para ver se está quente é um
método, que apesar de ser útil na falta de termómetros, pode induzir
em erro. Portanto seria importante ter sempre um termómetro em
casa para poder verificar a presença de febre sobretudo nas crianças.
150
Apêndice I
AS DOENÇAS DE TRANSMISSÃO SEXUAL
Os orgãos genitais podem ser sede de muitas doenças, na maior parte
dos casos infecciosas, que se transmitem através das relações sexuais
(como por exemplo a gonorreia e a sífilis). Estas doenças manifestam-se
com diversos tipos de lesões na pele dos orgãos genitais ou nos seus revestimentos internos (mucosas). Trata-se de pequenas feridas (úlceras),
de inchaços ou da perda de um líquido esbranquiçado através da ponta
do pénis ou da vagina. Estas lesões nem sempre são dolorosas mas não
por isso são menos perigosas. Outra manifestação frequente a que se
deve prestar atenção é o ardor no momento de urinar. Em qualquer dos
casos trata-se de doenças fáceis de curar com os medicamentos apropriados, mas descuidar-se pode ser muito perigoso: de facto, apesar de
atingirem inicialmente os orgãos genitais, num segundo momento algumas delas podem estender-se a outras partes do corpo com consequências muito graves inclusivamente a morte. Além disso, quando se tem
uma destas doenças é facílimo transmiti-las à pessoa com a qual se tem
uma relação sexual. Entre as outras consequências da infecção de transmissão sexual deve-se incluir o aborto, a esterilidade ou a transmissão
da doença ao feto durante a gravidez.
Existem depois algumas doenças, como a infecção pelo Virus da Imunodeficiência Humana (HIV) que provoca a Síndrome de Imunodeficiência
Adquirida (SIDA) ou então o Vírus HBV que causa a hepatite, que também se transmitem através das relações sexuais completas não protegidas mas que não provocam doenças nos orgãos genitais (*). Isto quer dizer que podem ser transmitidas mesmo se os orgãos genitais estão
perfeitamente sãos; de facto a transmissão resulta do contacto da superfície interna dos orgãos genitais com a secreção espermática ou com
as secreções vaginais. A presença de outras doenças dos orgãos genitais
favorece a transmissão do HIV ou do HBV.
(*) Outras modalidades de transmissão do vírus HIV ou HBV são:
– Receber uma transfusão de sangue não controlada com os testes para relevar a presença destes vírus.
– Deixar fazer ou fazer a si próprio cortes, picadas, injecções, tatuagens ou qualquer
outro tipo de prática que comporte a perfuração ou o corte da pele ou das mucosas
com instrumentos infectados.
– Transmitir o vírus ao feto no decurso da gravidez ou sucessivamente através da amamentação ao peito.
151
É importante ter os orgãos genitais limpos lavando-se quotidianamente. Ir ao médico ou a um centro de saúde sempre que se note um sinal
que possa fazer pensar numa infecção. Caso se verifique a presença de
uma infecção é importante que sejam também controladas as pessoas
com as quais se teve uma relação sexual. Ter muitos partners sexuais ou
relações sexuais completas não protegidas favorece o contrair de infecções deste tipo.
152
Apêndice II
O FUMO, O ÁLCOOL, AS DROGAS
Além das doenças infecciosas provocadas por microrganismos patogénicos, existem outras doenças chamadas não infecciosas ou crónico-degenerativas entre as quais se incluem, por exemplo, as doenças cardio-vasculares e os tumores.
Estas doenças são favorecidas por vários factores como por exemplo o
fumo, o excesso de álcool, alguns hábitos alimentares, a presença de
substâncias nocivas no ambiente de vida ou de trabalho etc.
O FUMO
O fumo faz aumentar o risco de adoecer com algumas doenças, mesmo
muito graves, tais como por exemplo o enfarte, o icto cerebral, o tumor
do pulmão ou outros tipos de tumores.
O fumo é prejudicial seja qual for a forma como é tomado, quer aspirado quer inalado. O fumo é sempre nocivo em qualquer idade mas quanto mais precoce é o início do hábito do fumo, tanto maiores são os perigos para a saúde até porque estes perigos se acumulam. Quanto mais
cedo se começar a fumar maiores serão os efeitos nocivos.
É importante também o número de cigarros, quantos mais cigarros se
fumar por dia maiores serão os danos no organismo.
O fumo durante a gravidez é sempre nocivo porque pode prejudicar a
criança e comprometer o seu desenvolvimento. Uma mulher não deveria fumar durante a gravidez.
É melhor nunca iniciar a fumar mas se já se fuma, deixar de fumar é
sempre vantajoso porque, deixando de fumar, com o passar do tempo,
os efeitos nocivos do fumo no organismo são eliminados.
O ÁLCOOL
O álcool é uma substância contida em numerosas bebidas (vinho, cerveja, aguardente...) em maior ou menor quantidade. Se for tomado em
quantidades módicas durante as refeições não é prejudicial ao organismo excepto nas crianças que nunca deveriam beber bebidas alcoólicas.
De facto, o álcool comporta-se como uma substância tóxica que, se tomada em quantidades excessivas, pode prejudicar o organismo especialmente o fígado, o sistema nervoso, o estômago.
153
O álcool é prejudicial sobretudo durante a gravidez porque compromete o
desenvolvimento da criança e, por isso, deve ser absolutamente evitado.
Se se bebe ocasionalmente uma quantidade de bebidas alcoólicas superior à tolerada arrisca-se a intoxicação aguda ou embriaguez, caracterizada por uma sensação de euforia alternada com crises de choro, sonolência, reduzida capacidade de atenção (é perigoso conduzir ou fazer
acções que exijam concentração), dificuldade de equilíbrio no andar e,
nos casos mais graves, alucinações e perda de consciência.
Mais grave é a intoxicação crónica que se manifesta após muitos anos de
hábito de beber de forma excessiva (alcoolismo crónico).
Neste caso verificam-se danos permanentes em alguns orgãos.
Em primeiro lugar o álcool danifica todo o aparelho digestivo, desde o
esófago ao estômago, aos intestinos, ao fígado causando inflamações
como por exemplo a gastrite. O orgão mais atingido é o fígado que nos
alcoolizados crónicos pode ser atingido por uma doença muito grave
chamada cirrose hepática.
Além disso o álcool prejudica enormemente o sistema nervoso, quer o
cérebro e, portanto as faculdades mentais, quer os nervos por exemplo
os das pernas.
AS DROGAS
Além do álcool e do fumo existem muitas outras substâncias que podem causar dependência (*) e podem causar danos ao indivíduo.
Trata-se de diversas substâncias químicas, naturais ou sintéticas, que
podem ser introduzidas no organismo por inalação, por ingestão ou por
via endovenosa.
Geralmente trata-se de substâncias que modificam a actividade mental
do indivíduo, que provocam desejo de continuar a tomá-las e a tendência para aumentar cada vez mais a dose, tornando o indivíduo dependente da própria substância.
Alguns exemplos destas substâncias são o ópio e os seus derivados naturais ou sintéticos (heroína, codeína), a cocaína, o LSD (dietilamide ácido lisérgico) e os seus derivados, e as “novas drogas”: ecstasy, crack,
substâncias químicas de síntese que são tomadas sob forma de pastilhas
e que provocam danos no sistema nervoso.
Além disso, algumas substâncias que se encontram nas colas ou nos solventes e que podem ser tomadas por inalação com o fim de inebriar
provocando um estado de euforia.
(*) A OMS define a tóxico-dependência como “condição de intoxicação crónica danosa
para o indivíduo e para a sociedade, caracterizada pelo desejo incontrolável de tomar a
substância, tendência para aumentar a dose e dependência psíquica e às vezes física da
própria substância”.
154
ÍNDICE
Introdução
1. MICRORGANISMOS E DOENÇAS INFECCIOSAS
Transmissão directa
Transmissão indirecta
Transmissão mediante veículos
Transmissão mediante vectores
5
9
2. VECTORES E RATOS
15
Prevenção das doenças transmitidas pelos mosquitos: malária,
febre amarela, filariose, etc.
Habitat e reprodução
Luta contra os mosquitos
Prevenção das doenças transmitidas pelas moscas: cólera,
disenteria, febre tifóide, etc.
Habitat e reprodução
Luta contra as moscas
Prevenção da infestação dos piolhos e das doenças transmitidas
pelos piolhos: tifo exantemático, etc.
Ftiríase da cabeça
Ftiríase do pubis
Ftiríase da corpo
Luta contra os piolhos
Prevenção das doenças transmitidas pelas simúlias: oncocercose, etc.
Habitat e reprodução
Luta contra as simúlias
Prevenção das doenças transmitidas pelos ratos: tifo murino,
leptospirose, etc.
Habitat e difução
Luta contra os ratos
3. PARASITOSES INTESTINAIS
50
4. SARNA
52
5. HIGIENE PESSOAL
Os cabelos
Os olhos
A boca
O corpo
As mãos
Os pés
55
157
6. HIGIENE DA GRAVIDEZ, DO PARTO E DO RECÉM-NASCIDO
Gravidez
Cuidados pós-natais
65
7. URGÊNCIAS EM PEDIATRIA
A febre
A tosse
A diarreia, o vómito e a desidratação
Condições gerais de alarme na criança
75
8. ÁGUA
A água e o nosso corpo
Usos da água
A água e as doenças
77
9. ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO
97
Substâncias nutritivas:
as proteínas
as gorduras
os hidratos de carbono
as vitaminas
os minerais e a água
Os alimentos e os grupos alimentares:
Grupo 1: cereais e tubérculos
Grupo 2: legumes, nozes e sementes oleosas
Grupo 3: vegetais e fruta
Grupo 4: carne, peixe, ovos, leite e derivados
Grupo 5: óleos e gorduras
Conselhos para uma alimentação correcta
Durante a gravidez e a amamentação
Durante os primeiros anos de vida
A subalimentação proteico-energética: o marasmo e o kwashiorkor
A anemia provocada por carência de ferro
A carência de iodo
A carência de vitamina A
Higiene dos alimentos
10. HIGIENE DA HABITAÇÃO
Colocação
Arejamento
Iluminação e ruído
Limpeza
158
127
11. ACIDENTES DOMÉSTICOS E MORDEDURAS
Acidentes domésticos
Mordeduras
Tétano
133
12. MATERIAIS SANITÁRIOS DE USO COMUM
Desinfectantes
Medicamentos, colírios e pomadas
Seringas
Termómetro
143
APÊNDICE I
As doenças de transmissão sexual
151
APÊNDICE II
O fumo, o álcool, as drogas
153
159
Impressão: Italia Maio 2004
Printed in Italy
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como ajudar-se a si próprios e aos outros a estar bem