Comunidade de Sant’Egidio COMO VAI A SAÚDE? C OMO AJUDAR - SE A SI PRÓPRIOS E AOS OUTROS A ESTAR BEM L E O N A R D O I N T E R N AT I O N A L COMO VAI A SAÚDE? ©2004 Comunità di Sant’Egidio www.santegidio.org ©2004 Leonardo International www.leonardointernational.com Comunidade de Sant’Egidio COMO VAI A SAÚDE? C OMO AJUDAR - SE A SI PRÓPRIOS E AOS OUTROS A ESTAR BEM Maria Cristina Marazzi Leonardo Palombi Sandro Mancinelli Ersilia Buonomo Anna Maria Doro Altan Leonardo Emberti Gialloreti Giuseppe Liotta Massimo Magnano San Lio Antonio Noce Fabio Riccardi Paola Scarcella Ilustrações de Mario Cossu L E O N A R D O I N T E R N AT I O N A L INTRODUÇÃO Esse livro que têm nas mãos é talvez um dos livros mais lidos em África. Tal como um grande romance de Kourouma ou de Soyinka. São muitos milhares as mãos que o passaram a outras mãos e que o guardaram no lugar mais seguro para o poderem consultar novamente e permitir a outros que o façam. Este livro pretende ser uma oferta de amizade como se pode ver pelo próprio título: “Como vai a saúde?” Como estás? É o que se pergunta quando uma pessoa nos interessa. Este livro fala da saúde: da minha, da tua, da nossa saúde. É um livro que nasceu há cinco anos quase como uma aposta: pode-se fazer muito para promover a saúde e viver melhor. Quem foi pouco à escola, quem não teve a sorte de aprender em casa como defender-se das doenças de maneira simples, pode aprendê-lo na mesma apesar de saber ler pouco ou nada. As mulheres que aprendem, contam-no e transmitem-no a outras mulheres e a toda a família. Os jovens que podem usar “Como vai a saúde?”, envolvem outros jovens, os seus próprios amigos. Este livro realiza um contágio bom: o conhecimento e a educação sanitária. É o livro de texto, juntamente com os livros da escola, para milhares de crianças das Escolas da Paz1 de Norte a Sul, para as mulheres e para os adultos envolvidos no programa DREAM2, para todos os que se dirigem aos Centros de Saúde e aos Centros Materno-Infantis promovidos pela Comunidade de Sant’Egidio ou a ela ligados. Mas pode ser também a guia para uma vida boa para muitos. É um manual, simples, que ajuda a viver e a não cair nas inúmeras e invisíveis armadilhas que existem em ambientes com poucas infraestruturas, com fracos recursos, onde, por enquanto, ainda não estão previstas intervenções de saúde pública típicas de outras partes do mundo (tais como os esgotos, a canalização da água potável) e onde a instrução é carente. Mas, para combater seriamente as doenças, não se pode ficar à espera do tempo em que haja água limpa para todos, um pavimento para todos dentro de casa, serviços higiénicos e canalização das águas escuras em todas as zonas rurais. É preciso defender imediatamente a própria vida e a dos outros! Foi por isso que nasceu “Como vai a saúde?”: feito por um grupo de investigadores médicos, especialistas em saúde pública, que não se resignaram à doença como se fosse um destino. 5 Este livro não é um best-seller, porque best-seller quer dizer “o livro que é mais vendido” e este livro não se vende.3 Usa-se, recebe-se, restitui-se, empresta-se, conserva-se. É um livro que não só faz viver melhor, como outros livros, mas também faz viver mais. Se se tiver cuidado com a saúde e com a higiene vive-se mais! Como se sabe, em África não existe dinheiro suficiente para comprar todos os medicamentos que são precisos. Tal como a instrução gratuita para todas as crianças, a água limpa para toda a população, a energia eléctrica disponível mesmo fora das grandes cidades, também a saúde parece por vezes um luxo para tantas pessoas em África. Para salvar muitas vidas humanas e reduzir a mortalidade e a difusão de muitas doenças, temos na mão uma arma potentíssima, mais potente do que os medicamentos. Um meio extraordinário que permite já vencer muitas batalhas e mudar a situação para melhor e de forma radical. Esta arma é a instrução. Muitos estudos antigos e recentes o demonstram. Investir nas pessoas (os “recursos humanos”) e na educação sanitária levou muitos países com poucos recursos financeiros a melhorar de forma decisiva a sua capacidade de luta contra as doenças. Um exemplo é o caso da Costa Rica. Neste país o dinheiro à disposição de cada cidadão (o PIB pro capite), é dez vezes menos do que o que um 6 inglês tem à sua disposição. E no entanto, é surpreendente que a esperança de vida à nascença seja quase a mesma. Isto aconteceu devido a um forte investimento na instrução e na educação sanitária. Se se observar a mortalidade infantil e a esperança de vida na Índia, verifica-se que os dados melhoraram de forma relevante quando se difundiu a instrução, sobretudo feminina, nas zonas rurais. Se se compararem dois grandes Estados no interior da Índia, o Kerala e o Punjab (este mais rico mas com menor escolaridade, o Kerala com menos recursos económicos mas com maior escolaridade) verifica-se que a esperança de vida à nascença é nitidamente mais alta em Kerala. Nos países em vias de desenvolvimento e nos países com menos recursos financeiros, a instrução e o investimento nos recursos humanos, sobretudo femininos, revelaram-se factores de incisiva mudança e de modernização. A lição a tirar é que, com o crescimento da cultura sanitária, mesmo com poucos meios se pode mudar a qualidade de vida. Hoje este livro está disponível em português mas também em inglês e francês, espanhol e albanês para ajudar muitas pessoas a viver melhor e a proteger a sua própria saúde. A nossa esperança é que estas páginas se consumam à força de passarem de mão em mão. Cada página consumida significará que uma doença morreu ao nascer. Maria Cristina Marazzi Leonardo Palombi 1 Os Centros, promovidos pela Comunidade de Sant’Egidio, são antes de mais lugares de educação para a paz e para o respeito pela pessoa. Completamente gratuitos, oferecem ajuda às crianças e adolescentes para a inserção na escola, apoio no estudo, integração para a alimentação, atenção especial à saúde, apoio a toda a família. Através das Escolas da Paz, espalhadas por todo o mundo, são ajudadas mais de 20.000 crianças. 2 DREAM (Drug Resources Enhancement against AIDS and Malnutrition) é um programa global de prevenção e tratamento da SIDA iniciado pela Comunidade de Sant’Egidio em África que prevê, para além doutras, a terapia com medicamentos antiretrovirais. É um programa completamente gratuito que, tendo sido iniciado em Moçambique em 2001, se estendeu a outros países de África. 3 E isto foi possível graças à contribuição de muitas instituições públicas e privadas, entre as quais a Conferência Episcopal Italiana, Deutscher Caritasverband, Generalitat de Catalunya, Sue Ryder Care e Accentus Gemeinnützige Stiftung. 7 MICRORGANISMOS E DOENÇAS INFECCIOSAS Os microrganismos são seres infinitamente pequenos, que não se vêem a olho nu, mas apenas através de lentes de aumento como as de um microscópio Muitos são inócuos e alguns são úteis ou indispensáveis ao homem, pelo contrário, outros causam doenças que podem ser graves ou até mortais (agentes patogénicos). Estas doenças são chamadas transmissíveis ou infecciosas, porque são transmitidas na comunidade humana directamente, de homem/animal infectado ou doente para o indivíduo são, ou então indirectamente. A transmissão indirecta acontece através de veículos como o ar, a água, o solo, os alimentos, os objectos de uso ou então vectores como, por exemplo, alguns artrópodes (insectos). Cada agente patogénico causa uma doença diversa e possui uma cadeia de transmissão: a) uma fonte, isto é o organismo (homem ou animal) que elimina o microrganismo para o exterior 9 b) uma modalidade de transmissão, directa ou indirecta c) uma via de entrada no homem são e receptivo (*) d) uma via de eliminação. A transmissão é directa ou indirecta. A) Transmissão directa 1- Sexual - Através do contacto directo como nas relações sexuais. É a via seguida por alguns agentes patogénicos como os que provocam a sífilis ou a SIDA. 2 – Mãe - filho (vertical) - A passagem dos agentes patogénicos acontece da mãe para o feto, durante a gravidez, ultrapassando a barreira constituída pela placenta**. Esta via é seguida, por exemplo, pelo agente patogénico que provoca a toxoplasmose. (*) Receptivo: sujeito susceptível de acolher a infecção porque não tem imunidade em relação ao microrganismo. (**) Placenta: órgão que se forma durante a gravidez e que permite a respiração e a nutrição do feto. 10 3 - Do animal infectado / doente através de mordedura. É a via seguida pelo agente patogénico que provoca a raiva. B) Transmissão indirecta 1. Transmissão mediante veículos Ar - Através do ar que respiramos: é o caso de muitas doenças respiratórias como a tuberculose e o sarampo. 11 Água - A água que bebemos pode estar contaminada. Muitos agentes patogénicos, como por exemplo os que provocam a cólera ou as diarreias infantis, seguem esta modalidade de transmissão Alimentos Os alimentos podem ser perigosos (ver pág. 120). Duas doenças transmitidas através deste veículo são, por exemplo, a febre tifóide e a hepatite A 12 Solo - No terreno vivem numerosos agentes patogénicos. Podem, através de diversas vias, chegar ao homem, como, por exemplo, no caso do tétano Objectos de uso - Podem estar contaminados por muitos tipos de agentes patogénicos que são transmitidos para o homem 13 2. Transmissão mediante vectores Artrópodes - Alguns parasitas, como aquele que provoca a malária, podem ser transmitidos através da mordedura do mosquito Outros podem ser transmitidos pelas moscas ou por outros insectos 14 VECTORES E RATOS Prevenção das doenças transmitidas pelos mosquitos: malária, febre amarela, filariose, etc. Os mosquitos são perigosos porque, através da mordedura transmitem algumas doenças importantes como: – Malária – Febre amarela – Filariose. Os microrganismos que provocam estas doenças desenvolvem-se no interior do organismo do mosquito e são transmitidos para o homem que é mordido. Seguidamente o microrganismo desenvolve-se também no organismo do homem. Dele pode transmitir-se para o mosquito indemne através do sangue. Estas doenças podem ser transmitidas só por certos tipos de mosquitos. Também a transfusão de sangue pode representar um modo de transmissão. Para prevenir a difusão destas doenças deve-se agir em duas direcções: 1) Reduzir o número dos mosquitos 2) Reduzir o número de mordeduras dos mosquitos 15 Habitat e reprodução O mosquito põe os ovos principalmente em água doce e estagnada mesmo se poluída. Um ovo leva 9-14 dias a transformar-se numa larva e a tornar-se mosquito. 16 As larvas podem, portanto, desenvolver-se em: • espelhos de água estagnada • poças • cisternas abertas • depressões do terreno • vasos • pneus abandonados • pegadas. É particularmente perigosa a presença de grandes quantidades de larvas de mosquito nas proximidades das habitações. O mosquito adulto pode encontrar-se: • no exterior da casa: vegetação, troncos de árvore, canos da água • no interior: vestidos ou panos húmidos, cortinas, paredes, ramos de flores. Os diversos tipos de mosquitos voam e, portanto, mordem em momentos diversos do dia. 17 Segundo o momento do dia em que se dá a mordedura será mais provável que o mosquito encontrado seja do tipo que transmite: malária: de noite e ao pôr-do-sol febre amarela: de dia e ao pôr-do-sol filariose: de dia, de noite e ao pôr-do-sol Portanto, para evitar apanhar todas estas doenças é preciso protegerse da mordedura dos mosquitos todo o dia e toda a noite. 18 Luta contra os mosquitos Antes de mais é necessário evitar que a larva do mosquito se aninhe nas proximidades das habitações. Portanto é necessário evitar o mais possível recolha de águas não necessárias e a infestação das recolhas de água necessária. Para obter este resultado é preciso tomar as seguintes medidas: Manter o exterior da casa sempre limpo Eliminar as depressões do terreno em volta da casa 19 Eliminar elementos como: pneus, frascos e latas vazios, garrafas vazias, troncos de árvore cavados e qualquer elemento que possa recolher água Cobrir as cisternas e os poços que estão no exterior da casa Cobrir os contentores de água no interior da casa 20 Eliminar as descargas dos canos no exterior da casa através de uma adequada canalização das águas Outras medidas secundárias podem ser a cobertura das cisternas mediante um fio de óleo de parafina e a introdução de peixes larvívoros no caso de existirem pântanos perto das habitações. Para proteger-se da mordedura dos mosquitos é necessário tomar as seguintes medidas: Não construir a casa a menos de 100-200 metros de fontes de água descobertas 21 Evitar a presença de cultivações de bananas perto das habitações nas quais há sempre muitos macacos que podem transmitir a peste amarela aos mosquitos e por conseguinte ao homem Favorecer a presença de animais insectívoros à volta das habitações: sapos, libélulas, lagartos, etc. 22 Instalar redes nas janelas e nas portas-janelas das habitações Instalar mosquiteiros nas camas Impregnar periodicamente as redes de insecticida ou de substâncias repelentes 23 Vestir o mais possível indumentos com mangas compridas e calças compridas, sobretudo se se penetra ou permanece em lugares com vegetação densa Os mosquitos existem todo o ano mas o seu número e, por conseguinte, o risco de ser mordido aumenta nas estações húmidas. Nestas estações as medidas preventivas deverão, portanto, ser tomadas com maior atenção e regularidade. 24 Prevenção das doenças transmitidas pelas moscas: cólera, disenteria, febre tifóide, etc. A mosca pode ser perigosa porque depois de ter pousado sobre excrementos ou lixos pode pousar-se sobre alimentos sólidos ou líquidos ou sobre partes do corpo. Desta forma pode transmitir doenças sobretudo do aparelho gastro-intestinal como a disenteria, cólera e febre tifóide. Os microrganismos responsáveis por estas doenças - que se encontram nos excrementos ou nos lixos - são transportados pela mosca para os alimentos e, portanto, ingeridos acidentalmente pelo homem. 25 Podem também ser depositados sobre as mucosas (olhos) do homem provocando doenças como o tracoma. Habitat e reprodução As moscas põem os ovos que se tornam larvas e, por fim, insectos adultos. As moscas reproduzem-se sobretudo nos excrementos, nos lixos e nas águas sujas. A reprodução dá-se principalmente nas estações com temperatura mais alta e com maior humidade. Procuram alimento em todas as zonas húmidas onde se recolhem detritos, excrementos e resíduos líquidos. Têm preferência em pousarse também nas zonas húmidas do corpo humano como as narinas, os olhos, a boca, as feridas, etc. Não voam no escuro; são atraídas pelo cheiro de produtos em fermentação ou putrefacção. 26 Luta contra as moscas 1) Reduzir o número das moscas Eliminando os montes de lixo Evitando a defecação ao ar livre (eventualmente cobrir sempre com a terra) Evitando as águas paradas como as poças 27 Provendo a uma limpeza regular do exterior da casa Provendo a uma limpeza regular das prateleiras e das superfícies internas da casa Utilizando os sistemas comuns de eliminação das moscas (pás mata-moscas, papel insecticida, etc.) 28 2) Evitar o contacto entre a mosca e os alimentos Aplicando os mosquiteiros nas portas e nas janelas Conservando fechados os recipientes que contêm os líquidos 29 Protegendo os alimentos com coberturas de tecido, vidro, com redes ou guardando-os num lugar fechado (armário ou frigorífico) 3) Evitar o contacto entre a mosca e o corpo humano Aplicando os mosquiteiros nas camas 30 Não dormindo com as luzes artificiais acesas Lavando muitas vezes os olhos às crianças. 31 Prevenção da infestação dos piolhos e das doenças transmitidas pelos piolhos: tifo exantemático, etc.: O piolho é um pequeno insecto que vive chupando o sangue do hospedeiro. Existem três tipos de piolhos: • o piolho da cabeça, que é o mais frequente • o piolho do púbis, ou chato • o piolho do corpo. O piolho que vive na cabeça tem cerca de 3 mm de comprimento e é cinzento. Agarra-se à base do cabelo e põe aí os ovos, chamados lêndeas. Os ovos têm pouco menos de 1 mm de comprimento, são cinzentos e confundem-se facilmente com escamas de caspa; no entanto, diferentemente destas não se despegam facilmente do cabelo. Os ovos abrem-se cerca duma semana depois 32 Fora do corpo humano o piolho pode sobreviver somente dois ou três dias, enquanto que os ovos podem continuar vivos durante dez dias. O contágio ocorre por contacto entre as pessoas; pode acontecer também através do uso em comum de objectos como escovas, pentes, cabelos, cachecóis, almofadas. Os piolhos não saltam de uma pessoa para a outra. Além disso a infestação não está ligada com o comprimento dos cabelos; todavia cabelos muito compridos podem ser um obstáculo a uma fácil individualização de piolhos e de lêndeas. 33 Ftiríase da cabeça A comichão é o principal sintoma. A pele pode estar avermelhada e pode haver um ligeiro inchaço das glândulas atrás das orelhas e na parte posterior do pescoço. Os piolhos encontram-se sobretudo na zona da nuca e atrás das orelhas, mais raramente também nas sobrancelhas e pestanas e na barba. As lesões superficiais produzidas pela coçadura podem infectar-se com microrganismos, provocando infecções do couro cabeludo e das glândulas do pescoço. Além disso, alguns destes microrganismos, que por vezes existem nas fezes do piolho, são agentes patogénicos de doenças graves tal como o tifo exantemático. Ftiríase do púbis É, por muitos aspectos, semelhante à da cabeça. A ftiríase do púbis interessa a região acima dos órgãos genitais, mas nos homens os parasitas podem existir também nos pêlos das cochas, da barriga, do peito e do rosto. O piolho do púbis é bastante semelhante ao da cabeça. Agarra-se aos pêlos, onde põe os ovos. O contágio dá-se geralmente por contactos estreitos, como, por exemplo, durante as relações sexuais. Ftiríase do corpo Apenas o piolho do corpo deposita os ovos também entre as fibras têxteis dos fatos e da roupa da cama; pelo contrário, os outros tipos deixam-nos unicamente nos cabelos e pêlos. 34 Luta contra os piolhos 1. O tratamento dos piolhos baseia-se no emprego de produtos que contêm substâncias anti-parasitárias, que devem ser utilizadas respeitando as informações indicadas nas confecções. Na ftiríase da cabeça, para favorecer o descolamento das lêndeas é útil pentear o cabelo com um pente fino, melhor se molhado em vinagre quente. Em todas as formas é útil um segundo tratamento 8 ou 10 dias depois para eliminar eventuais insectos nascidos entretanto de ovos que ficaram vivos depois do primeiro tratamento. 2. Para ter a certeza de eliminar os piolhos deve-se inspeccionar atentamente a cabeça (ou o corpo) de todas as pessoas com quem se convive e do parceiro sexual para excluir a existência dos parasitas. No caso de ftiríase do púbis é necessário submeter também o parceiro ao tratamento e evitar contactos sexuais até que o tratamento esteja concluído. Lavar a roupa interior e a da cama imediatamente após o tratamento para evitar a reinfestação. 3. Depois do tratamento, para evitar reinfestações, lavar com água quente (pelo menos 65 graus) os fatos, a roupa da cama e do banho. De qualquer modo, dado que os piolhos que caem do hospedeiro no chão e nos fatos morrem em 2 ou 3 dias por falta de alimento, a maneira mais económica para obter a sua eliminação é a de pôr num quarto bem arejado os indumentos e a roupa do paciente juntamente com os vários acessórios para se pentear e não tocar neles durante 4-5 dias. 35 4. Escovas e pentes devem ser cuidadosamente lavados com água quente (65 graus) e deixados em imersão durante 10 minutos melhor ainda se se juntar um antiparasitário (o mesmo empregado para o tratamento). 5. A melhor prevenção baseia-se na higiene dos cabelos que devem ser lavados frequentemente e controlados regularmente, sobretudo nas crianças e nas pessoas que vivem em comunidades com muita gente como escolas, quartéis, etc.. Nestas comunidades é importante evitar a troca de objectos pessoais (pentes, cachecóis, cabelos, escovas, toalhas etc.) e a mistura de peças de vestuário de pessoas diferentes. 36 Prevenção das doenças transmitidas pelas simúlias: oncocercose, etc. Trata-se de um tipo de mosquito que vive principalmente nas proximidades de cursos de água rápidos ou cascatas. Através da mordedura no homem transportam um parasita que provoca uma doença denominada oncocerose ou cegueira dos rios. Esta doença manifesta-se com nódulos subcutâneos e engrossamento da pele. Muitas vezes conduz à cegueira ou a um forte abaixamento da vista. As simúlias transportam o parasita da oncocerose de um indivíduo infectado para outro são através da mordedura. 37 Habitat e reprodução Vivem em nuvens na proximidade dos cursos de água rápidos e das cascatas. Voam ao nível do terreno e põem os ovos nas margens dos cursos de água, onde se dá a maturação da larva até ao estádio adulto. Voam e mordem durante as horas diurnas. Como preferem as temperaturas suaves, são mais numerosas ao nascer e ao pôr-do-sol. 38 Luta contra as simúlias 1) Evitar as mordeduras Não construir a habitação na proximidade dos rios Aplicar o mosquiteiro nas portas e nas janelas 39 Assinalar às autoridades sanitárias a presença das simúlias para a desinfestação Evitar a permanência nas margens dos rios e, se for necessário, usar calças compridas e sapatos fechados. 2) Evitar a difusão da doença • ir ao médico logo que se aperceba que tem nódulos cutâneos • encorajar os familiares e conhecidos que apresentem nódulos cutâneos a ir ao médico. 40 Prevenção das doenças transmitidas pelos ratos: tifo murino, leptospirose, etc. Os ratos contribuem para a difusão de doenças, algumas graves. Por exemplo a peste, o tifo murino, a leptospirose, a salmonelose. Existem dois tipos principais de ratos. • O rato preto, de dimensões mais pequenas, vive principalmente debaixo dos tectos das casas, nos celeiros, nas árvores e nas moitas. • O rato cinzento, de maiores dimensões, vive principalmente debaixo da terra, no interior dos muros da casa, nos esgotos e nas descargas do lixo. Ambos os tipos de rato podem transmitir as mesmas doenças. Entre as doenças transmitidas pelos ratos citam-se: Doença Modo predominante de transmissão Peste murina Tifo murino Leptospirose Pulgas que passam do rato para o homem Pulgas que passam do rato para o homem Contacto com água ou lama contaminadas com a urina do rato (por exemplo andando descalço) Comendo alimentos contaminados com fezes ou urinas de rato Mordedura Mordedura Salmonelose Raiva Sodoku 41 Habitat e difusão O rato é um animal nocturno. Os ratos alimentam-se das mesmas coisas que comem os homens e os animais, mas também de lixos. 42 A presença de ratos manifesta-se com sinais da sua passagem, como manchas de urina, fezes com forma característica alongada com cerca de 1,5 cm. de cumprimento, restos de alimentos roídos, rasto de patas, existência de tocas nos cantos mais escondidos da casa. Os ratos transmitem as doenças directamente através das mordeduras e, indirectamente através da urina e das fezes que contaminam os alimentos ou a água. Além disso, algumas doenças são transmitidas ao homem através da picada de insectos que tenham apanhado o microrganismo dos ratos. 43 Luta contra os ratos Para proteger-se dos ratos em casa, é útil: Limpar bem a mesa e varrer o chão no fim de todas as refeições Conservar os alimentos cobertos e em recipientes fechados que os ratos não possam roer (metal, vidro, terracota) Não deixar os alimentos no chão, mas sim num lugar protegido e não alcançável pelos ratos 44 Conservar a água em recipientes tapados Pôr o lixo doméstico em recipientes de metal fechados e adequadamente colocados em lugar alto pelo menos 45 cm do solo Guardar a roupa da cama num lugar inacessível aos ratos 45 Para proteger-se dos ratos à volta da casa é útil: Quando é possível, é útil pintar na parede externa da casa, por baixo das janelas, uma faixa de verniz lisa que impeça aos ratos de subir Fechar as rachas das paredes da casa com mais de 6 mm. de largura 46 Não deitar lixos perto da casa; manter limpo. Os lixos devem ser deitados pelo menos a 20 metros da casa e depois queimados ou enterrados Eliminar moitas e vegetação baixa nas proximidades da casa Cortar os ramos das árvores que estão próximos do tecto da casa 47 Conservar as reservas de cereais cobertas, levantadas do solo e adequadamente protegidas dos ratos Em casa é possível defender-se dos ratos também utilizando ratoeiras Existem vários tipos de ratoeira. As mais comuns são com mola ou com a cola. 48 As ratoeiras devem ser colocadas perto dos alimentos, na proximidade das fezes dos ratos e dos lugares onde haja sinais da sua passagem. Pôr uma isca na ratoeira: cereais, queijo, manteiga de amendoim, carne ou outros produtos alimentares. Usar sempre luvas para não tocar nos ratos mortos ou presos na ratoeira, nem sequer tocar nas próprias ratoeiras. Sucessivamente, as luvas deverão sempre ser desinfectadas. Queimar os ratos mortos. Manter as crianças longe das ratoeiras. 49 PARASITOSES INTESTINAIS São provocadas por parasitas muito comuns (chamados vulgarmente vermes) que atingem sobretudo as crianças entre os 5 e os 14 anos. Os vermes podem entrar no organismo com alimentos ou água contaminados, vivem no intestino e são eliminados com as fezes. Podem atingir a pessoa: 1- metendo as mãos sujas na boca 2- comendo fruta ou verdura crua não lavada que pode ter sido contaminada no terreno por vermes ou pelas suas larvas (veja-se o capítulo higiene dos alimentos) 3- comendo carne crua ou mal cozida que esteja contaminada (veja-se o capítulo higiene dos alimentos) 4- bebendo água suja e contaminada (veja-se o capítulo sobre a água) Para proteger a população e sobretudo as crianças da infecção é necessário: 1- construir e usar latrinas adequadas 2- prestar atenção à água e aos alimentos que podem estar contaminados (veja-se o capítulo sobre a água e sobre os alimentos). 50 A presença de vermes intestinais pode-se manifestar com os seguintes sintomas: • • • • • • dor e inchaço do abdómen astenia inapetência náusea e vómito diarreia e/ou obstipação prurido anal. Além disso a infecção grave pode provocar: • • • • má absorção e escasso crescimento na criança anemia por carência de ferro prolapso rectal alergia e asma. Se se descobrirem vermes nas fezes ou se se verificarem os sintomas acima indicados dever-se-á dirigir ao médico ou ao pessoal do centro de saúde para efectuar o tratamento adequado. CENTRO DE SAÚDE 51 SARNA É uma doença infecciosa provocada por um parasita, o ácaro da sarna, que quando se pousa na pele penetra nela e escava cunículos onde depõe os ovos. Os cunículos manifestam-se na pele com pápulas e pequenas bolhas. É uma doença que existe em todo o mundo mas que tem maior difusão se as condições higiénico-sanitárias da população não forem boas. Transmite-se por contacto directo pessoa a pessoa e indirecto através de vestuário, de lençóis, de cobertores etc. As lesões localizam-se sobretudo nos pés, entre os dedos das mãos, nos pulsos, debaixo dos braços e nos genitais exteriores. O sintoma principal é o prurido, sobretudo de noite. As lesões causadas pelo coçar também se podem infectar. Para prevenir o contágio é importante reconhecer rapidamente as lesões e evitar o contacto com a pessoa infectada. É também indispensável lavar a roupa interior, o vestuário e os lençóis utilizados pelo doente com água a ferver durante dez minutos ou então deixá-los expostos ao sol durante muito tempo. 52 De qualquer forma, é necessário dirigir-se ao médico ou ao pessoal do centro de saúde para efectuar a terapia e a prevenção adequada. CENTRO DE SAÚDE 53 HIGIENE PESSOAL A higiene pessoal representa um elemento de grande importância para manter uma boa saúde. As regras a seguir são poucas e simples mas de grande eficácia. Os cabelos Deve-se reservar uma atenção particular aos cabelos que devem ser lavados todas as semanas com água e sabão, ou então champô. De facto, nos cabelos podem aninhar-se diversos tipos de parasitas capazes de transmitir mesmo doenças graves. Os olhos Alguns conselhos simples podem prevenir as infecções oculares que podem muitas vezes comprometer a vista. Evitar esfregar os olhos com as mãos sujas, por exemplo, depois de ter tocado na terra. Deste modo, de facto, arrisca-se a transmitir aos olhos microrganismos que estão nas mãos sujas. A lavagem das mãos é suficiente para evitar problemas nos olhos. Evitar que os animais lambem o rosto das crianças. Todas as crianças deveriam fazer uma consulta ao oftalmologista entre os 5 e os 10 anos para verificar se existem defeitos da vista que podem ser corrigidos. Sempre que se nota comichão persistente nos olhos, vermelhidão, lagrimação ou então quando se acorda de manhã com os olhos cheios de crostas e com dificuldade em abri-los, é de boa norma ir ao médico ou ao pessoal sanitário para uma consulta. A boca Uma boa higiene da cavidade oral favorece uma boa saúde física. De facto, a boca contribui para a alimentação através da mastigação dos alimentos e a mistura deles com a saliva. Os dentes servem para mastigar os alimentos de modo a consentirem 55 a digestão e uma melhor assimilação das substâncias nutritivas por parte do nosso organismo. A saliva serve para transformar os alimentos esmigalhados pelos dentes em substâncias amalgamadas, que se podem facilmente deglutir e digerir. coroa Os dentes são formados por uma parte visível (coroa) e uma inserida na mandíbula (raiz). Entre a coroa e a raiz existe o “colo”. raiz esmalte dentina polpa dentaria No interior dos dentes estão os vasos sanguíneos e as terminações nervosas que transmitem a dor quando o dente está doente. A dor dos dentes é devida muitas vezes a “cáries”. A cárie é uma lesão que atravessa a parte superficial do dente (esmalte), podendo penetrar até ao seu interior; se não for tratada, consuma todo o dente. 56 Um sintoma de que os dentes estão cariados é a dor quando se comem alimentos muito frios ou muito quentes. A cárie é causada por uma infecção devida aos microrganismos que existem normalmente na boca, apesar de não se verem porque são muito pequenos; na presença de resíduos de comida, estes microrganismos tornam-se muito mais numerosos e atacam o dente provocando a formação da cárie. Os alimentos que mais favorecem o desenvolvimento dos microrganismos são os que contêm açúcar (doces, rebuçados e semelhantes). Há muitos alimentos que fazem bem aos dentes. Sobretudo as cenouras, as maçãs e as laranjas porque, apesar de terem açúcar, contêm substâncias nutritivas úteis para manter a boa saúde dos dentes.Também o leite, o peixe e as verduras ajudam a manter os dentes saudáveis. 57 A melhor maneira de manter a higiene da cavidade oral é lavar os dentes com a escova de dentes e o dentifrício. De facto, depois das refeições, permanecem normalmente agarradas aos dentes ou entre as gengivas partículas de alimento que favorecem o desenvolvimento dos microrganismos e, portanto, a formação da cárie. Por isso, devem-se lavar os dentes todos os dias, depois das refeições principais. O dentifrício é importante porque ajuda a escova de dentes a remover as partículas dos alimentos dos dentes. Quando os dentes doem deve-se ir ao médico. O corpo A lavagem do corpo é muito importante porque nos permite prevenir doenças e irritações da pele mesmo muito aborrecidas. São muitas as doenças que podemos evitar com um banho quotidiano, possivelmente com água e sabão. Se não é possível lavar-se totalmente todos os dias seria, no entanto, oportuno lavar todos os dias pelo menos a cara, a boca, os pés, os órgãos genitais, a virilha e as dobras por baixo dos seios nas mulheres. 58 boca seios virilha pés Não tomar banho em águas estagnadas. No caso de comichão persistente durante diversos dias ou vermelhidão em qualquer lado do corpo, deve-se consultar o médico ou o pessoal sanitário. Manter limpo o próprio corpo significa também vestir roupa limpa. Isto é importante porque os vestidos podem também conter muitos tipos de parasitas perigosos, sobretudo para as crianças. 59 As mãos As mãos podem transmitir muitas doenças, mesmo graves, porque se sujam em contacto com os objectos ou com a terra e, sem que nos apercebamos disso, apanham uma grande quantidade de microrganismos. Levando-as depois à boca quando se come ou se dá de comer às crianças, ou quando se acariciam, transportam os microrganismos para o interior do nosso corpo provocando as doenças. As mãos devem ser lavadas com sabão e água limpa. Quando lavamos as mãos, devemos chegar até aos pulsos, ensaboando de modo a fazer a espuma, esfregando bem e, finalmente, passando por água possivelmente corrente. 60 Também as unhas devem estar limpas, porque podem transmitir doenças através da sujidade que se acumula nelas. As mãos não devem ser lavadas só quando nos apercebemos que estão sujas, mas deve tratar-se de um hábito a assumir pelo menos nas seguintes ocasiões: Antes de comer 61 Depois de ter defecado ou urinado Depois de ter tocado um animal 62 Quando se regressa a casa Antes e depois de ter cozinhado 63 Os pés Um outro elemento de grande importância para a própria saúde são os sapatos. Andar descalço com efeito, expõe ao risco de feridas sempre perigosas, sobretudo pela possibilidade de contrair o tétano (ver capítulo sobre as feridas), mas também infecções comuns. Além disso, andando descalço expõe-se a pele do pé à penetração de vermes ou de outros pequenos animais capazes de transmitir muitas doenças (ver capítulo sobre os vectores). Devem-se, portanto, usar sempre os sapatos: quer na rua quer em casa. É bom calçar sapatos impermeáveis quando se tem de passar por terrenos húmidos ou cursos de água. As feridas nos pés devem ser tratadas com muito cuidado para evitar que se infectem com consequências por vezes muito graves. 64 HIGIENE DA GRAVIDEZ, DO PARTO E DO RÉCEM-NASCIDO Quando uma mulher, com menos de 45 anos, não tem menstruação durante um período de tempo superior a um mês, provavelmente está grávida. Esta situação dura geralmente cerca de nove meses desde a data da última menstruação e conclui-se com o parto. A criança cresce na barriga da mãe no interior de um órgão que se chama útero. A gravidez não é uma doença, mas durante a gravidez quer a mãe quer a criança podem contrair doenças muito perigosas para a sua saúde. Por isso a gravidez deve ser seguida por um médico ou, pelo menos, por pessoal sanitário experiente. Todas as mulheres com menos de 45 anos que não tenham menstruação durante mais de seis semanas deveriam ir ao médico porque poderão estar grávidas. 65 A gravidez A boa saúde da mãe é a coisa mais importante para que a gravidez chegue ao fim normalmente e sem danos nem para a mãe nem para a criança. Para que isto aconteça é útil seguir algumas normas de vida quotidiana. • Não se cansar: evitar, se possível, os trabalhos pesados como, por exemplo, transportar pesos excessivos. • Pesar-se: controlar o andamento do peso durante a gravidez é muito importante para saber se tudo vai bem e se a criança nascerá ou não saudável. É necessário pesar-se quando se sabe de estar à espera de bebé e sucessivamente várias vezes ao longo da gravidez. O peso aumenta sobretudo durante a segunda metade da gravidez. No momento do parto é necessário ter aumentado pelo menos 1 Kg em 10. (Exemplo: uma mulher que pesa 50 Kg no início da gravidez deve pesar, pelo menos, 55 - 60 no momento do parto) 66 • Comer bem: nutrir-se bem quer dizer ter cuidado consigo e também com a criança. Se possível deve-se procurar comer carne, peixe, fruta e verdura fresca, legumes, leite, ovos, juntando um pouco de azeite aos alimentos quotidianos (ver capítulo sobre a alimentação). leite • Não tomar remédios sem ter consultado o médico, porque poderão prejudicar a criança. 67 • Não beber álcool, não fumar, porque as substâncias ingeridas ou inaladas chegam à criança através da circulação do sangue e podem prejudicá-la. CENTRO DE SAÚDE • Se possível ir periodicamente ao médico ou ao pessoal sanitário ou a um obstetra para um controlo. 68 Possíveis problemas durante a gravidez: Vómito depois do 6° mês Perdas de sangue da vagina Dores de barriga Convulsões Inchaço das pernas 69 Em todos estes casos é importante consultar um médico ou ao menos uma pessoa experiente neste campo. Seria oportuno que o parto fosse assistido por um médico, ou por um obstetra ou por pessoal sanitário experiente. Por exemplo, entre os riscos que podem ocorrer no caso de parto não assistido, existe o tétano neo-natal, provocado pelo uso de instrumentos não desinfectados ou não estéreis para cortar o cordão umbilical dos recém-nascidos. O cordão deve ser cortado com tesouras seladas (ou fervidas durante 10 minutos) ou com uma lâmina de barbear nova, acabada de tirar da embalagem. 70 Cuidados pós-natais Conselhos à mãe: Manter o próprio corpo limpo: lavar-se totalmente todos os dias Manter a criança limpa: lavar a criança, se possível todos os dias 71 Comer bem: como durante a gravidez. (ver capítulo sobre a alimentação) Alimentar bem a criança: a amamentação materna é o melhor modo de alimentar o recém-nascido. Até cinco meses o bebé tem que ser amamentado sempre que o queira, e de qualquer maneira não menos de 5-6 vezes por dia. Sucessivamente é útil introduzir outros alimentos para além do leite da mãe. É importante saber o peso da criança ao nascer e pesá-la periodicamente; depois da primeira semana, deve aumentar de peso de maneira gradual, mas sem interrupções. Se isto não acontece é necessário ir ao médico 72 Não fumar na mesma sala da criança Não deixar a criança sozinha enquanto toma banho 73 Limpar os ouvidos e os olhos da criança com um bocadinho de algodão e água limpa, possivelmente fervida e arrefecida. Se os olhos ficam vermelhos ou cheios de crostas, ou se a criança os abre com dificuldade de manhã, deve-se consultar um médico 74 URGÊNCIAS EM PEDIATRIA A febre O corpo tem uma temperatura estável, compreendida entre 36 e 37 graus, que pode ser medida com o termómetro (veja-se pág. 149). Na criança a febre é geralmente sinal de infecção. A febre alta (temperatura superior a 39 graus centígrados) pode ser perigosa para a criança. Neste caso é útil fazer descer a temperatura com pachos de água fria e um antipirético (paracetamolo) e levar a criança ao centro de saúde. CENTRO DE SAÚDE A tosse A tosse é um possível sinal de infecção das vias respiratórias. Febre e tosse juntas são sinal de doença. A tosse é grave quando surge também dificuldade de respirar. Nestes casos a criança deve ser levada ao centro de saúde. CENTRO DE SAÚDE 75 A diarreia, o vómito e a desidratação A diarreia pode ser muito perigosa nas crianças sobretudo se as descargas são muito frequentes, se há febre e se além disso é acompanhada de vómito (veja-se pág. 92) O principal perigo da diarreia na criança é o de provocar a desidratação. Em caso de diarreia é preciso garantir que a criança beba bastante. Se a criança for muito pequena pode-se-lhe dar de beber aos goles com uma colher de chá ou com um conta-gotas ou então, se está a ser amamentada, dar-lhe de mamar frequentemente. Em caso de diarreia, sobretudo se acompanhada de vómito e de febre, é importante levar a criança ao centro de saúde. CENTRO DE SAÚDE Condições gerais de alarme na criança Para além das condições já citadas, deve-se levar a criança a fazer uma consulta ao centro de saúde no caso em que: • respira de forma ofegante (isto é mais frequentemente do que as outras crianças mesmo depois de ter estado em repouso alguns minutos) • se recusa a comer e a beber • está fraca e não tem vontade de se levantar ou de brincar • no caso do recém-nascido, se não chora ou se o faz de modo muito mais débil do que o costume. 76 ÁGUA A água e o nosso corpo A água é necessária para viver, porque o nosso corpo é constituído principalmente por água 77 A água entra no nosso corpo bebendo e comendo 78 A água sai normalmente do nosso corpo com: a urina as fezes o suor a respiração Por vezes, quando se está doente, muita água sai com a diarreia e o vómito A diarreia é a emissão de fezes líquidas 79 Toda a água que sai do corpo deve ser substituída Quando sai muita, devido ao vómito ou à diarreia, é necessário beber mais 80 Isto é válido sobretudo para as crianças 81 Usos da água Atenção! Nem toda a água pode ser bebida! A água que bebemos deve estar limpa. A água limpa pode-se tirar de um poço protegido ou de uma fonte protegida. Um poço protegido deve estar: • pelo menos a 20 metros de uma latrina ou de uma descarga de lixo • pelo menos a 3 metros de profundidade • rodeado por um pequeno muro • revestido com pedras no interior • provido de cano de escoamento para a água da chuva. Atenção! Não entrar dentro de um poço e nunca deitar lixo para dentro! 82 Uma nascente protegida deve ter: • gradeamento a pelo menos 20 metros da nascente e portão fechado • cano de escoamento para a água da chuva • muro de 50 cm à volta da nascente. Atenção! Tirar água apenas do cano de saída e não deixar aproximar os animais. 83 A água tirada doutras fontes deve sempre ser posta a ferver pelo menos durante 10 minutos e deixada arrefecer num recipiente tapado antes de a beber. Am alternativa a água pode ser filtrada. 84 A água não serve só para beber, mas também para: cozinhar lavar-se limpar a casa 85 limpar as latrinas dar de beber aos animais irrigar os campos 86 A água e as doenças: cólera, diarreias nas crianças, etc. Como se reconhece uma água limpa? A água limpa é primariamente transparente e sem cor. Atenção! Mesmo a água transparente, que parece limpa, poderá trazer doenças porque dentro da água se podem encontrar microrganismos, ainda que os nossos olhos não os consigam ver. 87 Todos estes microrganismos podem ser a causa de doenças mesmo muito perigosas. Estes microrganismos são perigosos para todos, mas em especial para as crianças pequenas. Para evitar estas doenças é necessário eliminar estes microrganismos da água. Para fazer isto é necessário: • ferver a água que se usa para beber e para cozinhar • manter tapado o recipiente onde se conserva a água para beber • filtrar. Os microrganismos entram na água através de: urina 88 fezes lixos sólidos 89 Para evitar que os microrganismos entrem na água é necessário usar as latrinas. Uma latrina deve: • estar a pelo menos 20 metros das habitações • estar a jusante de cursos de água, nascentes, poços, etc. e a 20 metros deles • ser profunda pelo menos um metro • estar rodeada de cimento • que se possa fechar • estar rodeada por um muro e coberta com um tecto • ser limpada com água e, se for possível, com hipoclorito de cálcio 90 A água suja pode trazer muitas doenças. As mais frequentes são as diarreias nas crianças. Uma doença muito grave é a cólera. A água pode trazer estas doenças: • bebendo-a • comendo alimentos contaminados com água suja. 91 Estas doenças manifestam-se com: • diarreia • vómito • febre • desidratação • fraqueza § • falta de apetite (na criança). 92 Para as evitar: • beber só água fervida e arrefecida • lavar os alimentos com água fervida e arrefecida • cozer bem os alimentos • lavar bem as mãos • defecar nas latrinas. Se a pessoa adoecer, é preciso que beba muito. Quanto mais frequente e abundante for a diarreia tanto mais é necessário beber. Beber sempre água fervida e arrefecida com sal e açúcar. Se as descargas são muito frequentes ir imediatamente ao centro de saúde. CENTRO DE SAÚDE 93 Atenção! Algumas doenças são trazidas pela água mesmo sem a beber, porque alguns microrganismos entram no nosso corpo através da pele. Estas doenças manifestam-se frequentemente com febre e sangue nas urinas. 94 Neste caso ir ao centro de saúde. Para evitar a difusão destas doenças: não urinar na água não lavar a roupa em charcos 95 não deixar as crianças brincarem em charcos não se lavar em charcos 96 ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO Porque é que temos necessidade de nos alimentar? • • • • • Para Para Para Para Para podermos viver termos uma boa saúde crescermos termos energia e para trabalharmos as festas e para reunir a família. crescimento leite energia saúde 97 Os alimentos são como um baú cheio de pedras preciosas que são as substâncias nutritivas e a água de que é feito o nosso corpo. • No arroz, no peixe ou na fruta e nas hortaliças, ou seja em tudo o que comemos, há algo de muito precioso: trata-se das substâncias nutritivas. São substâncias muito simples e são a matéria fundamental de que somos constituídos. • As substâncias nutritivas são: as proteínas, as gorduras, os hidratos de carbono, as vitaminas e os minerais. Para além destas substâncias nutritivas o nosso organismo precisa de água, e esta outra preciosa substância encontra-se nas bebidas e também nos alimentos. • Nos alimentos há uma parte não nutritiva que é a fibra e que é importante para o nosso intestino e para a digestão. O corpo humano é construído e mantido por alimentos e por bebidas que contêm as substâncias nutritivas e a água. • Água 61,6 % • Proteínas 17 % Vitaminas: vestigios • Gorduras 13,8 % Minerais 6,1% • Hidratos de carbono 1,5 % Hidratos de carbono 1,5% • Minerais 6,1 % • Vitaminas: vestígios. Gorduras 13,8% Proteínas 17% Água 61,6% 98 Substâncias nutritivas As funções das substâncias nutritivas: As proteínas • As proteínas: são as substâncias nutritivas mais complicadas, servem para construir e manter todo o nosso corpo. Elas são necessárias para o nosso organismo tal como os tijolos para uma casa. • O nosso corpo necessita de diferentes tipos de proteínas, mas nenhum alimento os contém todos: portanto é importante comer alimentos diferentes para termos todas as proteínas de que precisamos. Isto é importante especialmente para as crianças e os jovens durante o crescimento e para as mulheres que estão à espera de um filho ou que o estão a amamentar. 99 As gorduras GORDURAS HIDRATOS DE CARBONO As gorduras também são como um carburante. Algumas são muito preciosas porque o nosso organismo não é capaz de as produzir. Os hidratos de carbono Os hidratos de carbono são como um carburante que dá energia imediatamente disponível para o organismo. A metade da energia contida na dieta diária tem que derivar de alimentos ricos em hidratos de carbono. As vitaminas • O que é que aconteceria a um coro sem o seu maestro? As vitaminas são como o maestro do coro. Se faltam, muitas actividades do corpo, que precisam umas das outras para poderem funcionar, vão cada 100 uma para seu lado. Se não há o acordo necessário, chegam as doenças. Por exemplo, a carência prolongada de vitamina A leva à cegueira. • As vitaminas são úteis assumidas em quantidades pequenas e frequentemente. • São conhecidas como vitamina A, vitaminas do grupo B, vitamina C, D, E, K e outras. Os minerais e a água • Os minerais são necessários para o bom funcionamento do nosso corpo. Por exemplo o cálcio é importante porque é necessário para a constituição dos nossos ossos. • Também o ferro e o iodo são minerais úteis e quando faltam ficamos sujeitos a algumas doenças. Sem o iodo muitas crianças não conseguem crescer e não poderão desenvolver plenamente as suas capacidades intelectivas. • A água: é importantíssima para viver (ver o capítulo sobre a água). 101 Os alimentos e os grupos alimentares Os alimentos, para se tornarem nas substâncias nutritivas que constituem o nosso corpo, têm que fazer uma longa viagem. • A viagem começa num campo de trigo, num aviário, numa árvore cheia de fruta ou na rede de um pescador. • Uma paragem importante é o mercado onde se compram estes alimentos. É bom termos muita atenção em comprar produtos de boa qualidade: observar bem o aspecto, a cor e o cheiro do alimento. • Outra paragem da viagem é a cozinha, onde os alimentos se tornam gostosos para o nosso paladar e adaptados ao nosso organismo. Também aqui é importante conhecer as regras para obter uma comida saudável para todos. 102 • Às vezes a viagem pode fazer paragens mais demoradas: muitos alimentos podem ser conservados. Atenção: tem que se conhecer também as regras para uma boa conservação. • Finalmente os alimentos chegam à nossa boca: aqui começa a viagem dentro do corpo para transformar os alimentos em substâncias que o nosso corpo pode absorver e usar para si próprio. Esta parte da viagem é a digestão. A digestão • Os dentes e a saliva: servem para triturar os alimentos e torná-los pequenos e macios. • Esófago e estômago: o tubo que leva ao estômago onde os alimentos são decompostos em partes mais simples. • Fígado e pâncreas: produzem sucos para favorecer a digestão. No fígado construem-se as novas proteínas de que o corpo necessita. • Intestino: aqui continua a digestão graças aos sucos e dá-se a absorção no sangue das substâncias nutritivas e da água. Finalmente, na última parte, haverá a eliminação de todas as substâncias não aproveitadas pela digestão. DENTES E SALIVA ESÓFAGO FÍGADO PÂNCREAS ESTÔMAGO INTESTINO 103 Os alimentos reúnem-se em 5 grupos, segundo a quantidade e a qualidade das substâncias nutritivas que contêm. Grupo 1: Cereais e tubérculos trigo milho mais arroz • Os Cereais mais difundidos são: arroz, milho mais, trigo, cevada, sorgo, aveia, milho e centeio. Representam o alimento principal de todas as populações do mundo. São fontes energéticas fundamentais mas também contêm proteínas. Têm poucas gorduras e contêm também uma certa quantidade de vitaminas sobretudo as do grupo B. Constituem uma óptima base alimentar e devem ser acompanhados por outras fontes de proteínas, vitaminas e sais minerais. • Os Tubérculos mais consumidos são: a cassava ou mandioca, a batata, a batata doce, o taro, o inhame e o yam. Constituem uma óptima fonte de energia mas são muito escassos em proteínas e também em vitaminas. Comer somente os tubérculos, sobretudo para as crianças pequenas, provoca subalimentação. Têm de ser consumidos juntamente com alimentos ricos em proteínas. cassava 104 taro yam batata batata doce Grupo 1: Outras fontes de hidratos de carbono • Banana e plantain: trata-se de discreta fonte energética, de potássio, de vitamina A e C que deve ser associada, sobretudo nas crianças pequenas, com fontes de proteínas. • Açúcar e Mel: trata-se de óptimas fontes energéticas; no entanto um consumo excessivo pode causar, sobretudo nas crianças, a cárie nos dentes. açúcar 105 Grupo 2: Legumes, nozes e sementes oleosas • Os legumes mais consumidos são os feijões, as ervilhas, as lentilhas, o grão-de-bico. A soja é um legume muito importante. Trata-se de óptimas fontes proteicas, energéticas, vitamínicas e de ferro. Têm ainda a vantagem de poderem ser conservados durante muito tempo. Quando se comem legumes e cereais na mesma refeição, eles fornecem uma mistura de proteínas que enriquece o valor proteico da refeição. • A noz mais comum no ambiente tropical é a de coco, trata-se de uma boa fonte energética mas contém gorduras de qualidade escassa. 106 Grupo 3: Vegetais e Fruta Os vegetais. • São uma parte importante da dieta; são ricos em vitamina A e C, contêm quantitativos significativos de cálcio, ferro, potássio, magnésio e outros minerais. • Geralmente fornecem também um certo quantitativo de hidratos de carbono. • As folhas verde escuras têm um valor nutritivo mais elevado. O consumo de vegetais é importante para impedir a carência de vitamina A e de ferro. 107 • A fruta: óptima fonte de vitamina C, A, ferro, cálcio e outros minerais. Aconselha-se a todos e especialmente às crianças e às mulheres grávidas ou em fase de amamentação. Além disso, a fruta contém açúcar que a torna uma discreta fonte de energia imediatamente disponível. 108 Grupo 4: Carne, peixe, ovos, leite e derivados • Os alimentos de origem animal não são essenciais para se ter uma alimentação correcta; no entanto, são muito úteis para completar as dietas à base de raízes, tubérculos ou então de cereais. Com efeito contêm proteínas de elevada qualidade. Estes alimentos contêm também outras substâncias nutritivas importantes como o ferro, as vitaminas do grupo B e numerosas substâncias gordas. • O ovo também é um alimento completo, contém óptimas proteínas e muitas outras substâncias nutritivas. É de tal forma rico de substâncias nutritivas que até pode gerar pintainhos. • O leite contem proteínas, gorduras e hidratos de carbono; é rico em algumas vitaminas e, portanto, pode-se considerar um alimento completo. • Carne: Óptima fonte de proteínas, ferro e vitaminas do grupo B. • Peixe: Óptima fonte de proteínas e minerais. Melhora a alimentação à base de cassava. leite 109 Grupo 5: Óleos e gorduras, fontes de gorduras vegetais e animais. te ig a • Os alimentos que pertencem a este grupo são as gorduras e os óleos animais e vegetais, que são utilizados para temperar os alimentos (azeite). Os mais comuns são: manteiga, toucinho, vários óleos vegetais e a margarina que é um produto industrial. Fornecem mais do dobro da energia fornecida pelos hidratos de carbono e pelas proteínas. São óptimas fontes de vitaminas A e D das quais favorecem a absorção. m 110 an Uma dieta com poucas gorduras é muitas vezes pouco saborosa e monótona. Apesar dos gostos serem subjectivos, é muito difícil cozinhar uma boa comida sem um pouco de gordura. Conselhos para uma alimentação correcta • Uma alimentação correcta significa quer comer uma quantidade suficiente de comida, quer comer de forma equilibrada os diversos alimentos dos vários grupos alimentares. • Uma alimentação correcta fornece ao organismo todas as substâncias nutritivas de que precisamos. • As necessidades de substâncias nutritivas variam consoante a idade, o sexo e o nível de trabalho físico. Além disso, há momentos e condições da vida durante os quais é necessário comer mais, especialmente alimentos ricos em proteínas: durante a gravidez e a amamentação, durante o crescimento, com doenças infecciosas. Sobretudo estas pessoas têm necessidade de uma alimentação que lhes permita fornecer ao organismo todas as substâncias nutritivas para crescer e construir um organismo novo ou então substituir rapidamente todas as substâncias que se consomem durante as doenças. Quando a quantidade de comida não é suficiente a pessoa torna-se subalimentada. Também quando se tem uma alimentação sempre igual, com quase sempre só um tipo de alimento (por exemplo só farinha de mandioca) começa-se a sofrer de subalimentação. Este tipo de subalimentação chama-se Proteico-energética porque o nosso organismo não recebe as proteínas e a energia de que tem necessidade. Durante a gravidez e a amamentação • Durante a gravidez as necessidades de substâncias nutritivas da mulher são maiores que em qualquer outro período da vida. Ela tem de atender às necessidades do seu organismo e às da criança que se está a desenvolver no seu corpo. (ver gravidez pág 67) • Uma mulher grávida que tem uma alimentação insuficiente gera crianças com pouco peso. Muitas vezes estas crianças nascem com uma má saúde física e mental. • Durante a gravidez a mulher deve aumentar antes de tudo a quantidade dos alimentos que contêm proteínas (legumes, cereais, carne, peixe, ovos, etc.), ferro e vitaminas. Todas as mulheres devem seguir uma alimentação para prevenir a anemia (veja-se Anemia pág 117) que é muito frequente durante a gravidez. 111 • Durante a amamentação a mulher produz e perde muitas substâncias nutritivas. Estas substâncias têm que ser introduzidas no organismo da mulher que amamenta com uma alimentação correcta. Primeiro que tudo precisa de continuar a consumir, como durante a gravidez, uma maior quantidade de alimentos ricos de proteínas (carne, peixe, legumes, cereais), de cálcio (leite, ovos, legumes, peixe) e de ferro. (veja-se Anemia pág 117). • O leite que uma mulher produz contém bastante substâncias nutritivas. Se a mulher se alimenta pouco, geralmente produz menos leite. leite 112 Durante os primeiros anos de vida • Amamentação materna. O leite materno é o melhor alimento para o crescimento e a saúde da criança. Ele fornece a quantidade e a qualidade ideal de todas as substâncias nutritivas para a criança, protege-a de muitas infecções e não custa nada. A criança que é suficientemente amamentada pela mãe não precisa de mais nenhum alimento ou bebida até aos 4-6 meses de idade. • A duração da amamentação é variável e não se aconselha a limitá-la. 113 • Desmame: Depois de 4-6 meses de idade o leite materno torna-se insuficiente; então é bom juntar gradualmente alimentos novos. Este período é bastante crítico para a saúde da criança e um desmame não correcto pode causar subalimentação. • O desmame começa gradualmente por volta dos 4-6 meses e deveria terminar até aos dois anos de idade, quando a criança completa a dentição e a amamentação pode ser interrompida. O primeiro alimento diverso do leite materno é geralmente uma papa (porridge) de cereais ou de tubérculos, ou outro alimento básico. Para aumentar o seu valor proteico aconselha-se a misturar legumes (feijões, soja, ervilhas, etc.) na papa de cereais ou de tubérculos. São também muito importantes para o fornecimento de proteínas o peixe e a carne devidamente preparados. Para enriquecer a dieta com vitaminas C e A e com ferro, são importantes também as hortaliças com folhas verde escuro e a fruta fresca. 114 A subalimentação proteico-energética: o marasmo e o Kwashiorkor A subalimentação proteico-energética atinge a todos os que não se alimentam suficientemente, mas é muito mais frequente nas crianças; elas podem adoecer gravemente até terem o “Marasmo” ou o “Kwashiorkor”. O marasmo: • O marasmo manifesta-se mais frequentemente no primeiro ano de vida, quando a criança não é amamentada adequadamente; outro período crítico é o terceiro ano de vida, quando a alimentação é escassa e há concomitantes diarreias. • A criança tem o aspecto muito fraco, é muito magra com a pele seca e músculos finos. O rosto tem um aspecto enrugado de velha. Está muitas vezes rabugenta e tem um aspecto sofredor. • A criança com marasmo tem diarreia frequentemente e necessita de cuidados médicos urgentes e de uma alimentação adequada. 115 O Kwashiorkor: • Pode manifestar-se em todas as idades, mas é mais frequente entre o 1° e o 3° anos de vida. • O corpo fica inchado por causa do acúmulo de líquidos; o inchaço manifesta-se primeiramente nos pés e nas pernas depois nos braços e na cara. O cabelo torna-se mais fraco e muda de cor (torna-se castanho-arruivado). A criança com kwashiorkor é muito debilitada e não cresce; tem um aspecto sofredor e está muitas vezes apática. • Sofre frequentemente de diarreia ou de outras doenças infecciosas e necessita urgentemente de cuidados médicos e de uma alimentação adequada. 116 A anemia provocada por carência de ferro • O ferro é um mineral que permite o bom funcionamento dos glóbulos vermelhos (células do sangue)*. Quando o ferro é insuficiente, a pessoa sente-se cada vez mais cansada e sem força nem vontade de trabalhar. Tem dores de cabeça frequentes, arquejo e o coração bate mais depressa. Estes são os sintomas de uma doença que se chama “Anemia” e pode ser causada por carência de ferro. Atinge mais facilmente as mulheres grávidas, as que amamentam e as que têm muitos filhos. Também atinge as crianças que nascem de mulheres anémicas. Geralmente todas as crianças pequenas que não têm uma alimentação correcta podem tornar-se anémicas. Quando se sentem estes sintomas, especialmente um grande cansaço durante a gravidez, a pessoa deve dirigir-se rapidamente ao pessoal sanitário. • Para prevenir e também para curar a anemia provocada pela carência de ferro, é necessária uma alimentação com comida rica em ferro e vitamina C: consumir frequentemente legumes (feijões, lentilhas e soja), cereais (milho, sorgo e trigo), vegetais com folhas verde escuras e, uma coisa muito importante, comer também fruta fresca em todas as refeições. Quando for possível, é muito útil comer alimentos de origem animal, especialmente o fígado e a carne que contêm tanto óptimo ferro. * O sangue é constituído por uma parte líquida e por uma parte sólida feita de pequenas estruturas que se chamam células. 117 A carência de iodo • Uma dieta pobre em iodo provoca atraso mental e danos cerebrais. Um sintoma importante da doença provocada pela carência de iodo é a presença de uma massa no pescoço devido ao inchaço de uma parte ou de toda a glândula que se chama Tiróide. • A carência de iodo nos alimentos é frequente nas zonas distantes do mar. De facto, a doença é muito frequente em zonas de montanha. Uma alimentação rica em peixe, mariscos e sal marinho protege desta carência. Ultimamente, um modo muito útil para prevenir a doença, é utilizar (se existe) um tipo de sal ao qual se juntou o iodo e que se chama sal iodado. SAL + IODO • Para curar a doença, porém, é necessário consultar o pessoal sanitário logo que se vejam inchaços no pescoço. 118 A carência de vitamina A Uma dieta pobre em vitamina A tem efeitos muito negativos na vista e pode causar a cegueira. Um dos primeiros sintomas da doença é uma escassa capacidade visual à luz do pôr-do-sol. Os pais podem aperceber-se que o seu filho tem esta doença porque quando é noite, se houver pouca luz, a criança não é capaz de reconhecer as pessoas, não brinca e move-se com dificuldade. Uma criança ou uma pessoa com estes sintomas deve ser levada ao pessoal sanitário. Para prevenir e para curar a carência de vitamina A é necessário comer alguns alimentos que a contêm em abundância. Primeiro que tudo o leite materno e os alimentos de origem animal como o fígado, a parte amarela do ovo e o leite. Os vegetais com folhas verde escuras (espinafres, folhas de cassava, amaranto) e os vegetais amarelos e vermelhos (cenouras, pimentões, tomates). Por fim a fruta fresca é também uma outra discreta fonte de Vitamina A. 119 Higiene dos alimentos Os alimentos podem ser veículo de doenças. Uma alimentação sã quer dizer consumir alimentos seguros que não estão contaminados por microrganismos patogénicos e/ou que não contêm toxinas* e/ou outras substâncias nocivas. Para reduzir o risco de doenças e para tornar os alimentos seguros é necessário respeitar algumas regras higiénicas durante a preparação, a cozedura e a conservação. • Durante a preparação é preciso estar muito atento e evitar que os alimentos sejam contaminados e, por isso, antes de iniciar a preparação dos alimentos é necessário limpar cuidadosamente a sala, as superfícies onde se trabalha, os utensílios e as mãos. • Para eliminar a maioria dos microrganismos patogénicos é necessário que os alimentos, sobretudo aqueles que estão em contacto com o solo como os vegetais, sejam previamente lavados com água corrente ou substituída várias vezes, até que seja necessário. Quando é possível é muito útil descascar os alimentos. * As toxinas são substâncias venenosas que por vezes são produzidas por alguns microrganismos patogénicos. 120 • Outra importante regra é que os alimentos crus (especialmente de origem animal) sejam cuidadosamente separados dos que foram cozinhados. É muito útil ter à disposição duas zonas de trabalho bem separadas, uma para os alimentos crus e outra para os cozinhados e preparados. • É também útil ter duplos utensílios, ou então é necessário lavá-los cuidadosamente antes de os utilizar novamente. 121 • Durante a cozedura dos alimentos, o calor elimina os microrganismos patogénicos. Especialmente a carne, o peixe e os mariscos devem sempre ser consumidos bem cozinhados. • Todos os alimentos devem ser consumidos logo, ou então conservados no modo correcto. 122 Os alimentos devem ser protegidos • Quem prepara os alimentos deve saber que as suas mãos são uma parte importante na cadeia de transmissão dos vários microrganismos patogénicos para os alimentos. Por isso, as mãos devem ser lavadas antes e durante a preparação dos alimentos. Lavem sempre as mãos: Depois de ter tocado em: peixe, galinha, carne, verduras, fruta e saladas Antes de tocar nos alimentos 123 Depois de ter ido à casa de banho Depois de se ter assoado Depois de ter tocado em animais ou lixo 124 • As moscas e os outros insectos, os animais domésticos e não só, os roedores, podem contaminar os alimentos se entrarem em contacto com eles. Para se evitar isto é necessário proteger os alimentos com redes, contentores fechados ou outros e nunca deixar os alimentos sem protecção. • Todos os alimentos, especialmente os de origem animal, devem ser conservados em contentores e em lugares limpos, com temperatura baixa* e com ar bastante seco. Além disso, é boa coisa protegê-los dos animais, conservando-os num local fechado e colocando-os no alto. * Se a tecnologia o permitir, é possível conservar também com temperaturas superiores a 60°. 125 HIGIENE DA HABITAÇÃO Colocação A casa deve ser construída num lugar não húmido porque: • a humidade estraga a casa e faz mal à saúde • junto dos cursos de água vivem alguns insectos que podem transmitir doenças: – as simúlias (mosquinhas), que podem transmitir a oncocerose – os mosquitos, que podem transmitir a malária e a febre. O tecto da habitação deve ser totalmente impermeável para proteger a casa da chuva. Arejamento Um bom arejamento é importante para que o ar dentro de casa fique saudável. Se muitas pessoas estiverem numa sala mal arejada (ou então poucas pessoas durante muito tempo), a atmosfera enchese de anidrido carbónico à medida que as pessoas respiram. Também se o fogo estiver aceso dentro de casa, consuma o oxigénio e emite anidrido carbónico e óxido de carbono. Além disso, as pessoas respiram também humidade e microrganismos e assim o ar torna-se doentio. Nestas condições podem-se transmitir muitas doenças entre as quais a TBC, o sarampo, a gripe, etc.. 127 Para evitar que com o ar entrem insectos perigosos e aborrecidos, é conveniente colocar redes mosquiteiras nas janelas. Iluminação e ruído Uma boa iluminação é essencial para um ambiente são. Todas as habitações deveriam beneficiar de uma luz natural suficiente e de uma fonte de luz artificial. 128 Uma iluminação insuficiente requer um esforço que cansa os olhos, pode causar acidentes e torna mais difícil limpar a casa. Também uma luz muito forte pode diminuir a capacidade visual. A luz natural, a do sol, oferece a melhor iluminação. As lâmpadas de azeite e as velas fazem muito fumo, consomem oxigénio e podem provocar incêndios. Por isso devem ser colocadas em lugares apropriados e controladas atentamente. A electricidade é uma fonte de luz muito boa e não provoca incêndios se for instalada correctamente. É necessário ensinar às crianças a não brincarem com os interruptores e com as tomadas. Pintar as paredes de branco ou de cores claras melhora a iluminação interna porque a luz se reflecte nas paredes. O ruído muito intenso tem efeitos nocivos no ouvido e no cérebro. Por isso é necessário que a casa seja silenciosa sobretudo de noite. A habitação deve estar longe das fábricas. Limpeza Limpar frequentemente a casa. Varrer o pavimento e se se utilizarem tapetes ou esteiras, pô-las no exterior para as limpar a fundo pelo menos uma vez por semana. 129 Conservar as paredes limpas. Caiá-las com cal ou com um produto análogo. A cor branca torna a casa mais luminosa e ajuda a afastar os insectos. Fechar os buracos e as rachas que permitem aos insectos e aos roedores entrar ou construir tocas. Libertar a casa de todos os restos de comida que atraem moscas, baratas e roedores. 130 Não cuspir para o chão. Este hábito pode propagar as doenças porque no cuspo pode haver microrganismos como, por exemplo, o da tuberculose. As camas devem estar longe do chão e devem ser arejadas regularmente. Periodicamente devem ser expostas ao ar e ao sol para matar eventuais microrganismos. Para se proteger das mordeduras dos mosquitos, é útil aplicar um mosquiteiro à volta da cama. Isto é importante sobretudo para as crianças. Controlar que os espaços em redor da casa estejam limpos e sem lixo. Na pouca água que durante a chuva pode ficar num velho pneu, numa lata ou em qualquer recipiente abandonado podem-se multiplicar, em poucos dias, centenas de larvas de mosquito. Portanto estes objectos devem ser destruídos ou enterrados. 131 Não deixar entrar os animais dentro de casa. Os excrementos dos animais podem transmitir muitas doenças e atraem as moscas. Os animais atraem os parasitas (mosquitos, papatazes, mosca tsé-tsé, carraças) e podem ser portadores de doenças transmissíveis ao homem (carbúnculo, brucelose. hidatidose, raiva, tuberculose). Os cães podem ter vermes (ténia e ascárides). 132 ACIDENTES DOMÉSTICOS E MORDEDURAS Acidentes domésticos Os acidentes domésticos ocorrem em casa e de forma especial às crianças. Para prevenir os acidentes domésticos é preciso não deixar as crianças sozinhas sobretudo quando: há um fogo aceso 133 há líquidos a ferver há máquinas em movimento há fontes de electricidade não isoladas 134 enquanto toma banho Em geral entre os acidentes domésticos, são frequentes os incêndios. Uma regra importante para prevenir os incêndios é não deixar velas, lâmpadas e combustível perto das cortinas. As crianças metem na boca tudo o que encontram: portanto, atenção aos envenenamentos e aos sufocamentos. Envenenamentos: • não deixar remédios ao alcance das crianças • não deixar ao alcance das crianças pós ou líquidos perigosos (gasolina, detersivos, anti-parasitários, venenos para ratos, etc.). 135 Sufocamento: • não deixar ao alcance das crianças objectos que, postos na boca, possam causar sufocamento (exemplo: jogos ou frutos de dimensões tais que possam causar sufocamento) • não deixar sacos de plástico ao alcance das crianças. Alguns acidentes podem ocorrer também perto da habitação. Para prevenir este tipo de acidente é necessário antes de tudo não deixar as crianças sozinhas: • onde há trânsito de veículos 136 • na proximidade de poços que, de qualquer maneira, devem sempre ser inacessíveis às crianças. Mordeduras Qualquer mordedura de animal se deve considerar perigosa e deve ser tratada o mais depressa possível. De qualquer modo uma mordedura ou um arranhão feitos por animais devem ser tratados como uma ferida, sobretudo por causa do risco de tétano. (ver pág. 140). Se o animal está infectado/doente de raiva, a mordedura (e também a lambidela ou os arranhões) do cão e de outros mamíferos é muito perigosa e pode ser causa de morte. Por isso é importante ensinar, sobretudo às crianças, a não se aproximarem e a não brincarem com os animais. 137 Alguns conselhos a seguir no caso de mordedura de cão (ou de outro animal): Lavar imediatamente a ferida com água e sabão (ou, pelo menos, lavar abundantemente com água corrente) Procurar saber se o animal tem dono ou se alguém o conhece ou se gira sempre numa determinada zona. Esta informação é importante para poder controlar se o animal ainda está vivo nos 10 dias seguintes à mordedura, porque isto significa que não tinha raiva quando feriu o sujeito 138 Para poder tê-lo sob controle, é fundamental não matar o animal CENTRO DE SAÚDE De qualquer forma é sempre oportuno levar a pessoa ferida ao hospital ou onde trabalha o pessoal sanitário que pode decidir melhor o que se deve fazer (nota: existe uma vacina e um soro contra a raiva) 139 Alguns conselhos para prevenir as mordeduras dos animais – não se aproximar e não brincar com cães ou outros animais, sobretudo se são desconhecidos – é útil levar um pau sempre que a pessoa se afaste de casa e exista o perigo de encontrar cães ou outros animais – não procurar separar dois ou mais animais que brigam – estar muito atento quando se quiser socorrer um animal ferido, mesmo que seja conhecido, porque os animais feridos têm uma tendência maior a morder seja quem for. Tétano O agente patogénico que provoca o tétano pode sobreviver no meio ambiente durante anos (sobretudo no terreno). O agente patogénico cresce no intestino dos animais herbívoros que o eliminam com as fezes. 140 Por este motivo em qualquer ferida existe o perigo de apanhar esta doença. São mais perigosas as feridas com raias irregulares, feitas por corpo penetrante, e aquelas nas quais permanecem farpas, terra, sujidade. Portanto, por exemplo, as feridas no trabalho do campo, em guerra, em acidentes estradais são as mais perigosas. As farpas devem ser tiradas (mesmo com uma agulha desinfectada com o fogo). Depois as feridas devem ser limpas com água e sabão, tirando-lhes a sujidade. 141 Depois de terem sido limpas as feridas devem ser desinfectadas. Atenção: no caso de ferida, é importante ir ao centro de saúde para a prevenção do tétano. Também nas práticas rituais (iniciações, cerimónias, circuncisão, etc.) o uso de instrumentos cortantes não esterilizados pode provocar doenças graves Também em caso de parto não assistido, existe o risco do tétano neonatal, provocado pelo uso de instrumentos não desinfectados ou não estéreis para cortar o cordão umbilical dos récem-nascidos (ver pág. 70). 142 MATERIAIS SANITÁRIOS DE USO COMUM Desinfectantes Os desinfectantes são substâncias medicamentosas que matam os microrganismos. Utilizam-se para desinfectar as feridas. É importante fechar imediatamente os recipientes depois do uso e conservá-los longe da luz e do calor, e longe do alcance das crianças. Os desinfectantes são medicamentos: como eles, têm um prazo depois do qual não devem ser utilizados. 143 Medicamentos, colírios e pomadas Os medicamentos só se devem tomar com receita médica ou do pessoal do centro de saúde e devem-se tomar nas doses e nos horários prescritos. Os medicamentos devem ser conservados correctamente: longe da luz, da humidade, do excesso de calor e sempre longe do alcance das crianças; devem sempre ser usados dentro do prazo de validade. Muitos medicamentos (colírios, pomadas e xaropes) depois de abertos, devem ser usados em pouco tempo apesar do prazo de validade ser ainda longínquo (está indicado nas instruções). Cada confecção de colírios e pomadas para curar os olhos deve ser utilizada por uma só pessoa. Se duas ou mais pessoas usarem a mesma confecção, corre-se o risco de provocar o contágio das doenças. Seringas As seringas servem para introduzir medicamentos no corpo. Se forem usadas de modo incorrecto, podem transportar os microrganismos de uma pessoa doente para uma sã. Então em vez de serem úteis tornamse muito perigosas. É preferível usar as seringas descartáveis, que devem ser absolutamente usadas apenas uma vez e depois se deitam fora. As seringas de vidro devem ser desmontadas... e depois fervidas em água limpa durante 30 minutos… 144 Quando termina a fervura, deixase a seringa no fervedor tapado até que arrefeça... Depois lavam-se bem as mãos 145 Como se prepara uma injecção: Depois de se ter fervido a seringa e de se terem lavado as mãos, limpa-se a tampa de borracha do frasquinho, se existir, com algodão hidrófilo e desinfectante, ou parte-se o colo do frasquinho de vidro 146 Torna-se a montar a seringa Aspira-se o medicamento e eliminam-se as bolhas de ar puxando o êmbolo para cima, até sair umas gotas do líquido. Desinfecta-se a pele das nádegas (para cima e para o exterior) ou da outra zona onde se deverá dar a injecção. 147 Como se dá uma injecção: • Enfia-se a agulha com decisão, mas sem excessiva força, perpendicularmente à pele fazendo-a entrar até ao fundo. • Aspira-se ligeiramente para controlar que não entre sangue na seringa (neste caso a injecção deve ser interrompida e refeita depois de se ter mudado o medicamento e a seringa). • Injecta-se o medicamento (para alguns medicamentos é necessário fazê-lo com a velocidade indicada nas instruções do remédio). • Extrai-se a seringa e desinfecta-se a pele sem esfregar com força, mas tamponando. 148 Termómetro Antes de se medir a febre o termómetro deve ser desinfectado com álcool. No adulto a febre deve ser medida de preferência debaixo do braço, na axila. 149 No recém-nascido ou na criança muito pequena deve ser medida a febre anal, com termómetros especiais. A temperatura normal está compreendida entre os 36 e os 37 graus centígrados. Quando a temperatura ultrapassa os 37 graus centígrados (se medida debaixo do braço) ou os 37,5 graus centígrados (se medida no ânus) fala-se de “Febre”. Medir a febre pondo uma mão na testa para ver se está quente é um método, que apesar de ser útil na falta de termómetros, pode induzir em erro. Portanto seria importante ter sempre um termómetro em casa para poder verificar a presença de febre sobretudo nas crianças. 150 Apêndice I AS DOENÇAS DE TRANSMISSÃO SEXUAL Os orgãos genitais podem ser sede de muitas doenças, na maior parte dos casos infecciosas, que se transmitem através das relações sexuais (como por exemplo a gonorreia e a sífilis). Estas doenças manifestam-se com diversos tipos de lesões na pele dos orgãos genitais ou nos seus revestimentos internos (mucosas). Trata-se de pequenas feridas (úlceras), de inchaços ou da perda de um líquido esbranquiçado através da ponta do pénis ou da vagina. Estas lesões nem sempre são dolorosas mas não por isso são menos perigosas. Outra manifestação frequente a que se deve prestar atenção é o ardor no momento de urinar. Em qualquer dos casos trata-se de doenças fáceis de curar com os medicamentos apropriados, mas descuidar-se pode ser muito perigoso: de facto, apesar de atingirem inicialmente os orgãos genitais, num segundo momento algumas delas podem estender-se a outras partes do corpo com consequências muito graves inclusivamente a morte. Além disso, quando se tem uma destas doenças é facílimo transmiti-las à pessoa com a qual se tem uma relação sexual. Entre as outras consequências da infecção de transmissão sexual deve-se incluir o aborto, a esterilidade ou a transmissão da doença ao feto durante a gravidez. Existem depois algumas doenças, como a infecção pelo Virus da Imunodeficiência Humana (HIV) que provoca a Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (SIDA) ou então o Vírus HBV que causa a hepatite, que também se transmitem através das relações sexuais completas não protegidas mas que não provocam doenças nos orgãos genitais (*). Isto quer dizer que podem ser transmitidas mesmo se os orgãos genitais estão perfeitamente sãos; de facto a transmissão resulta do contacto da superfície interna dos orgãos genitais com a secreção espermática ou com as secreções vaginais. A presença de outras doenças dos orgãos genitais favorece a transmissão do HIV ou do HBV. (*) Outras modalidades de transmissão do vírus HIV ou HBV são: – Receber uma transfusão de sangue não controlada com os testes para relevar a presença destes vírus. – Deixar fazer ou fazer a si próprio cortes, picadas, injecções, tatuagens ou qualquer outro tipo de prática que comporte a perfuração ou o corte da pele ou das mucosas com instrumentos infectados. – Transmitir o vírus ao feto no decurso da gravidez ou sucessivamente através da amamentação ao peito. 151 É importante ter os orgãos genitais limpos lavando-se quotidianamente. Ir ao médico ou a um centro de saúde sempre que se note um sinal que possa fazer pensar numa infecção. Caso se verifique a presença de uma infecção é importante que sejam também controladas as pessoas com as quais se teve uma relação sexual. Ter muitos partners sexuais ou relações sexuais completas não protegidas favorece o contrair de infecções deste tipo. 152 Apêndice II O FUMO, O ÁLCOOL, AS DROGAS Além das doenças infecciosas provocadas por microrganismos patogénicos, existem outras doenças chamadas não infecciosas ou crónico-degenerativas entre as quais se incluem, por exemplo, as doenças cardio-vasculares e os tumores. Estas doenças são favorecidas por vários factores como por exemplo o fumo, o excesso de álcool, alguns hábitos alimentares, a presença de substâncias nocivas no ambiente de vida ou de trabalho etc. O FUMO O fumo faz aumentar o risco de adoecer com algumas doenças, mesmo muito graves, tais como por exemplo o enfarte, o icto cerebral, o tumor do pulmão ou outros tipos de tumores. O fumo é prejudicial seja qual for a forma como é tomado, quer aspirado quer inalado. O fumo é sempre nocivo em qualquer idade mas quanto mais precoce é o início do hábito do fumo, tanto maiores são os perigos para a saúde até porque estes perigos se acumulam. Quanto mais cedo se começar a fumar maiores serão os efeitos nocivos. É importante também o número de cigarros, quantos mais cigarros se fumar por dia maiores serão os danos no organismo. O fumo durante a gravidez é sempre nocivo porque pode prejudicar a criança e comprometer o seu desenvolvimento. Uma mulher não deveria fumar durante a gravidez. É melhor nunca iniciar a fumar mas se já se fuma, deixar de fumar é sempre vantajoso porque, deixando de fumar, com o passar do tempo, os efeitos nocivos do fumo no organismo são eliminados. O ÁLCOOL O álcool é uma substância contida em numerosas bebidas (vinho, cerveja, aguardente...) em maior ou menor quantidade. Se for tomado em quantidades módicas durante as refeições não é prejudicial ao organismo excepto nas crianças que nunca deveriam beber bebidas alcoólicas. De facto, o álcool comporta-se como uma substância tóxica que, se tomada em quantidades excessivas, pode prejudicar o organismo especialmente o fígado, o sistema nervoso, o estômago. 153 O álcool é prejudicial sobretudo durante a gravidez porque compromete o desenvolvimento da criança e, por isso, deve ser absolutamente evitado. Se se bebe ocasionalmente uma quantidade de bebidas alcoólicas superior à tolerada arrisca-se a intoxicação aguda ou embriaguez, caracterizada por uma sensação de euforia alternada com crises de choro, sonolência, reduzida capacidade de atenção (é perigoso conduzir ou fazer acções que exijam concentração), dificuldade de equilíbrio no andar e, nos casos mais graves, alucinações e perda de consciência. Mais grave é a intoxicação crónica que se manifesta após muitos anos de hábito de beber de forma excessiva (alcoolismo crónico). Neste caso verificam-se danos permanentes em alguns orgãos. Em primeiro lugar o álcool danifica todo o aparelho digestivo, desde o esófago ao estômago, aos intestinos, ao fígado causando inflamações como por exemplo a gastrite. O orgão mais atingido é o fígado que nos alcoolizados crónicos pode ser atingido por uma doença muito grave chamada cirrose hepática. Além disso o álcool prejudica enormemente o sistema nervoso, quer o cérebro e, portanto as faculdades mentais, quer os nervos por exemplo os das pernas. AS DROGAS Além do álcool e do fumo existem muitas outras substâncias que podem causar dependência (*) e podem causar danos ao indivíduo. Trata-se de diversas substâncias químicas, naturais ou sintéticas, que podem ser introduzidas no organismo por inalação, por ingestão ou por via endovenosa. Geralmente trata-se de substâncias que modificam a actividade mental do indivíduo, que provocam desejo de continuar a tomá-las e a tendência para aumentar cada vez mais a dose, tornando o indivíduo dependente da própria substância. Alguns exemplos destas substâncias são o ópio e os seus derivados naturais ou sintéticos (heroína, codeína), a cocaína, o LSD (dietilamide ácido lisérgico) e os seus derivados, e as “novas drogas”: ecstasy, crack, substâncias químicas de síntese que são tomadas sob forma de pastilhas e que provocam danos no sistema nervoso. Além disso, algumas substâncias que se encontram nas colas ou nos solventes e que podem ser tomadas por inalação com o fim de inebriar provocando um estado de euforia. (*) A OMS define a tóxico-dependência como “condição de intoxicação crónica danosa para o indivíduo e para a sociedade, caracterizada pelo desejo incontrolável de tomar a substância, tendência para aumentar a dose e dependência psíquica e às vezes física da própria substância”. 154 ÍNDICE Introdução 1. MICRORGANISMOS E DOENÇAS INFECCIOSAS Transmissão directa Transmissão indirecta Transmissão mediante veículos Transmissão mediante vectores 5 9 2. VECTORES E RATOS 15 Prevenção das doenças transmitidas pelos mosquitos: malária, febre amarela, filariose, etc. Habitat e reprodução Luta contra os mosquitos Prevenção das doenças transmitidas pelas moscas: cólera, disenteria, febre tifóide, etc. Habitat e reprodução Luta contra as moscas Prevenção da infestação dos piolhos e das doenças transmitidas pelos piolhos: tifo exantemático, etc. Ftiríase da cabeça Ftiríase do pubis Ftiríase da corpo Luta contra os piolhos Prevenção das doenças transmitidas pelas simúlias: oncocercose, etc. Habitat e reprodução Luta contra as simúlias Prevenção das doenças transmitidas pelos ratos: tifo murino, leptospirose, etc. Habitat e difução Luta contra os ratos 3. PARASITOSES INTESTINAIS 50 4. SARNA 52 5. HIGIENE PESSOAL Os cabelos Os olhos A boca O corpo As mãos Os pés 55 157 6. HIGIENE DA GRAVIDEZ, DO PARTO E DO RECÉM-NASCIDO Gravidez Cuidados pós-natais 65 7. URGÊNCIAS EM PEDIATRIA A febre A tosse A diarreia, o vómito e a desidratação Condições gerais de alarme na criança 75 8. ÁGUA A água e o nosso corpo Usos da água A água e as doenças 77 9. ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO 97 Substâncias nutritivas: as proteínas as gorduras os hidratos de carbono as vitaminas os minerais e a água Os alimentos e os grupos alimentares: Grupo 1: cereais e tubérculos Grupo 2: legumes, nozes e sementes oleosas Grupo 3: vegetais e fruta Grupo 4: carne, peixe, ovos, leite e derivados Grupo 5: óleos e gorduras Conselhos para uma alimentação correcta Durante a gravidez e a amamentação Durante os primeiros anos de vida A subalimentação proteico-energética: o marasmo e o kwashiorkor A anemia provocada por carência de ferro A carência de iodo A carência de vitamina A Higiene dos alimentos 10. HIGIENE DA HABITAÇÃO Colocação Arejamento Iluminação e ruído Limpeza 158 127 11. ACIDENTES DOMÉSTICOS E MORDEDURAS Acidentes domésticos Mordeduras Tétano 133 12. MATERIAIS SANITÁRIOS DE USO COMUM Desinfectantes Medicamentos, colírios e pomadas Seringas Termómetro 143 APÊNDICE I As doenças de transmissão sexual 151 APÊNDICE II O fumo, o álcool, as drogas 153 159 Impressão: Italia Maio 2004 Printed in Italy